Exílio espiritual
“Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai”. Jesus (Mateus 24:36)
Jesus nos ensina no
sermão das bem-aventuranças: “Apenas
os mansos e pacíficos herdarão a Terra”. Neste contexto, fica a dica, Jesus faz
da brandura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência, uma
lei, para os que intencionam herdar um mundo melhor.
A Terra está caminhando
para ser um mundo de regeneração, deixando a condição de expiações e provas. Semelhante
ao que um dia aconteceu em Capela, o exílio espiritual na Terra, está se aproximando.
Naquele planeta distante, os espíritos revoltosos que não lograram exibir as características acima mencionadas, foram banidos para mundos
distantes, sendo um deles, a Terra. Aliás, num pequeno parêntese, afirmamos
que, desta descida dos irmãos capelinos à Terra, é que chegou até nós,
espíritos primitivos, a noção da reencarnação; porém isso é assunto para outro
artigo.
A situação do mundo está
piorando, mas, antes de melhorar, vai piorar mais. Não é pessimismo não, é
constatação. Basta ver o que o homem tem feito com a natureza, provocando dela,
naturais reações que poderão deflagrar a insustentabilidade da vida, tal como a
conhecemos no planeta. Vejamos também as catástrofes climáticas, as epidemias.
Não é necessário se surpreender. Já está acontecendo há algum tempo e é da vontade
de Deus que assim seja.
Destacamos a questão 737
de O Livro dos Espíritos onde Kardec indaga: "Com
que fim Deus castiga a Humanidade com flagelos destruidores"?
- Para fazê-la avançar mais
depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral
dos espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição?
É necessário ver o fim, para se apreciar os resultados. Não julgais essas
coisas senão do vosso ponto de vista pessoal, e as chamais flagelos por causa
dos prejuízos que vos causam, mas esses transtornos são frequentemente
necessários, para fazerem que as coisas cheguem mais prontamente a uma ordem
melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.
Os espíritos recalcitrantes, não sinceramente empenhados em sua renovação, não encontrarão mais ambiente para continuar vivendo na Terra. Como já vem acontecendo, serão gradativamente apartados. Exilados para outras moradas da casa do pai de acordo com a sua capacidade evolutiva.
O tempo é o grande saneador
da vida e nada lhe escapa à ação constante e inexorável e não se submete aos caprichos
de ninguém.
Afinal, quem é capaz de
prever o que lhe acontecerá no minuto seguinte.
Essas considerações são
concernentes não somente os irmãos encarnados, mas também aos desencarnados que
se contam aos milhares, presos à psicosfera terrestre. Muitos deles na
expectativa de renascer em meio aos homens, não mais poderão fazê-lo. Presentemente
muitos que se encontram reencarnados estão desfrutando da última oportunidade
de alcançar o passaporte que, seguro, os conduziriam a novas e harmônicas plagas.
Importante enfatizar que os
espíritos exilados do planeta Terra, serão conduzidos para as dimensões
espirituais do mundo que haverá de acolhê-los. Configura-se, desta forma, a
reencarnação no mundo espiritual, isto é, os espíritos precisarão nascer na
referida dimensão antes de reencarnar no mundo físico. Esta fase prévia à reencarnação no ambiente
propriamente físico, torna-se indispensável para uma ambientação dos espíritos
e que pode durar séculos; ou seja, primeiro os espíritos conviverão, na esfera
extrafísica do orbe em que irão reencarnar, com as entidades das quais
descenderão.
Este período, chamado por
Allan Kardec de erraticidade, será fundamental e somente após esta fase, se
submeterão a modificações no corpo espiritual, que lhes modelará o novo corpo
físico, favorecendo a reencarnação.
No livro Terra Prometida,
ditado por Inácio Ferreira, através do médium Carlos Baccelli, há um
interessante diálogo que se estabelece entre o médico psiquiatra e o Dr. Odilon
Fernandes, ambos desencarnados, sobre a questão em destaque.
Refere-se assim o Dr. Inácio
Ferreira:
- “Realmente trata-se de um tema tanto de abordagem quanto de compreensão
difíceis. Não é fácil entender como os espíritos exilados haverão de sair do
nosso sistema gravitacional da Terra, deslocando-se às imediações do planeta
que está sendo preparado para recebê-los”.
E o Dr. Odilon responde:
- “É uma questão física e
psíquica ao mesmo tempo; seu psiquismo embora em nível de inconsciência,
já está registrando as influências do orbe e se desloca no espaço à feição de
um grande comboio com trajetória pré-fixada - comboio que recolherá
milhares e milhares de passageiros distribuídos ao longo de todo o percurso que
efetuará”.
E quanto ao aspecto físico,
Odilon adiciona:
- “De fato existe uma atração
magnética incoercível sendo exercida à distância: é um problema de sintonia
envolvendo a densidade e, consequentemente, o peso específico do corpo
espiritual que nos reveste”.
O natural processo seletivo
está entrando numa fase de afunilamento, ou seja, a porta estreita referida
pelo Mestre, ainda mais está se estreitando.
Entre outros, as epidemias
dizimadoras, as desencarnações coletivas em guerras e desastres e o controle da
natalidade, são fatores limitadores da explosão demográfica experimentada nas
últimas décadas.
Por habitarmos um planeta de
expiações e provas, o alerta do Cristo “vigiai
e orai” procura manter-nos sempre de sobreaviso, para que possíveis
reveses, tão comuns em nossa atual condição evolutiva, possam ser atenuados,
dependendo do mérito obtido pelo espírito.
Procuremos, portanto,
trabalhar atendendo aos ditames da Doutrina Espírita, baseando nossas atitudes
na moral cristã, cumprindo, através de nossos exemplos os desígnios divinos, não
frequentando os mesmos caminhos, que outrora, por nossos passos invigilantes,
nos fizeram perder.
Referências
(1) Kardec, Allan. O Evangelho
Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília.
Editora FEB, 1944. 410p.
(2) Kardec, Allan. O Livro dos
Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed. Brasília.
Editora FEB, 1944. 494p.
(3) Ferreira, Inácio. Terra
Prometida. Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Uberaba.
Editora DIDIER, 2009. 301p