segunda-feira, 27 de julho de 2026

 

Cuide bem de seu idoso

 Texto extraído de mensagem psicofônica recebido no dia 21-7-2026 na reunião mediúnica do Grupo Espírita da Fraternidade, Araçatuba -SP

Cuidar bem é necessário.

No planeta Terra, a população está envelhecendo muito rapidamente sem um preparo adequado para lidar com isso.

Muitos espíritos estão partindo da Terra, na velhice, extremamente vulneráveis, de forma muito triste para eles. Conviver com as diversas perdas, sentir-se como um fardo para os seus e não encontrar mais um sentido para suas vidas, são fatores comuns a alimentarem, em seus íntimos, ideias infelizes, caminhos para a perturbação.

Nestas condições, partem da vida física com os corações extremamente frustrados e chorosos.

Por isso, cada um pode e deve cuidar do outro. Não se preocupem em querer resolver todas as questões. Deixem isso por conta de Deus e de Jesus. Entretanto, aquele que é o seu idoso, cuide bem dele, mesmo que ele passe por dificuldades, que são, você sabe, passageiras.

Não esqueça, que se você não desencarnar antes, considere que algo lhe espera. Como será sua velhice? Quem pode saber? Eu nunca soube.

Na minha velhice eu desencarnei doente, quase que abandonado. Isto me marcou muito. Minha recuperação no mundo espiritual foi difícil e dolorosa. Mas passou, agora estou bem. Por isso, venho fazer este alerta.

Acolha este irmão em partida, mesmo que ele não entenda, o espírito registrará.

Os idosos tem muito a nos ensinar, mesmo que sejam aqueles que olhamos e nos perguntamos o que pode sair dali?

Qualquer um, mas principalmente eles, têm muito medo. Isso é a Lei divina tentando levar o espírito a acreditar em algo superior na vida. No curso da vida, não cultivaram sublimes sentimentos que os habilitassem a seguir em equilíbrio para próxima fase da vida eterna. Daí, quando se aproxima este período, experimentam um medo indefinível. Não queiram experimentá-lo. 

E eles se fecham. Encontramos aí a gênese de muitas doenças mentais que, atualmente, acometem e degeneram o homem na Terra.

Por não terem recebido uma preparação espiritual, não acreditam; e não se iludam que mesmo vocês, que estão em contato com os ensinos da doutrina espírita, estejam livre disso. Parece que estão aguardando desencarnar para se certificarem, acreditem no que digo.

Ser espírita, necessariamente, não concede a qualquer a crença sincera e definitiva da certeza da continuidade natural da vida após a morte. Muitos estão na doutrina, mas não creem definitivamente. É preciso experimentar a crença e internalizá-la. Por ouras palavras, vivê-la no dia-a-dia.

A velhice só deve atingir o corpo físico, não contaminando o Espírito e o homem interior deve se renovar sempre.

E a única forma de colaborar nesta situação é dar atenção, é dar carinho, envolvendo-os em preces que meus irmãos realizam. A prece pelos idosos sempre é útil, pois enquanto eles dormem, descansam na matéria, nós, sob a permissão divina, procuramos tratá-los e atendê-los, mas muitos recusam, pelas dificuldades próprias da fisiologia do cérebro que já vai cansado, exaurido nas conexões e também pela falta do preparo espiritual a que me referi. 

Para eles, na Terra, infelizmente meus irmãos, há uma escuridão ainda muito grande, muito grande.

Continuem orando e sempre que puderem, toquem a mão desses irmãos, sintam a pele enrugada desses irmãos, principalmente aqueles que acreditaram que levar uma vida reta e honesta os conduziria a algum lugar. Ainda mesmo estes, estamos perdendo.

Desculpem-me por alongar sobre este importante assunto. Peço a Jesus que ampare a todos vocês em suas vidas aqui na matéria, e que tenham, se chegarem lá, uma velhice feliz! 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

 

Fatalidade - continuando o diálogo

 

- Posso continuar com as perguntas?

R. Sim, é claro. Este assunto sobre a fatalidade em nossas vidas é muito atrativo e sempre deve ser estudado para sua melhor compreensão.

- O conceito de fatalidade, segundo as orientações da Doutrina Espírita, de certa forma, ainda é um tanto confuso, para mim. Poderia tentar aprofundar o tema, melhor esclarecendo?

R. Vamos tentar com muita satisfação. Citarei alguns exemplos, para auxiliar.

Todas as leis que regem o conjunto dos fenômenos da Natureza têm consequências necessariamente fatais, isto é, inevitáveis, e essa fatalidade é indispensável à manutenção da harmonia universal. O homem, que sofre essas consequências, está, pois, em alguns aspectos, submetido à fatalidade, em tudo quanto não dependa de sua iniciativa. Assim, por exemplo, deve morrer fatalmente; é a lei comum, à qual não pode subtrair-se e, em virtude dessa lei, pode morrer em qualquer idade, quando chegar a sua hora; mas, se apressa voluntariamente a sua morte, pelo suicídio ou por seus excessos, age em virtude de seu livre-arbítrio, porque ninguém o pode constranger a fazê-lo. Deve comer para viver: é a fatalidade; mas se comer além do necessário, abusivamente, por livre escolha sua, poderá adoecer.  

- Está clareando o conceito...Poderia citar outros exemplos?

R. Pois não. Em sua cela, o prisioneiro é livre de mover-se à vontade, no espaço que lhe é concedido; mas as paredes que não pode transpor são para ele a fatalidade que lhe restringe a liberdade. Para o soldado a disciplina é uma fatalidade, pois o obriga a atos independentes de sua vontade, mas não é menos livre em suas ações pessoais, pelas quais é responsável. Assim é com o homem na Natureza. A Natureza tem as suas leis fatais, que lhe opõem uma barreira, mas aquém da qual ele pode mover-se à vontade.

- Nesta última resposta, você se referiu em especial, a Natureza. Mas, e quanto às ações da individualidade de cada um, os acontecimentos da vida particular, poderia dizer algo a respeito? 

R. Tendo o homem o seu livre-arbítrio, a fatalidade não participa de suas ações individuais; quanto aos acontecimentos da vida privada, que por vezes parecem atingi-lo fatalmente, têm duas fontes bem distintas: uns são consequência direta de sua conduta na existência presente; muitas pessoas são infelizes, doentes, enfermas por sua falta; muitos acidentes são resultado da imprevidência; ele não pode queixar-se senão de si mesmo, e não da fatalidade ou, como se diz, de sua má estrela. É a colheita após a semeadura.

- E os outros? De onde provém?

R. Os outros são completamente independentes da vida presente e, por isto mesmo, parecem devidos a uma certa fatalidade; mas, ainda aqui, o Espiritismo nos demonstra que essa fatalidade é apenas aparente, e que certas situações penosas da vida têm sua razão de ser na pluralidade das existências. O Espírito as escolheu voluntariamente antes de sua encarnação, como provações para o seu adiantamento; elas são, pois, resultado do livre-arbítrio, e não da fatalidade.

- Você está querendo dizer, que mesmo nos casos de fatos ou circunstâncias “impostas” pela providência Divina...

R. Exatamente o que você está pensando...Mesmo nestes casos, em que se configura na Terra, uma fatalidade para o espírito reencarnado, como expiação, ela se dá em razão das más ações voluntariamente cometidas pelo homem numa precedente existência, e não como consequência de uma lei fatal, pois ele poderia tê-las evitado, agindo de outro modo.

- Se bem entendi, devemos procurar a origem real da “fatalidade” e esta, normalmente, mesmo sendo em existência anterior, foi fruto da liberdade de escolha do espírito. Portanto não houve, de fato, fatalidade.

R. Atente para esta frase, meu caro irmão: “Em cada instante de nossa vida, estamos recolhendo o que semeamos, dependendo da nossa sementeira de hoje a colheita melhor de amanhã.”

- Ótima, preciso mesmo refletir muito sobre ela.

R. Se um acontecimento está no destino de um homem, ele se realizará, a despeito de sua vontade, e será sempre para o seu bem; mas as circunstâncias da realização dependem do uso que ele faça de seu livre-arbítrio, e muitas vezes ele pode fazer redundar em seu prejuízo o que deveria ser um bem, se agir com imprevidência, e se se deixar arrastar pelas paixões.

A fatalidade é o freio imposto ao homem por uma vontade superior à sua, mas jamais é um entrave ao exercício de seu livre-arbítrio, no que concerne às suas ações pessoais.

- E quanto à morte? Há fatalidade em todos os casos? Quero dizer, independente do tipo de morte, sempre haverá fatalidade, ou seja, se morreu é porque tinha que morrer. É assim?

R. Calma lá! Claro que não é bem assim não. Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte o é. Todos que estão encarnados na Terra, um dia deverão desencarnar. Isto que é a fatalidade da morte. Agora quanto ao dia, mês, ano, idade da pessoa que deverá morrer, em boa parte dos casos, pode-se atribuir a imprudência. Em bom português, a maioria de nós, poderia viver mais tempo sobre a Terra.

- Xiii...poderia esclarecer melhor esta questão? Ela é muito polêmica, mesmo entre os espíritas.

Sim, vamos lá.

Há muitos espíritos que retornam à espiritualidade em plena infância por pura falta de recursos de subsistência e também por falta dos mais simples serviços de saúde.

- Isso eu concordo. Na medida em que um país se desenvolve aprimorando seus serviços de saúde reduz-se drasticamente a mortalidade infantil. Isto, é um fato!

 Esta afirmativa pode ser chocante para quem imagina que tudo acontece por fatalidade divina, ou até pela vontade de Deus. Levada às últimas consequências semelhante ideia nos isentaria de qualquer responsabilidade envolvendo tanto a vida quanto à morte.

O doente morre à mingua de socorro; vontade de Deus!

 Transeuntes morrem num tiroteio; vontade de Deus!

 Dezenas de pessoas morrem num atentado terrorista; vontade de Deus!

 Milhares morrem numa guerra; vontade de Deus!

 E por que não dizer que o indivíduo que tenta o suicídio e a mulher que pretende abortar só conseguem seu objetivo porque é a vontade de Deus?

 Nenhum desses crimes, nenhuma dessas mortes, ocorre por iniciativa Divina. Não passam é de contingências geradas pela insensatez humana.

Embora muitas dessas tragédias possa ter uma origem cármica, representando o resgate de velhos débitos, há aquelas que não estavam programadas. Acontecem por pura imprudência.

Claro, teríamos que analisar caso a caso! Mas ambas as situações acima referidas podem ocorrer num planeta de expiações e provas.

No livro Nosso Lar, André Luiz é considerado, pelo generoso Clarêncio, como suicida inconsciente. Presume-se que ele poderia ter vivido mais tempo sobre a Terra. A informação, com o devido esclarecimento, está no início do livro, bem no capítulo 4. Vale a pena conferir.

Também no livro Missionários da Luz, o personagem Manassés, em esclarecedor diálogo com André Luiz, nos apresenta o conceito de completista. São os raros irmãos que aproveitaram todas as possibilidades construtivas que o corpo terrestre oferece.

Ele chega a dizer que, por vezes, desprezamos cinquenta, sessenta, setenta per cento e, frequentemente, até mais, de nossas possibilidades.

Refletindo sobre estas duas passagens, que estão ao nosso alcance, na excelente obra de André Luiz, chegamos à conclusão que pode-se sim, voltar à pátria espiritual antes do tempo previsto.

- Confesso que, embora, já tenha lido estas obras, não cheguei a refletir nestas passagens, considerando os aspectos sobre a fatalidade. Não havia ainda pensado por este prisma.

R. Pois trate de pensar, porque é muito válido!

- Alguma consideração para encerrarmos?

R. Eu diria que não é da vontade de Deus que morram crianças em locais de carentes recursos; excetuando-se as que partem atendendo a problemas cármicos a maioria morre porque Deus não encontra pessoas que se disponham a agir como instrumento de sua vontade para socorrê-las. Se a onipresença Divina se faz sentir em todas as dimensões do Universo e em todas as manifestações da vida, atentemos que Deus também está presente nos olhos tristes de uma criança carente, rogando-nos que a ajudemos a viver. Basta para isso que superemos nossas milenares tendências egoísticas.

 

(*) Todos os grifos são nossos.

Referências

(1) Simonetti, R. Quem tem medo da morte. 1ª edição. Editora Gráfica São João. 1987, 155p.

(2) Simonetti, R. Quem tem medo dos espíritos. 1ª edição. Editora Gráfica São João. 1992, 140p.

(1) Kardec, Allan. Revista Espírita. A ciência da concordância dos números e a fatalidade. Julho de 1868. 4ª ed.  Brasília. Editora FEB, 2004.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

 

Dialogando sobre a fatalidade

Com a finalidade de auxiliar nossos leitores a um melhor entendimento sobre este intrigante assunto, propomos redigir nosso texto em forma de um diálogo que criamos tendo as respostas baseadas nas obras de Kardec e Chico Xavier. Vamos a ele!

- Poderia definir fatalidade, na forma que as pessoas a entendem corriqueiramente em relação aos fatos da vida?

R. Sim. A fatalidade, como vulgarmente é entendida pela maioria, supõe a decisão prévia e irrevogável de todos os sucessos da vida, qualquer que seja a importância deles.

- Pode-se entender correta e de acordo com a Lei Divina a aplicação desta definição?

R. Não. Se tal fosse, o homem seria qual máquina sem vontade. De que lhe serviria a inteligência, desde que houvesse de estar invariavelmente dominado, em todos os seus atos, pela força do destino?

- A aceitação da doutrina da fatalidade a que conduziria o homem?

R. Semelhante doutrina, se aceita como verdadeira, conteria a destruição de toda liberdade moral; já não haveria para o homem responsabilidade, nem, por conseguinte, bem, nem mal, crimes ou virtudes.

- Então...

R. Não seria possível que Deus, soberanamente justo, castigasse suas criaturas por faltas que não dependera delas realizar, nem que as recompensasse por virtudes de que nenhum mérito teriam.

- Faz sentido....

R. Sim, claro. Demais, tal lei seria a negação da lei do progresso, porquanto o homem, tudo esperando da sorte, nada tentaria para melhorar a sua posição, visto que não conseguiria ser mais nem menos.

- Entendo. Então a fatalidade não existe? É isso?

R. A fatalidade existe na posição que o homem ocupa na Terra e nas funções que aí desempenha, em consequência do gênero de vida que seu Espírito escolheu como prova, expiação ou missão.

- Ou seja, a fatalidade então...

R. ...existe se considerarmos os acontecimentos que se apresentam, por serem estes consequência da escolha que o Espírito fez da sua existência de homem. Porém, veja bem, pode deixar de haver fatalidade no resultado de tais acontecimentos, visto ser possível ao homem, pelo seu livre-arbítrio, modificar-lhes o curso.

- Pelo que estou entendendo, quanto ao aspecto moral, não há fatalidade?

R. Sim, nunca há fatalidade nos atos da vida moral.

- Nunca...?

R. Sim..., nunca. Do contrário, como me referi acima, o homem seria qual máquina e a Lei Divina, falha. Deixe-me tentar esclarecer melhor. O livre-arbítrio é uma característica do espírito humano e existe para ele nas duas situações em que pode se encontrar com diferentes finalidades, ou seja, como espírito desencarnado ao fazer a escolha da existência e das provas e, como encarnado, na faculdade de ceder ou de resistir aos arrastamentos a que todos nos submetemos voluntariamente.

- Ficou claro. Mas...

R. Já sei o que pretende me perguntar. Se haverá fatos que forçosamente devem ocorrer e que os Espíritos não possam afastar, embora o queiram?

- Sim...era isso que desejo saber. Há situações que não temos como evitar.

R. “Há situações, que dizem respeito aos fatos principais de nossas vidas que não podem ser evitadas. Não acredite, entretanto, que tudo o que sucede esteja escrito, como costumam dizer por ai, tudo é Maktub, tudo está escrito ou tinha que acontecer.

- O fato de estarmos encarnados em um mundo de expiações e provas, influi em algo neste aspecto?

- Exato, sem dúvida que influencia. O planeta Terra, de expiação e provas, para os que nele habitam, é extremamente hostil. Na sua quase totalidade, é composto por espíritos, nossos irmãos, que são foras da lei. Este é um planeta de foras da lei, entende? Quase todos nele se encontram para quitar débitos (a maioria) e outros para se provarem.

- A Terra não é uma colônia de férias...

R. Definitivamente, não é. Portanto, se não tiver mérito ou, em outras palavras, não criar crédito, com suas boas ações, o homem viverá sem uma “retaguarda” que o possa proteger dos acontecimentos hostis dos quais está submetido.

- Aprendi que nada, absolutamente nada, acontece à revelia das Leis Divinas...   

R. Exato. E isso deve ser entendido como nada há que se efetue sem a vontade de Deus. Até mesmo em uma desencarnação que possa ser considerada “precoce” existe, para o espírito envolvido, um aprendizado para o seu futuro.

- Como o assunto é por demais complexo...

R. Sim, é sutil mesmo. Delicado. E para compreendê-lo é necessário adquirirmos uma visão mais ampla do todo e não ficarmos presos à ortodoxia religiosa.

- Podemos continuar com as perguntas?

(continua no próximo artigo)

 

(*) Todos os grifos são nossos

segunda-feira, 6 de julho de 2026

 

A virtude como esporte da alma

O Espiritismo nos ensina que a virtude não é uma graça e nem um dom de Deus oferecido aos homens.

Aquele que a possui, adquiriu por seus esforços, em existências sucessivas, despojando-se pouco a pouco de suas imperfeições. Isso porque todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade?

Discorrendo sobre a virtude, Emmanuel em O Consolador, na questão 253, afirma que não é uma concessão da Divindade e sim:

“(...) sublime e imorredoura aquisição do espírito nas estradas da vida, incorporada eternamente aos seus valores, conquistados pelo trabalho no esforço próprio”.

Nessa linha da aquisição pelo esforço, Alexandre, o mentor de André Luiz na obra Missionários da Luz, compara a ginástica e os exercícios cotidianos que o homem executa como fatores valiosos à saúde, com a necessidade de compreender a virtude como esporte da alma, como ensinou Jesus. Se é louvável dedicarmos horas do dia à saúde do corpo físico, que mais cedo ou tarde há de degenerar, o que não dizer do empenho que deve existir com a saúde da alma imortal. São muito raros ainda, na Terra, os homens que reconhecem essa necessidade.

Significa então, caro leitor, que os germes das virtudes celestes dormitam em nossos corações e cabe a cada um, sua exteriorização. Durante a vida na Terra florescerão somente as que houvermos cultivado.

Em Provérbios a exaltação à mulher virtuosa era ressaltada séculos antes da vinda de Jesus Cristo à Terra:

“Suas grandes virtudes são a energia e a honra. Ela não se preocupa com o futuro. Fala com sabedoria e ensina e corrige com amor. Ela cuida muito bem da sua casa e nunca dá lugar à preguiça. Seus filhos a respeitam e a elogiam; seu marido também a elogia, dizendo: “Pode haver muitas esposas exemplares neste mundo, mas eu tenho certeza que nenhuma delas é melhor que você”

Buscar em Maria, a piedosa Mãe de Jesus, o símbolo das virtudes cristãs, tendo a humildade como das mais sublimes. Assim como, na resignação profunda e sincera dos pais de família, em favor do cuidado dos filhos ou no trabalhador que passa a vida inteira trabalhando ao Sol no preparo da terra, para o fabrico do pão. Ai, localizaremos muito maior grandeza, comparados a espíritos de elevada inteligência, às vezes perturbada, que outra coisa não fazem senão conturbar a marcha das criaturas.

Recordando o prefácio de o Evangelho segundo o Espiritismo, encontramos:

“Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos.”

Entendemos que os espíritos altamente elevados, as grandes vozes do Céu, são a representação da própria virtude.

Se estudarmos, detidamente, a vida de Jesus, encontraremos que Ele nos legou em suas lições o exemplo de todas as virtudes; por isso é considerado modelo e guia para a Humanidade.

Em todas as circunstâncias, Jesus põe a humildade na categoria das virtudes que aproximam o homem de Deus e a paciência com a mais difícil de ser conquistada por nós, os espíritos da Terra.

Lázaro, estudando no Evangelho as virtudes da obediência e da resignação, as consideram irmãs e companheiras da doçura, tendo Jesus como a encarnação das mesmas. Nesse estudo, revela ainda Lázaro que a virtude da nossa geração é a atividade intelectual; sendo a indiferença moral, seu vício.

O espírito François-Nicolas-Madelaine, que foi na Terra o Cardeal Morlot e demonstrou porque na Terra não é possível a felicidade plena, afirmou no Evangelho que:

“... a virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem.”

Acrescentou ainda:

“Mais vale pouca virtude com modéstia, do que muita com orgulho”.

Fénelon designa como virtudes filhas do amor, a caridade, a humildade, a paciência, o devotamento, a abnegação, a resignação e o sacrifício. Delas, a Terra se repletará quando purificada.

Vicente de Paulo destaca a caridade, a mais pura emanação do Criador, como a virtude fundamental sobre que há de repousar todo o edifício das virtudes terrenas. Sem ela não existem as outras.

O espírito Miguel atribui à piedade, celeste precursora da caridade, como a virtude que mais nos aproxima dos anjos. É a piedade, bem vivenciada, que nos comove à vista dos sofrimentos de nossos irmãos e nos impele a estender a mão para socorrê-los.

Paulo em sua primeira epístola aos Coríntios, (13:1 a 7 e 13) destacando três virtudes: a Fé, a Esperança e a Caridade, coloca esta última acima da Fé e da Esperança.

O iluminado espírito de Chico Xavier, considerava o perdão a virtude mais difícil de ser posta em prática e explicava:

“Considero a virtude mais difícil de ser posta em prática, a do perdão, pois perdoar exige um esforço de autossuperação muito grande… Emmanuel me diz que quem aprende a perdoar tem caminho livre pela frente. Creio que, por este motivo, a derradeira lição de Jesus para a Humanidade foi a do perdão!…Ele a deixou por último, esperando o momento em que pudesse exemplificá-la… É claro que Ele se referira ao perdão em diversas oportunidades, mas, na hora da cruz, padecendo toda espécie de humilhação, o ensinamento do perdão foi gravado a fogo na consciência da Humanidade… Ninguém sofreu e perdoou como Ele!…O Espírito que adquirir a virtude do perdão não achará dificuldade em mais nada; haja o que houver, aconteça o que acontecer, ele saberá administrar a sua vida…”

De tudo, alcancemos as virtudes com nossos esforços, cumprindo nossos deveres para com Deus e o próximo, pois do contrário a virtude solitária se transforma em pão na vitrine ou como diz Emmanuel, virtude sem proveito é brilhante no deserto.

(*) Todos os grifos são meus.

 

Referências

(1) Emmanuel. O Consolador. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 11ª ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 233p.

(2) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

(3) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 410p.

(4) Baccelli, Carlos A. O Evangelho de Chico Xavier. 1ª ed. Casa Editora Espírita Pierre Paul Didier, 2000. 171p.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

 

Por que Jesus pouco falou sobre reencarnação?

Creio, sem sombra de dúvida, que o principal motivo de Jesus não se referir tão claramente à reencarnação, tenha sido a nossa ignorância, considerando que Ele falava aos espíritos que, encarnados, o ouviam e também para os que, como nós, após passados dois mil anos, ainda não o compreendemos. Palavras de Vida Eterna.

Atualmente, pelas mais diversas razões, milhares de espíritos, na carne ou fora dela, ainda não compreenderam o princípio da reencarnação.

Sabemos que a certeza da reencarnação é apanágio de poucas almas na Terra a tal ponto de Chico Xavier certa vez afirmar que os espíritos que guardam a certeza deste princípio em seus corações não são almas originárias da Terra.    

Como princípio universal, a reencarnação é um tema que concerne à verdade e a verdade, a pouco e pouco, se revela de modo irreversível.

Jesus, portanto, não poderia, como não o fez, falar de um aspecto que, para ser entendido, exigiria da parte dos que o ouviam a compreensão mais bem delineada sobre a vida futura.

Compreensão sobre a Vida Futura! Entender esta razão torna-se fundamental para entender porque Jesus assim agiu.

O Mestre, mais que qualquer um, sabia que todos os dogmas das religiões se alicerçam, necessariamente, na vida futura; ela representa a pedra angular de toda crença. Entretanto, a ideia que muitos faziam da vida futura era muito vaga, incompleta e, por isso mesmo, falsa em diversos pontos. Isso em razão das religiões não serem claras e nem apresentarem tal como ela, vida futura, se apresenta, de onde resulta muitas dúvidas e até a incredulidade.

Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo acrescenta que Jesus julgou conveniente não apresentar, aos homens de sua época, a luz completa, percebendo que eles ficariam deslumbrados, visto que não a compreenderiam. Limitou-se a, de certo modo, apresentar a vida futura apenas como um princípio, como uma lei da Natureza a cuja ação ninguém pode fugir.

Dezoito séculos depois, estando o homem mais maduro para apreender certas facetas da verdade, surge o Espiritismo que completa o ensino do Cristo dando materialidade às dúvidas da existência da vida futura, pois os próprios espíritos desencarnados que lá se encontram, vem descrevê-la sob seus diversos aspectos.

Na maneira pela qual nos apresenta o futuro reside o triunfo do Espiritismo. O quadro que apresenta é tão claro, tão simples, tão lógico, tão conforme à justiça e à bondade de Deus, que involuntariamente dizemos: Sim, é bem assim que deve ser; é assim que eu imaginava; e, se não havia acreditado, é porque outrora me tinham mostrado a vida futura de outro modo.

Muito mais que os de antigamente, os homens do presente querem compreender, pois só se duvida daquilo que não se compreende.

Ademais, Jesus sempre pregou e prega ao espírito imortal e não somente o homem como ser encarnado. O espírito não tem muitas vidas; o espírito vivencia múltiplas experiências dentro da Vida que é única. Neste contexto, a reencarnação se configura como etapas que o espírito cumpre em sua infinita caminhada.

Portanto, queridos leitores, tendo seu apogeu no diálogo que manteve com Nicodemos, o assunto Reencarnação, se não foi mais claramente exposto por Jesus, é porque Ele teve seus motivos, os quais devemos procurar melhor compreender! 

 

Referência

(1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 410p.

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