A
virtude como esporte da alma
O
Espiritismo nos ensina que a virtude não é uma graça e nem um dom de Deus
oferecido aos homens.
Aquele
que a possui, adquiriu por seus esforços, em existências sucessivas,
despojando-se pouco a pouco de suas imperfeições. Isso porque todas as
virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde
estariam o mérito e a responsabilidade?
Discorrendo
sobre a virtude, Emmanuel em O Consolador, na questão 253, afirma que
não é uma concessão da Divindade e sim:
“(...) sublime e imorredoura
aquisição do espírito nas estradas da vida, incorporada eternamente aos seus
valores, conquistados pelo trabalho no esforço próprio”.
Nessa
linha da aquisição pelo esforço, Alexandre, o mentor de André Luiz na obra Missionários
da Luz, compara a ginástica e os exercícios cotidianos que o homem executa
como fatores valiosos à saúde, com a necessidade de compreender a virtude como
esporte da alma, como ensinou Jesus. Se é louvável dedicarmos horas do dia à
saúde do corpo físico, que mais cedo ou tarde há de degenerar, o que não dizer
do empenho que deve existir com a saúde da alma imortal. São muito raros ainda,
na Terra, os homens que reconhecem essa necessidade.
Significa
então, caro leitor, que os germes das virtudes celestes dormitam em nossos
corações e cabe a cada um, sua exteriorização. Durante a vida na Terra
florescerão somente as que houvermos cultivado.
Em
Provérbios a exaltação à mulher virtuosa era ressaltada séculos antes da
vinda de Jesus Cristo à Terra:
“Suas grandes virtudes são a
energia e a honra. Ela não se preocupa com o futuro. Fala com sabedoria e
ensina e corrige com amor. Ela cuida muito bem da sua casa e nunca dá lugar à
preguiça. Seus filhos a respeitam e a elogiam; seu marido também a elogia,
dizendo: “Pode haver muitas esposas exemplares neste mundo, mas eu tenho
certeza que nenhuma delas é melhor que você”
Buscar
em Maria, a piedosa Mãe de Jesus, o símbolo das virtudes cristãs, tendo a
humildade como das mais sublimes. Assim como, na resignação profunda e sincera dos
pais de família, em favor do cuidado dos filhos ou no trabalhador que passa a
vida inteira trabalhando ao Sol no preparo da terra, para o fabrico do pão. Ai,
localizaremos muito maior grandeza, comparados a espíritos de elevada
inteligência, às vezes perturbada, que outra coisa não fazem senão conturbar a
marcha das criaturas.
Recordando
o prefácio de o Evangelho segundo o Espiritismo, encontramos:
“Os Espíritos do Senhor, que
são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber
as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e,
semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos
cegos.”
Entendemos
que os espíritos altamente elevados, as grandes vozes do Céu, são a representação
da própria virtude.
Se
estudarmos, detidamente, a vida de Jesus, encontraremos que Ele nos legou em
suas lições o exemplo de todas as virtudes; por isso é considerado modelo e
guia para a Humanidade.
Em
todas as circunstâncias, Jesus põe a humildade na categoria das virtudes que
aproximam o homem de Deus e a paciência com a mais difícil de ser conquistada
por nós, os espíritos da Terra.
Lázaro,
estudando no Evangelho as virtudes da obediência e da resignação, as
consideram irmãs e companheiras da doçura, tendo Jesus como a encarnação das
mesmas. Nesse estudo, revela ainda Lázaro que a virtude da nossa geração
é a atividade intelectual; sendo a indiferença moral, seu vício.
O espírito
François-Nicolas-Madelaine, que foi na Terra o Cardeal Morlot e demonstrou
porque na Terra não é possível a felicidade plena, afirmou no Evangelho que:
“... a virtude, no mais alto
grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o
homem de bem.”
Acrescentou ainda:
“Mais vale pouca virtude com
modéstia, do que muita com orgulho”.
Fénelon
designa como virtudes filhas do amor, a caridade, a humildade, a paciência,
o devotamento, a abnegação, a resignação e o sacrifício. Delas, a Terra se
repletará quando purificada.
Vicente
de Paulo destaca a caridade, a mais pura emanação do Criador, como a virtude
fundamental sobre que há de repousar todo o edifício das virtudes terrenas.
Sem ela não existem as outras.
O
espírito Miguel atribui à piedade, celeste precursora da caridade, como
a virtude que mais nos aproxima dos anjos. É a piedade, bem vivenciada, que nos
comove à vista dos sofrimentos de nossos irmãos e nos impele a estender a mão
para socorrê-los.
Paulo
em sua primeira epístola aos Coríntios, (13:1 a 7 e 13) destacando três
virtudes: a Fé, a Esperança e a Caridade, coloca esta última acima da Fé e da
Esperança.
O
iluminado espírito de Chico Xavier, considerava o perdão a virtude mais difícil
de ser posta em prática e explicava:
“Considero a virtude mais
difícil de ser posta em prática, a do perdão, pois perdoar exige um esforço de
autossuperação muito grande… Emmanuel me diz que quem aprende a perdoar
tem caminho livre pela frente. Creio que, por este motivo, a derradeira
lição de Jesus para a Humanidade foi a do perdão!…Ele a deixou por último,
esperando o momento em que pudesse exemplificá-la… É claro que Ele se
referira ao perdão em diversas oportunidades, mas, na hora da cruz, padecendo
toda espécie de humilhação, o ensinamento do perdão foi gravado a fogo na
consciência da Humanidade… Ninguém sofreu e perdoou como Ele!…O
Espírito que adquirir a virtude do perdão não achará dificuldade em mais nada;
haja o que houver, aconteça o que acontecer, ele saberá administrar a sua
vida…”
De
tudo, alcancemos as virtudes com nossos esforços, cumprindo nossos deveres para
com Deus e o próximo, pois do contrário a virtude solitária se transforma em
pão na vitrine ou como diz Emmanuel, virtude sem proveito é brilhante no
deserto.
(*) Todos os grifos são meus.
Referências
(1) Emmanuel. O Consolador. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 11ª
ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 233p.
(2) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado
por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.
(3) Kardec, Allan. O Evangelho
Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília.
Editora FEB, 1944. 410p.