Alguns momentos da nossa vida são essencialmente especiais para nos dedicarmos a reflexão. Podemos citar a data do aniversário, o desencarne de algum familiar querido, uma grande tragédia que vez ou outra se abate sobre a Humanidade provocando muitas perdas de vidas. Assim também, o Natal e o início de um novo ano podem ser ricas oportunidades para a pessoa que queira fazer um “balanço” existencial.
Afinal um novo ano irá representar sempre um momento de expectativa e de sonhos que nem sempre se realizam. Se a meta for ser feliz e conquistar sucesso, vale a pena refletir, sob o ponto de vista espiritual, o que isso realmente significa.
Um ano se encerra com seu acervo de experiências, com suas realizações e frustrações, com seus momentos bons e maus...
Um ano se inicia com sua carga de
esperanças.
Bom lembrar que os piores dias do ano não foram aqueles em que enfrentamos o mal, mas sim os dias em que não cultivamos o Bem.
Quantas
anos novos já vivenciamos cheios de promessas de melhora que nunca foram
cumpridas. Sai ano e entra ano e continuamos na mesma com os velhos problemas
de sempre. Fazemos projetos que visam somente nosso avanço como homens do mundo
sem nos ocuparmos com o que é, de fato, essencial.
Parece-nos fundamental saber qual é o objetivo da existência humana. Evoluir, desenvolvendo em cada um de nós, as potencialidades divinas.
O Espiritismo como doutrina do autoconhecimento, à luz do Evangelho do Cristo, conduz o homem a conhecer-se em sua essência Imortal, conscientizando-o de que o seu próprio destino é consequência de suas ações, fruto do seu livre arbítrio.
Informa
ao homem que ele é o responsável pela sua felicidade ou infelicidade, não
transferindo para outro a culpa dos equívocos ou mérito dos acertos
cometidos.
O ano nunca será novo se ainda formos pessoas velhas, sem vida espiritual em Cristo.
Para melhor aproveitar estes momentos, reflitamos a respeito da afirmativa do apóstolo Paulo (Efésios 5:14-17):
“Desperta,
tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará! Portanto,
andai prudentemente, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada
oportunidade, porquanto os dias são maus. Por isso, não sejais insensatos, mas
entendei qual seja a vontade do Senhor”.
Em pleno século 21, difícil entender que ainda existam irmãos que não tem essa consciência e vivem dormindo, por longo tempo, o sono da indiferença, correndo atrás de algo que não se pode agarrar.
Tolos e
insensatos, embora crendo-se acordados para as duras realidades da vida física,
revelam-se verdadeiros sonâmbulos que falam e ouvem quanto às verdades
concernentes ao espírito!
Acreditam
tudo saber, porém não sabem nada! Para estes tudo está sob controle.
Nunca
desconfiaram da beleza que é o imponderável da vida que, de um momento para
outro, nos conduz aos pontos mais altos e depois despeja-nos nos desfiladeiros
das sombras em eternos processos de aprendizagens.
Aprofundemos a análise. Podemos começar com o que há de errado em nós.
Diante das ofensas, perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete, isto é, perdoar incessantemente, incondicionalmente àqueles que nos ofendam, sem guardar ressentimentos ou mágoas.
Frente o desajuste alheio, não julgar, não discriminar, procurando ajudar os que nos prejudiquem.
Enfrentando as dificuldades do mundo, confiar na proteção divina, fazendo o melhor, buscando o Reino de Deus e a sua Justiça, confiantes de que tudo o mais virá por acréscimo.
Diante
do falecimento de entes queridos, expressar fé e esperança cultivando bom
ânimo. Retomar a normalidade, reassumir nossas vidas, deixando aos mortos os
cuidados de enterrarem seus mortos, conforme a expressão evangélica, evitando
questionamentos e apego, que paralisam nossa iniciativa e perturbam os que
retornam à Pátria Espiritual.
Diante
do Mal recebido por outrem considerar que antes de ver o cisco no olho do irmão
é preciso retirar a lasca de madeira que está em nosso olho. Não nos parece
apropriado apontar nos outros, males que não superamos.
Se
já assimilamos suficientemente os conhecimentos exarados por Jesus, os quais,
tão claramente, nos foram apresentados por Allan Kardec, eminente codificador a
Doutrina Espírita, já é mais do que hora de nos submetermos às disciplinas
necessárias, que refletiriam nosso empenho não apenas em assimilar, mas
sobretudo, vivenciar estes ensinamentos.
Poderíamos
então:
-
estudar regularmente os ensinamentos de Jesus, pois para vivenciá-los, é
imperioso compreendê-los;
-
estabelecer, da mesma forma que nos ocupamos com a saúde física, o hábito da
prática de exercícios diários de perdão, tolerância, fé, compaixão, caridade,
bondade, paciência, esperança, com o fim de desenvolvermos maior “musculatura”
no Espírito;
-
lembrar, com maior frequência, de perguntarmos a nós mesmos, frente às
situações difíceis, nas contrariedades, nos problemas e tentações da jornada
humana: “O que faria Jesus em meu lugar? ”
-
não esperar pelo pedido de auxílio de algum companheiro ou irmão desconhecido,
procurando ir ao encontro da dificuldade, pois sempre que nos dispomos a
colaborar, o alto encaminha a necessidade. Sempre melhor e mais feliz auxiliar
que precisar ser auxiliado.
Lembrar
que somos filhos de Deus, fadados à perfeição relativa, e que já trazemos em
nós todos os recursos necessários para a implementação do Reino Divino em
nossos corações.
Enfim,
para os próximos 365 dias de 2025 manter luta firme contra as imperfeições que
ainda demoram em nosso íntimo, sem dar tréguas, não contemporizando com as
mazelas que há muitas existências teimamos em cultivar.
Se
dessa luta sairmos vencedores, retirando-nos da mesmice secular que fatalmente
nos conduz à egoística busca das vitórias externas e efêmeras, haveremos de
alcançar a suprema conquista da auto superação, compreendendo que a finalidade
precípua da Vida é a da pratica do bem e, por acréscimo da misericórdia do Pai,
sermos felizes.
Deus
seja louvado! Jesus, nosso Mestre, abençoe-nos hoje e sempre.