Tríade do barulho.
Uma
tríade há, que cada vez mais amplia sua frequência aumentando uma triste
estatística nos programas de saúde, e por esta razão deve merecer sempre muito
cuidado e atenção por parte dos que com ela convivem.
Trata-se
da depressão-obsessão-suicídio.
Embora
nem sempre ocorra nesta sequência necessariamente, certo é que se encontram,
normalmente, entrelaçadas.
A
depressão, segundo a medicina terrestre, resulta de uma interação complexa de
fatores sociais, psicológicos e biológicos, sendo que pessoas que passaram por
eventos adversos na vida (desemprego, luto, eventos traumáticos) têm maior
probabilidade de desenvolvê-la.
Estima-se
que 4% da população mundial, aproximadamente 350 milhões de pessoas no mundo
sofrem depressão, de acordo com dados do ano de 2021.
Conhecida
como uma doença de origem milenar, já na Grécia Antiga, Hipócrates, há mais de
400 anos antes de Cristo, dizia:
"Se o medo e a tristeza
duram muito tempo, esse estado é melancolia"
Considerado
o pai da Medicina, Hipócrates, desenvolveu a teoria dos humores, descrevendo
como "melancolia", uma doença decorrente de um desequilíbrio dos humores
corporais, especificamente o excesso de "bile negra".
Freud,
em 1917, descreveu-a em sua obra "Luto e Melancolia" como uma perda
de um objeto (pessoa ou ideal) que o indivíduo não consegue superar.
No
início do século XIX com o surgimento da psiquiatria como disciplina médica, o
termo depressão, do latim "depressio", que significa depressão,
passou a fazer sentido e foi incluída na classificação dos transtornos mentais.
Infelizmente,
por não reconhecer a existência do Espírito, a nossa medicina tradicional, mais
terapêutica do que preventiva, abre mão de conhecer uma das mais fortes origens
deste transtorno. Porém, aos poucos, este quadro tem se alterado para melhor.
Allan
Kardec no livro A Obsessão (1950) esclarece, a respeito da
importância do Espiritismo para lidar com estas alterações:
“Abrindo novos horizontes a
todas as ciências, o Espiritismo vem, também, esclarecer a questão muito
obscura das doenças mentais, assinalando uma causa que, até agora, não era
levada em conta: causa real, evidente, provada pela experiência e cuja
verdade mais tarde será reconhecida. Mas como levar a admitir-se tal causa
pelos que estão sempre dispostos a mandar para o hospício quem quer que tenha a
fraqueza de acreditar que temos alma e que está representa um papel nas
funções vitais, sobrevive ao corpo e pode atuar sobre os vivos?”
E acrescenta vaticinando para
a medicina no futuro:
“Graças a Deus, e para o bem
da Humanidade, as ideias espíritas fazem maior progresso entre os médicos do
que era dado esperar e tudo leva a crer que, em futuro não muito remoto, a
medicina sairá enfim da rotina materialista.”
Considerando o assunto em pauta neste artigo, destaco de
capital importância a resposta dada pelos espíritos superiores a Allan Kardec à
questão 459 de O Livro dos Espíritos, à qual pode até causar muita estranheza para
os neófitos:
“Influem os Espíritos em
nossos pensamentos e atos?
R. Muito mais do que
imaginais. Influem a tal ponto, que de ordinário, são eles que vos dirigem”
A
estes que são “dirigidos”, Kardec se referia, principalmente, aos encarnados
totalmente ignorantes das realidades espirituais e da continuidade da vida após
a desencarnação. E representam enorme massa da população mundial.
Em
número muito maior que os habitantes da Terra, os que habitam sua dimensão
espiritual adjacente, formam uma imensa população invisível que nos acompanha e
influencia. Sabedor desta verdade, Paulo, o apóstolo, na Epístola aos Hebreus
afirma que: “estamos rodeados dessa grande nuvem de testemunhas.”
Vamos
tentar entender melhor, aprofundando um pouco no tema.
No
livro Os mensageiros, o instrutor Telésforo afirma que:
“a maioria dos homens na Terra
encontram-se absolutamente distraídos das realidades eternas. A mente humana
abre-se, cada vez mais, para o contato com as expressões invisíveis, dentro
das quais funciona e se movimenta. Isto é uma fatalidade evolutiva.”
Quer
dizer que, cada vez mais, a mediunidade irá se ampliar, generalizando-se, como
se espera, por ser uma das faculdades do espírito em desenvolvimento. Como ele
disse, e repito, faz parte da evolução do espírito imortal. E não tem volta! O
que é fundamental é que o homem se informe a respeito.
O
instrutor Telésforo prossegue:
“Atendido, porém, o corpo
revelará as necessidades da alma e vemos agora a criatura terrestre
assoberbada de problemas graves, não só pelas deficiências de si própria, senão
também pela espontânea aproximação psíquica com a esfera vibratória de
milhões de desencarnados, que se agarram à Crosta planetária.”
A OMS
(Organização Mundial de Saúde) aposta que em 2030 a depressão já será a doença
mais comum do mundo, à frente de problemas cardíacos e cânceres. E o que é mais
preocupante é que ao redor de 15% das pessoas com depressão grave cometem
suicídio.
Esmagadora
percentagem de habitantes da Terra não se preparou para os atuais
acontecimentos evolutivos. Dessa aproximação das vibrações dos espíritos
desencarnados de condição inferior aos homens da Terra, resultarão angustiosos
conflitos ao espírito humano.
Embora
a depressão seja um fator de indução ao suicídio, não é determinante. O suicida
não estará isento de responsabilidade por seu ato, porquanto, em última
instância, foi ele quem optou pela comprometedora fuga.
Pode
alguém ser levado ao suicídio por influência de Espíritos obsessores? Respondemos
que sim e que acontece com frequência. O espírito obsessor infiltrado nos
pensamentos do obsidiado, insiste na ideia do suicídio, que repercute,
incessantemente, em sua tela mental, podendo induzi-lo à iniciativa.
Como
se vê, temos muito trabalho pela frente!
Um
expressivo número dos transtornos mentais, embora não exclusivamente, origina-se
de conflitos espirituais, relacionados com desajustes de vidas passadas, assim
como pressões obsessivas da vida presente.
Só
não percebe quem não quer, a incidência cada vez mais vertiginosa dos casos de
sofrimento mental entre os encarnados lotando os consultórios dos médicos
especialistas e dos sanatórios, sendo tratados com técnicas e medicações muito
respeitáveis, que auxiliam em muito a remissão das alterações, porém,
permanecem ignorando um dos fatores essenciais e fortemente envolvidos na
gênese destas mesmas alterações: a sobrevivência e continuidade da vida do
espírito imortal. Já vivíamos antes do berço e continuaremos a viver depois do
túmulo, onde colheremos as consequências do que fizemos de nossa vida e de
nosso corpo.
Jesus,
em uma de suas mais marcantes expressões, afirma no Evangelho de João (8;32):
"E
conhecereis a Verdade e a Verdade vos fará livres.”
Muitos
enganos e desatinos, vícios e maldades da criatura humana sustentam-se, quase
sempre, na ignorância.
Muitos
de nossos desajustes e enfermidades estão estreitamente relacionados com
influências espirituais. Nada, porém, passível de sustos, desde que nos
esclareçamos sobre o assunto, buscando a verdade, dispostos a seguir os
caminhos de libertação sinalizados pela Doutrina Espírita.
(*) Todos os grifos são meus.
Referências
(1) Kardec, Allan. A Obsessão.
Origens, sintomas e cura. Tradução de Wallace Leal V. Rodrigues. 8ª
ed. Brasília. Editora O CLARIM, 2022. 288p.
(3) 2021 Global Burden of Disease (GBD) [base de dados
online]. Seattle: Institute for Health Metrics and Evaluation; 2024 ( https://vizhub.healthdata.org/gbd-results/ , acessado em 17 de Abril de 2026).
(4) Luiz, André. Os
Mensageiros. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 33ª
ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 268p.