segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

                             

Notícias de Júpiter – II

         

Regressando a nossos estudos e reflexões sobre a existência de vida em outros planetas, no caso, com total ênfase para Júpiter, remetemos o leitor à avaliação da questão 188 de O Livro dos Espíritos, a qual reproduzimos abaixo:  

“Os Espíritos puros habitam mundos especiais, ou se acham no espaço universal, sem estarem mais ligados a um mundo do que a outros”?

R. “Habitam certos mundos, mas não lhes ficam presos, como os homens à Terra; podem, melhor do que os outros, estar em toda parte.

Em nota a esta questão, Allan Kardec comenta sobre a escala de evolução espiritual de algumas das “moradas” do Sistema Solar:

“Segundo os Espíritos, de todos os mundos que compõem o nosso sistema planetário, a Terra é dos de habitantes menos adiantados, física e moralmente. Marte lhe estaria ainda abaixo, sendo-lhe Júpiter superior de muito, a todos os respeitos. O Sol não seria mundo habitado por seres corpóreos, mas simplesmente um lugar de reunião dos Espíritos superiores, os quais de lá irradiam seus pensamentos para os outros mundos, que eles dirigem por intermédio de Espíritos menos elevados, transmitindo-os a estes por meio do fluido universal”.

 

Baseados nesta nota de Kardec, nossa Terra está mal das pernas, sendo habitat de espíritos dos menos evoluídos do Sistema, apenas ficando à frente de Marte(1). Não é de se estranhar, portanto, o triste panorama que a caracteriza presentemente. Há muito trabalho a fazer pela frente, para elevarmos a Terra para categoria de mundo de Regeneração e creio que o Cristo deverá vir nos mostrar o caminho novamente.

Há ainda, interessante aspecto na referida nota, onde Kardec aborda as condições de longevidade dos residentes dos diferentes planetas, assim se expressando:

“As condições de longevidade não são, tampouco, em qualquer parte, as mesmas que na Terra e as idades não se podem comparar. Evocado, um Espírito que desencarnara havia alguns anos, disse que, desde seis meses antes, estava encarnado em mundo cujo nome nos é desconhecido. Interrogado sobre a idade que tinha nesse mundo, disse: “Não posso avaliá-la, porque não contamos o tempo como contais. Depois, os modos de existência não são idênticos. Nós, lá, nos desenvolvemos muito mais rapidamente. Entre tanto, se bem não haja mais de seis dos vossos meses que lá estou, posso dizer que, quanto à inteligência, tenho trinta anos da idade que tive na Terra”.

 

Esta a razão quando das comunicações, os espíritos revelarem a dificuldade para expressar questões alusivas ao tempo. “...as idades não se podem comparar...”

Definitivamente o Tempo parece não ter existência real e sua percepção está intimamente relacionado com a capacidade mental daquele que o experimenta. A impressão que se tem é que, para os espíritos notadamente superiores, o tempo literalmente voa, em comparação ao mesmo período vivido pelos espíritos inferiores. Na nota, o espírito comunicante afirma que vivendo por seis meses em um outro planeta, o qual ele não refere o nome, sua inteligência havia se desenvolvido como a uma pessoa com trinta anos de idade na Terra. Também é válido lembrar da questão 183 de O Livro dos Espíritos, onde Kardec afirma que o período da infância na Terra é dos mais obtusos. Com estas informações, pode-se deduzir que, nos orbes mais evoluídos, o período da infância é mais breve e com menos inconvenientes para o espírito.

Fizemos estes comentários, com a intenção de preparar o leitor para os informes que dão continuidade às notícias que desde a Revista Espírita do ano de 1858, estão à nossa disposição, sobre o planeta Júpiter.

Retomando o fio da meada, descrevíamos alguns aspectos físicos de Júpiter baseados em respostas dadas por um morador do próprio planeta (vide artigo anterior “Notícias de Júpiter I), tido como reino exclusivo do bem e da justiça, porquanto, nele habitam somente Espíritos bons.

Falemos agora do aspecto físico dos moradores.

ESTADO FÍSICO DOS HABITANTES

Pergunta - A conformação do corpo dos habitantes guarda relação com o nosso?

Resposta – Sim, é a mesma.

Pergunta - Podes dar-nos uma ideia de sua estatura, comparada à dos habitantes da Terra?

Resposta – Grandes e bem proporcionados. Maiores que os vossos maiores homens. O corpo do homem é como o molde de seu Espírito: belo, onde ele é bom; o envoltório é digno dele: não é mais uma prisão.

Pergunta - Lá os corpos são opacos, diáfanos ou translúcidos?

Resposta – Há uns e outros. Uns têm tal propriedade; outros têm outra, conforme sua destinação.

Pergunta - Sendo menos denso do que os nossos, o corpo dos habitantes de Júpiter é formado de matéria compacta e condensada, ou de matéria vaporosa?

Resposta – Compacta para nós; mas não o seria para vós: é menos condensada.

Pergunta - Concebemos isso para os corpos inertes, mas nossa questão refere-se aos corpos humanos.

Resposta – O corpo envolve o Espírito sem o ocultar, como um tênue véu lançado sobre uma estátua. Nos mundos inferiores o invólucro grosseiro oculta o Espírito a seus semelhantes; mas os bons nada têm a esconder: podem ler no coração uns dos outros. Que aconteceria se assim fosse na Terra?

 

    Faço um parêntese para erguer as mãos ao Céu e agradecer a Deus pela perfeição em tudo. Imaginem se aqui na Terra nos fosse possível ler o que vai no coração um do outro, conhecendo os mais íntimos pensamentos? Somente seres dotados de um coração com amor cristão, isentos de toda inveja, orgulho, ciúme e egoísmo, são capazes desta conquista. Continuemos:

       Pergunta - Há sexos diferentes?

Resposta – Sim; há sexo por toda parte onde existe a matéria; é uma lei da matéria.

Pergunta - Qual a base da alimentação dos habitantes? É animal e vegetal, como aqui?

Resposta – Puramente vegetal; o homem é o protetor dos animais.

Pergunta - Foi-nos dito que eles absorvem uma parte de sua alimentação do meio ambiente, do qual aspiram as emanações; isso é exato?

Resposta – Sim.

    Recordemos da sublime afirmação de Jesus, espírito puro:

“Meu alimento é fazer a vontade de meu Pai que me enviou a fazer a sua obra”. (João 4,34)

 

DURAÇÃO DA VIDA; INFÂNCIA; VELHICE E DOENÇAS

Pergunta - Comparada à nossa, a duração da vida é mais longa ou mais curta?

Resposta – Mais longa.

Pergunta - Qual é a duração média da vida?

Resposta – Como medir o tempo?

Pergunta - Não podes tomar um de nossos séculos por termo de comparação?

Resposta – Creio que mais ou menos cinco séculos.

Pergunta - O desenvolvimento da infância é proporcionalmente mais rápido que o nosso?

Resposta – O homem conserva a sua superioridade; a infância não comprime sua inteligência nem a velhice a extingue.

Pergunta  - Estão os homens sujeitos a doenças?

Resposta – Não estão sujeitos aos vossos males.

 

É razoável raciocinar, segundo aprendemos na própria doutrina, o estado mental de equilíbrio e paz que estes espíritos conquistaram, lhes propiciam uma veste física mais sutil e muito menos sujeita às vicissitudes que desencadeiam as doenças em planetas atrasados como na Terra. Consequentemente, mas não só em razão disso, a vida torna-se mais longa. Apenas como um exercício de raciocínio, perguntaríamos, se Jesus quando encarnado na Terra, não houvesse sido assassinado, quanto tempo ele viveria e qual seria a natureza de sua morte?

No próximo artigo concluiremos este interessante assunto.

(1) Adicionais informações sobre o perfil evolutivo dos espíritos habitantes de outros planetas do Sistema Solar, podem ser consultados no artigo: “Júpiter e alguns outros mundos” na Revista Espírita do mês de março de 1858.

 

Referência

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(1) Kardec, Allan. Revista Espírita. Conversas Familiares de Além-Túmulo - Descrição de Júpiter. Abril de 1858. 4ª ed.  Brasília. Editora FEB, 2004. 536p.


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

 

Notícias de Júpiter - I

Na Revista Espírita(1), do ano de 1858, encontra-se farto material de informações sobre o planeta Júpiter que, na oportunidade, é considerado o mais evoluído do nosso sistema solar.

Preliminarmente, Allan Kardec esclarece aos leitores que, conhecer o que acontece nos mundos desconhecidos é importante pois, o objetivo, como o próprio subtítulo da revista indica é, antes de tudo, o estudo dos fenômenos, nada devendo, portanto, ser negligenciado. A descrição fornecida pelos Espíritos deste planeta, de certo não se destinou a satisfazer à vã curiosidade das pessoas fúteis, mas sim com o objeto de estudo para quantos desejarem aprofundar-se em todos os mistérios da ciência espírita.

A revelação de mundos desconhecidos, afirma Kardec, não deve ser o objetivo capital da Doutrina e incorreria em erro quem o acreditasse. Trata-se, sem dúvida de um importante complemento, dado que o essencial será sempre o ensino moral procurando nas comunicações do além-túmulo, sobretudo aquilo que possa esclarecer a Humanidade e conduzi-la ao bem, único meio de lhe assegurar a felicidade em qualquer lugar que habite neste Universo.

Provavelmente muitos, inclusive espíritas, não acreditarão nestas informações, mas o que me importa se a tudo criticam e não aceitam, (ou não entendem), coisas mais palpáveis para nossa compreensão, como a realidade da morte e da reencarnação no mundo espiritual. No próprio planeta Terra existem fatos que a ciência humana ainda não decifra e muito menos consegue entender, como, por exemplo, a construção das pirâmides do Egito. Muitas vezes, não fazemos uma ideia aproximada de um país que nunca visitamos, pela descrição de viajantes que por lá estiveram?  Acrescentamos que, se realmente conhecemos e aceitamos a escala espírita apresentada pelos espíritos a Kardec no Livro dos Espíritos, as informações alusivas a Júpiter não nos deveria causar qualquer coisa que repugne à razão.

Lembremos que a doutrina espírita foi trazida à Terra pelos ensinos e informes dos espíritos, do mesmo modo, que a descrição feita pelo espírito Bernard Palissy, residente em Júpiter, recebida pelo médium Victorien Sardou, como se encontra no original da Revista Espírita.

Imagine (sem querer fazer trocadilho com famosa canção de John Lennon, mas já fazendo) um mundo sem habitantes maus, nem egoístas e orgulhosos, onde não há inimigos e a tão sonhada paz, reina.

Não é estimulante e consolador?

No texto a seguir, o codificador nos fornece interessante revelação:

“quanto ao estado dos diferentes globos conhecidos, sobre muitos temos recebido ensinamentos gerais, enquanto sobre outros apenas alguns detalhes; mas ainda não nos decidimos sobre a época mais conveniente para a sua publicação”.

De fato, acreditamos que Kardec ainda possuía um farto material que não foi trazido a público e que deve ter se perdido com o tempo, quem sabe? Sob meu ponto de vista, são textos que simplesmente ratificam o ensinamento de Jesus registrado no capítulo quatro de O Evangelho segundo o Espiritismo denominado “Há muitas moradas na casa de meu Pai”, onde o Mestre afirma:

“Crede em deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai, se assim não fosse, eu já vo-lo teria dito”

Acrescento de minha parte, como é possível deduzir da leitura dos textos originais da revista, que aliás, conclamamos a todos que procurem fazê-lo, se os habitantes de Júpiter morassem como nós, comessem, vivessem, dormissem e andassem como nós, não haveria grande vantagem em falar deles. É justamente porque seu planeta difere bastante do nosso que desejamos conhecê-lo e, quem sabe, com ele sonhar como nossa futura morada.

Feita esta importante ressalva, vamos falar de Júpiter, transcrevendo da Revista Espírita, algumas questões feitas pelo médium ao espírito comunicante, anteriormente nominados.

 

SOBRE O ESTADO FÍSICO DE JÚPITER:

Pergunta - Pode-se comparar a temperatura de Júpiter à de uma de nossas latitudes?

Resposta  – Não; ela é suave e temperada; sempre igual, enquanto a vossa varia. Lembrai dos Campos Elísios que vos foram descritos.

Pergunta - A temperatura varia segundo as latitudes, como na Terra?   

Resposta – Não.

Pergunta - Conforme nossos cálculos, o Sol deve aparecer aos habitantes de Júpiter sob um ângulo muito pequeno e, em consequência, dar-lhes pouca luz. Podes dizer-nos se a intensidade da luz é ali igual à da Terra ou se é menos forte?

Resposta – Júpiter é envolvido por uma espécie de luz espiritual que mantém relação com a essência de seus habitantes. A luz grosseira de vosso Sol não foi feita para eles.

Pergunta - Há uma atmosfera?

Resposta – Sim.

Pergunta - A atmosfera de Júpiter é formada dos mesmos elementos que a atmosfera terrestre?

Resposta – Não; os homens não são os mesmos; suas necessidades mudaram. 14. Existem água e mares? Resp. – Sim.

Pergunta - A água é formada dos mesmos elementos que a nossa?

Resposta – Mais etérea.

Pergunta - Há vulcões?

Resposta – Não; nosso globo não é atormentado como o vosso; lá, a Natureza não teve suas grandes crises; é a morada dos bem-aventurados; nele, a matéria mal existe.

Pergunta - As plantas têm analogia com as nossas?

Resposta – Sim, mas são mais belas.

 

No próximo artigo, falaremos do estado físico e moral dos habitantes e sobre os animais de Júpiter, além de outras importantes considerações.

 

(1) Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos. Revista publicada pela primeira vez em Paris, no dia 1º de janeiro de 1858, com periodicidade mensal. Foi publicada sob a responsabilidade direta de Allan Kardec até a sua desencarnação, ocorrida em 31 de março de 1869, quando então, passou a ser administrada pelos seus continuadores até os nossos dias. Compõe-se de 12 volumes (1858-1869) com 12 fascículos em cada ano, com exceção do último ano, quando, por sua desencarnação, ocorrida a 31 de março de 1869, Allan Kardec publicou três fascículos e deixou o fascículo de abril pronto. Então, vamos encontrar 4 fascículos de 1869 escritos e organizados por Allan Kardec, totalizando 136 fascículos. Somando quase sete mil páginas na versão brasileira, Kardec aborda os mais diversos assuntos, com ênfase nos princípios fundamentais em que se assenta o Espiritismo.

 

Referência

(1) Kardec, Allan. Revista Espírita. Conversas Familiares de Além-Túmulo - Descrição de Júpiter. Abril de 1858. 4ª ed.  Brasília. Editora FEB, 2004. 536p.

(2) Kardec, Allan. Revista Espírita. Observações a propósito dos desenhos de Júpiter. Agosto de 1858. 4ª ed.  Brasília. Editora FEB, 2004. 536p.

(3) Kardec, Allan. Revista Espírita. Habitações do planeta Júpiter. Agosto de 1858. 4ª ed.  Brasília. Editora FEB, 2004. 536p.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

 

Mediunidade em destaque

            “Se bem cada um traga em si o gérmen das qualidades necessárias                     para se tornar médium, tais qualidades existem em graus muito                       diferentes e o seu desenvolvimento depende de causas que a ninguém é dado conseguir se verifiquem à vontade                                       Allan Kardec – Introdução – Livro dos Médiuns

 

Por ocasião do centenário de lançamento do Livro dos Médiuns (1861-1961) Emmanuel, no livro Seara dos Médiuns, afirma que no primeiro século a ciência procurou as realidades do espírito propiciando a Charles Richet articular as bases clássicas da Metapsíquica com êxito, utilizando-se de experimentos muito convincentes. Outros sábios, dentre os quais destacamos, Sir Willian Crookes, César Lombroso, Alfred Russel Wallace, Johann Karl Friedrich Zöllner, Sir Olive Joseph Lodge, realizaram experiências de incontestável valor, utilizando-se de médiuns destacados no período referido.

Desta forma, em consonância com os recursos da Ciência, se nos primeiros cem anos, foram projetadas as mais diversas questões e dúvidas pertinentes do homem em direção à esfera espiritual, pode-se considerar que, neste segundo século, a esfera espiritual, através dos benfeitores espirituais, além de outros espíritos pertencentes aos mais diversos graus evolutivos, passaram a atender às necessidades morais da criatura humana trazendo, em sentido oposto, os ensinamentos da esfera espiritual para a Terra.

        Muito embora, a mediunidade aos poucos tem despertado cada vez mais os interesses das pessoas nas mais diversas classes sociais, existem, ainda, imensos obstáculos para seu mais pleno entendimento. Sobre a dimensão da crosta e além dela, há espíritos em todos os níveis de sonolência que requerem tempo para despertar e como, dentro do processo natural de amadurecimento psíquico, o alimento espiritual deve ser oferecido de acordo com as necessidades do momento, por um tempo haveremos de enfrentar muita resistência.

A dificuldade reside, principalmente, na ignorância da maioria das pessoas a respeito da verdadeira natureza dos Espíritos.

Da união entre espírito e o corpo, que origina o ser humano, o espírito é o ser principal, pois é ele que pensa e sobretudo, sobrevive ao fenômeno da morte. Portanto, o corpo não passa de um invólucro, um acessório, como uma veste. 

Allan Kardec, através dos ensinos dos Espíritos, elucida-nos que, além deste corpo material o espírito possui um outro corpo de natureza semimaterial, apresentando como principal função, realizar a ligação entre o corpo e o espírito.

Em ocorrendo a morte, perde o espírito o corpo físico, continuando com o outro corpo denominado perispírito. Disso resulta que o espírito não é uma abstração ou somente uma estrutura vaporosa como algo de nossa imaginação; ele é sobretudo, um ser que pela existência deste corpo perispiritual, torna-se limitado, circunscrito e mantém a sua individualidade após a morte.

        Para dizimar a dúvida e auxiliar aqueles que, embora creiam na racionalidade dos postulados espíritas, ainda não acreditam na possibilidade da existência concreta dos espíritos e consequentemente da sua capacidade de comunicação com os homens encarnados, Kardec estabelece que a base sólida do edifício da crença racional seja admitir a existência de Deus e a existência da alma nos termos acima referidos.

Defende Kardec, que indaguemos aquele irmão duvidoso dos seus dons, dirigindo-lhe as seguintes questões:

Acredita em Deus?

Acredita que tens uma alma? 

Crê na sobrevivência da alma após a morte?  

se a resposta for negativa ou simplesmente não sei ou não tenho tanta certeza disso, respeitavelmente, afirma Kardec, seria inútil ir além nos estudos que  intencionam a iluminação da consciência duvidosa.

         Entendemos com essa afirmação que, há necessidade do candidato interessado em conhecer as questões alusivas à mediunidade que, no mínimo, além de possuir boa vontade em relação a estudos sérios, disciplinados e contínuos, apresente também uma mínima base para poder crer e, com segurança, seguir adiante.

 Da falta destas características no aprendiz é que se observam muitos companheiros que iniciam a jornada dos estudos e até da prática da mediunidade, e posteriormente acabam por desistir, notadamente quando se defrontam com a questão da dúvida ou da dificuldade de entender e colocar em prática que a rigor, a mediunidade seja comunicação de pensamento a pensamento de espírito a espírito.

         Por fim, falar, estudar e praticar a mediunidade não deve ser visto apenas como um cumprimento da natureza prática do espiritismo que analise, tão somente, a sobrevivência da alma além do sepulcro.

        Em posição muito mais elevada e nobre, a mediunidade esclarecida pelo incansável e árduo trabalho de Allan Kardec junto aos espíritos da codificação, trata-se de um processo de recuperação da dignidade humana e de sua moral. Isto porque, perante o materialismo irresponsável que se difunde a passos largos em todas as respeitáveis instituições humanas, trazer este assunto, sob o prisma do Evangelho de Jesus, é tarefa inadiável para o esclarecimento das pessoas e deve ser feito em regime de urgência. 

Referências

(1) Emmanuel. Seara dos médiuns. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 5ª ed. Brasília. Editora FEB, 1961. 234 p.

(2) Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 54ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 480p.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

                                             Atirando pedras

                                                         “Quem de vós estiver sem pecado,                                                      seja o primeiro a lhe atirar uma pedra”  Jesus (João 8:7)

Extremamente rico de ensinamentos o episódio da mulher pega em adultério e exposta em praça pública para ser julgada. São verdadeiras palavras de vida eterna que, como toda lição do Mestre Jesus, permanecem aguardando que cada um de nós as submetamos às nossas mais profundas reflexões.

Como fenômeno central de todos os tempos, destaca-se, na sociedade contemporânea, o hábito do julgamento imediato dos fatos e das pessoas. Por outro lado, muitas vezes, receando falsos julgamentos, que possam comprometer a nossa posição social colocando em risco o que de fato ainda não conquistamos, recuamos ante o bem que aguarda pela nossa realização.

Qualquer um, na eminência de emitir opiniões relativamente às falhas alheias, deveria se cuidar e manifestar grande cautela. Que interrogue a si próprio, antes de atender às tentações acusatórias:

Estarei, de fato, em condições de julgar alguém? Da condenação do mal que irei acusar já me encontro plenamente isento? Estou habilitado, na questão em cena, a penetrar no campo real das causas que a deflagraram? Encontro-me em determinada condição evolutiva, que me permita analisar o acontecimento através de todos os ângulos?

E ainda: Naquele que comete a defecção, talvez de sua queda não poderá surgir novo horizonte, em atenção às sublimes e insondáveis resoluções de Jesus, em relação às necessidades do amigo que se expõe?

Lembre-se que da boca de quem é imperfeito e desvirtuado, somente podem surgir análises maliciosas, interessadas e raramente escoimadas de erro.

Mas se:

 - já nos encontramos redimidos e isentos de toda culpa;

- somos modelo de perfeição tomados como exemplo de caráter e honradez;

- as fragilidades daquele que está sob nossa mira de acusação de há muito não mais nos incomoda o íntimo;

- estamos já imunes, daqui para frente, a falir; arrisquemo-nos a atirar a primeira pedra.  

A palavra de Jesus, nesse particular, não padece qualquer dúvida: “Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra”,

Porém, não esqueçamos que Ele mesmo não quis fazê-lo.

  Singela homenagem a Allan Kardec No dia 31 de março de 1869, numa fria manhã de quarta-feira, entre 11 e 12 horas, desencarna, pela rupt...