segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

                                                     Exílio espiritual

                        “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os                                        anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai”.                                                                                         Jesus (Mateus 24:36)

                                         “Ninguém consegue verdadeiramente mudar,                                          sem, primeiro, estruturar a mudança dentro de si”.                                                                                               Odilon Fernandes

Jesus nos ensina no sermão das bem-aventuranças: “Apenas os mansos e pacíficos herdarão a Terra”. Neste contexto, fica a dica, Jesus faz da brandura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência, uma lei, para os que intencionam herdar um mundo melhor.

A Terra está caminhando para ser um mundo de regeneração, deixando a condição de expiações e provas. Semelhante ao que um dia aconteceu em Capela, o exílio espiritual na Terra, está se aproximando. Naquele planeta distante, os espíritos revoltosos que não lograram exibir as características acima mencionadas, foram banidos para mundos distantes, sendo um deles, a Terra. Aliás, num pequeno parêntese, afirmamos que, desta descida dos irmãos capelinos à Terra, é que chegou até nós, espíritos primitivos, a noção da reencarnação; porém isso é assunto para outro artigo.

A situação do mundo está piorando, mas, antes de melhorar, vai piorar mais. Não é pessimismo não, é constatação. Basta ver o que o homem tem feito com a natureza, provocando dela, naturais reações que poderão deflagrar a insustentabilidade da vida, tal como a conhecemos no planeta. Vejamos também as catástrofes climáticas, as epidemias. Não é necessário se surpreender. Já está acontecendo há algum tempo e é da vontade de Deus que assim seja.

Destacamos a questão 737 de O Livro dos Espíritos onde Kardec indaga: "Com que fim Deus castiga a Humanidade com flagelos destruidores"? 

 - Para fazê-la avançar mais depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição? É necessário ver o fim, para se apreciar os resultados. Não julgais essas coisas senão do vosso ponto de vista pessoal, e as chamais flagelos por causa dos prejuízos que vos causam, mas esses transtornos são frequentemente necessários, para fazerem que as coisas cheguem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.

Os espíritos recalcitrantes, não sinceramente empenhados em sua renovação, não encontrarão mais ambiente para continuar vivendo na Terra. Como já vem acontecendo, serão gradativamente apartados. Exilados para outras moradas da casa do pai de acordo com a sua capacidade evolutiva. 

O tempo é o grande saneador da vida e nada lhe escapa à ação constante e inexorável e não se submete aos caprichos de ninguém. 

Afinal, quem é capaz de prever o que lhe acontecerá no minuto seguinte.

 

Essas considerações são concernentes não somente os irmãos encarnados, mas também aos desencarnados que se contam aos milhares, presos à psicosfera terrestre. Muitos deles na expectativa de renascer em meio aos homens, não mais poderão fazê-lo. Presentemente muitos que se encontram reencarnados estão desfrutando da última oportunidade de alcançar o passaporte que, seguro, os conduziriam a novas e harmônicas plagas.

 

Importante enfatizar que os espíritos exilados do planeta Terra, serão conduzidos para as dimensões espirituais do mundo que haverá de acolhê-los. Configura-se, desta forma, a reencarnação no mundo espiritual, isto é, os espíritos precisarão nascer na referida dimensão antes de reencarnar no mundo físico.  Esta fase prévia à reencarnação no ambiente propriamente físico, torna-se indispensável para uma ambientação dos espíritos e que pode durar séculos; ou seja, primeiro os espíritos conviverão, na esfera extrafísica do orbe em que irão reencarnar, com as entidades das quais descenderão.

Este período, chamado por Allan Kardec de erraticidade, será fundamental e somente após esta fase, se submeterão a modificações no corpo espiritual, que lhes modelará o novo corpo físico, favorecendo a reencarnação.

 

No livro Terra Prometida, ditado por Inácio Ferreira, através do médium Carlos Baccelli, há um interessante diálogo que se estabelece entre o médico psiquiatra e o Dr. Odilon Fernandes, ambos desencarnados, sobre a questão em destaque.

Refere-se assim o Dr. Inácio Ferreira:


- “Realmente trata-se de um tema tanto de abordagem quanto de compreensão difíceis. Não é fácil entender como os espíritos exilados haverão de sair do nosso sistema gravitacional da Terra, deslocando-se às imediações do planeta que está sendo preparado para recebê-los”.


E o Dr. Odilon responde: 


- “É uma questão física e psíquica ao mesmo tempo; seu psiquismo embora em nível de inconsciência, já está registrando as influências do orbe e se desloca no espaço à feição de um grande comboio com trajetória pré-fixada - comboio que recolherá milhares e milhares de passageiros distribuídos ao longo de todo o percurso que efetuará”. 

E quanto ao aspecto físico, Odilon adiciona: 

- “De fato existe uma atração magnética incoercível sendo exercida à distância: é um problema de sintonia envolvendo a densidade e, consequentemente, o peso específico do corpo espiritual que nos reveste”.

 

O natural processo seletivo está entrando numa fase de afunilamento, ou seja, a porta estreita referida pelo Mestre, ainda mais está se estreitando.

Entre outros, as epidemias dizimadoras, as desencarnações coletivas em guerras e desastres e o controle da natalidade, são fatores limitadores da explosão demográfica experimentada nas últimas décadas.

 

Por habitarmos um planeta de expiações e provas, o alerta do Cristo “vigiai e orai” procura manter-nos sempre de sobreaviso, para que possíveis reveses, tão comuns em nossa atual condição evolutiva, possam ser atenuados, dependendo do mérito obtido pelo espírito.

 

Procuremos, portanto, trabalhar atendendo aos ditames da Doutrina Espírita, baseando nossas atitudes na moral cristã, cumprindo, através de nossos exemplos os desígnios divinos, não frequentando os mesmos caminhos, que outrora, por nossos passos invigilantes, nos fizeram perder.


Referências

(1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 410p.

(2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(3) Ferreira, Inácio. Terra Prometida. Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Uberaba. Editora DIDIER, 2009. 301p

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