segunda-feira, 12 de outubro de 2026

 

Ante os tempos novos

(Estudo do livro Missionários da Luz - Prefácio)

 

Enquanto o velho continente europeu experimentava, junto ao resto do mundo, os estertores da Segunda Guerra Mundial, Emmanuel, sobre a tutela de grandes sábios da humanidade, assinava, no dia 13 de maio de 1945, o prefácio do livro Missionários da Luz, denominado Ante os Tempos Novos.

Em todas as obras do espírito André Luiz da conhecida série – A Vida no Mundo Espiritual – os prefácios são assinados por Emmanuel. Verdadeiras fontes de puro aprendizado para o espírito sequioso de saber espiritua.

É um convite ao estudo demorado e à reflexão.

Iniciando os estudos do livro Missionários da Luz, no Grupo Espírita da Fraternidade, na cidade de Araçatuba, casa que frequentamos desde o ano de 1980, objetivamos apresentar uma síntese despretensiosa pelas nossas naturais limitações, desta que, reputo como uma das mais ricas obras da referida série de André Luiz.

Rica, principalmente, a meu ver, pelos dois assuntos que aborda com profundidade e clareza, quais sejam, a mediunidade e a reencarnação.

Já no prefácio, encontramos um chamamento de Emmanuel aos “servidores fiéis da verdade e do bem” para, primeiro de tudo, viverem em si próprios estes novos ares que o Espiritismo como, “movimento libertador de consciências e corações”, além da sua característica indelével de doutrina consoladora, a fim de que a obra do Cristo, encontre em nós muito mais que apenas repetidores das palavras e ensinamentos brilhantes.

Assim, com todo respeito e humildade possível, que em nós, ainda longe se encontram de se estabelecerem como conquista definitivas, fazemos coro com Emmanuel:

- ante os tempos novos em que um anseio coletivo dos espíritos humanos clama pelos novos tempos e por ares de renovação que não parecem tardar, pois já retumbam presentes, o panorama se apresenta perturbador;

- ante os tempos novos, movidos por um esforço inaudito, a espiritualidade benfeitora, responsável pelos destinos do orbe terrestre, coordena todo um trabalho de aporte gradativo das realidades espirituais concernentes às capacidades de recepção do espírito humano na Terra, a qual, infelizmente, se encontra bem precária e anda distante;

- ante os tempos novos, milenarmente acostumados com as promessas da conquista fácil das benesses celestiais, nos moldamos ao hábito do menor esforço e quando defrontados com informações espirituais que para a conquista da paz e dos valores imortais, nos compete “suar e lutar, esforçar-se e aprimorar-se por alcançá-los, bracejando no imenso mar das experiências”, nos surpreendemos admirados;

- ante os tempos novos, imersos ainda na ilusão do individualismo material, acreditando que nossa vida possa ser regida por um conjunto de leis físicas e orgânicas aleatórias a distribuir, insensatamente, méritos e prêmios, dor e sofrimento, quando:

“os emissários do plano superior revelam alguns ângulos da vida espiritual, falando-lhes do trabalho, do esforço próprio, da responsabilidade pessoal, da luta edificante, do estudo necessário, do auto-aperfeiçoamento, não ocultam a desagradável impressão”;

- ante os tempos novos, que nos informam que nas regiões espirituais vizinhas, as mesmas que nos interessam conhecer e nos aguardam logo mais, após a desencarnação, se desdobrarão como:

“uma oficina incansável, onde o trabalhador não se elevará pela mão beijada do protecionismo e sim à custa de si mesmo, para que deva à própria consciência a vitória ou a derrota;”

- ante os tempos novos, o homem da fé e o homem do conhecimento, encarnados e desencarnados, hão de darem-se as mãos para avançarem juntos com “a gloriosa missão de preparar a nova era;”

- ante os tempos novos: “Urge socorrer a Religião, sepultada nos arquivos teológicos dos templos de pedra, e amparar a Ciência, transformada em gênio satânico da destruição;”

- ante os tempos novos, que se preparem, antes de tudo, os que são chamados a cooperar, procurando viver em si mesmo as verdades que apregoam, contribuindo para a edificação do Reino do Céu na Terra;  

- ante os tempos novos, cabe ao Espiritismo grandiosa e abençoada tarefa. Além de o consolador prometido por Jesus, é, sem dúvida, hoje na Terra, o maior movimento de força libertadora de consciências e de corações, obscurecidos e presos às amarras das inferioridades transitórias;

- ante os tempos novos, aprendamos em definitivo, que somente com o Jesus, das inesquecíveis lições e exemplos, nos elevaremos à glória imortal, plenamente confiantes que a vida nova, conforme a construímos aqui e agora, nos aguardará em novos e resplandecentes “campos de aperfeiçoamento e trabalho, de renovação e luta bendita, onde viverás muito mais, e mais intensamente.” 

 

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco      Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

 

Orientação espiritual

Neste artigo transcrevo uma bela mensagem, à guisa de uma orientação espiritual. Antecedendo o início da reunião mediúnica realizada dia 22 de setembro de 2026, no Grupo Espírita da Fraternidade, em Araçatuba, estudávamos, na oportunidade, preciosa lição do livro Mediunidade e Obsessão pelo espírito do Dr. Odilon Fernandes e psicografia de Carlos Baccelli. Considero que referido assunto é muito complexo e demanda muito estudo e observação.

Ao final da reunião, obtivemos uma singela comunicação de espírito amigo que nos brindou com valioso esclarecimento sobre as ações malfazejas de espíritos comprometidos com o mal e que provocam muitos desequilíbrios no seio da sociedade. Por ser de interesse de todos os companheiros que militam no dignificante trabalho da mediunidade, resolvemos transcrevê-lo para nosso aprendizado.

Assim, então, se pronunciou nosso irmão:

“Com humildade e simplicidade eu venho procurar esclarecer alguns questionamentos que os irmãos muitas vezes fazem diante das circunstâncias da vida, da maldade que campeia sobre a Terra.

Porque Deus permite aos espíritos ainda distantes da luz do esclarecimento cristão, realizarem tantas atrocidades, tantas perversidades?

Muitas vezes nos questionamos.

E meus irmãos, de forma muito resumida, simplesmente entendemos que se destina ao atraso da evolução humana, para atrasar o progresso que é certo, e que eles, espíritos transitoriamente esquecidos da lei Divina, sabem que é certo.

Mas, a intenção é atrasar, é confundir as mentes, confundir o tempo todo, mesmo os irmãos mais bem intencionados e preparados, colocando dúvidas em suas cabeças.

Quantos são os Espíritos que nascem a todo instante com o propósito de se redimirem, repararem o mal com o desejo no bem, porém, diante dos convites sedutores das entidades fascinadoras, diante das atrocidades da vida, diante da maldade humana, se perdem no caminho.

Alguns estacionam, não avançam, outros repisam erros, no sentido de tornarem a praticar o mal que anda latente no seu espírito.

Esse é o sentido do mal.

E assim como muitas vezes nos reunimos em oração para vibrarmos a paz, o amor e a caridade, e essa energia é capaz de auxiliar a muitos que necessitam desse fluido, assim também, a vibração da raiva do ódio, do vício, alimentam muitos irmãos invigilantes.

Então, o remédio para todos nós é conhecer o Cristo. O Cristo é o caminho, a verdade e a vida que nos fará avançar. Ele nos mostrará a direção e que não percamos tempo alimentando sentimentos fúteis, sentimentos negativos, que não sejamos vítimas desses irmãos ainda nessa condição de enganadores.

Que avancemos e levemos o Cristo a todos aqueles, às crianças, aos jovens, aos moços, aos adultos e aos velhos.

É a vida do Cristo, o evangelho vivo e sagrado. É ele que nos fará avançar.

Que o sangue derramado na cruz, possa sim, transformar a vida de cada um.

Que a Humanidade possa encontrar a luz para que não nos percamos no caminho e que lutemos contra nós mesmos, contra os nossos sentimentos enfermos, os nossos vícios, as nossas angústias e a nossa ira.

E que nos fortaleçamos na palavra e no amor de Deus na promessa, na sagrada promessa, pois somos filhos de Deus.

Agradeço a oportunidade, o momento compartilhado, a presença de todos vocês e que a luz bendita do Cristo nos ilumine hoje e sempre.

Graças a Deus. Boa noite.

 

Referências

(1) Odilon Fernandes. Mediunidade e Obsessão. Psicografia de Carlos A. Baccelli.  1ª edição. Votuporanga. Casa Editora Espírita “Pierre Paul-Didier. 103p, 1996.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

 

Uma prova do Céu

 

Eu preciso estar disposto a desistir do que sou                                    para me tornar o que serei.

Albert Einstein (1879-1955)

 

Inexplicavelmente, no meu pobre entendimento, certo dia, colaborando da organização da biblioteca da Casa Espírita que frequento desde os meus verdes quinze anos de idade, deparei em minhas mãos com um livro chamado “Uma prova do Céu” (2013).

Achei o título muito sugestivo e intrigante, pois o autor era um neurocirurgião americano e como muitos de sua área de atuação, segundo o conhecimento popular, nada dado às questões de cunho religioso ou espiritual.

Até por esta razão, me sentei um pouco e resolvi folhear rapidamente algumas páginas da obra, em razão de estar muito ocupado no momento. Entretanto, à medida que lia pequenos trechos em capítulos que se me desdobravam à vista com títulos sugestivos, fui ficando cada vez mais preso à leitura, até bater os olhos em uma frase do Dr. Raymond Moody Jr. que dizia:

“A experiência de quase morte do Dr. Eben Alexander é a mais impressionante que já ouvi nas mais de quatro décadas de estudo sobre este fenômeno”

O termo "Experiência de Quase Morte (EQM)" embora tenha sido proposto pelo psicólogo francês Victor Egger em 1896, se popularizou em razão das pesquisas do psiquiatra e parapsicólogo norte-americano Raymond Moody Jr., principalmente por seu trabalho no best seller “Vida depois da Vida” (1975).

Então, resolvi ler o livro sobre a experiência do Dr. Eben.

Caro leitor, pense num livro de empolgante leitura para ser devorado, em que você se depara com a experiência de quase morte (EQM) vivida por um neurocirurgião, com mais de 25 anos de profissão em dois hospitais e na Harvard Medical School em Boston.

Eben Alexander III, tendo nascido em 1953 em Charlotte, Carolina do Norte, Estados Unidos da América, no ano de 2008, aos 55 anos de idade, foi acometido de meningite bacteriana aguda, uma doença cerebral rara, onde menos de um em cada 10 milhões de adultos por ano é afetado.

Essa enfermidade o levou ao coma induzido por sete dias. Um diagnóstico certo que normalmente causa morte ou estado vegetativo, mas para Eben a história teve um curso diferente. Enquanto os médicos, seus amigos, tentavam controlar a doença e salvar-lhe a vida, algo extraordinário aconteceu.

Após viver esta condição, da qual ele se acostumara a lidar em seus pacientes, o doutor resolveu registrar tudo em um livro, chamado Uma prova do Céu – a jornada de um neurocirurgião à vida após a morte. Embora tenha sido criticado e refutado por alguns cientistas e pesquisadores da área, o livro foi incluído na lista de Best Sellers do The New York Times por 97 semanas.

Muitos cientistas não aceitaram as alegações do autor que, mesmo em coma, afirma que ele possuía consciência.

Para conhecimento dos nossos leitores, atualmente, as duas principais teorias científicas sobre a origem da consciência são:

- a Teoria do Espaço de Trabalho Neuronal Global (GNWT), que propõe que a consciência emerge nas regiões frontais do cérebro; e

- a Teoria da Informação Integrada (IIT), que sugere que a consciência resulta da integração de informações entre várias partes do cérebro.

Entretanto, uma pesquisa mais recente publicada na revista Nature de 2025, contraria as duas teorias citadas, e defende que a consciência pode não se originar nas regiões frontais do cérebro, associadas à inteligência e tomada de decisões, mas sim nas áreas posteriores, responsáveis pelo processamento sensorial, como visão e audição.

Como espírita, sei que a Consciência não se enraíza no órgão cerebral. Sua definição, porém, é muito difícil e as palavras humanas são insuficientes. Emmanuel, no livro Pensamento e Vida, pela psicografia de Chico Xavier, a define como espelho da vida.

Deve-se enfatizar que o Dr. Eben era um cético, cuja visão sobre algo além da vida física, semelhante à da imensa maioria dos cientistas, se reflete nesta sua fala no livro:

“A neurociência moderna postula que o cérebro comanda a consciência – ou a mente, a alma, o espírito, ou como quer que se chame essa parte invisível e intangível de nosso ser que nos faz ser quem somos – e eu não tinha dúvida de que a neurociência estava certa.”

E acrescenta:

“Quanto mais velho eu ficava, menos provável isso se tornava. Como o mar avançando pouco a pouco sobre a praia, ao longo do tempo minha visão científica do mundo minava lentamente minha capacidade de crer em algo maior, como a Fé ou um Deus.”

 

Esse tipo de abordagem, segundo o autor, deixava muito pouco espaço para a alma e o espírito, para a continuação da existência depois que o cérebro para de funcionar. E deixava menos espaço ainda para aquelas palavras que, segundo o autor, sempre ouvia na igreja: vida eterna.

Quando, após sete dias em coma, o Dr. Eben avaliou sua rápida e impressionante normal recuperação de um estrago total quase certo, pois a meningite bacteriana era a enfermidade perfeita para aniquilar seu córtex cerebral – ele teve que levar a sério a possibilidade de que tudo que havia vivenciado, durante o período do coma, tinha acontecido por alguma razão. No seu entender, um verdadeiro milagre havia sucedido e como cientista e profundo respeitador do método científico, mas também como paciente que teve uma recuperação inexplicável, achava-se na obrigação de contar sua história. Assim surgiu o livro do Dr. Eben.

De nosso interesse, será relatar alguns trechos da obra que, sem dúvida, nos remetem aos conhecimentos que o Espiritismo nos ensina. A respeito do lugar onde ele afirma ter estado, enquanto no estado de coma, são muito interessantes para nossa análise, sob o ponto de vista espiritual.

Diz que esteve em um mundo subterrâneo:

“um lugar de escuridão, mas uma escuridão visível – como estar submerso na lama, mas ainda assim poder ver através dela. Gelatina escura talvez seja a melhor descrição: transparente, mas turva, embaçada, claustrofóbica e sufocante. Consciência, mas consciência sem memória nem identidade – como um sonho em que você sabe o que está acontecendo em volta, mas não tem ideia de quem ou o que você é.”

Panoramas muito semelhantes a este, encontraremos em diversas obras espíritas que descrevem regiões que o espírito pode encontrar após o desencarne e mesmo estando encarnado, em situações especiais como o “coma” vivido pelo autor.

Faz-nos lembrar da obra Nosso Lar, obra maravilhosa, pelo espírito André Luiz, psicografada por Chico Xavier, que fornece detalhes de regiões trevosas.

Sobre a noção de tempo, enquanto lá se encontrava ele afirma:

“Há quanto tempo habito este mundo? Não tenho ideia. Quando se está num lugar onde não há noção de tempo da maneira como o experimentamos, descrever com precisão o que se sente é quase impossível. Quando estava acontecendo, quando eu estava lá, me sentia como se sempre tivesse estado naquele lugar e sempre continuaria a estar.”

Continua em sua descrição fazendo que eu me recordasse, uma vez mais, dos registros feitos por André Luiz no livro Nosso Lar:

“Caras grotescas de animais borbulhavam na lama, grunhiam, guinchavam e desapareciam de novo. Escutei urros medonhos. Algumas vezes, esses urros e grunhidos davam lugar a cânticos rítmicos e obscuros que eram, ao mesmo tempo, assustadores e curiosamente conhecidos.”

Sobre o cheiro que sentia, ele afirma:

“Tomei consciência de um odor: era uma mistura de cheiro de fezes, sangue e vômito. Em outras palavras, um cheiro biológico, porém de morte, não de vida.”

Quando ele consegue sair deste escuro local, que ele resolveu chamar de Região do Ponto de Vista da Minhoca, que para nós seria semelhante a uma região trevosa com dor e sofrimento, adentrou em um mundo diferente e belo, resumidamente, descrevendo-o:

“Eu estava voando. Havia uma campina. Ela era verde, exuberante e parecia feita de terra. Era de terra... mas ao mesmo tempo não era. Passei por árvores e campos, rios e cachoeiras, e avistei pessoas aqui e ali. Também havia crianças rindo e brincando. Todos cantavam e dançavam em círculos, e vi até cachorros correndo e saltando entre elas, igualmente tomados de alegria. As pessoas vestiam roupas simples, mas bonitas, e tive a impressão de que as cores dessas vestimentas tinham o mesmo tom vívido das árvores e das flores que desabrochavam e encantavam todo o campo ao redor.”

Descrições assim são comuns nas obras de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier, pena que o Dr. Eben ainda não teve contato com elas, pois, ainda hoje, se encontra encarnado.  

O neurocirurgião apresenta alguns seres que ele vislumbrou, fazendo-me recordar de algumas descrições de Maria João de Deus, no excelente Cartas de uma Morta, segundo livro da psicografia de Chico Xavier:

Mais alto que as nuvens – imensuravelmente mais alto –, em um aglomerado de esferas transparentes, seres deslumbrantes se deslocavam em arco por todo o céu, deixando grandes rastros atrás de si. Pássaros? Anjos? Estas palavras me ocorreram quando eu escrevia minhas recordações, mas nenhuma delas faz jus àqueles seres, que eram muito diferentes de qualquer coisa que eu tivesse conhecido neste planeta. Eles eram mais evoluídos. Superiores.

Ele afirma ter conseguido contato com um ser que designa com o nome de “Om” e diz:

A “voz” desse Ser era cálida e pessoal – por mais estranho que isso possa soar. Ele entendia os humanos, possuía as qualidades que nós possuímos, só que numa escala muito maior. Ele me conhecia profundamente e transbordava virtudes que sempre associei aos seres humanos: afeto, compaixão, emoção... até mesmo ironia e humor. Por meio da Órbita, Om me disse que não existe apenas um Universo, mas muitos – na verdade, mais do que eu poderia conceber –, e que o amor está no centro de todos eles.

Por incrível que possa parecer, em um dos interessantes capítulos do livro, o Dr. Eben fala, diferente do que pensa a Ciência contemporânea, sobre o cérebro ser nada mais que um órgão intermediário e não produtor da consciência, assim como, aborda o conceito sobre o esquecimento a que o espírito é submetido para auxiliá-lo enquanto encarnado. Vejamos:

“Para compreender como o cérebro pode bloquear nosso acesso ao conhecimento dos mundos mais elevados, precisamos aceitar – pelo menos hipoteticamente – que o cérebro não produz consciência. Que ele é, na verdade, um tipo de válvula redutora ou um filtro que transforma a consciência não física que possuímos nas dimensões superiores em uma aptidão limitada pelo tempo de nossa existência mortal.”

Sobre o esquecimento, Dr. Eben, não poderia ser mais claro e conforme aprendemos na Doutrina Espírita:

“Quando o cérebro trabalha duro para filtrar a enxurrada de informações sensoriais que chega até nós do ambiente que nos rodeia, selecionando o material de que precisamos para sobreviver, é o esquecimento de nossas identidades não terrenas que nos permite estar “aqui e agora” de maneira muito mais eficiente. Como a maior parte de nossa vida contém milhares de informações que precisamos processar, estar excessivamente consciente dos mundos, além deste, atrapalharia ainda mais o nosso progresso.”

 

Finalizando, diria que, contra todas as expectativas médicas, ele se recuperou totalmente, sem nenhuma sequela neurológica, e voltou com memórias vívidas do plano espiritual, vivenciando experiências que o fizeram compreender a ligação profunda entre o universo e o divino.

Confesso que foi muito interessante conhecer o instigante e emocionante relato do Dr. Eben, pois correlacionei muitas das suas descrições com os conhecimentos que a Doutrina Espírita nos oferece sobre a vida após a morte. A leitura nos enche de um alento muito grande por se tratar de um reconhecido profissional do campo da medicina, o qual antes do episódio, era um cético total, e que precisou vivenciar o “impossível” para mudar de opinião.

Bem, indiferente a estas questões que o tempo há de esclarecer no devido momento, sugiro a todos conhecerem a história do Dr. Eben. A sensação é que dá a muitos, permissão para acreditar numa verdade confortante e profunda: que nosso ser espiritual eterno é mais verdadeiro do que qualquer coisa que possamos perceber no domínio físico e possui uma conexão direta com o infinito amor do Criador.

 

(*) Todos os grifos são meus.

 

Referências

(1) Eber Alexander III. Uma prova do Céu. Editora Sextante. 186p, 2013.

(2) Cogitate Consortium; Ferrante O, Gorska-Klimowska U, Henin S, Hirschhorn R, Khalaf A, Lepauvre A, Liu L, Richter D, Vidal Y, Bonacchi N, Brown T, Sripad P, Armendariz M, Bendtz K, Ghafari T, Hetenyi D, Jeschke J, Kozma C, Mazumder DR, Montenegro S, Seedat A, Sharafeldin A, Yang S, Baillet S, Chalmers DJ, Cichy RM, Fallon F, Panagiotaropoulos TI, Blumenfeld H, de Lange FP, Devore S, Jensen O, Kreiman G, Luo H, Boly M, Dehaene S, Koch C, Tononi G, Pitts M, Mudrik L, Melloni L. Adversarial testing of global neuronal workspace and integrated information theories of consciousness. Nature. 2025 Jun;642(8066):133-142. doi: 10.1038/s41586-025-08888-1. Epub 2025 Apr 30. PMID: 40307561; PMCID: PMC12137136.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

 

Estranha pergunta  

 

Humberto de Campos, conhecido como Irmão X, através da mediunidade de Chico Xavier, legou-nos várias obras de preciosas lições, destacando o conhecido, Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho. Ao mesmo tempo, aparece também com contribuição individual em tantas outras obras do médium mineiro.

Numa delas, Caminhos de Volta, há uma página denominada - Estranha pergunta -, narrando o caso de Salomão Torres, que deve merecer demoradas reflexões de nossa parte. Aborda a matéria sobre família e casamento, laços afetivos e fidelidade conjugal. Assuntos que em razão das naturais incompreensões e discordâncias, são normalmente motivos de calorosas discussões.

Reconheço, são assuntos sensíveis, que por nos tocarem a alma mais de perto, sempre que possível, devem nos fazer recordar da conhecida frase dita por Jesus aos Escribas e Fariseus de todos os tempos, “Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra” (João 8:7).

Antes, porém, de reproduzir a página do Irmão X, julgamos conveniente transcrever três questões de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, para auxiliar nossa melhor compreensão.

695. Será contrário à lei da Natureza o casamento, isto é, a união permanente de dois seres?

R. “É um progresso na marcha da Humanidade.”

696. Que efeito teria sobre a sociedade humana a abolição do casamento?

R. “Seria uma regressão à vida dos animais.”

O estado de natureza é o da união livre e fortuita dos sexos. O casamento constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna e se observa entre todos os povos, se bem que em condições diversas. A abolição do casamento seria, pois, regredir à infância da Humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes.

697. Está na lei da Natureza, ou somente na lei humana, a indissolubilidade absoluta do casamento?

R. “É uma lei humana muito contrária à da Natureza. Mas os homens podem modificar suas leis; só as da Natureza são imutáveis.”

 

Feita este registro da obra básica do Espiritismo, vamos ao caso de Salomão Torres.

A ESTRANHA PERGUNTA

Este o remate das considerações do amigo Salomão Torres, recentemente desencarnado:

— Imaginem vocês. Estou aqui ainda naquela impressão de tombo e asfixia. Enfarte, é o que ouvi de muitos, quando o corpo já se via naquela de estátua. Traços rígidos e frieza de pedra. Para mim, o enfarte era a soma de mil pequenas e grandes angústias misturadas de indagações incomunicáveis e sem resposta.

O grupo escutava em silêncio e Salomão avançou:
— Bem, vocês sabem. Agora na Terra, sexo é a onda. Liberdade para cá. Liberdade para lá. Sexo livre. Apelos ao sexo. Publicações especializadas de amor às avessas. Espetáculos de “strip-tease”. Afinal, sempre acompanhei os tempos. E lá me fui também para a crista dos casos. Esposa doente e quatro filhos taludos. Dois rapazes esbanjões e duas meninas bonitas. A primogênita, hoje com vinte e duas primaveras, fora destaque em concurso de beleza…Com alguma folga econômica, passei a “pular cercas”…

O narrador careteou um sorriso vago e inquiriu:
— Ignoram o que seja “pular cercas”?

Diante da negativa geral, Torres prosseguiu:
— “Pular cercas” no lugarejo em que me enfiei no corpo significa falhar aos compromissos. Pois é. Esqueci esposa, casamento, lar e família… e habituei-me às noitadas de gente livre, na cidade grande. Negócios nos dias úteis e encontros de machão nos fins-de-semana. De quando a quando, bordejos nas capitais ou no Exterior. O avião favorecia. Acompanhantes não faltavam. Vez por vez, ouvia os amigos experimentados:

“Salomão, Salomão, não brinque com fogo… Ninguém é tão desligado que possa viver feliz sem obrigações…”

Entretanto, sempre supus que dois ouvidos teriam apenas a função de passagem do som.

Continuei nas mesmas aventuras. Indiferente. O lar ficara para trás. Uma espécie de garagem para a tradição. Vocês entendem. Amor responsável é um fixador de alegria. Sexo livre gera prazer. A alegria é a paz da sede estancada. Prazer é a febre com a sede que devora. Entregue ao prazer, cada fim-de-semana buscava novidades.

Salomão arregalou os olhos, dando-nos a ideia de que atingia o ponto culminante das próprias recordações e concluiu:
— Agora, ouçam e pasmem. Em grande cidade brasileira, participava, com a turma, de uma excursão a campo novo. Depois do “strip-tease” de bela menina dedicada a esse tipo de apresentações, fomos ao encontro do “ninho de surpresas”.  O ninho de surpresas é um pequeno pavilhão de dez compartimentos. Em cada compartimento, a beldade sorteada para o suposto encantamento da noite. Munido da numeração que me coube, demandei o local indicado. Abri a porta no claro-muito escuro e, devidamente preparado, segui em frente. Mas, face à face com a jovem que me esperava sequiosa de sexo, encontrei minha própria filha…                             Um choque indefinível me turvou a cabeça e caí…

Retornei à realidade, juntamente de amigos que me haviam hospitalizado. Em torno de mim, registrei diagnósticos e pareceres diversos, no entanto, por dentro de mim, somente ouvia a pergunta que endereçava a mim próprio:  

“Meu Deus, que serei eu? Homem ou animal?”

Repetindo a indagação por muitos dias, acabei saindo do corpo, qual figura de zoológico fugindo de jaula enferrujada…

Salomão esboçou o gesto de quem olhava profundamente para dentro de si e observou:

— Eis-me aqui com vocês, desconhecendo em que mundo me vejo… Tenho a ideia de que estou sentenciado a enxergar unicamente aquilo que trago na lembrança para reafirmar a estranha pergunta: “Meu Deus, que serei eu? Homem ou animal?!…”

Lágrimas espontâneas lhe saltaram das pálpebras e Torres nos enviou um olhar agoniado, como quem nos pedisse resposta, mas todos nós, os companheiros que lhe ouvíamos a palavra quente de dor e sinceridade, jazíamos sob forte emoção e ninguém respondeu.

Irmão X  -  (Humberto de Campos)

Atendendo à referida frase de Jesus, caros leitores, por nossa vez, também preferimos nos calar, aumentar nossas reflexões e redobrar a vigilância

(*) Todos os grifos são nossos.

Referências

(1) Espíritos Diversos. Caminhos de volta. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 1ª ed. São Bernardo do Campo. Editora GEEM, 1976. 124p.

(2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

 

                 Num diálogo mediúnico

 Neste artigo transcrevo um diálogo ocorrido durante reunião mediúnica realizada no dia 8 de setembro no Grupo Espírita da Fraternidade, em Araçatuba, casa espírita que frequento desde o ano de 1981, nos meus verdes dezesseis anos de idade. Acostumei-me, desde minha primeira participação nas reuniões mediúnicas, em 2013, a gravá-las para estudos e reflexões posteriores.

O caso descrito, é de especial interesse para todos nós que militamos no Espiritismo, pois trata da realidade da dinâmica da vida espiritual, após o desencarne, mesmo para irmãos que professam outras crenças religiosas e, naturalmente, se veem frente a esta realidade e se mostram desejosos de alertar os familiares que ficaram na Terra. Mas, vamos ao diálogo, esperando que possamos aproveitar suas lições.

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- Boa noite irmão, seja bem vindo a nossa reunião.

- Obrigado. Eu fui convidado para vir até aqui. 

- Um convite? Que bom, seja muito bem-vindo – repeti, procurando deixa-lo à vontade para o diálogo que iniciaríamos.

- Há pouco eu acabei de ouvir algumas coisas e agora estou tentando compreender melhor – falou, se referindo a alguma informação que os irmãos espirituais forneciam.

- É que eu estou muito triste. 

- É? Conte-me o que aconteceu. Vamos fazer um diálogo e se eu puder lhe ajudar...

- É que eu perdi a minha vida, o senhor sabe, eu sou um espírito. Assim que vocês falam, não é? Eu estava na minha casa querendo alertar eles.

- Você estava lá como espírito desencarnado, é isso? – arrisquei a pergunta para saber se ele tinha essa compreensão.

- Sim, isso mesmo – confirmou.

- Estou entendendo. E ai?

- Eu consegui ficar lá, na minha residência. Eu queria falar com eles.

- Com seus familiares? – perguntei.

- Isso, dizer para eles que eu estava ali, que não acaba. Mas eles me chamavam de perturbação. O pastor, nosso amigo, foi chamado até minha casa para orar. Ele me excomungou.  Excomungou e me tratou como se fosse o demônio. Eu fiquei muito mal, muito abalado – nessa hora percebi o motivo de sua tristeza.

- Entendo perfeitamente o que você está dizendo – falei e deixei-o continuar em seu relato.

- E eu fui assim, sabe, humilhado por outros espíritos. Não sei se o senhor poderá me compreender – desabafando.

- Perfeitamente. Compreendo-o perfeitamente, meu irmão!

- Mas foi uma coisa tão horrível, tão horrível – falou comovido.

- A sua intenção, sei, era a melhor possível.

- Sim – confirmou - eu só queria alertá-los que eu estava ali...eu estava vivo como nunca! Que aquilo que a gente imagina depois da morte não era a verdade e eu queria mostrar para eles e acabei sendo excomungado como um demônio – desapontado, provavelmente se referia a algum ritual que o pastor conduziu em sua casa.

- Aí, espíritos, que acompanhavam o pastor e a equipe, riram de mim e me humilharam, me bateram, depois me expulsaram da minha própria casa...me expulsaram, pode imaginar? – senti sua profunda mágoa nesta fala.

- Nesta hora, me ajoelhei e chorei muito para Deus. Eu não estava entendendo nada – e repetiu inconsolável - que eu não entendia nada do que estava acontecendo. E de repente, apareceram dois homens que pareciam ser de alguma igreja.

- Estou entendendo, continue seu relato – falei para motivá-lo a continuar.

- Eles me convidaram para acompanhá-los pois iriam me apresentar um outro lugar no qual eu poderia receber auxílio, esclarecimento. Estou numa tristeza profunda, não sei se o senhor vai conseguir imaginar o tamanho da minha tristeza. Não é nem..., não é nem por eu ter deixado a vida em razão da morte – falou um tanto confuso.

- A dimensão da tristeza realmente eu não consigo imaginar – falei consolando - porém, há uma pergunta que eu posso lhe fazer para você me responder e que pode ajudar em suas reflexões.

- Pois não, pois não, gostaria de ouvir. 

- É com todo respeito que eu me dirijo a você para lhe fazer esta pergunta – considerei antes de perguntar. A pergunta é, se fosse uma outra pessoa da sua família que tivesse falecido e você estivesse vivo naquela casa, será que você agiria de maneira diferente ou da mesma forma que seus familiares agiram?

- Da mesma forma, com certeza, da mesma forma… e é isso que me dói – respondeu com voz desanimada e completou com alguma compreensão: Diante dos meus familiares que já faleceram, será que eu não fiz o mesmo?

Respondi sem hesitar:

- Disso não tenho dúvida e com absoluta certeza posso lhe afirmar. Porque foi o que a sua crença religiosa, e eu digo isso respeitosamente, lhe ensinou – expliquei tentando auxiliar. Você assimilou a morte como sendo o fim da vida e só agora, passando para o outro lado da vida, está constatando qual é a realidade, meu irmão. As religiões, auxiliam, entretanto, de forma geral, já fizeram muitos estragos também.

- É..., duro concordar, mas é verdade.

- Mas como você é um estudioso dos textos evangélicos, deve se recordar da parábola do mau rico, em que após sua morte, o homem rico implora a Abraão para ir alertar seus familiares a respeito da realidade da vida espiritual.

- Sim, me recordo. Mas por um momento, por um momento, eu tive a impressão de que o pastor me reconheceu, como se sentisse minha presença em minha própria casa. Ele me reconheceu… 

- Ele deve ser médium…isso é bem possível de ter acontecido – informei. 

- Eu acredito, pois experimentei essa sensação.  

- Eu não posso afirmar categoricamente, mas pode ter acontecido, porém, diante da crença que ele professa, ele não poderia aceitar.

- Mas ele me excomungou como um demônio – disse o assistido com voz de revolta.

- Não guarde mágoa e nem rancor desse irmão. Era o que ele podia ter feito naquele momento.

- Não, eu não tenho. Eu não guardo rancor, nem mágoa – respondeu, demonstrando bom coração.

- Foi mais a tristeza que lhe invadiu né? – perguntei procurando conciliar.

- Sim. O senhor imagina o que seja estar diante de uma verdade, de um fato, e o senhor não conseguir…

- Transmitir isso - completei a frase para ele.

- Exato. Isso é o que mais me perturba.

- Creio que deve ser isso sim. Tenho esta impressão também.

Nesta hora, fiz uma comparação para aliviar a tensão.

- Imagine você que o Cristo também sentiu isso por nós e por essa razão Ele chorou em alguns momentos. Ele sabia que toda a humanidade ignorava essas coisas. Na própria cruz, ele pediu a Deus que nos perdoasse pela ignorância, que ainda hoje persiste. Ele, o Cristo, sente tudo isso por nós. O que você sentiu por um ou dois familiares, Ele de verdade sentiu por toda a Humanidade.

De certa forma, percebendo o que ia em seu pensamento, eu disse:

- Acho que você gostaria de se materializar na frente de seus familiares e dizer tudo isso para eles, estou certo? – perguntei.

- Bem isso. Dizer que todos eles estavam enganados, que não era assim – concordou com a ideia.

- Creio que seria até pior – ponderei - pois iam dizer que se tratava de uma aparição demoníaca.

- Exatamente isso, você tem razão – aliviado, concordou.

- Deus não violenta consciências, meu irmão. 

- Mas tenho a nítida sensação que meus familiares me sentiram a presença, que eles me percebiam ali.

- Eu sei – concordei. Foi por isso que eles até chamaram o pastor, mas…Deus não violenta consciências. Você precisou morrer para renascer no entendimento e na luz do esclarecimento – aclarei o assunto. É assim, cada um tem o seu momento. Sabe o que eu lhe sugiro, se você me permite dizer – arrisquei.

- Claro, pode dizer.

- Ore por eles. Aliás eu acho que é o que você já vem fazendo não?

- Sim, sim eu sou um homem de oração – falou com voz calma.

Após um breve silêncio, acrescentei:

- Afaste do seu coração essa tristeza, porque você precisa avançar…

- Mas as minhas orações, as minhas orações perderam o sentido, a forma com que eu aprendi a orar é…- sem deixar que terminasse a frase,vexpliquei:

- Não, não perderam o sentido. Agora você irá orar de maneira diferente.

- Será? 

- Sim, naquele momento dentro da sua concepção religiosa, no seu entendimento, elas foram muito valiosas e com certeza atingiram seus objetivos. Porém, agora, com esta nova percepção da continuidade da vida, você irá orar de maneira diferente e também receberá toda a atenção dos amigos espirituais. Então, não deixe que essa tristeza se prolongue dentro do seu coração.

- Vou procurar atender esse pedido.

Percebendo que o diálogo deveria terminar, orientei:

- Entenda assim, eu sou feliz por estar “vivo” e desperto para essas novas realidades. Na medida das minhas possibilidades e, se Deus permitir, eu auxiliarei meus familiares. O resto meu irmão, deixe por conta de Deus!

- Muito bom... Agora eu tenho tanta coisa nova para assimilar, não é?

- E como. E digo mais, será que não teve algum familiar seu, que já havia desencarnado antes de você, que foi em sua casa tentar lhe avisar sobre essas realidades e você também não o ouviu?

- Pode ser...

- Está vendo? Assim são as coisas, mas continue fazendo a sua parte, e que Deus lhe abençoe.

- Eu agradeço muito. Só posso agradecer agora. Depois dessa conversa, estou me sentindo bem melhor. Sinto que a tristeza está se dissipando do meu coração. Muito obrigado.

- Entendamos que tudo está sob as visto de Deus, nosso Pai, e de Jesus, nosso amável Mestre. Ele é o governador espiritual do planeta. Tem tudo em suas mãos, e na hora certa cada um há de despertar.

- Gostaria também de dizer que minha família, é uma família boa, todos somos pessoas do bem.

- Isso meu irmão – falei com ternura - é o mais importante. Tenho certeza que está bondade cultivada, auxiliou e muito, você obter essa consciência após a morte.

- Muito agradecido e aqui me despeço.

- Não há o que agradecer. Persista com suas preces, que elas trarão alegria em seu viver. Vá em paz e que Deus lhe abençoe.

 

Concluindo, diríamos ao caro leitor deste blog, que, diante dos familiares queridos que partiram antes de nós, agradeçamos a infinita bondade de Deus, que nos empresta as afeições uns pelos outros, a fim de aprendermos, através de idas e vindas temporárias aqui na Terra, a cultivar o amor indestrutível que nos reunirá, um dia, na felicidade sem adeus.

 

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