Casa
bendita do espírito
“Amai, pois, a vossa alma, porém, cuidai igualmente do vosso corpo, instrumento daquela. Desatender as necessidades que a própria Natureza indica, é desatender a lei de Deus. Não castigueis o corpo pelas faltas que o vosso livre arbítrio o induziu a cometer e pelas quais é ele tão responsável quanto o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa”. Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. XVII – Sede Perfeitos
Oportunos ensinamentos colhemos nas
obras espíritas alusivas à formação do veículo material que reveste o espírito.
Antes de individualizar-se em Espírito, o princípio inteligente, plasma no
plano terrestre e no extraterrestre, vagarosamente, ao longo dos milênios, as
conquistas, que mais tarde se notabilizam na vestimenta física, sublime
instrumento do ser pensante, apropriado ao crescimento evolutivo.
Em vista disso, o corpo físico, refletindo
o perispírito, que o modela, pode ser considerado a veste mais exterior do espírito.
O conceito, bem desenvolvido no Espiritismo, de que o perispírito é o modelo
organizador biológico do corpo físico, assim como, o carro físico, imprime
naquele as marcas dos desequilíbrios que a si mesmo provoca, traz profundas
consequências.
Crimes como o aborto e o suicídio,
dentre outros, imprimem desajustes perispirituais, e estes refletirão sobre o
corpo físico originando variados males, caracterizando as futuras reencarnações
retificadoras. Ou seja, o corpo é o abençoado escoadouro das nossas mazelas
e imperfeições, indicando-nos, quase sempre, onde se encontram nossas
fragilidades. Enxerguemos, deste modo, que os males do corpo que tanto nos afligem,
de fato, quando nos visitam, são o prenúncio da cura.
Na antiguidade, por acreditar que o
corpo fosse responsável por todos os vícios e males que acometiam a criatura
humana, homens se autoflagelavam a fim de buscar purificação. Seria algo como
atribuir a responsabilidade pelo acidente de um carro desgovernado ao próprio
veículo e não ao motorista.
No atual estágio evolutivo, para a
sustentação do corpo físico, o homem é levado a observar cuidados como:
alimentação, trabalho, repouso, viver de forma saudável e sem vícios, higiene
física e cultivar nobres pensamentos e sentimentos.
Mas não guardemos a
tola ilusão de que a longevidade do arcabouço físico à custa de existência saudável
e equilibrada, embora recomendada, possa nos guardar das garras afiadas da
morte, sendo muito mais racional encararmos que no mundo, somos nada mais que
inquilinos do corpo.
À medida que evolui, o espírito, residindo em planos mais elevados, se reveste de corpos mais sutis isentando-se das doenças próprias dos espíritos que vivem em planos de matéria mais densa como a Terra.
Aliás na
questão 677 de O Livro dos Espíritos os espíritos superiores esclarecem que:
“o trabalho do homem visa duplo fim: a conservação do corpo e o desenvolvimento da faculdade de pensar”
Como se vê, quem não trabalha, perde importante
estímulo para desenvolver a inteligência e não favorece a conservação do corpo.
É comum somente valorizarmos uma dádiva
bendita, depois que ela nos escapa das mãos. Neste aspecto, comumente quando
exibimos mais ampla saúde ou adquirimos prosperidade social e/ou financeira e somos
visitados por certas enfermidades que nos inutilizam a marcha ou somos
abordados pela morte, é que atribuímos
ao corpo físico a importância que ele merece.
Chico Xavier, do livro O Evangelho de Chico
Xavier, de forma humilde e sublime, apresenta esse divino instrumento, na forma
do amigo alterado:
“Eu sempre dispus de um companheiro que me auxiliou nos momentos difíceis da vida. Ele estava sempre pronto a me auxiliar, a me estender as mãos… Eu estou espiritualmente na melhor saúde e no meu melhor bom humor possível, conquanto a minha indigência. Mas esse amigo mudou bastante e eu tive de levá-lo ao médico. Tive de fazer exames e os exames vieram com algum comprometimento… Se quero me sentar, ele quer a cama, se me levanto, ele quer se sentar; se quero ir a algum lugar, ele tem dificuldade em me acompanhar… Esse amigo já ultrapassou os 70 janeiros… Ele quer a cadeira de balanço… E eu lutando com esse amigo. Não tenho podido estar com os meus amigos, como eu queria. Estou pedindo tolerância, perdão, paciência e bondade de todos, porque esse amigo está na condição de um obsessor pacífico ou amigo alterado. Esse amigo alterado é o meu corpo…”
Cientes de que o corpo físico, concedido por Deus à feição de perfeita máquina divina, reveste o espírito em conformidade com as nossas conquistas e defecções ao longo das vidas sucessivas, ele deve ser valorizado pelo nosso esforço constante, nos conduzindo à aquisição das virtudes iluminadas para a vida eterna.
Oportuno
recordar, que para cumprirem a existência na Terra, tanto
Hitler, grande algoz da Humanidade, quanto Jesus, o Mestre do coração, vestiram
um corpo de carne e osso.
(*) Todos os grifos são nossos
Referências
(1) Kardec, Allan. O Livro dos
Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed. Brasília.
Editora FEB, 1944. 494p.
(2) Baccelli, Carlos A. O Evangelho de Chico Xavier. 1ª ed.
Editora Casa Editora Espírita “Pierre-Paul Didier”, 2000. 171p.
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