Mediunidade ignorada
Todo aquele que sente,
num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa
faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio
exclusivo.
(Kardec, Allan –
O Livro dos Médiuns, capítulo XIV).
Mediunidade é atributo
peculiar ao psiquismo de todas as criaturas, e
não exclusiva de algumas
pessoas, ou de grupos religiosos. Ela é uma capacidade, uma faculdade do
espírito, que se aperfeiçoa pelo exercício e esforço pessoal. Por ser faculdade
neutra do espírito, a mediunidade não é sagrada, não é mística, não é mágica e
não é sobrenatural.
Em pioneira obra sobre o assunto, O Livro dos Médiuns, Allan
Kardec afirma:
“Pode, pois, dizer-se que
todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam
aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz
por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma
organização mais ou menos sensitiva.”
Portanto,
médium significa intermediário, medianeiro, intérprete, e existiram
em todos os tempos. Se na antiguidade eram mais conhecidos por adivinhos e
pitonisas e tempos depois, na idade média, podiam ser considerados feiticeiros
e bruxas, e frequentemente recomendados à fogueira ou à forca, pagavam com a
vida o conhecimento inabitual de que se faziam portadores.
A partir da
luz do conhecimento espírita, proporcionado pelos espíritos superiores à Kardec,
vimos saber que os médiuns permanecem em toda a parte, porque mediunidade é
meio de manifestação do Espírito em seus diversos degraus de evolução.
Desta
forma, com as definições de mediunidade acima descritas, temos uma concepção restrita,
embora real, desta faculdade do espírito. Na verdade, mediunidade vai muito
além.
Há uma
frase do Dr. Odilon, espírito presente nas obras do Dr. Inácio Ferreira, recebidas
pela psicografia do médium Carlos Baccelli, que retrata, para nós, cristalina
verdade:
“A mediunidade é, para o médium, a melhor
oportunidade de evolução na sua reencarnação.”
Estudos aprofundados e mais cuidadosos das
obras espíritas do médium Chico Xavier, como deve ser, notadamente aquelas
trazidas à lume pelo espírito de André Luiz, auxiliar-nos-á, seguramente, a
ampliar esta perspectiva, resgatando o conceito ensinado por Allan Kardec, de
que todos, conscientes ou não, somos médiuns.
Trazemos
aos nossos estudos e nossas reflexões, oportuno tema referente ao assunto que
dá título ao artigo, constante no capítulo dezoito do livro Mecanismo da
Mediunidade, onde André Luiz, psicografado por Chico Xavier, discorre sobre
interessantes aspectos que desejamos comentar.
Cada
ser humano, encarnado e também desencarnado, podem se associar, na forma da
influência, de acordo com as inclinações, conforme a onda mental que externa de
si mesmo.
Considerando
o planeta Terra e as dimensões espirituais que a circunvizinham, não
descartando a possibilidade de se estender para além deste limite, a
comunicação entre as almas no corpo ou fora dele, nas diversas formas em que
Allan Kardec, de maneira pioneira, a estudou em O Livro dos Médiuns, ocorre muito
além do período de uma reunião mediúnica de periodicidade semanal no Centro
Espírita.
Assim,
milhões de pessoas, independentemente de suas preferências e escolhas
religiosas, atendendo a ocorrências superiores, no desenvolvimento mediúnico que
vise a superação em direção à sublimação da criatura humana ou em associações
menos dignas, estabelecem relações mais ou menos duradouras determinando largos
processos de mediunidade ignorada, fatos esses corriqueiros e subestimados
em todas as épocas da Humanidade.
Somos
muito mais médiuns que imaginamos, embora muito menos do que nos compete um dia
ser.
Passemos
a ler e a estudar a mediunidade sob esta ótica, como uma faculdade inerente e
natural do espírito imortal e não como prerrogativa de alguns, notadamente espíritas,
assim como, não somente utilizada como abordagem do aspecto religioso ou
místico em uma determinada crença. Da mesma forma, comparativamente, o Mestre Jesus
não deve ser reconhecido somente como um líder religioso, místico ou um profeta
que protagonizou uma série de fenômenos extraordinários, mas sim como “o”
Espírito, governador espiritual de nosso planeta, símbolo da maior epopeia de amor
já vista e vivenciada pela Humanidade e, para muito além dos muros de um templo
religioso, veio nos servir de modelo e guia de homem integral em todos os campos
ou áreas da atuação do espírito humano, praticando as formas mais sublimes da
virtude apoiadas na ética Divina do “amai-vos
como eu vos amei” e do “fazer ao
outro o que o outro desejasse que a ele fosse feito”.
Voltaremos
ao assunto da mediunidade como poderosa ferramenta do processo evolutivo da
criatura humana, quando lúcida e conscientemente aplicada. Não esquecendo, entretanto,
que, se mal utilizada, abrirá sob nossos pés, larga vala de trevas, cuja
profundidade será compatível com nossos desacertos.
Referência
(1) Kardec, Allan. O Livro dos
Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 54ª ed. Brasília. Editora
FEB, 1944. 480p.
(2) Luiz, André. Mecanismos
da mediunidade. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª
ed. Brasília. Editora FEB, 1959. 188p.
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