Suicídio indireto
Na obra Vozes do Grande Além, em mensagem psicografada por
Chico Xavier, o espírito Dias da Cruz nos esclarece sobre a ascendência da
autoflagelação, na forma de nossas crises de revolta e desesperação, de
maledicência e leviandade, de cólera ou crueldade. Essas tristes ocorrências
fruto da nossa milenar imperfeição exterioriza correntes de enfermidade e de
morte, provocando sobre nós próprios, verdadeira tempestade magnética que desorganiza
nossa vestimenta física e perispiritual, mais particularmente, o mundo cerebral,
em que essas vibrações desvairadas criam doenças neuropsíquicas, de difícil diagnose,
quando então andamos pelos consultórios médicos sem encontrar as causas destas
distonias.
Toda esta situação acima descrita, quase sempre nos conduz às
trevas do suicídio indireto. Ou seja, vamos aos poucos nos infligindo
sofrimentos que enfraquecem e fragilizam o carro físico, tornando-o mais
vulneráveis à degradação e à morte.
Do livro Harmonização, Emmanuel, pelo lápis abençoado de
Chico Xavier, afirma na mensagem “Problemas da morte”, que das milhares de
criaturas que regressam à vida espiritual, raras atendem ao cumprimento das
próprias obrigações; o que André Luiz, na obra Missionários da Luz, vai
definir como completista, ou seja, “raros irmãos que aproveitam
todas as possibilidades construtivas que o corpo terrestre lhes oferece na
existência física.”
E pasmem, Emmanuel, surpreende-nos ao afirmar que “quase
todas as criaturas deixam o corpo denso pelo suicídio indireto.”
Muitos se matam na Terra. Poucos morrem para que outros possam
viver dignamente, pontua Emmanuel.
Na obra Nosso Lar no capítulo 4, denominado “O Médico
Espiritual”, ao receber a informação que havia desencarnado pelo suicídio
indireto, André Luiz se surpreende e rechaça a informação transmitida pelo Dr.
Henrique de Luna após examiná-lo:
– É de lamentar que tenha vindo pelo suicídio.
E nosso amigo André Luiz responde se defendendo:
“Creio haja engano, meu regresso do mundo não teve essa causa.
Lutei mais de quarenta dias, na Casa de Saúde, tentando vencer a morte. Sofri
duas operações graves, devido a oclusão intestinal.”
Ao que o médico esclarece:
Sim, mas a oclusão radicava-se em causas profundas.
Vejamos bem a afirmação: “radicava-se em causas profundas”.
A argumentação de André Luiz foi, é
e será a mesma que outros tantos milhões de espíritos devem sustentar quando
aportam, com mínimo de lucidez, na pátria espiritual. Desconhecendo por
completo as leis espirituais que regem o cosmo orgânico, restringem a análise aos
parâmetros físicos da questão que, perpetuando vícios de ordem mental, não
atinam para as causas outras que somente o conhecimento espiritual pode
propiciar.
Para melhor entendimento, transcrevemos
abaixo trecho em que o médico espiritual Henrique de Luna explica a André os
aspectos reais que culminaram com sua desencarnação:
“Vejamos a zona intestinal – exclamou – A oclusão derivava de elementos
cancerosos, e estes, por sua vez, de algumas leviandades do meu estimado
irmão, no campo da sífilis.”
É flagrante, na afirmação acima, o ascendente das questões
comportamentais sobre o binômio saúde/doença da criatura humana. Esta
ascendência fica muito mais evidente na afirmação seguinte:
A moléstia talvez não assumisse características tão graves, se
o seu procedimento mental no planeta estivesse enquadrado nos princípios da
fraternidade e da temperança. Entretanto, seu modo especial de conviver,
muita vez exasperado e sombrio, captava destruidoras vibrações naqueles que o
ouviam. Nunca imaginou que a cólera fosse manancial de forças negativas para
nós mesmos? A ausência de autodomínio, a inadvertência no trato com os
semelhantes, aos quais muitas vezes ofendeu sem refletir, conduziam-no
frequentemente à esfera dos seres doentes e inferiores. Tal circunstância
agravou, de muito, o seu estado físico. (...) Todo o aparelho gástrico foi
destruído à custa de excessos de alimentação e bebidas alcoólicas,
aparentemente sem importância. Devorou-lhe a sífilis energias essenciais. Como
vê, o suicídio é incontestável.
Como visto, desperdiçamos mananciais
de energia vital e espiritual em nossos hábitos corriqueiros, tomados à conta
de situações naturais. Diariamente, milhões de criaturas desperdiçam energias
valiosas em atritos e polêmicas que não atendem à Construção Divina em nós.
Quantas horas gastas em contendas
que terminam pelo ódio destruidor? Quantos recursos preciosos desbaratados pelo
espírito na discussão azeda, cujo ponto final pode ser a desencarnação
prematura?
É o próprio André que, conscientizando-se
de suas fraquezas, nos esclarece:
“Não poderia supor, noutro tempo, que me seriam pedidas contas de
episódios simples, que costumava considerar como fatos sem maior significação.
Conceituara, até ali, os erros humanos, segundo os preceitos da criminologia.
Todo acontecimento insignificante, estranho aos códigos, entraria na relação de
fenômenos naturais. Deparava-se-me, porém, agora, outro sistema de verificação
das faltas cometidas.
Todos haveremos de ter uma “causa
mortis” que constará em nosso atestado de óbito devidamente assinado por um
médico. Entretanto, a causa profunda e verdadeira muito poucas vezes
será registrada, porque pertencerá tanto à avaliação mais cuidadosa, criteriosa
e acima de tudo, justa, dos médicos e agentes de saúde da espiritualidade maior,
quanto à nossa conscientização.
Assim como ocorreu a André Luiz,
iremos nos deparar com outro sistema de verificação das faltas cometidas. Espero
que não seja do lado de lá.
(*) Todos os grifos são meus.
Referências
(1) Espíritos diversos. Vozes do
Grande Além. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 6ª
ed. Brasília. Editora FEB, 2024. 322p.
(2) Emmanuel. Harmonização. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Editora GEEM,
1990. 112 p.
(3) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado
por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.
(4) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado
por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.