Há crianças no mundo espiritual? – Parte II
Todos que convivem com crianças e observam as
atitudes pueris e inocentes, peculiares desta fase graciosa, não as reconhece
mais quando o ser adentra a adolescência e atinge a fase adulta.
Mas como explicar? Como entender se o Espírito
é exatamente o mesmo?
O que explica é que o Espírito, durante esta
fase, reveste-se com as características e modos infantis, justificado pela
forte influência exercida e pela imaturidade dos órgãos do corpo físico.
Pertinente transcrevermos a questão 380 de o
livro dos Espíritos.
“Abstraindo
do obstáculo que a imperfeição dos órgãos opõe à sua livre manifestação, o
Espírito, numa criancinha, pensa como criança ou como adulto”?
“Desde que se trate de uma criança, é
claro que, não estando ainda nela desenvolvidos, não podem os órgãos da
inteligência dar toda a intuição própria de um adulto ao Espírito que a anima.
Este, pois, tem, efetivamente, limitada a inteligência, enquanto a idade lhe
não amadurece a razão. A perturbação que o ato da encarnação produz no Espírito
não cessa de súbito, por ocasião do nascimento. Só gradualmente se dissipa, com
o desenvolvimento dos órgãos. Há um fato de observação, que apoia esta
resposta. Os sonhos, numa criança, não apresentam o caráter dos de um adulto.
Quase sempre pueril é o objeto dos sonhos infantis, o que indica de que
natureza são as preocupações do respectivo Espírito. ”
Se assim se dá por ocasião da encarnação do espírito, precisamos compreender o que ocorre no outro extremo da existência física.
Por ocasião da morte, o perispírito irá se desligar da matéria
mais grosseira (corpo físico) a qual se achava unido, de maneira mais ou menos
lenta, de acordo com a condição evolutiva do Espírito.
Se para reencarnar o perispírito sofre a
influência da mente para oferecer a matriz da formação da indumentária física,
ao morrer, sob o influxo diretor da mente, o mesmo perispírito, irá ditar o
aspecto físico que teremos no mundo espiritual.
Bem, vamos tratar do caso de desencarnação na
fase infantil que de fato, é o que, neste post, nos interessa elucidar.
Quando o desencarne ocorre durante a fase
infantil da vida física, o perispírito poderá manter a forma
física de criança no mundo espiritual. Recorde-se que, no artigo anterior, aprendemos
que o perispírito, sob o influxo diretriz do espírito, é o responsável pelo
estabelecimento da forma humana.
No Espírito é que está a consciência. Nele o
comando. O Perispírito, conquanto composto por matéria mais sutil que a do
corpo físico, ainda é matéria, porém, por esta composição, digamos, mais
maleável, altera sua forma, com maior ou menor velocidade, após a morte.
Quanto mais evolui o Espírito, tanto mais
etérea se torna a essência do perispírito, donde
se segue que a influência material diminui à medida que o Espírito progride,
isto é, à medida que o próprio
perispírito se torna menos grosseiro. Quer dizer que, quanto mais
evoluído for o Espírito, menos sujeito estará às impressões influenciadoras da
matéria.
No capítulo 29 do livro Entre a Terra e o Céu recebido
pela psicografia de Chico Xavier, o autor Espiritual André Luiz mantém
proveitoso diálogo com Hilário e o Ministro Clarêncio. Dialogando sobre a
reencarnação o ministro apresenta curiosa e sábia comparação:
“Imaginemos um pêssego amadurecido,
lançado à cova escura, a fim de renascer.
Decomposto em sua estrutura, restituirá aos reservatórios da Natureza
todos os elementos da polpa e dos demais envoltórios que lhe revestem os
princípios vitais, reduzindo-se no imo do solo ao embrião minúsculo que se
transformará, no espaço e no tempo, em novo pessegueiro”.
Hilário aproveita o ensinamento do didático
exemplo e dirige uma questão ao instrutor que vem sedimentar nossos
conhecimentos sobre o tema que nos interessa. Vejamos o texto:
“Então, por isso é que as crianças
desencarnadas reclamam período de tempo mais ou menos longo para demonstrarem
crescimento mental, como ocorre na existência comum...”
E Clarêncio responde:
“Isso acontece com a maioria, de vez
que há exceções na regra. Em muitas circunstâncias, semelhante imposição não
existe. Quando a mente já desenvolveu certas qualidades, aprimorando-se em mais
altos degraus de sublimação espiritual, pode arrojar de si mesma os elementos
indispensáveis à composição dos veículos de exteriorização (entenda-de
perispírito), de que necessite em planos que lhe sejam inferiores.
Nesses casos, o Espírito já domina
plenamente as leis de aglutinação da matéria, no campo de luta que nos é
conhecido e, por esse motivo, governa o fenômeno da própria reencarnação sem
subordinar-se a ele.
Como vemos, na mente reside o comando.
A consciência traça o destino, o corpo reflete a alma. Toda agregação de
matéria obedece a impulsos do espírito. Nossos pensamentos fabricam as formas
de que nos utilizamos na vida”.
Quando a mente já desenvolveu “certas qualidades” e o “domínio pleno das leis de aglutinação da matéria”, enfatizamos.
Sem dúvida são fatores que franqueiam ao
Espírito, quando desencarna na fase infantil, restituir sua mente e aspecto
físico na forma desejada. Ao contrário, quando estas qualidades
ainda não fazem parte do patrimônio espiritual, deve a criatura desenvolver-se
física e mentalmente no mundo espiritual, obedecendo aos rígidos ditames da lei
que diz quanto mais apegado aos bens materiais, mais materializado se achar o
homem, tanto maior serão os laços que o prendem à matéria e, portanto, mais
difícil e penoso lhe será libertar-se destas impressões, cuja duração,
percebe-se, pode variar ao infinito.
Claríssima a explicação.
Dependendo da condição evolutiva do Espírito,
a refletir no seu maior ou menor desprendimento dos clichês e condicionamentos
mentais, que muitas vezes a vida na Terra se nos impõe, a capacidade da mente
em disparar comandos para as necessárias modificações perispirituais, ocorrerá
com maior ou menor intensidade e rapidez.
Entendido?
Vale
dizer que todas as crianças que aportam o mundo espiritual pela desencarnação,
são acolhidas e encaminhadas, observadas suas necessidades, para setores
apropriados, sempre por espíritos amorosos prontos a recebê-los, favorecendo a recuperação e a continuidade
de seu desenvolvimento, interrompido no cenário terrestre. Brincar, correr,
cantar, enfim coisas comuns que qualquer criança, na Terra realiza. No mundo
espiritual por que não a continuidade das atividades normais de uma criança?
Não há criança abandonada no mundo espiritual.
As almas das crianças, volvem ao mundo espiritual,
pois a alma possuía sua individualidade antes de encarnar e a conserva após a
separação do corpo.
Mesmo nos casos da desencarnação por graves
enfermidades, envolvidos em acidentes e por inexplicáveis quanto inaceitáveis
crimes que elas sofrem e que nos desafiam a permanecer firmes na fé ao Divino. Haverá nisso alguma
impossibilidade, alguma coisa que repugne à razão? De modo nenhum, tudo, ao
contrário, nos afirma que não pode ser de outra maneira, recordando os
atributos divinos.
Sem pretensão de esgotar este assunto, que é complexo e que requereria muitas outras reflexões e estudos, concluímos afirmando, que no mundo espiritual adjunto à dimensão em que habitamos, as crianças que por lá existem possuem duas origens. Uma delas é essa que acabamos de explanar, ou seja, crianças que desencarnam ainda na fase infantil na Terra e mantém a forma infantil, por período transitório, na dimensão espiritual em que passam a habitar. A outra origem, é aquela de crianças que nascem no próprio mundo espiritual.
Mas isso, já é uma outra história!!!!!!!
* Todos os grifos são meus
Referências
(1)
Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro.
67ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.
(2)
Luiz, André. Entre a Terra e o Céu. Psicografado por Francisco
Cândido Xavier. 17ª ed. Brasília. Editora FEB, 1954. 266 p.
Nenhum comentário:
Postar um comentário