segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

 

Há crianças no mundo espiritual? – Parte II

 Ao reencarnar o espírito necessita do perispírito para auxiliar na formação do novo corpo físico que irá habitar, como visto no artigo anterior. Por esta razão, a infância é uma fase necessária e importante para a adaptação do espírito às suas novas condições existências e como período propício aos que lhe são responsáveis para educá-los. Com o passar do tempo e consequente desenvolvimento dos órgãos físicos, o espírito também se desenvolve.

Todos que convivem com crianças e observam as atitudes pueris e inocentes, peculiares desta fase graciosa, não as reconhece mais quando o ser adentra a adolescência e atinge a fase adulta.

Mas como explicar? Como entender se o Espírito é exatamente o mesmo?                             

O que explica é que o Espírito, durante esta fase, reveste-se com as características e modos infantis, justificado pela forte influência exercida e pela imaturidade dos órgãos do corpo físico.

Pertinente transcrevermos a questão 380 de o livro dos Espíritos.

“Abstraindo do obstáculo que a imperfeição dos órgãos opõe à sua livre manifestação, o Espírito, numa criancinha, pensa como criança ou como adulto”?

“Desde que se trate de uma criança, é claro que, não estando ainda nela desenvolvidos, não podem os órgãos da inteligência dar toda a intuição própria de um adulto ao Espírito que a anima. Este, pois, tem, efetivamente, limitada a inteligência, enquanto a idade lhe não amadurece a razão. A perturbação que o ato da encarnação produz no Espírito não cessa de súbito, por ocasião do nascimento. Só gradualmente se dissipa, com o desenvolvimento dos órgãos. Há um fato de observação, que apoia esta resposta. Os sonhos, numa criança, não apresentam o caráter dos de um adulto. Quase sempre pueril é o objeto dos sonhos infantis, o que indica de que natureza são as preocupações do respectivo Espírito. ”

Se assim se dá por ocasião da encarnação do espírito, precisamos compreender o que ocorre no outro extremo da existência física.

Por ocasião da morte, o perispírito irá se desligar da matéria mais grosseira (corpo físico) a qual se achava unido, de maneira mais ou menos lenta, de acordo com a condição evolutiva do Espírito.

Se para reencarnar o perispírito sofre a influência da mente para oferecer a matriz da formação da indumentária física, ao morrer, sob o influxo diretor da mente, o mesmo perispírito, irá ditar o aspecto físico que teremos no mundo espiritual.  

Bem, vamos tratar do caso de desencarnação na fase infantil que de fato, é o que, neste post, nos interessa elucidar.

Quando o desencarne ocorre durante a fase infantil da vida física, o perispírito poderá manter a forma física de criança no mundo espiritual. Recorde-se que, no artigo anterior, aprendemos que o perispírito, sob o influxo diretriz do espírito, é o responsável pelo estabelecimento da forma humana.

No Espírito é que está a consciência. Nele o comando. O Perispírito, conquanto composto por matéria mais sutil que a do corpo físico, ainda é matéria, porém, por esta composição, digamos, mais maleável, altera sua forma, com maior ou menor velocidade, após a morte.

Quanto mais evolui o Espírito, tanto mais etérea se torna a essência do perispírito, donde se segue que a influência material diminui à medida que o Espírito progride, isto é, à medida que o próprio perispírito se torna menos grosseiro. Quer dizer que, quanto mais evoluído for o Espírito, menos sujeito estará às impressões influenciadoras da matéria.

No capítulo 29 do livro Entre a Terra e o Céu recebido pela psicografia de Chico Xavier, o autor Espiritual André Luiz mantém proveitoso diálogo com Hilário e o Ministro Clarêncio. Dialogando sobre a reencarnação o ministro apresenta curiosa e sábia comparação:

“Imaginemos um pêssego amadurecido, lançado à cova escura, a fim de renascer.  Decomposto em sua estrutura, restituirá aos reservatórios da Natureza todos os elementos da polpa e dos demais envoltórios que lhe revestem os princípios vitais, reduzindo-se no imo do solo ao embrião minúsculo que se transformará, no espaço e no tempo, em novo pessegueiro”.

 

Hilário aproveita o ensinamento do didático exemplo e dirige uma questão ao instrutor que vem sedimentar nossos conhecimentos sobre o tema que nos interessa. Vejamos o texto:

 “Então, por isso é que as crianças desencarnadas reclamam período de tempo mais ou menos longo para demonstrarem crescimento mental, como ocorre na existência comum...”

E Clarêncio responde: 

“Isso acontece com a maioria, de vez que há exceções na regra. Em muitas circunstâncias, semelhante imposição não existe. Quando a mente já desenvolveu certas qualidades, aprimorando-se em mais altos degraus de sublimação espiritual, pode arrojar de si mesma os elementos indispensáveis à composição dos veículos de exteriorização (entenda-de perispírito), de que necessite em planos que lhe sejam inferiores.

 

Nesses casos, o Espírito já domina plenamente as leis de aglutinação da matéria, no campo de luta que nos é conhecido e, por esse motivo, governa o fenômeno da própria reencarnação sem subordinar-se a ele.

Como vemos, na mente reside o comando. A consciência traça o destino, o corpo reflete a alma. Toda agregação de matéria obedece a impulsos do espírito. Nossos pensamentos fabricam as formas de que nos utilizamos na vida”.

Quando a mente já desenvolveu “certas qualidades” e o “domínio pleno das leis de aglutinação da matéria”, enfatizamos.

Sem dúvida são fatores que franqueiam ao Espírito, quando desencarna na fase infantil, restituir sua mente e aspecto físico na forma desejada. Ao contrário, quando estas qualidades ainda não fazem parte do patrimônio espiritual, deve a criatura desenvolver-se física e mentalmente no mundo espiritual, obedecendo aos rígidos ditames da lei que diz quanto mais apegado aos bens materiais, mais materializado se achar o homem, tanto maior serão os laços que o prendem à matéria e, portanto, mais difícil e penoso lhe será libertar-se destas impressões, cuja duração, percebe-se, pode variar ao infinito.

Claríssima a explicação.

Dependendo da condição evolutiva do Espírito, a refletir no seu maior ou menor desprendimento dos clichês e condicionamentos mentais, que muitas vezes a vida na Terra se nos impõe, a capacidade da mente em disparar comandos para as necessárias modificações perispirituais, ocorrerá com maior ou menor intensidade e rapidez.

Entendido?

Vale dizer que todas as crianças que aportam o mundo espiritual pela desencarnação, são acolhidas e encaminhadas, observadas suas necessidades, para setores apropriados, sempre por espíritos amorosos prontos a recebê-los, favorecendo a recuperação e a continuidade de seu desenvolvimento, interrompido no cenário terrestre. Brincar, correr, cantar, enfim coisas comuns que qualquer criança, na Terra realiza. No mundo espiritual por que não a continuidade das atividades normais de uma criança?

Não há criança abandonada no mundo espiritual.

As almas das crianças, volvem ao mundo espiritual, pois a alma possuía sua individualidade antes de encarnar e a conserva após a separação do corpo.

Mesmo nos casos da desencarnação por graves enfermidades, envolvidos em acidentes e por inexplicáveis quanto inaceitáveis crimes que elas sofrem e que nos desafiam a permanecer firmes na fé ao Divino. Haverá nisso alguma impossibilidade, alguma coisa que repugne à razão? De modo nenhum, tudo, ao contrário, nos afirma que não pode ser de outra maneira, recordando os atributos divinos.

Sem pretensão de esgotar este assunto, que é complexo e que requereria muitas outras reflexões e estudos, concluímos afirmando, que no mundo espiritual adjunto à dimensão em que habitamos, as crianças que por lá existem possuem duas origens. Uma delas é essa que acabamos de explanar, ou seja, crianças que desencarnam ainda na fase infantil na Terra e mantém a forma infantil, por período transitório, na dimensão espiritual em que passam a habitar. A outra origem, é aquela de crianças que nascem no próprio mundo espiritual.

Mas isso, já é uma outra história!!!!!!! 

* Todos os grifos são meus

Referências

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(2) Luiz, André. Entre a Terra e o Céu. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 17ª ed. Brasília. Editora FEB, 1954. 266 p.

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