segunda-feira, 10 de março de 2025

 

Mediunidade ignorada

Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo.

                         (Kardec, Allan – O Livro dos Médiuns, capítulo XIV).

 

Mediunidade é atributo peculiar ao psiquismo de todas as criaturas, e não exclusiva de algumas pessoas, ou de grupos religiosos. Ela é uma capacidade, uma faculdade do espírito, que se aperfeiçoa pelo exercício e esforço pessoal. Por ser faculdade neutra do espírito, a mediunidade não é sagrada, não é mística, não é mágica e não é sobrenatural.

Em pioneira obra sobre o assunto, O Livro dos Médiuns, Allan Kardec afirma: 

 

“Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva.”

 

Portanto, médium significa intermediário, medianeiro, intérprete, e existiram em todos os tempos. Se na antiguidade eram mais conhecidos por adivinhos e pitonisas e tempos depois, na idade média, podiam ser considerados feiticeiros e bruxas, e frequentemente recomendados à fogueira ou à forca, pagavam com a vida o conhecimento inabitual de que se faziam portadores.

A partir da luz do conhecimento espírita, proporcionado pelos espíritos superiores à Kardec, vimos saber que os médiuns permanecem em toda a parte, porque mediunidade é meio de manifestação do Espírito em seus diversos degraus de evolução.

Desta forma, com as definições de mediunidade acima descritas, temos uma concepção restrita, embora real, desta faculdade do espírito. Na verdade, mediunidade vai muito além.

Há uma frase do Dr. Odilon, espírito presente nas obras do Dr. Inácio Ferreira, recebidas pela psicografia do médium Carlos Baccelli, que retrata, para nós, cristalina verdade:


“A mediunidade é, para o médium, a melhor oportunidade de evolução na sua reencarnação.”


 Estudos aprofundados e mais cuidadosos das obras espíritas do médium Chico Xavier, como deve ser, notadamente aquelas trazidas à lume pelo espírito de André Luiz, auxiliar-nos-á, seguramente, a ampliar esta perspectiva, resgatando o conceito ensinado por Allan Kardec, de que todos, conscientes ou não, somos médiuns.

Trazemos aos nossos estudos e nossas reflexões, oportuno tema referente ao assunto que dá título ao artigo, constante no capítulo dezoito do livro Mecanismo da Mediunidade, onde André Luiz, psicografado por Chico Xavier, discorre sobre interessantes aspectos que desejamos comentar.

Cada ser humano, encarnado e também desencarnado, podem se associar, na forma da influência, de acordo com as inclinações, conforme a onda mental que externa de si mesmo.

Considerando o planeta Terra e as dimensões espirituais que a circunvizinham, não descartando a possibilidade de se estender para além deste limite, a comunicação entre as almas no corpo ou fora dele, nas diversas formas em que Allan Kardec, de maneira pioneira, a estudou em O Livro dos Médiuns, ocorre muito além do período de uma reunião mediúnica de periodicidade semanal no Centro Espírita.

Assim, milhões de pessoas, independentemente de suas preferências e escolhas religiosas, atendendo a ocorrências superiores, no desenvolvimento mediúnico que vise a superação em direção à sublimação da criatura humana ou em associações menos dignas, estabelecem relações mais ou menos duradouras determinando largos processos de mediunidade ignorada, fatos esses corriqueiros e subestimados em todas as épocas da Humanidade.

Somos muito mais médiuns que imaginamos, embora muito menos do que nos compete um dia ser.

Passemos a ler e a estudar a mediunidade sob esta ótica, como uma faculdade inerente e natural do espírito imortal e não como prerrogativa de alguns, notadamente espíritas, assim como, não somente utilizada como abordagem do aspecto religioso ou místico em uma determinada crença. Da mesma forma, comparativamente, o Mestre Jesus não deve ser reconhecido somente como um líder religioso, místico ou um profeta que protagonizou uma série de fenômenos extraordinários, mas sim como “o” Espírito, governador espiritual de nosso planeta, símbolo da maior epopeia de amor já vista e vivenciada pela Humanidade e, para muito além dos muros de um templo religioso, veio nos servir de modelo e guia de homem integral em todos os campos ou áreas da atuação do espírito humano, praticando as formas mais sublimes da virtude apoiadas na ética Divina do “amai-vos como eu vos amei” e do “fazer ao outro o que o outro desejasse que a ele fosse feito”.  

Voltaremos ao assunto da mediunidade como poderosa ferramenta do processo evolutivo da criatura humana, quando lúcida e conscientemente aplicada. Não esquecendo, entretanto, que, se mal utilizada, abrirá sob nossos pés, larga vala de trevas, cuja profundidade será compatível com nossos desacertos.

 

Referência

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 54ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 480p.

 (2) Luiz, André. Mecanismos da mediunidade. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1959. 188p.

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