segunda-feira, 31 de março de 2025

 

Singela homenagem a Allan Kardec

No dia 31 de março de 1869, numa fria manhã de quarta-feira, entre 11 e 12 horas, desencarna, pela ruptura de um aneurisma cardíaco, Allan Kardec.

 Desde 1854, quando desperta o gigante para tarefa que lhe havia sido confiada por Jesus Cristo e após 15 anos de ininterrupto trabalho dedicados à tarefa da codificação, retorna à pátria espiritual com cabal cumprimento de sua missão.

Oportuno destacar, nesta vida luminosa de incessante labor do Mestre Allan Kardec, um relato, que consta nas obras “Chico Xavier à sombra do abacateiro” e “100 anos de Chico Xavier” organizadas por Carlos Baccelli.

O referido episódio, narrado por Chico Xavier, nos revela quando Kardec desejou criar aquela que seria a primeira livraria espírita do mundo.

Era princípio do ano de 1869, nos primeiros três meses do ano, Kardec e seus companheiros trabalhavam intensamente com esta ideia, quando nos últimos dez dias do mês de março, Kardec começou a sentir as dores no peito como prenúncio da sua próxima desencarnação.

Pressentindo este momento, provavelmente, o codificador dirige-se a sua esposa, Amélie Gabrielle Boudet, desta maneira:

 

- Gabi eu me sinto indisposto, com muita dor no peito, mas a inauguração da livraria espírita está prevista para o dia primeiro de abril; faltam 5 dias por arranjar tudo para uma inauguração tão distinta quanto possível. Eu não me sinto bem, mas no dia primeiro de abril eu tenho que inaugurar a livraria.

 

Dona Gabi que além de esposa nutria por Kardec um desvelo também maternal, obtemperou:

 

- Mas se você estiver com essa dor muito aumentada, podemos deixar para outra semana, daqui a uns quinze dias.

 

Kardec se mostrava muito preocupado com os companheiros que já haviam iniciado as viagens para Paris para cumprirem este compromisso. Fácil de entender esta preocupação, pois naquela época, as viagens não eram fáceis, sendo as mesmas feitas a cavalo.

Notemos o lúcido diálogo que se desenrolou entre ambos:

 

- Eu não posso desconsiderar os esforços e o dinheiro que os irmãos gastaram para virem até aqui.

- Apesar disso tudo eu aconselharia você a adiar - insistiu D. Gabi.

- Você me aconselha a adiar e se eu estiver muito mal no dia primeiro de Abril ou que até tenha mesmo desencarnado, já que estamos numa doutrina de caridade, o que é que você fará por mim, se eu estiver incapacitado de ir até ao local da Livraria, já que a inauguração está prevista para as 10 horas. Não podemos fazer os outros esperarem, isso também é caridade.

- Já que sua decisão é tão firme, no caso desse ato de inauguração se você piorar…

- E no caso de eu desencarnar?

- Mesmo assim, se você piorar ou desencarnar eu irei no seu lugar.

 

No dia 31 de março ele desencarnou, e no primeiro dia do seu velório, em 1o de Abril, às 8 horas da manhã, Dona Gabi despediu-se do corpo do esposo e disse a ele que ia cumprir a sua tarefa. Pediu-lhe desculpas por se ausentar da casa e foi para o local da inauguração. 

Amélie Gabrielle Boudet inaugurou a livraria, sem lágrimas, sem lamentações, naturalmente que, com o coração arrasado de dor, mas presente, cumprindo o prometido.

Chico arremata a emocionante e comovente narrativa, revelando que este episódio, havia sido lido em francês para ele, pelo Dr. Canuto Abreu.

Chamado por Camille Flammarion, em seu discurso diante do túmulo do codificador, como “o bom senso encarnado”, Kardec partiu para a pátria espiritual sendo recebido por familiares e amigos de luta que ombrearam com ele no trabalho da codificação da doutrina, além do Espirito da Verdade, que veio recebê-lo, conduzindo-o até Jesus, preparando-o para encarnação que já vinha próxima, na personalidade de Francisco Cândido Xavier.

Uma missão como a delegada a Kardec, não poderia ser concluída numa só existência. Fato é que as bases da doutrina estavam lançadas e bem fixadas, assim como o propósito de restauração do Cristianismo havia sido realizado com total êxito.

Neste dia 31 de março de 2025, cento e cinquenta e seis anos após a desencarnação de Hippolyte Léon Denizard Rivail, nosso Mestre Allan Kardec, desejamos que a sua trajetória continue sendo muito iluminada pela luz que já traz consigo e que Jesus, nosso amoroso Governador espiritual da Terra, o abençoe, hoje e sempre.

Referências

(1) Baccelli, Carlos A. À sombra do Abacateiro. 1ª ed. Editora IDEAL, 1986. 176p.

(2) Baccelli, Carlos A. 100 anos de Chico Xavier. 1ª ed. Editora DIDIER, 2020, 464p.


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