segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

 

Mediunidade em destaque

            “Se bem cada um traga em si o gérmen das qualidades necessárias                     para se tornar médium, tais qualidades existem em graus muito                       diferentes e o seu desenvolvimento depende de causas que a ninguém é dado conseguir se verifiquem à vontade                                       Allan Kardec – Introdução – Livro dos Médiuns

 

Por ocasião do centenário de lançamento do Livro dos Médiuns (1861-1961) Emmanuel, no livro Seara dos Médiuns, afirma que no primeiro século a ciência procurou as realidades do espírito propiciando a Charles Richet articular as bases clássicas da Metapsíquica com êxito, utilizando-se de experimentos muito convincentes. Outros sábios, dentre os quais destacamos, Sir Willian Crookes, César Lombroso, Alfred Russel Wallace, Johann Karl Friedrich Zöllner, Sir Olive Joseph Lodge, realizaram experiências de incontestável valor, utilizando-se de médiuns destacados no período referido.

Desta forma, em consonância com os recursos da Ciência, se nos primeiros cem anos, foram projetadas as mais diversas questões e dúvidas pertinentes do homem em direção à esfera espiritual, pode-se considerar que, neste segundo século, a esfera espiritual, através dos benfeitores espirituais, além de outros espíritos pertencentes aos mais diversos graus evolutivos, passaram a atender às necessidades morais da criatura humana trazendo, em sentido oposto, os ensinamentos da esfera espiritual para a Terra.

        Muito embora, a mediunidade aos poucos tem despertado cada vez mais os interesses das pessoas nas mais diversas classes sociais, existem, ainda, imensos obstáculos para seu mais pleno entendimento. Sobre a dimensão da crosta e além dela, há espíritos em todos os níveis de sonolência que requerem tempo para despertar e como, dentro do processo natural de amadurecimento psíquico, o alimento espiritual deve ser oferecido de acordo com as necessidades do momento, por um tempo haveremos de enfrentar muita resistência.

A dificuldade reside, principalmente, na ignorância da maioria das pessoas a respeito da verdadeira natureza dos Espíritos.

Da união entre espírito e o corpo, que origina o ser humano, o espírito é o ser principal, pois é ele que pensa e sobretudo, sobrevive ao fenômeno da morte. Portanto, o corpo não passa de um invólucro, um acessório, como uma veste. 

Allan Kardec, através dos ensinos dos Espíritos, elucida-nos que, além deste corpo material o espírito possui um outro corpo de natureza semimaterial, apresentando como principal função, realizar a ligação entre o corpo e o espírito.

Em ocorrendo a morte, perde o espírito o corpo físico, continuando com o outro corpo denominado perispírito. Disso resulta que o espírito não é uma abstração ou somente uma estrutura vaporosa como algo de nossa imaginação; ele é sobretudo, um ser que pela existência deste corpo perispiritual, torna-se limitado, circunscrito e mantém a sua individualidade após a morte.

        Para dizimar a dúvida e auxiliar aqueles que, embora creiam na racionalidade dos postulados espíritas, ainda não acreditam na possibilidade da existência concreta dos espíritos e consequentemente da sua capacidade de comunicação com os homens encarnados, Kardec estabelece que a base sólida do edifício da crença racional seja admitir a existência de Deus e a existência da alma nos termos acima referidos.

Defende Kardec, que indaguemos aquele irmão duvidoso dos seus dons, dirigindo-lhe as seguintes questões:

Acredita em Deus?

Acredita que tens uma alma? 

Crê na sobrevivência da alma após a morte?  

se a resposta for negativa ou simplesmente não sei ou não tenho tanta certeza disso, respeitavelmente, afirma Kardec, seria inútil ir além nos estudos que  intencionam a iluminação da consciência duvidosa.

         Entendemos com essa afirmação que, há necessidade do candidato interessado em conhecer as questões alusivas à mediunidade que, no mínimo, além de possuir boa vontade em relação a estudos sérios, disciplinados e contínuos, apresente também uma mínima base para poder crer e, com segurança, seguir adiante.

 Da falta destas características no aprendiz é que se observam muitos companheiros que iniciam a jornada dos estudos e até da prática da mediunidade, e posteriormente acabam por desistir, notadamente quando se defrontam com a questão da dúvida ou da dificuldade de entender e colocar em prática que a rigor, a mediunidade seja comunicação de pensamento a pensamento de espírito a espírito.

         Por fim, falar, estudar e praticar a mediunidade não deve ser visto apenas como um cumprimento da natureza prática do espiritismo que analise, tão somente, a sobrevivência da alma além do sepulcro.

        Em posição muito mais elevada e nobre, a mediunidade esclarecida pelo incansável e árduo trabalho de Allan Kardec junto aos espíritos da codificação, trata-se de um processo de recuperação da dignidade humana e de sua moral. Isto porque, perante o materialismo irresponsável que se difunde a passos largos em todas as respeitáveis instituições humanas, trazer este assunto, sob o prisma do Evangelho de Jesus, é tarefa inadiável para o esclarecimento das pessoas e deve ser feito em regime de urgência. 

Referências

(1) Emmanuel. Seara dos médiuns. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 5ª ed. Brasília. Editora FEB, 1961. 234 p.

(2) Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 54ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 480p.

3 comentários:

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    1. Oi Ana Paula, este é o objetivo do BLOG. Multiplicar o conhecimento que amealhamos no contato com as obras espíritas.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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