Singela homenagem a Allan Kardec
No dia 31 de março de 1869, numa fria manhã de quarta-feira,
entre 11 e 12 horas, desencarna, pela ruptura de um aneurisma cardíaco, Allan Kardec.
Desde
1854, quando desperta o gigante para tarefa que lhe havia sido confiada por
Jesus Cristo e após 15 anos de ininterrupto trabalho dedicados à tarefa da
codificação, retorna à pátria espiritual com cabal cumprimento de sua missão.
Oportuno destacar, nesta vida luminosa
de incessante labor do Mestre Allan Kardec, um relato, que consta nas obras “Chico
Xavier à sombra do abacateiro” e “100 anos de Chico Xavier” organizadas por
Carlos Baccelli.
O referido episódio, narrado por Chico
Xavier, nos revela quando Kardec desejou criar aquela que seria a primeira
livraria espírita do mundo.
Era princípio do ano de 1869, nos
primeiros três meses do ano, Kardec e seus companheiros trabalhavam
intensamente com esta ideia, quando nos últimos dez dias do mês de março, Kardec
começou a sentir as dores no peito como prenúncio da sua próxima desencarnação.
Pressentindo este momento, provavelmente, o codificador dirige-se a sua esposa,
Amélie Gabrielle Boudet, desta maneira:
- Gabi eu me sinto indisposto, com muita dor no
peito, mas a inauguração da livraria espírita está prevista para o dia primeiro
de abril; faltam 5 dias por arranjar tudo para uma inauguração tão distinta
quanto possível. Eu não me sinto bem, mas no dia primeiro de abril eu tenho que
inaugurar a livraria.
Dona Gabi que além de
esposa nutria por Kardec um desvelo também maternal, obtemperou:
- Mas se você estiver com essa dor muito aumentada,
podemos deixar para outra semana, daqui a uns quinze dias.
Kardec se mostrava muito preocupado com os companheiros que já
haviam iniciado as viagens para Paris para cumprirem este compromisso. Fácil de
entender esta preocupação, pois naquela época, as viagens não eram fáceis, sendo
as mesmas feitas a cavalo.
Notemos o lúcido diálogo que se desenrolou entre ambos:
- Eu não posso desconsiderar os esforços e o
dinheiro que os irmãos gastaram para virem até aqui.
- Apesar disso tudo eu aconselharia você a adiar -
insistiu D. Gabi.
- Você me aconselha a adiar e se eu estiver muito
mal no dia primeiro de Abril ou que até tenha mesmo desencarnado, já que
estamos numa doutrina de caridade, o que é que você fará por mim, se eu estiver
incapacitado de ir até ao local da Livraria, já que a inauguração está prevista
para as 10 horas. Não podemos fazer os outros esperarem, isso também é
caridade.
- Já que sua decisão é tão firme, no caso desse ato
de inauguração se você piorar…
- E no caso de eu desencarnar?
- Mesmo assim, se você piorar ou desencarnar eu
irei no seu lugar.
No dia 31 de março ele desencarnou, e no primeiro dia do seu velório, em
1o de Abril, às 8 horas da manhã, Dona Gabi despediu-se do corpo do
esposo e disse a ele que ia cumprir a sua tarefa. Pediu-lhe desculpas por se
ausentar da casa e foi para o local da inauguração.
Amélie Gabrielle Boudet inaugurou a livraria, sem lágrimas, sem
lamentações, naturalmente que, com o coração arrasado de dor, mas presente,
cumprindo o prometido.
Chico arremata a emocionante e comovente narrativa, revelando que este
episódio, havia sido lido em francês para ele, pelo Dr. Canuto Abreu.
Chamado por Camille Flammarion, em seu discurso diante do túmulo do
codificador, como “o bom senso encarnado”,
Kardec partiu para a pátria espiritual sendo recebido por familiares e amigos
de luta que ombrearam com ele no trabalho da codificação da doutrina, além do
Espirito da Verdade, que veio recebê-lo, conduzindo-o até Jesus, preparando-o
para encarnação que já vinha próxima, na personalidade de Francisco Cândido
Xavier.
Uma missão como a delegada a Kardec, não poderia ser concluída numa só
existência. Fato é que as bases da doutrina estavam lançadas e bem fixadas,
assim como o propósito de restauração do Cristianismo havia sido realizado com
total êxito.
Neste dia 31 de março de 2025, cento e cinquenta e seis anos após a desencarnação
de Hippolyte Léon Denizard Rivail, nosso Mestre Allan Kardec, desejamos que a
sua trajetória continue sendo muito iluminada pela luz que já traz consigo e
que Jesus, nosso amoroso Governador espiritual da Terra, o abençoe, hoje e
sempre.
Referências
(1) Baccelli, Carlos A. À sombra do Abacateiro. 1ª ed. Editora IDEAL,
1986. 176p.
(2) Baccelli, Carlos A. 100 anos de Chico Xavier. 1ª ed.
Editora DIDIER, 2020, 464p.
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