segunda-feira, 6 de abril de 2026

                          Anda faltando estudo, cérebro                                    ou  intenção desinteressada. 

                                       

     No prefácio do segundo livro da série A Vida no Mundo Espiritual, - Os Mensageiros (*) - o preclaro mentor que supervisiona a série, Emmanuel, faz referência ao aspecto da materialidade no mundo espiritual que causou e ainda continua causando espécie em inúmeros espíritas e demais leitores, quando da leitura de Nosso Lar, primeira obra do espírito André Luiz, pela mediunidade de Chico Xavier da referida série.

O registro do benfeitor realizado logo no primeiro parágrafo do prefácio, percebe-se de imediato, a preocupação do mentor em estabelecer clareza sobre o tema. Afirma Emmanuel:

“Lendo este livro, que relaciona algumas experiências de mensageiros espirituais, certamente muitos leitores concluirão, com os velhos conceitos da Filosofia, que “tudo está no cérebro do homem”, em virtude da materialidade relativa das paisagens, observações, serviços e acontecimentos.”    

Procurando entender o desafiador parágrafo acima, nos é lícito deduzir que muitos que lerem esta obra, assim como a anterior, Nosso Lar, se espantem e se surpreendam com os aspectos materiais muito bem registrados. Casas, móveis, instrumentos musicais, paisagens, presença de animais, serviços (lembram-se, dentre muitos outros informes, das fábricas de sucos, tecidos e artefatos em geral que empregam mais de 100 mil habitantes em Nosso Lar???).

Os críticos contumazes e mesmos os que não conseguem entender o recado de Emmanuel, certamente questionarão assombrados, se os espíritos também trabalham? Se os espíritos para se deslocarem necessitam tomar veículos que os transportem? Eles, os espíritos desenarnados, também se alimentam? Estudam? Os espíritos tem e realizam necessidades fisiológicas? E se as possuem, onde é que as realizam? Em qualquer lugar ou em lugar apropriado como temos em nossas residências aqui na Terra? 

Afirmarão, categoricamente, os contraditores e os críticos da análise superficial, que tudo está na cabeça do homem e que não existe o mundo espiritual. Que as obras que trazem estas informações não passam de projeções da mente criativa do autor encarnado, Chico Xavier. São, portanto, obras de ficção e como tal devem ser consideradas. Defende a Filosofia, que se morre e tudo se aniquila no túmulo.

Imaginemos nas décadas de 1940 e 1950, quando a maior parte das obras de André Luiz foi psicografada, a grandeza e superioridade do médium Chico Xavier que tendo sofrido duras críticas e perseguições, principalmente de espíritas, permaneceu perseverante em seu trabalho para dar continuidade, como Allan Kardec reencarnado, à obra que iniciara em meados do século dezenove.

O trecho do prefácio de Emmanuel destacado, trata-se de um verdadeiro alerta para que cuidemos e pensemos mais apropriadamente, sobre este e outros temas, baseados nos próprios conceitos que a Doutrina Espírita apresenta.

Abrindo um parêntese, oportuníssimo trazermos a este nosso estudo o texto contido no Evangelho Segundo o Espiritismo no capítulo dezessete – Sede Perfeitos – no item 4, Os Bons espíritas. Diz assim:

A doutrina não contém alegorias nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza é da sua essência mesma e é donde lhe vem toda a força, porque a faz ir direito à inteligência. Nada tem de misteriosa e seus iniciados não se acham de posse de qualquer segredo, oculto ao vulgo. Será então necessária, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, tanto que há homens de notória capacidade que não a compreendem, ao passo que inteligências vulgares, moços mesmo, apenas saídos da adolescência, lhes apreendem, com admirável precisão, os mais delicados matizes. Provém isso de que a parte por assim dizer material da ciência somente requer olhos que observem, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, a que se pode chamar maturidade do senso moral, maturidade que independe da idade e do grau de instrução, porque é peculiar ao desenvolvimento, em sentido especial, do Espírito encarnado.

 Da oportunidade e clareza deste texto, no que se refere aos ensinos espíritas, acreditamos que tem faltado estudo, detida reflexão e, além da certa maturidade do senso moral, infelizmente podemos suspeitar daqueles que, interessada e deliberadamente desejam se opor às obras e informações contidas em André Luiz.

Fechando o parêntese, na continuidade, mas ainda dentro desta temática, vai dizer Emmanuel - sugiro a leitura de todo o prefácio – que a simples circunstância da morte física somente guinda o homem a outro campo vibratório, não lhe conferindo, a menos que para isto tenha feito por onde, o ingresso nos domínios angélicos.

Ninguém se tornará anjo somente porque morreu. Sabiamente, diz o Dr. Inácio em obra de sua lavra, que “o mundo espiritual que rodeia o orbe terrestre é habitado por homens e não por anjos.” 

Raciocinemos, portanto, em torno do porquê Emmanuel faz este alerta no início da obra Os Mensageiros. Essa advertência do mentor não foi por acaso. Suas escolhas, para comporem os prefácios de todos os livros desta série, ditadas por André Luiz, foram escolhidas a dedo. Tudo que ali se encontra registrado tem um profundo ensinamento e lúcida explicação que somente aguarda nossa capacidade de extrair da letra a lição, o esclarecimento.

   Este assunto, referente à materialidade que ainda encontraremos no mundo espiritual adjacente à dimensão que habitamos, é muito claro e profundamente lógico. Consultem a obra Nosso Lar, no capítulo 37 - A Preleção da Ministra – que elucida sublimemente:

“Será crível que, somente por admitir o poder do pensamento, ficasse o homem liberto de toda a condição inferior? Impossível! Uma existência secular, na carne terrestre, representa período demasiadamente curto para aspirarmos à posição de cooperadores essencialmente divinos. Informamo-nos a respeito da força mental no aprendizado mundano, mas esquecemos que toda a nossa energia, nesse particular, tem sido empregada por nós, em milênios sucessivos, nas criações mentais destrutivas ou prejudiciais a nós mesmos.”

O poder mental, nas almas sublimes e purificadas sim, pode plasmar e construir projetos também superiores. Em A Caminho da Luz, Emmanuel, autor espiritual, designa Jesus como o Escultor Divino “operando a escultura geológica do orbe terreno.” No âmbito espiritual, o Evangelho é a ação plasmadora do pensamento de Jesus sobre o psiquismo dos homens.

Sobra para nós o que afirma o Ministro Flácus no livro Libertação: “não passamos, por enquanto, de bactérias, controladas pelo impulso da fome e pelo magnetismo do amor.”

Para aqueles irmãos que gostariam de viver em mundos mais sutis e diáfanos, se assim podemos nos expressar, onde a força mental é capaz de operar maravilhas, que ao desencarnar, peguem um elevador que os conduzam para mundos espirituais mais elevados. Mas cuidado!!!

Cuidado para não serem pegos pelo Rei que, vigilante e que a tudo vê, o surpreenderá sem trajar a túnica nupcial e, no cumprimento da soberana justiça, ordenará aos seus humildes servos “Amarrai-o de pés e mãos, levai-o e lançai-o nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes.”   

 

 

(*) O estudo sistematizado das obras de André Luiz conhecida como “A vida no Mundo Espiritual”, é realizado às quintas-feiras na sede do Grupo Espírita da Fraternidade na cidade de Araçatuba – SP

 

(**) Todos os grifos são nossos

 

Referências

 1) Luiz, André.  Os Mensageiros. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 33ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 268p.

2) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 410p.

3) Ferreira, Inácio. Dr. Inácio, ele mesmo!     Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Uberaba. Editora LEEPP, 2016. 374p.

4) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p



segunda-feira, 30 de março de 2026

 

Planejamento Reencarnatório

 

Tenho lido e acompanhado muitas discussões e debates, a respeito do planejamento reencarnatório para os espíritos que reencarnam na Terra. Sobre este tema, muitos, principalmente os espíritas, afirmam que todo processo reencarnatório obedeça a prévio planejamento no mundo espiritual.

Creio que para aclararmos esta situação seja fundamental definir antes, o que os estudiosos acreditam que seja ou como conceituam o tema “planejamento reencarnatório”. Sem esta prévia definição, as discussões tornam-se inúteis e infrutíferas ao desenvolvimento da ideia a respeito de tão importante tema.

Defino o planejamento reencarnatório como sendo a planificação, de uma determinada reencarnação, realizada pela espiritualidade superior com a participação consciente do espírito reencarnante.

Na obra Missionários da Luz, psicografada por Chico Xavier pelo espírito André Luiz, ficamos conhecendo os casos de Segismundo e Silvério que atendem ao conceito acima.

Fica lógico deduzir que, além de certo mérito, os espíritos candidatos ao planejamento da reencarnação, devem ser portadores de alguma lucidez no que se refere à consciência de estarem desencarnados e pleiteando uma “intercessão” desta envergadura.

Em ambos os casos, tanto Segismundo quanto Silvério, participam de forma ativa, inclusive acatando sugestões, que embora amargas, lhes confeririam na existência carnal, poderoso auxílio no combate às imperfeições do espírito.  

Na questão 262 de O Livro dos Espíritos Kardec, sabiamente questiona:

“Como pode o Espírito, que, em sua origem, é simples, ignorante e carecido de experiência, escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável por essa escolha?

“Deus lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir, como fazeis com a criancinha. Deixa-o, porém, pouco a pouco, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve, senhor de proceder à escolha e só então é que muitas vezes lhe acontece extraviar-se, tomando o mau caminho, por desatender os conselhos dos bons Espíritos.

De que forma Deus supre a inexperiência, ignorância e simplicidade do início? Pergunto aos queridos leitores.

Claro que através da aplicação das Leis Soberanas ao qual todos estamos submetidos. No caso o determinismo biológico e espiritual. Ou seja, neste caso, não há indício algum de planejamento reencarnatório.

Reconhecemos que nada acontece à revelia dos desígnios superiores e tudo o que ocorre no Universo é supervisionado pelas soberanas leis divinas. Baseados nesta ação Divina universal, é que muitos companheiros entendam o planejamento reencarnatório.

Entendo que, neste sentido, podemos considerar que todos reencarnam sobre determinada programação, todavia a interpretação literal de que esta ação configure a planificação de uma existência é um equívoco, pois a volta do Espírito ao corpo de carne é cercada de cuidados consoantes os méritos que apresenta.

Para os casos onde o mérito não está consignado, o espírito, atendendo o determinismo da Lei Divina, reencarna com espontaneidade, qual limalha de ferro que se sentisse atraída pelo campo magnético de um imã.

Repetimos, para melhor entendimento, a lei tudo prevê, até mesmo para a manutenção da ordem, mas daí afirmar que todo o processo reencarnatório obedeça a um planejamento, vai uma grande distância.

Acompanhe a preciosidade do ensinamento do instrutor Alexandre do capítulo 12 – Preparando Esperiências – do livro Missionários da Luz, já citado:

“Grande percentagem de reencarnações na Crosta se processa em moldes padronizados para todos, no campo de manifestações puramente evolutivas. Mas outra percentagem não obedece ao mesmo programa. Elevando-se a alma em cultura, conhecimentos e, consequentemente, em responsabilidade, o processo reencarnacionista individual é mais complexo, fugindo à expressão geral, como é lógico. Em vista disso, as colônias espirituais mais elevadas mantêm serviços especiais para a reencarnação de trabalhadores e missionários.’

Repito: “grandes porcentangens reencarnam em moldes padronizados.”  Não há como entender, nesta frase, que exista planejamento para todos os espíritos que reencarnam na Terra. Aliás, afirma o contrário, somente para os espíritos que se elevam - olha o mérito - o processo da reencarnação foge ao geral, como é logico. Mais lógico impossível.

Notem ainda, que os chamados Institutos para Reencarnação onde são preparadas as reencarnações, à época em que o livro foi publicado (1945), estavam restritas às colônias espirituais mais avançadas, como é o caso de Nosso Lar. Será que passados 91 anos desta informação, os Institutos no mundo espiritual, se multiplicaram com o crescimento e desenvolvimento das cidades?

O que você pensa a respeito.  

Creio, de verdade, que tem faltado estudo mais aprofundado para os nossos irmãos de ideal. Além da fonte pura em Kardec, as obras valiosíssimas de Chico Xavier estão aguardando nossos estudos e pesquisas, como natural complementariedade das obras básicas.

Mas, avancemos um pouco mais.

Em Evolução em Dois Mundos, pelo espírito André Luiz e da reveladora psicografia de Chico Xavier, no capítulo Alma e Reencarnação, no sub-item - Particularidades da Reencarnação - o elevado autor nos esclarece, categorizando as “intercessões” da seguinte maneira:

Os Espíritos categoricamente superiores, quase sempre, em ligação sutil com a mente materna que lhes oferta guarida, podem plasmar por si mesmos e, não raro, com a colaboração de instrutores da Vida Maior, o corpo em que continuarão as futuras experiências, interferindo nas essências cromossômicas, com vistas às tarefas que lhes cabem desempenhar.

 

Vejamos agora, na lúcida palavra do autor espiritual como se dá o processo, para os espíritos categoricamente inferiores:

na maioria das ocasiões, padecendo monoideísmo tiranizante, entram em simbiose fluídica com as organizações femininas a que se agregam, experimentando o definhamento do corpo espiritual ou o fenômeno de “ovoidização”, sendo inelutavelmente atraídos ao vaso uterino, em circunstâncias adequadas, para a reencarnação que lhes toca, em moldes inteiramente dependentes da hereditariedade, como acontece à semente, que, após desligar-se do fruto seco, germina no solo, segundo os princípios organogênicos a que obedece, tão logo encontre o favor ambiencial.

Repetirei: “em moldes inteiramente dependentes da hereditariedade”. Como vimos acima, ação do determinismo Divino. São as leis agindo. Definitivamente, não há planejamento reencarnatório para estes casos.

Terminando a lição, André Luiz afirma, a respeito dos espíritos de mediana evolução:

“Entre ambas as classes, porém, contamos com milhões de Espíritos medianos na evolução, portadores de créditos apreciáveis e dívidas numerosas, cuja reencarnação exige cautela de preparo e esmero de previsão.”

 

Classificaria, nesta situação, o caso da reencarnação de Segismundo, do livro Missionários da Luz, o qual, não sendo um espírito elevado, mereceu um cuidado no planejamento de sua encarnação, como um exemplo dos meandros da ação espiritual, para nós, aprendizes encarnados.

Também na obra Nosso Lar, a dois casos emblemáticos de reencarnações que receberam planejamento das esferas superiores, que são o de Dona Laura, mãe de Lísias, que maternalmente, recebeu André Luiz como filho do coração e a própria mãe de André Luiz que reencarnou em serviço de missão auxiliando espíritos necessitados.

Bem, o assunto, é complexo e teríamos muitas outras referências para basear nossa afirmação que planejamento reencarnatório aqui na Terra não é para todos.

Entretanto, na conclusão de nossos achados, acrescentaríamos mais algumas questões para induzir nossos leitores a mais amplas reflexões e pesquisas.

- Haveria organização espiritual suficiente, na esfera vizinha da Crosta, onde vivem boa parte de nossos irmãos desencarnados, para dar conta de planejar aproximadamente 200 mil encarnações/dia (**) na Terra?

- Caso fossemos realizar o planejamento de um irmão da crença islâmica ou um judeu ortodoxo, que não aceitam, como tantas outras, a Reencarnação como princípio em suas religiões, como haveriam os técnicos da espiritualidade de proceder?

 E uma última, de tantas outras questões interessantes que poderíamos fazer para aguçar os raciocínios dos companheiros encarnados:

- Como ficariam os espíritos que, após a desencarnação, literalmente “dormem” até o momento de novo mergulho à carne, segundo nos esclarece Alfredo na obra Os mensageiros?

 Com a palavra, nossos amados e prezados leitores e demais simpatizantes que venham a ler este singelo artigo.

 

(*) Todos os grifos são nossos

 

(**) Número aproximado de nascimentos por dia na Terra.

 

 

Referências

 

1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

2) Ferreira, Inácio. Dr. Inácio Ferreira convida você a pensar. Editora LEEPP, 2015, 268p.

3) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.

4) Ferreira, Inácio. No princípio era o verbo. Editora LEEPP, 2012, 334p.

5) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

6) Luiz, André. Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 219p.

segunda-feira, 23 de março de 2026

 

Um pedido sui generes

Não há a menor dúvida que nossa existência na Terra normalmente se nos depara com as dificuldades e desafios de todo dia, repleta de acertos e desacertos, de boas e más possibilidades com perspectivas de sadios e enfermos relacionamentos. Considerando este panorama, se antes de reencarnarmos, nos fosse dada a possibilidade se solicitar alguma intercessão a nosso favor quanto aos acontecimentos durante a existência física, normalmente vindo de qualquer ser humano regular, que tipo de solicitação, predominantemente, você acredita que mais ouviríamos? Tenho algumas sugestões: 

- remoção de toda espécie de dificuldade de nossos caminhos;

- somente encontrarmos pessoas amáveis e compreensivas em nossos relacionamentos;

- sermos felizes e prósperos em nosso trabalho profissional;

- não apresentarmos dificuldades de ordem financeira;

- sermos portadores de uma inteligência, no mínimo regular, e por aí afora...

Concordam?

Por outras palavras, cobriríamos os nossos mentores ou anjos da guarda de um sem número de solicitações que nos favorecessem e tornassem a nossa vida como espíritos encarnados tranquila e sem obstáculos. Seria certamente, o retrato de uma vida feliz.

Será?

Costumo pensar, conforme tenho aprendido na Doutrina Espírita que, normalmente, o que acreditamos ser o melhor para nós aqui na Terra, quase sempre nos complica se levarmos em conta, enquanto espíritos imortais, o aspecto espiritual da nossa existência. 

Essa visão acanhada de achar que recebermos o melhor aqui na Terra resultará em uma vida feliz, é a falta de melhor entendimento dos ensinamentos morais do Mestre Jesus, que ao nos ensinar que o Reino dEle não pertencia a este mundo, claramente se referia à Vida Futura.

Aliás, a vida futura, como no-la apresentou Jesus, pode ser considerada como o eixo central de suas eternas lições.

Todo cristão crê na vida futura, porém, a ideia que muitos fazem dela é ainda vaga, incompleta e, por isso mesmo, falsa em diversos pontos.

O Espiritismo, nesse ponto como em vários outros, traz luz aos ensinos do Cristo, e nos apresenta a vida futura como uma realidade material, que os fatos demonstram, porquanto são as próprias almas, que lá residem, que vem descrever sua situação.

Ao contrário dos que enxergam na vida atual, a única razão das ocorrências que nos conduzem cada vez mais a uma vida sem sentido e egoísta, o Espiritismo, mostra que essa vida não passa de um elo no harmonioso conjunto da obra Divina. Logicamente somos levados à entender neste conjunto a solidariedade que conecta todas as existências de um mesmo ser, todos os seres de um mesmo mundo e os seres de todos os mundos. Caminhamos assim, embora a passos muito lentos, à fraternidade universal.

Reportamo-nos, à título de exemplo, a circunstância vivida por André Luiz na casa da família de Lísias e Dona Laura por ocasião do culto doméstico. Neste capítulo, recheado de preciosas lições, Ricardo, mesmo estando encarnado no período da infância na Terra, é conduzido enquanto dormia, ao seu antigo lar no mundo espiritual para rever seus familiares. Nesta ocasião, ao ser questionado por Judite, uma de suas filhas, no que a família espiritual poderia ser útil a ele enquanto encarnado, somos deparados com um pedido sui generes!

 Ah! Filhos meus, alguma coisa tenho a pedir-lhes do fundo de minh’alma! Roguem ao Senhor para que eu nunca disponha de facilidades na Terra, a fim de que a luz da gratidão e do entendimento permaneça viva em meu espírito!...

A referida solicitação é de profundo aprendizado para todos nós. Notem que ele não pede que suas dificuldades sejam removidas ou até mesmo atenuadas, pois, para todos que vivem na Terra, elas sempre nos acompanharão. Ele estava plenamente consciente disso.

Ele pede aos familiares para que orem a fim de que “...não disponha de facilidades na Terra...”.

Creio que as facilidades amolentam o espírito, podem gerar seres frágeis e medrosos e, portanto, menos capazes diante das dificuldades.

Sem desejar me aprofundar neste artigo, defendo que todo este contexto é muito relevante na sublime tarefa de educação que cabe aos pais. Se não levarem em conta o de que aqui tratamos, satisfazendo todas as vontades e protegendo em excesso os filhos, estarão formando adultos vulneráveis e cheios de recalques.

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 410p.

(2) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.

segunda-feira, 16 de março de 2026

 

O que é mais importante na Vida? *

        

Quais são os melhores parâmetros para decidir o que é o mais importante na Vida? O padrão de vida (englobam aspectos econômico, social e atendimento às necessidades básicas), ou a qualidade de vida (saúde física e mental, bem-estar, relações)?

Além da necessidade de sobreviver, a tranquilidade das contas estarem em dia permitindo viver com alguma dignidade, o que mobiliza a sua ação cotidiana? Quais são as intenções que alimentam seus planos, movem seus desejos e impulsionam suas decisões para adiante?

E sobre os valores que cultivamos? De fato, creio que para a maioria de nós, embora sem nos considerarmos niilistas, trata-se de um assunto que ainda não possuímos muita clareza; aliás em verdade, valores sólidos e sublimes, infelizmente, não fazem parte da rotina de nossas preocupações. Nos encontramos em uma fase da vida, no sentido de vida eterna, que a matéria sobrepuja o espírito, muito embora envidemos esforços para alterar essa situação. Assim, encontramos no Evangelho segundo o Espiritismo na dissertação de Lázaro sobre a lei do amor:

“O sangue resgatou o Espírito e o Espírito tem hoje que resgatar da matéria o homem.” 

Tido como certa, a reflexão sobre nossos valores auxiliam na construção de uma base pessoal forte que será fundamental para erigirmos confiança que aos poucos nos levem à fé raciocinada, defendida por Allan Kardec como a única capaz de encarar todas as situações em todas as épocas da Humanidade. Isso significa, atravessar momentos turbulentos e tempestades de toda ordem sob um manto de serenidade, somente visto no proceder de almas sublimes quando em seus embates com as contrariedades tão normais de um planeta de expiação e prova como a Terra.

Repito a questão que intitula este artigo para não perdemos o foco.

O que é mais importante na Vida?

Conhecer e respeitar as leis que nos regem os movimentos na sociedade que vivemos, embora, não poucas vezes, as acreditamos como imperfeitas ou de aplicação injusta? Sabemos que isso ocorre.

Ilustrarmo-nos nas leis morais em profundidade que dizem respeito especialmente ao homem em si mesmo e nas suas relações com Deus e com seus semelhantes. Elas contêm, além das regras da vida do corpo, principalmente as da vida da alma, tão pouco conhecidas do homem e estudadas. Por hora, tem sido patrimônios das religiões, assim como, nosso Mestre Jesus é tido, pela maioria, como um líder religioso que deve ser bem cultuado aos finais de semana, por algumas horas, em templos religiosos. Mas nem sempre assim será. Como disseram os espíritos superiores em O Livro dos Espíritos acerca do Espiritismo que iniciaram sobre a Terra:

“Nele pusemos as bases de um novo edifício que se eleva e que um dia há de reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade.”

Trazer para nossa reflexão este assunto, sobre o importante da Vida, eu reconheço que nos traz um mundo de possibilidades, tantas quantas forem os graus de evolução das pessoas que se aventurem a pensar a respeito.

Talvez seja o amor incondicional de uma mãe com o aflito coração por um filho em sofrimento, talvez a paz da consciência conquistada em uma vida de lutas e deveres retamente cumpridos, ou quem sabe nada mais que a justa alegria de um clã familiar iluminado pelas bençãos divinas. Naquele irmão que embora se atirando no lamaçal das mais duras dores para estender a mão ao próximo, mantém-se em constante ligação com Deus e por isso persevera.  

Um grande amigo diz que o mais importante da Vida é sabermos o que fazer com a própria imortalidade. Aliás, raros espiritualistas (e espíritas!) pensam nisso. Mal preparados pelas religiões dominantes no mundo, grande parte dos adeptos prossegue vivendo sem saber nem como nem porquê e, portanto, em dificuldade para responder à questão do título. É muito triste, você não acha?

Incorporar conhecimento e as lições colhidas nas experiências do dia-a-dia para alicerçar a personalidade, sublimando o Eu. Encarar a Vida, entremeada pelas diversas oportunidades encarnatórias, como um constante exercício de despertamento espiritual, quem sabe nos aproximaremos da solução e nos apossaremos do mais importante da Vida afinal.     

(*) Dedico este texto aos que buscam responder a pergunta e, em todos os níveis, lutam, conscientes, por se fazerem melhor e auxiliar Jesus na implantação do Reino Divino na Terra. Aleluia!

Referências

(1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 410p.

(2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(3) Ferreira, Inácio. O último ceitil.     Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Votuporanga. Editora DIDIER, 2016. 430p.

segunda-feira, 9 de março de 2026

 

O Dimas que reside em nós.

           

A cura de dez leprosos:

Prosseguindo no seu caminho para Jerusalém, chegaram aos limites da Galileia com Samaria. Quando entraram numa aldeia, dez leprosos pararam à distância,  bradando: “Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós!” Olhando para eles, Jesus disse: “Ide e mostrar-vos aos sacerdotes. Enquanto iam a caminho, constataram que a lepra desaparecera. Um deles voltou a procurar Jesus e, lançando-se diante de Jesus com o rosto em terra, dava em alta voz glória a Deus e agradecia o que lhe tinha feito. Este homem era samaritano. Então Jesus perguntou: “Não eram dez os homens que curei? Onde estão os outros nove? Só este estrangeiro é que volta para dar glória a Deus?” E disse ao homem: “Levanta-te, podes ir. A tua fé te salvou!”

Este conhecido relato consta no capítulo 17, versículos 11 a 19 do evangelho de Lucas.

A Hanseníase – naquela época conhecida como lepra – era vista como uma doença física e principalmente como um sinal de impureza espiritual. Representando isolamento e vergonha, provocava a marginalização e afastamento do doente da sociedade, obrigando-o a residir, em geral, em cavernas afastadas da cidade, distante de suas famílias e comunidades.

Notem que o leproso sofria física e emocionalmente, sendo a morte social estando ainda vivo.

Recentemente, o médium Carlos Baccelli, publicou uma obra, na qual, Dimas o leproso Samaritano (título do livro) à convite do Irmão José e do Dr. Inácio Ferreira, registra por suas próprias palavras, um momento fundamental de sua trajetória evolutiva.

Neste livro emocionante, através da mediunidade do Baccelli, somos brindados com sublimes informações. Filho único de família muito pobre, cedo tornou-se órfão, tendo que, desde os treze anos de idade, trabalhar com a terra e vender produtos para sobreviver.

Ainda criança, aprendera com seu pai sobre a vinda de um homem à Terra para libertar os judeus e que reinaria sobre o mundo inteiro. Mais tarde, adulto, recebeu informações sobre a “transmigração” da alma, conhecida na época pelos judeus como ressurreição e pelos gregos como palingenesia. Demonstrou vivo interesse pelo assunto, afirmando ser muito lógico, pois consagrava a ideia da imortalidade.

Casou e teve dois filhos e para sustentar a família abriu uma singela carpintaria tendo como auxiliar, por um tempo, um jovem chamado João, que mais tarde recebeu a incumbência de batizar Jesus nas águas do rio Jordão.

Quando mais tarde, percebeu em seu corpo os primeiros sinas da doença, foi aconselhado a afastar-se de sua esposa e dos dois filhos, o que lhe fez sangrar o coração em sofrimento.

Após a confirmação de ter contraído lepra, Dimas se afasta ainda mais dos seus e conhece um grupo de homens que também doentes, passam a conviver em afastada caverna, conhecida como a dos Dez leprosos. Sempre falando sobre a “transmigração” com seus companheiros de infortúnio, alegava que a alma ou a essência que animava o corpo devia vir ao mundo sucessivas vezes em resgate do passado. Acreditava firmemente, e isso o consolava, tornando-se, ao contrário dos demais doentes, que acreditavam estar sobre o mundo à mercê da morte e do azar de terem nascido, Dimas era uma criatura resignada à sua condição de enfermo.

Nos dias que se seguiram, Dimas conhece Joana de Cusa que passaria a ser benfeitora do grupo de leprosos a que pertencia. Algum tempo depois, será Joana, quem apresentará ao infortunado leproso, Maria, mãe de Jesus.

Certa tarde, acompanhando a pregação de um homem que a todos magnetizava com sua palavra, conhece André e o irmão Pedro, futuro discípulos de Jesus, os quais na oportunidade, seguiam João o Batista. E Pedro revela a Dimas:

“Eu sou Pedro, irmão de André, filhos de Bar-Jonas. João me pediu para lhe dizer que a vossa cura chegará, mas que ainda não hoje...Tende paciência.”

Segundo consta na obra referida, Dimas vê Jesus pela primeira vez quando Ele realiza o sermão das Bem-aventuranças. Ao contemplá-lo, Dimas diz:

“Uma figura que parecia condensar em torno de si todos os raios do Sol; Jesus, do cume do Monte, abriu os braços fazendo com que a emoção tomasse conta de todos os presentes pacificando a multidão de mais de cinco mil pessoas. Com este simples gesto, a tempestade das dores que explodiam naquele oceano humano se fez calmaria, e muitos se entregaram a incontidas lágrimas” (....) Ali, existia algo diferente – comparou Dimas, lembrando-se de João – aquele homem, Jesus, não podia ser da Terra e não podia ser igual aos outros homens”

O episódio da cura dos leprosos é muito significativo e contou com o auxílio direto de Joana de Cusa e Pedro, o discípulo, que ao informar por onde Jesus passaria naquela dia, orientou-os o local em que deveriam se posicionar para vÊ-lo e acrescentou:

“Se vós tiverdes que ser curados, bastar-vos-á que o toquem, ou que estejam em posição que Ele vos consiga tocar. Às vezes, o toque nem é necessário, basta que Ele vos olhe...Ultimamente, por desconfiarmos sejam as últimas curas que Ele esta fazendo, quase todos ficam curados, ou obtém melhoras significativas, se tocados até pela sua sombra, quando passa....”

Atendendo a Pedro, os dez leprosos aguardaram e quando Jesus por ali passou, Maria, sua mãe apontou para o grupo e disse:

“Meu filho, ei-los.”

Jesus aproximou-se e disse somente:

“Ide e mostrai-vos aos sacerdotes.”

Todos os dez, ainda com as feridas no corpo, atordoados, saem à procura de uma sinagoga para atenderem à lei de Moisés (Levítico 14:2-32) que mandava os doentes curados se mostrarem ao sacerdote para que confirmasse a cura e o curado pudesse ser reintegrado à sociedade. Ao se aproximarem da sinagoga, todos os dez, se perceberam curados sem mais nenhuma lesão. Alguns dias após esta passagem evangélica, registrada somente por Lucas que deve tê-la conhecido através de Maria ou João o Evangelista, Dimas vai ao encontro do Mestre para agradecer.

Convidamos à leitura da obra que nos oferece tantas preciosas lições para nossas reflexões, narrando a vida deste importante personagem que muito tem a nos ensinar.

Todos temos nossa “lepra” que, invariavelmente, nos conduzirá a Jesus. Será que se não fôssemos enfermos estaríamos procurando por Ele?

Bendita seja a doença que, cedo ou tarde, deve nos levar aos pés do Senhor.

(**) Todos os grifos são meus.

Referência

(1) Irmão José; Ferreira, Inácio. Dimas o leproso samaritano.     Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Uberaba. LEEPP Editora, 2025. 428p.

                                  Anda faltando estudo, cérebro                                    ou   intenção desinteressada.            ...