segunda-feira, 13 de julho de 2026

 

Dialogando sobre a fatalidade

Com a finalidade de auxiliar nossos leitores a um melhor entendimento sobre este intrigante assunto, propomos redigir nosso texto em forma de um diálogo que criamos tendo as respostas baseadas nas obras de Kardec e Chico Xavier. Vamos a ele!

- Poderia definir fatalidade, na forma que as pessoas a entendem corriqueiramente em relação aos fatos da vida?

R. Sim. A fatalidade, como vulgarmente é entendida pela maioria, supõe a decisão prévia e irrevogável de todos os sucessos da vida, qualquer que seja a importância deles.

- Pode-se entender correta e de acordo com a Lei Divina a aplicação desta definição?

R. Não. Se tal fosse, o homem seria qual máquina sem vontade. De que lhe serviria a inteligência, desde que houvesse de estar invariavelmente dominado, em todos os seus atos, pela força do destino?

- A aceitação da doutrina da fatalidade a que conduziria o homem?

R. Semelhante doutrina, se aceita como verdadeira, conteria a destruição de toda liberdade moral; já não haveria para o homem responsabilidade, nem, por conseguinte, bem, nem mal, crimes ou virtudes.

- Então...

R. Não seria possível que Deus, soberanamente justo, castigasse suas criaturas por faltas que não dependera delas realizar, nem que as recompensasse por virtudes de que nenhum mérito teriam.

- Faz sentido....

R. Sim, claro. Demais, tal lei seria a negação da lei do progresso, porquanto o homem, tudo esperando da sorte, nada tentaria para melhorar a sua posição, visto que não conseguiria ser mais nem menos.

- Entendo. Então a fatalidade não existe? É isso?

R. A fatalidade existe na posição que o homem ocupa na Terra e nas funções que aí desempenha, em consequência do gênero de vida que seu Espírito escolheu como prova, expiação ou missão.

- Ou seja, a fatalidade então...

R. ...existe se considerarmos os acontecimentos que se apresentam, por serem estes consequência da escolha que o Espírito fez da sua existência de homem. Porém, veja bem, pode deixar de haver fatalidade no resultado de tais acontecimentos, visto ser possível ao homem, pelo seu livre-arbítrio, modificar-lhes o curso.

- Pelo que estou entendendo, quanto ao aspecto moral, não há fatalidade?

R. Sim, nunca há fatalidade nos atos da vida moral.

- Nunca...?

R. Sim..., nunca. Do contrário, como me referi acima, o homem seria qual máquina e a Lei Divina, falha. Deixe-me tentar esclarecer melhor. O livre-arbítrio é uma característica do espírito humano e existe para ele nas duas situações em que pode se encontrar com diferentes finalidades, ou seja, como espírito desencarnado ao fazer a escolha da existência e das provas e, como encarnado, na faculdade de ceder ou de resistir aos arrastamentos a que todos nos submetemos voluntariamente.

- Ficou claro. Mas...

R. Já sei o que pretende me perguntar. Se haverá fatos que forçosamente devem ocorrer e que os Espíritos não possam afastar, embora o queiram?

- Sim...era isso que desejo saber. Há situações que não temos como evitar.

R. “Há situações, que dizem respeito aos fatos principais de nossas vidas que não podem ser evitadas. Não acredite, entretanto, que tudo o que sucede esteja escrito, como costumam dizer por ai, tudo é Maktub, tudo está escrito ou tinha que acontecer.

- O fato de estarmos encarnados em um mundo de expiações e provas, influi em algo neste aspecto?

- Exato, sem dúvida que influencia. O planeta Terra, de expiação e provas, para os que nele habitam, é extremamente hostil. Na sua quase totalidade, é composto por espíritos, nossos irmãos, que são foras da lei. Este é um planeta de foras da lei, entende? Quase todos nele se encontram para quitar débitos (a maioria) e outros para se provarem.

- A Terra não é uma colônia de férias...

R. Definitivamente, não é. Portanto, se não tiver mérito ou, em outras palavras, não criar crédito, com suas boas ações, o homem viverá sem uma “retaguarda” que o possa proteger dos acontecimentos hostis dos quais está submetido.

- Aprendi que nada, absolutamente nada, acontece à revelia das Leis Divinas...   

R. Exato. E isso deve ser entendido como nada há que se efetue sem a vontade de Deus. Até mesmo em uma desencarnação que possa ser considerada “precoce” existe, para o espírito envolvido, um aprendizado para o seu futuro.

- Como o assunto é por demais complexo...

R. Sim, é sutil mesmo. Delicado. E para compreendê-lo é necessário adquirirmos uma visão mais ampla do todo e não ficarmos presos à ortodoxia religiosa.

- Podemos continuar com as perguntas?

(continua no próximo artigo)

 

(*) Todos os grifos são nossos

segunda-feira, 6 de julho de 2026

 

A virtude como esporte da alma

O Espiritismo nos ensina que a virtude não é uma graça e nem um dom de Deus oferecido aos homens.

Aquele que a possui, adquiriu por seus esforços, em existências sucessivas, despojando-se pouco a pouco de suas imperfeições. Isso porque todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade?

Discorrendo sobre a virtude, Emmanuel em O Consolador, na questão 253, afirma que não é uma concessão da Divindade e sim:

“(...) sublime e imorredoura aquisição do espírito nas estradas da vida, incorporada eternamente aos seus valores, conquistados pelo trabalho no esforço próprio”.

Nessa linha da aquisição pelo esforço, Alexandre, o mentor de André Luiz na obra Missionários da Luz, compara a ginástica e os exercícios cotidianos que o homem executa como fatores valiosos à saúde, com a necessidade de compreender a virtude como esporte da alma, como ensinou Jesus. Se é louvável dedicarmos horas do dia à saúde do corpo físico, que mais cedo ou tarde há de degenerar, o que não dizer do empenho que deve existir com a saúde da alma imortal. São muito raros ainda, na Terra, os homens que reconhecem essa necessidade.

Significa então, caro leitor, que os germes das virtudes celestes dormitam em nossos corações e cabe a cada um, sua exteriorização. Durante a vida na Terra florescerão somente as que houvermos cultivado.

Em Provérbios a exaltação à mulher virtuosa era ressaltada séculos antes da vinda de Jesus Cristo à Terra:

“Suas grandes virtudes são a energia e a honra. Ela não se preocupa com o futuro. Fala com sabedoria e ensina e corrige com amor. Ela cuida muito bem da sua casa e nunca dá lugar à preguiça. Seus filhos a respeitam e a elogiam; seu marido também a elogia, dizendo: “Pode haver muitas esposas exemplares neste mundo, mas eu tenho certeza que nenhuma delas é melhor que você”

Buscar em Maria, a piedosa Mãe de Jesus, o símbolo das virtudes cristãs, tendo a humildade como das mais sublimes. Assim como, na resignação profunda e sincera dos pais de família, em favor do cuidado dos filhos ou no trabalhador que passa a vida inteira trabalhando ao Sol no preparo da terra, para o fabrico do pão. Ai, localizaremos muito maior grandeza, comparados a espíritos de elevada inteligência, às vezes perturbada, que outra coisa não fazem senão conturbar a marcha das criaturas.

Recordando o prefácio de o Evangelho segundo o Espiritismo, encontramos:

“Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos.”

Entendemos que os espíritos altamente elevados, as grandes vozes do Céu, são a representação da própria virtude.

Se estudarmos, detidamente, a vida de Jesus, encontraremos que Ele nos legou em suas lições o exemplo de todas as virtudes; por isso é considerado modelo e guia para a Humanidade.

Em todas as circunstâncias, Jesus põe a humildade na categoria das virtudes que aproximam o homem de Deus e a paciência com a mais difícil de ser conquistada por nós, os espíritos da Terra.

Lázaro, estudando no Evangelho as virtudes da obediência e da resignação, as consideram irmãs e companheiras da doçura, tendo Jesus como a encarnação das mesmas. Nesse estudo, revela ainda Lázaro que a virtude da nossa geração é a atividade intelectual; sendo a indiferença moral, seu vício.

O espírito François-Nicolas-Madelaine, que foi na Terra o Cardeal Morlot e demonstrou porque na Terra não é possível a felicidade plena, afirmou no Evangelho que:

“... a virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem.”

Acrescentou ainda:

“Mais vale pouca virtude com modéstia, do que muita com orgulho”.

Fénelon designa como virtudes filhas do amor, a caridade, a humildade, a paciência, o devotamento, a abnegação, a resignação e o sacrifício. Delas, a Terra se repletará quando purificada.

Vicente de Paulo destaca a caridade, a mais pura emanação do Criador, como a virtude fundamental sobre que há de repousar todo o edifício das virtudes terrenas. Sem ela não existem as outras.

O espírito Miguel atribui à piedade, celeste precursora da caridade, como a virtude que mais nos aproxima dos anjos. É a piedade, bem vivenciada, que nos comove à vista dos sofrimentos de nossos irmãos e nos impele a estender a mão para socorrê-los.

Paulo em sua primeira epístola aos Coríntios, (13:1 a 7 e 13) destacando três virtudes: a Fé, a Esperança e a Caridade, coloca esta última acima da Fé e da Esperança.

O iluminado espírito de Chico Xavier, considerava o perdão a virtude mais difícil de ser posta em prática e explicava:

“Considero a virtude mais difícil de ser posta em prática, a do perdão, pois perdoar exige um esforço de autossuperação muito grande… Emmanuel me diz que quem aprende a perdoar tem caminho livre pela frente. Creio que, por este motivo, a derradeira lição de Jesus para a Humanidade foi a do perdão!…Ele a deixou por último, esperando o momento em que pudesse exemplificá-la… É claro que Ele se referira ao perdão em diversas oportunidades, mas, na hora da cruz, padecendo toda espécie de humilhação, o ensinamento do perdão foi gravado a fogo na consciência da Humanidade… Ninguém sofreu e perdoou como Ele!…O Espírito que adquirir a virtude do perdão não achará dificuldade em mais nada; haja o que houver, aconteça o que acontecer, ele saberá administrar a sua vida…”

De tudo, alcancemos as virtudes com nossos esforços, cumprindo nossos deveres para com Deus e o próximo, pois do contrário a virtude solitária se transforma em pão na vitrine ou como diz Emmanuel, virtude sem proveito é brilhante no deserto.

(*) Todos os grifos são meus.

 

Referências

(1) Emmanuel. O Consolador. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 11ª ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 233p.

(2) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

(3) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 410p.

(4) Baccelli, Carlos A. O Evangelho de Chico Xavier. 1ª ed. Casa Editora Espírita Pierre Paul Didier, 2000. 171p.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

 

Por que Jesus pouco falou sobre reencarnação?

Creio, sem sombra de dúvida, que o principal motivo de Jesus não se referir tão claramente à reencarnação, tenha sido a nossa ignorância, considerando que Ele falava aos espíritos que, encarnados, o ouviam e também para os que, como nós, após passados dois mil anos, ainda não o compreendemos. Palavras de Vida Eterna.

Atualmente, pelas mais diversas razões, milhares de espíritos, na carne ou fora dela, ainda não compreenderam o princípio da reencarnação.

Sabemos que a certeza da reencarnação é apanágio de poucas almas na Terra a tal ponto de Chico Xavier certa vez afirmar que os espíritos que guardam a certeza deste princípio em seus corações não são almas originárias da Terra.    

Como princípio universal, a reencarnação é um tema que concerne à verdade e a verdade, a pouco e pouco, se revela de modo irreversível.

Jesus, portanto, não poderia, como não o fez, falar de um aspecto que, para ser entendido, exigiria da parte dos que o ouviam a compreensão mais bem delineada sobre a vida futura.

Compreensão sobre a Vida Futura! Entender esta razão torna-se fundamental para entender porque Jesus assim agiu.

O Mestre, mais que qualquer um, sabia que todos os dogmas das religiões se alicerçam, necessariamente, na vida futura; ela representa a pedra angular de toda crença. Entretanto, a ideia que muitos faziam da vida futura era muito vaga, incompleta e, por isso mesmo, falsa em diversos pontos. Isso em razão das religiões não serem claras e nem apresentarem tal como ela, vida futura, se apresenta, de onde resulta muitas dúvidas e até a incredulidade.

Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo acrescenta que Jesus julgou conveniente não apresentar, aos homens de sua época, a luz completa, percebendo que eles ficariam deslumbrados, visto que não a compreenderiam. Limitou-se a, de certo modo, apresentar a vida futura apenas como um princípio, como uma lei da Natureza a cuja ação ninguém pode fugir.

Dezoito séculos depois, estando o homem mais maduro para apreender certas facetas da verdade, surge o Espiritismo que completa o ensino do Cristo dando materialidade às dúvidas da existência da vida futura, pois os próprios espíritos desencarnados que lá se encontram, vem descrevê-la sob seus diversos aspectos.

Na maneira pela qual nos apresenta o futuro reside o triunfo do Espiritismo. O quadro que apresenta é tão claro, tão simples, tão lógico, tão conforme à justiça e à bondade de Deus, que involuntariamente dizemos: Sim, é bem assim que deve ser; é assim que eu imaginava; e, se não havia acreditado, é porque outrora me tinham mostrado a vida futura de outro modo.

Muito mais que os de antigamente, os homens do presente querem compreender, pois só se duvida daquilo que não se compreende.

Ademais, Jesus sempre pregou e prega ao espírito imortal e não somente o homem como ser encarnado. O espírito não tem muitas vidas; o espírito vivencia múltiplas experiências dentro da Vida que é única. Neste contexto, a reencarnação se configura como etapas que o espírito cumpre em sua infinita caminhada.

Portanto, queridos leitores, tendo seu apogeu no diálogo que manteve com Nicodemos, o assunto Reencarnação, se não foi mais claramente exposto por Jesus, é porque Ele teve seus motivos, os quais devemos procurar melhor compreender! 

 

Referência

(1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 410p.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

 

Formação da alma coletiva do Brasil.

Com rara felicidade, o espírito Humberto de Campos, na monumental obra Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho, psicografado por Francisco Cândido Xavier, descreve os bastidores espirituais da formação da alma coletiva do nosso querido país.

Em primeiro lugar, para formar a base da sociedade fraterna da pátria brasileira de glorioso porvir, surgiram os índios, que eram os simples de coração aguardando uma era nova, com o seu largo potencial de energia e bondade. Em segundo lugar,  viriam os escravos, como a expressão dos humildes e dos aflitos, para a formação da alma coletiva de um povo bem-aventurado.

Jesus, assim se refere a Ismael na explicação das características dos espíritos que viriam para a da terra do Cruzeiro:

“Abriga aí, na sagrada extensão dos territórios do país do Evangelho, todos os infortunados e todos os infelizes. No meu coração ecoam as súplicas dolorosas de todos os seres sofredores, que se agrupam nas regiões inferiores dos espaços próximos da Terra. Agasalha-os no solo bendito que recebe as irradiações do símbolo estrelado, alimentando-os com o pão substancioso dos sofrimentos depuradores e das lágrimas que lavam todas as manchas da alma.”

Esses infortunados e sofredores eram antigos batalhadores das cruzadas, senhores feudais da Idade Média, padres e inquisidores, espíritos rebeldes e revoltados, perdidos nos caminhos cheios da treva das suas consciências sombrias. Como se vê, as almas que por aqui aportariam estavam recebendo sublime oportunidade de expiação de seus erros transatos.

Grande maioria destas almas pelas suas renúncias, reencarnaram primeiramente nas costas da África e juntas a outros Espíritos em prova, formaram a falange abnegada que viria para o Brasil como escravos. Chegavam ao Brasil, miseráveis e desditosos, como se fossem animais bravios sem consciência. Basta recordar que o Brasil recebeu, aproximadamente, 4,8 milhões de africanos escravizados durante trezentos anos de tráfico.

 

Foi o próprio Cristo que explicou para Ismael como deveria ser a participação dos negros como povo formador da alma brasileira:

“Havia eu determinado que a Terra do Cruzeiro se povoasse de raças humildes do planeta, buscando-se a colaboração dos povos sofredores das regiões africanas; todavia, para que essa cooperação fosse efetivada sem o atrito das armas, aproximei Portugal daquelas raças sofredoras, sem violências de qualquer natureza. A colaboração africana deveria, pois, verificar-se sem abalos perniciosos, no capítulo das minhas amorosas determinações.”

Jesus, o Divino Pastor, atendendo o comando do Pai Celestial, tinha tudo planejado desde há muito, preparando a reencarnação de espíritos evoluídos em uma miscigenação que só o princípio da reencarnação nos faz entender:

“(...) mais tarde, ordenarei a reencarnação de muitos Espíritos já purificados no sentimento da humildade e da mansidão, entre as raças oprimidas e sofredoras das regiões africanas, para formarmos o pedestal de solidariedade do povo fraterno que aqui florescerá (Brasil), no futuro, a fim de exaltar o meu Evangelho, nos séculos gloriosos do porvir.”

Milhões de almas para aportarem no Brasil, a fim de cumprirem a determinação superior, reencarnaram no continente Africano para alcançar a pátria do Evangelho por vias marítimas.

Pensando também no aspecto da formação religiosa, é digno de destaque o fato de Portugal ser uma nação eminentemente católica à época do descobrimento do Brasil. Apesar dos desvios seculares patrocinados pela Igreja Católica ao longo dos séculos, era ela, sem dúvida, o maior reduto do Cristianismo do mundo a quem fora conferido a condição de depositária dos princípios cristãos. 

Embora Portugal, como todas as demais nações, possuíam elementos da cobiça, da inveja e da ambição nos tempos das conquistas marítimas, o povo lusitano era portador de honradez aliada a grandes qualidades de valor e de sentimento, que a habilitaram colonizar o Brasil.

Tal condição, somada à miscigenação das raças que deu lugar nas terras do Cruzeiro, propiciou clima extremamente propício para que o Espiritismo, mais tarde, pudesse germinar. Essa situação deve ser especialmente considerada, pois outras nações americanas foram colonizadas por nações europeias com diferente formação religiosa, como por exemplo os Estados Unidos, colonizados pela Inglaterra, onde difundiu-se o Protestantismo. Isso nos leva a pensar que se outra nação, que não a Portuguesa, houvesse colonizado o Brasil, talvez o Espiritismo não tivesse encontrado espaço para sua propagação.

Dessa forma, a Doutrina Espírita encontrou no Brasil acolhimento religioso e cultural para a revivescência do Cristianismo. Na esteira destas condições, é razoável entender o porquê a nação portuguesa é, hoje, na Europa, o país que mais acolhe os ventos sublimes e renovadores da Doutrina Espírita.

Notemos que desde sua origem espiritual a alma coletiva do Brasil já era de formação heterogênea prenunciando a grande confraternização do porvir, caracterizando o coração do mundo que a todos irá acolher modelando a obra imortal do Evangelho de Jesus.

 

(*) Todos os grifos são nossos

 

Referência

(1) Humberto de Campos. Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 38ª ed. São Paulo. Editora FEB, 1938. 238p.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

                              Afetos que vem e que vão

Conhecer-se é o grande desafio do ser humano. Sair de si mesmo deve ser o primeiro passo.

Fruto de um longo amadurecimento, o ser reconhece que tudo o que viveu até então foi importante, não renega as etapas que auxiliaram na sua formação, mas sabe que não deve parar por aí.

A hora é de seguir adiante.

E seguir adiante é custoso, às vezes.

As etapas vencidas ficam pra trás e levam consigo anteriores companhias. A família espiritual cresce e de acordo com os caminhos que escolhemos, muitos vão ficando pelo caminho para também viverem suas experiências adquirindo discernimento e maturando-se interiormente.

Nos preparar para viver este difícil movimento de separação das almas afetas a nós que também lutam pelo próprio crescimento, ainda que de forma transitória, trata-se de tarefa intransferível.

Mudanças necessárias! Tão necessárias que ninguém evolui sem elas, pois ensejam atritos, desajustes e afastamentos, que no lúcido dizer de Emmanuel é “o clima da adversidade educativa” que nos obriga a revisar e recomeçar, nos tentames da elevação própria.

São mudanças internas que nos conduzem, invariavelmente, às mudanças externas.

Afinal, aquele que corrige a vida por dentro manifesta, cedo ou tarde, a luz que já conseguiu acender.

Ao nos elevarmos, no sentido espiritual, nosso campo vibratório naturalmente tende a mudar. Respiramos novas dimensões em que o espírito pode habitar, passando a compartilhar novos afetos que compartilhem do mesmo ideal, novos ambientes com renovados e saudáveis hábitos, incorporados à custa de esforço ao longo do tempo. Sem que isso signifique sermos frios e indiferentes a todos os laços que construímos ao longo de nossa trajetória evolutiva. Pelo contrário, devem ser motivo de eterna gratidão. 

Sejamos gratos, da mesma forma, ao carinho dos Espíritos generosos, encarnados ou desencarnados anônimos, que sempre nos amparam nas dificuldades, como verdadeiros anjos tutelares vindos do sublime espaço.

O Espiritismo nos esclarece sobre a grande família universal a que todos fazemos parte, mas que muito pouco ainda conseguimos entender, principalmente em nossa vivência diária. Jesus, ao se referir a este assunto, provocou indignação e desentendimento ao falar: - "Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?" - em Mateus 12:48.

Infelizmente, ainda não cultivamos espaço mental para esta compreensão. Quando muito, a família consanguínea nos toma todo o tempo na vida na Terra. Muito pouco ou quase nada, de sentido transcendente, permitimo-nos vivenciar. O outro é tão somente o outro.

No clima do egoísmo será muito difícil, para qualquer um, estabelecer metas para o autoconhecimento. Espírito algum se burilará fechando os olhos para os que lhes rodeiam.

Mesmo como espírito puro, não esqueçamos que o próprio Jesus, governador espiritual do planeta Terra, desceu par auxiliar e servir e mesmo quando encarnado, não dispensou o auxílio dos companheiros de apostolado.

E Jesus, consoante ensino espírita, é nosso modelo e guia.


  Dialogando sobre a fatalidade Com a finalidade de auxiliar nossos leitores a um melhor entendimento sobre este intrigante assunto, propo...