segunda-feira, 24 de março de 2025

 

Casa bendita do espírito

“Amai, pois, a vossa alma, porém, cuidai igualmente do vosso corpo, instrumento daquela. Desatender as necessidades que a própria Natureza indica, é desatender a lei de Deus. Não castigueis o corpo pelas faltas que o vosso livre arbítrio o induziu a cometer e pelas quais é ele tão responsável quanto o cavalo mal  dirigido, pelos acidentes que                                                                                                        causa”.                 Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. XVII – Sede Perfeitos                                                   

Oportunos ensinamentos colhemos nas obras espíritas alusivas à formação do veículo material que reveste o espírito. Antes de individualizar-se em Espírito, o princípio inteligente, plasma no plano terrestre e no extraterrestre, vagarosamente, ao longo dos milênios, as conquistas, que mais tarde se notabilizam na vestimenta física, sublime instrumento do ser pensante, apropriado ao crescimento evolutivo.

Em vista disso, o corpo físico, refletindo o perispírito, que o modela, pode ser considerado a veste mais exterior do espírito. O conceito, bem desenvolvido no Espiritismo, de que o perispírito é o modelo organizador biológico do corpo físico, assim como, o carro físico, imprime naquele as marcas dos desequilíbrios que a si mesmo provoca, traz profundas consequências.

Crimes como o aborto e o suicídio, dentre outros, imprimem desajustes perispirituais, e estes refletirão sobre o corpo físico originando variados males, caracterizando as futuras reencarnações retificadoras. Ou seja, o corpo é o abençoado escoadouro das nossas mazelas e imperfeições, indicando-nos, quase sempre, onde se encontram nossas fragilidades. Enxerguemos, deste modo, que os males do corpo que tanto nos afligem, de fato, quando nos visitam, são o prenúncio da cura.

Na antiguidade, por acreditar que o corpo fosse responsável por todos os vícios e males que acometiam a criatura humana, homens se autoflagelavam a fim de buscar purificação. Seria algo como atribuir a responsabilidade pelo acidente de um carro desgovernado ao próprio veículo e não ao motorista.

No atual estágio evolutivo, para a sustentação do corpo físico, o homem é levado a observar cuidados como: alimentação, trabalho, repouso, viver de forma saudável e sem vícios, higiene física e cultivar nobres pensamentos e sentimentos.

Mas não guardemos a tola ilusão de que a longevidade do arcabouço físico à custa de existência saudável e equilibrada, embora recomendada, possa nos guardar das garras afiadas da morte, sendo muito mais racional encararmos que no mundo, somos nada mais que inquilinos do corpo.

 À medida que evolui, o espírito, residindo em planos mais elevados, se reveste de corpos mais sutis isentando-se das doenças próprias dos espíritos que vivem em planos de matéria mais densa como a Terra. 

Aliás na questão 677 de O Livro dos Espíritos os espíritos superiores esclarecem que:


“o trabalho do homem visa duplo fim: a conservação do corpo e  o desenvolvimento da faculdade de pensar” 

Como se vê, quem não trabalha, perde importante estímulo para desenvolver a inteligência e não favorece a conservação do corpo.

É comum somente valorizarmos uma dádiva bendita, depois que ela nos escapa das mãos. Neste aspecto, comumente quando exibimos mais ampla saúde ou adquirimos prosperidade social e/ou financeira e somos visitados por certas enfermidades que nos inutilizam a marcha ou somos abordados pela morte, é que atribuímos ao corpo físico a importância que ele merece.

Chico Xavier, do livro O Evangelho de Chico Xavier, de forma humilde e sublime, apresenta esse divino instrumento, na forma do amigo alterado:


“Eu sempre dispus de um companheiro que me auxiliou nos momentos difíceis da vida. Ele estava sempre pronto a me auxiliar, a me estender as mãos… Eu estou espiritualmente na melhor saúde e no meu melhor bom humor possível, conquanto a minha indigência. Mas esse amigo mudou bastante e eu tive de levá-lo ao médico. Tive de fazer exames e os exames vieram com algum comprometimento… Se quero me sentar, ele quer a cama, se me levanto, ele quer se sentar; se quero ir a algum lugar, ele tem dificuldade em me acompanhar… Esse amigo já ultrapassou os 70 janeiros… Ele quer a cadeira de balanço… E eu lutando com esse amigo. Não tenho podido estar com os meus amigos, como eu queria. Estou pedindo tolerância, perdão, paciência e bondade de todos, porque esse amigo está na condição de um obsessor pacífico ou amigo alterado. Esse amigo alterado é o meu corpo…”

Cientes de que o corpo físico, concedido por Deus à feição de perfeita máquina divina, reveste o espírito em conformidade com as nossas conquistas e defecções ao longo das vidas sucessivas, ele deve ser valorizado pelo nosso esforço constante, nos conduzindo à aquisição das virtudes iluminadas para a vida eterna. 

Oportuno recordar, que para cumprirem a existência na Terra, tanto Hitler, grande algoz da Humanidade, quanto Jesus, o Mestre do coração, vestiram um corpo de carne e osso.

(*) Todos os grifos são nossos

Referências

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(2) Baccelli, Carlos A. O Evangelho de Chico Xavier. 1ª ed. Editora Casa Editora Espírita “Pierre-Paul Didier”, 2000. 171p.

 

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