Dialogando
sobre a fatalidade
Com a
finalidade de auxiliar nossos leitores a um melhor entendimento sobre este
intrigante assunto, propomos redigir nosso texto em forma de um diálogo que
criamos tendo as respostas baseadas nas obras de Kardec e Chico Xavier. Vamos a
ele!
-
Poderia definir fatalidade, na forma que as pessoas a entendem corriqueiramente
em relação aos fatos da vida?
R.
Sim. A fatalidade, como vulgarmente é entendida pela maioria, supõe a decisão
prévia e irrevogável de todos os sucessos da vida, qualquer que seja a
importância deles.
-
Pode-se entender correta e de acordo com a Lei Divina a aplicação desta
definição?
R.
Não. Se tal fosse, o homem seria qual máquina sem vontade. De que lhe serviria
a inteligência, desde que houvesse de estar invariavelmente dominado, em todos
os seus atos, pela força do destino?
- A
aceitação da doutrina da fatalidade a que conduziria o homem?
R. Semelhante
doutrina, se aceita como verdadeira, conteria a destruição de toda liberdade
moral; já não haveria para o homem responsabilidade, nem, por conseguinte, bem,
nem mal, crimes ou virtudes.
-
Então...
R. Não
seria possível que Deus, soberanamente justo, castigasse suas criaturas por
faltas que não dependera delas realizar, nem que as recompensasse por virtudes
de que nenhum mérito teriam.
- Faz
sentido....
R.
Sim, claro. Demais, tal lei seria a negação da lei do progresso, porquanto o
homem, tudo esperando da sorte, nada tentaria para melhorar a sua posição,
visto que não conseguiria ser mais nem menos.
-
Entendo. Então a fatalidade não existe? É isso?
R. A
fatalidade existe na posição que o homem ocupa na Terra e nas funções que aí
desempenha, em consequência do gênero de vida que seu Espírito escolheu como
prova, expiação ou missão.
- Ou
seja, a fatalidade então...
R.
...existe se considerarmos os acontecimentos que se apresentam, por serem estes
consequência da escolha que o Espírito fez da sua existência de homem. Porém,
veja bem, pode deixar de haver fatalidade no resultado de tais acontecimentos,
visto ser possível ao homem, pelo seu livre-arbítrio, modificar-lhes o curso.
- Pelo
que estou entendendo, quanto ao aspecto moral, não há fatalidade?
R.
Sim, nunca há fatalidade nos atos da vida moral.
-
Nunca...?
R.
Sim..., nunca. Do contrário, como me referi acima, o homem seria qual máquina e
a Lei Divina, falha. Deixe-me tentar esclarecer melhor. O livre-arbítrio é uma
característica do espírito humano e existe para ele nas duas situações em que
pode se encontrar com diferentes finalidades, ou seja, como espírito
desencarnado ao fazer a escolha da existência e das provas e, como
encarnado, na faculdade de ceder ou de resistir aos arrastamentos a que
todos nos submetemos voluntariamente.
- Ficou
claro. Mas...
R. Já
sei o que pretende me perguntar. Se haverá fatos que forçosamente devem ocorrer
e que os Espíritos não possam afastar, embora o queiram?
-
Sim...era isso que desejo saber. Há situações que não temos como evitar.
R. “Há
situações, que dizem respeito aos fatos principais de nossas vidas que não
podem ser evitadas. Não acredite, entretanto, que tudo o que sucede esteja
escrito, como costumam dizer por ai, tudo é Maktub, tudo está escrito ou tinha
que acontecer.
- O
fato de estarmos encarnados em um mundo de expiações e provas, influi em algo
neste aspecto?
- Exato, sem
dúvida que influencia. O planeta Terra, de expiação e provas, para os que nele
habitam, é extremamente hostil. Na sua quase totalidade, é composto por
espíritos, nossos irmãos, que são foras da lei. Este é um planeta de foras da
lei, entende? Quase todos nele se encontram para quitar débitos (a maioria) e
outros para se provarem.
- A
Terra não é uma colônia de férias...
R. Definitivamente, não é. Portanto,
se não tiver mérito ou, em outras palavras, não criar crédito, com suas boas
ações, o homem viverá sem uma “retaguarda” que o possa proteger dos
acontecimentos hostis dos quais está submetido.
-
Aprendi que nada, absolutamente nada, acontece à revelia das Leis Divinas...
R.
Exato. E isso deve ser entendido como nada há que se efetue sem a vontade de
Deus. Até mesmo em uma desencarnação que possa ser considerada “precoce”
existe, para o espírito envolvido, um aprendizado para o seu futuro.
- Como
o assunto é por demais complexo...
R.
Sim, é sutil mesmo. Delicado. E para compreendê-lo é necessário adquirirmos uma
visão mais ampla do todo e não ficarmos presos à ortodoxia religiosa.
-
Podemos continuar com as perguntas?
(continua
no próximo artigo)
(*) Todos os grifos são nossos