segunda-feira, 16 de março de 2026

 

O que é mais importante na Vida? *

        

Quais são os melhores parâmetros para decidir o que é o mais importante na Vida? O padrão de vida (englobam aspectos econômico, social e atendimento às necessidades básicas), ou a qualidade de vida (saúde física e mental, bem-estar, relações)?

Além da necessidade de sobreviver, a tranquilidade das contas estarem em dia permitindo viver com alguma dignidade, o que mobiliza a sua ação cotidiana? Quais são as intenções que alimentam seus planos, movem seus desejos e impulsionam suas decisões para adiante?

E sobre os valores que cultivamos? De fato, creio que para a maioria de nós, embora sem nos considerarmos niilistas, trata-se de um assunto que ainda não possuímos muita clareza; aliás em verdade, valores sólidos e sublimes, infelizmente, não fazem parte da rotina de nossas preocupações. Nos encontramos em uma fase da vida, no sentido de vida eterna, que a matéria sobrepuja o espírito, muito embora envidemos esforços para alterar essa situação. Assim, encontramos no Evangelho segundo o Espiritismo na dissertação de Lázaro sobre a lei do amor:

“O sangue resgatou o Espírito e o Espírito tem hoje que resgatar da matéria o homem.” 

Tido como certa, a reflexão sobre nossos valores auxiliam na construção de uma base pessoal forte que será fundamental para erigirmos confiança que aos poucos nos levem à fé raciocinada, defendida por Allan Kardec como a única capaz de encarar todas as situações em todas as épocas da Humanidade. Isso significa, atravessar momentos turbulentos e tempestades de toda ordem sob um manto de serenidade, somente visto no proceder de almas sublimes quando em seus embates com as contrariedades tão normais de um planeta de expiação e prova como a Terra.

Repito a questão que intitula este artigo para não perdemos o foco.

O que é mais importante na Vida?

Conhecer e respeitar as leis que nos regem os movimentos na sociedade que vivemos, embora, não poucas vezes, as acreditamos como imperfeitas ou de aplicação injusta? Sabemos que isso ocorre.

Ilustrarmo-nos nas leis morais em profundidade que dizem respeito especialmente ao homem em si mesmo e nas suas relações com Deus e com seus semelhantes. Elas contêm, além das regras da vida do corpo, principalmente as da vida da alma, tão pouco conhecidas do homem e estudadas. Por hora, tem sido patrimônios das religiões, assim como, nosso Mestre Jesus é tido, pela maioria, como um líder religioso que deve ser bem cultuado aos finais de semana, por algumas horas, em templos religiosos. Mas nem sempre assim será. Como disseram os espíritos superiores em O Livro dos Espíritos acerca do Espiritismo que iniciaram sobre a Terra:

“Nele pusemos as bases de um novo edifício que se eleva e que um dia há de reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade.”

Trazer para nossa reflexão este assunto, sobre o importante da Vida, eu reconheço que nos traz um mundo de possibilidades, tantas quantas forem os graus de evolução das pessoas que se aventurem a pensar a respeito.

Talvez seja o amor incondicional de uma mãe com o aflito coração por um filho em sofrimento, talvez a paz da consciência conquistada em uma vida de lutas e deveres retamente cumpridos, ou quem sabe nada mais que a justa alegria de um clã familiar iluminado pelas bençãos divinas. Naquele irmão que embora se atirando no lamaçal das mais duras dores para estender a mão ao próximo, mantém-se em constante ligação com Deus e por isso persevera.  

Um grande amigo diz que o mais importante da Vida é sabermos o que fazer com a própria imortalidade. Aliás, raros espiritualistas (e espíritas!) pensam nisso. Mal preparados pelas religiões dominantes no mundo, grande parte dos adeptos prossegue vivendo sem saber nem como nem porquê e, portanto, em dificuldade para responder à questão do título. É muito triste, você não acha?

Incorporar conhecimento e as lições colhidas nas experiências do dia-a-dia para alicerçar a personalidade, sublimando o Eu. Encarar a Vida, entremeada pelas diversas oportunidades encarnatórias, como um constante exercício de despertamento espiritual, quem sabe nos aproximaremos da solução e nos apossaremos do mais importante da Vida afinal.     

(*) Dedico este texto aos que buscam responder a pergunta e, em todos os níveis, lutam, conscientes, por se fazerem melhor e auxiliar Jesus na implantação do Reino Divino na Terra. Aleluia!

Referências

(1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 410p.

(2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(3) Ferreira, Inácio. O último ceitil.     Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Votuporanga. Editora DIDIER, 2016. 430p.

segunda-feira, 9 de março de 2026

 

O Dimas que reside em nós.

           

A cura de dez leprosos:

Prosseguindo no seu caminho para Jerusalém, chegaram aos limites da Galileia com Samaria. Quando entraram numa aldeia, dez leprosos pararam à distância,  bradando: “Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós!” Olhando para eles, Jesus disse: “Ide e mostrar-vos aos sacerdotes. Enquanto iam a caminho, constataram que a lepra desaparecera. Um deles voltou a procurar Jesus e, lançando-se diante de Jesus com o rosto em terra, dava em alta voz glória a Deus e agradecia o que lhe tinha feito. Este homem era samaritano. Então Jesus perguntou: “Não eram dez os homens que curei? Onde estão os outros nove? Só este estrangeiro é que volta para dar glória a Deus?” E disse ao homem: “Levanta-te, podes ir. A tua fé te salvou!”

Este conhecido relato consta no capítulo 17, versículos 11 a 19 do evangelho de Lucas.

A Hanseníase – naquela época conhecida como lepra – era vista como uma doença física e principalmente como um sinal de impureza espiritual. Representando isolamento e vergonha, provocava a marginalização e afastamento do doente da sociedade, obrigando-o a residir, em geral, em cavernas afastadas da cidade, distante de suas famílias e comunidades.

Notem que o leproso sofria física e emocionalmente, sendo a morte social estando ainda vivo.

Recentemente, o médium Carlos Baccelli, publicou uma obra, na qual, Dimas o leproso Samaritano (título do livro) à convite do Irmão José e do Dr. Inácio Ferreira, registra por suas próprias palavras, um momento fundamental de sua trajetória evolutiva.

Neste livro emocionante, através da mediunidade do Baccelli, somos brindados com sublimes informações. Filho único de família muito pobre, cedo tornou-se órfão, tendo que, desde os treze anos de idade, trabalhar com a terra e vender produtos para sobreviver.

Ainda criança, aprendera com seu pai sobre a vinda de um homem à Terra para libertar os judeus e que reinaria sobre o mundo inteiro. Mais tarde, adulto, recebeu informações sobre a “transmigração” da alma, conhecida na época pelos judeus como ressurreição e pelos gregos como palingenesia. Demonstrou vivo interesse pelo assunto, afirmando ser muito lógico, pois consagrava a ideia da imortalidade.

Casou e teve dois filhos e para sustentar a família abriu uma singela carpintaria tendo como auxiliar, por um tempo, um jovem chamado João, que mais tarde recebeu a incumbência de batizar Jesus nas águas do rio Jordão.

Quando mais tarde, percebeu em seu corpo os primeiros sinas da doença, foi aconselhado a afastar-se de sua esposa e dos dois filhos, o que lhe fez sangrar o coração em sofrimento.

Após a confirmação de ter contraído lepra, Dimas se afasta ainda mais dos seus e conhece um grupo de homens que também doentes, passam a conviver em afastada caverna, conhecida como a dos Dez leprosos. Sempre falando sobre a “transmigração” com seus companheiros de infortúnio, alegava que a alma ou a essência que animava o corpo devia vir ao mundo sucessivas vezes em resgate do passado. Acreditava firmemente, e isso o consolava, tornando-se, ao contrário dos demais doentes, que acreditavam estar sobre o mundo à mercê da morte e do azar de terem nascido, Dimas era uma criatura resignada à sua condição de enfermo.

Nos dias que se seguiram, Dimas conhece Joana de Cusa que passaria a ser benfeitora do grupo de leprosos a que pertencia. Algum tempo depois, será Joana, quem apresentará ao infortunado leproso, Maria, mãe de Jesus.

Certa tarde, acompanhando a pregação de um homem que a todos magnetizava com sua palavra, conhece André e o irmão Pedro, futuro discípulos de Jesus, os quais na oportunidade, seguiam João o Batista. E Pedro revela a Dimas:

“Eu sou Pedro, irmão de André, filhos de Bar-Jonas. João me pediu para lhe dizer que a vossa cura chegará, mas que ainda não hoje...Tende paciência.”

Segundo consta na obra referida, Dimas vê Jesus pela primeira vez quando Ele realiza o sermão das Bem-aventuranças. Ao contemplá-lo, Dimas diz:

“Uma figura que parecia condensar em torno de si todos os raios do Sol; Jesus, do cume do Monte, abriu os braços fazendo com que a emoção tomasse conta de todos os presentes pacificando a multidão de mais de cinco mil pessoas. Com este simples gesto, a tempestade das dores que explodiam naquele oceano humano se fez calmaria, e muitos se entregaram a incontidas lágrimas” (....) Ali, existia algo diferente – comparou Dimas, lembrando-se de João – aquele homem, Jesus, não podia ser da Terra e não podia ser igual aos outros homens”

O episódio da cura dos leprosos é muito significativo e contou com o auxílio direto de Joana de Cusa e Pedro, o discípulo, que ao informar por onde Jesus passaria naquela dia, orientou-os o local em que deveriam se posicionar para vÊ-lo e acrescentou:

“Se vós tiverdes que ser curados, bastar-vos-á que o toquem, ou que estejam em posição que Ele vos consiga tocar. Às vezes, o toque nem é necessário, basta que Ele vos olhe...Ultimamente, por desconfiarmos sejam as últimas curas que Ele esta fazendo, quase todos ficam curados, ou obtém melhoras significativas, se tocados até pela sua sombra, quando passa....”

Atendendo a Pedro, os dez leprosos aguardaram e quando Jesus por ali passou, Maria, sua mãe apontou para o grupo e disse:

“Meu filho, ei-los.”

Jesus aproximou-se e disse somente:

“Ide e mostrai-vos aos sacerdotes.”

Todos os dez, ainda com as feridas no corpo, atordoados, saem à procura de uma sinagoga para atenderem à lei de Moisés (Levítico 14:2-32) que mandava os doentes curados se mostrarem ao sacerdote para que confirmasse a cura e o curado pudesse ser reintegrado à sociedade. Ao se aproximarem da sinagoga, todos os dez, se perceberam curados sem mais nenhuma lesão. Alguns dias após esta passagem evangélica, registrada somente por Lucas que deve tê-la conhecido através de Maria ou João o Evangelista, Dimas vai ao encontro do Mestre para agradecer.

Convidamos à leitura da obra que nos oferece tantas preciosas lições para nossas reflexões, narrando a vida deste importante personagem que muito tem a nos ensinar.

Todos temos nossa “lepra” que, invariavelmente, nos conduzirá a Jesus. Será que se não fôssemos enfermos estaríamos procurando por Ele?

Bendita seja a doença que, cedo ou tarde, deve nos levar aos pés do Senhor.

(**) Todos os grifos são meus.

Referência

(1) Irmão José; Ferreira, Inácio. Dimas o leproso samaritano.     Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Uberaba. LEEPP Editora, 2025. 428p.

segunda-feira, 2 de março de 2026

 

Suicídio no mundo espiritual *

           

Normalmente a leitura do título deste artigo provoca muito desconforto e descrença, quando não, desconhecimento de que tal possa ocorrer.

Sim caros leitores, no além os chamados “mortos” também se suicidam.

Aprendemos nas obras básicas da Doutrina com Kardec e também em Chico Xavier, principalmente nas obras de André Luiz, que a desencarnação não promove mudança significativa nos espíritos a não ser, é claro, a perda do corpo físico grosseiro com a consequente mudança de plano vibratório.

No mais, quase nada se altera.

Na Terra, os transtornos mentais (depressão, bipolaridade, esquizofrenia) e contextos sociais e econômicos estão entre as principais causas do suicídio. Normalmente, o espírito que comete suicídio aporta na dimensão espiritual vizinha com muitos problemas.

Estes problemas, se não tratados convenientemente podem sim ser causa do suicídio no mundo espiritual.

Para melhor entendermos esse assunto que, a princípio, pode ser polêmico e motivo de muito debate entre os estudiosos das lições espirituais, temos que partir do contexto legítimo que as dimensões espirituais adjacentes à crosta terrestre também são constituídas de matéria muito semelhante à que estamos acostumados aqui na Terra. Recordemos a questão 22 de O Livro dos Espíritos que nos esclarece que existem estados da matéria que são tão sutis e invisíveis ao olhar e à percepção humana, que é como se não existissem, porém existem e continuam sendo matéria.

Também do livro Nosso Lar, relembramos no capítulo 37, a preleção da ministra Veneranda, espírito de alta gabarito espiritual, em que, dissertando sobre o pensamento, interroga sobre a surpresa que muitos habitantes da esfera espiritual demonstram ao encontrarem no nova dimensão formas análogas às do planeta tais  como habitação, utensílios e até a linguagem terrestre, ou seja, diferente do que muitos pensam, após a desencarnação, continuaremos a utilizar a palavra articulada e residiremos em domicílios com os mesmos utensílios que adornam nossos lares aqui na Terra, quer queiram ou não os mais ortodoxos que não aceitam estas realidades.     

Somando todo o contexto acima descrito que os ensinamentos claros da codificação, bem como da complementação dos ensinos exarados nas obras de Chico Xavier nos certificam, entendemos que o fenômeno da morte além de não alterar a materialidade, de forma substancial, do que nos cercará na pátria espiritual, também não altera a essência do que somos e nem modifica nossas virtudes e vícios.

Quer dizer, as causas que levam uma pessoa a cometer o suicídio aqui na Terra, podem perfeitamente estar presentes no espírito desencarnado.

No além, os irmãos que apresentam transtornos psíquicos, como os daqui da Terra, também recebem devido tratamento, porém, lá como aqui, as causas profundas destas distonias pertencem ao espírito imortal e que, embora possam receber auxílio medicamentoso, reconhecemos que não será indo à farmácia que encontraremos a cura do nosso mal interior. A medicação auxilia, porém o que cura em sua raiz é o Evangelho aplicado de Jesus.

Encontramos na leitura do livro O Último Ceitil, do espirito Dr, Inácio Ferreira, pela psicografia de Carlos Baccelli, o relato de um espírito que tendo desencarnado na Terra pelas garras do suicídio, continuava no além padecendo do mesmo mal e intencionava repetir o erro. É o Dr. Inácio, reconhecido médico psiquiatra que laborou por mais de 50 anos como diretor e médico do Sanatório espírita da cidade de Uberaba, que nos traz importante conhecimento:

“O caso de Cláudio, realmente, era grave, porque ele poderia, sim, tornar a matar-se! O corpo espiritual na esfera que nos situamos, é suscetível de uma segunda morte. Episódios de suicídio costumam se repetir por aqui, principalmente, quando os que cometeram suicídio na Terra não se encontram impossibilitados de fazê-lo outra vez.” 

Tal ato, se executado, arrojaria este espírito a se precipitar profundamente em complexo estado psíquico de desequilíbrio muito difícil de ser revertido, quase como a desabar num abismo sem fim...

O caso descrito por Dr. Inácio Ferreira é de um espírito desencarnado que se encontrava consciente na vida espiritual. Revela-nos o eminente psiquiatra, que:

suicídios nas regiões espirituais inferiores são ainda mais frequentes e somente não se perpetuam porque o instinto de conservação acaba por se impor a inclinação sistemática de alto destruição.”

Em outras palavras, a deliberação de provocar a própria morte pelo Espírito pode, sem que ele perceba, tornar-se um hábito.

Casos assim demonstram que o espírito manifesta uma prevalência quase absoluta de atitude baseada no subconsciente evitando de viver o presente e nem pensar no futuro.  Calderaro, instrutor de André Luiz no livro No Mundo Maior em estudo que faz sobre o cérebro - capítulo 3, A casa mental - aponta que o nosso subconsciente simbolizando o porão da individualidade, nosso cérebro inicial, repositório dos movimentos instintivos é a zona da impulsividade manejada pelos instintos.

Sedimentando nossos conhecimentos, o instrutor Calderaro elucida:

“Importa reconhecer, porém, que a nossa mente aqui (mundo espiritual) age no organismo perispirítico, com poderes muito mais extensos, mercê da singular natureza e elasticidade da matéria que presentemente nos define a forma. Isto, contudo, em nossos círculos de ação, não nos evita as manifestações grosseiras, as quedas lastimáveis, as doenças complexas, porque a mente, o senhor do corpo, mesmo aqui, é acessível ao vício, ao relaxamento e às paixões arruinantes.”

O parágrafo acima requer muita reflexão. Na mente doentia e desequilibrada, o perispírito está sujeito às quedas e doenças complexas, afirma o instrutor. Que doenças podem ser essas? Não estão aí inclusas as de ordem psíquicas? As depressões, os transtornos, as profundas carências afetivas? O que você acha?

Por que, como agentes deflagradores do suicídio aqui na Terra, estes mesmos fatores, muitas vezes agindo sobre o ser desencarnado de maneira mais intensa no mundo espiritual, também não poderiam ser a origem das “quedas” a que se refere o instrutor e que dentre elas, estaria o suicídio?

Pensemos nestas questões.

Enquanto isso, compreendamos que uma das formas mais eficazes da terapêutica para estes casos é o regresso do espírito, pelas vias da reencarnação, ao mundo material. O esquecimento do passado nos possibilita reeducar os hábitos, ajustar e melhorar os pensamentos, estudar as más inclinações e procurarmos melhorar, enfim, ocupar nossa mente com novas e boas ideias. 

Concluindo, lembremos que a fonte de toda a saúde do corpo e da alma está no evangelho de Jesus Cristo. Ele é a vacina contra o mal que o espírito, desde o berço da sua jornada evolutiva, deveria tomar adquirindo indispensável imunidade de ordem espiritual.

Vamos nos vacinar?

 

(*) Prezado(a) amigo(a) e leitor(a) deste blog, concluímos com este post, a publicação de três artigos sobre o tema do suicídio. Falamos dos aspectos espirituais e sobre o suicídio indireto nos dois anteriores e esperamos que o assunto suicídio no mundo espiritual, hoje publicado, possa motivar a todos pela pesquisa e maior aprofundamento deste tema que a todos nos interessa.  

(**) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(2) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.

(3) Ferreira, Inácio. O último ceitil.     Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Votuporanga. Editora DIDIER, 2016. 430p.

(4) Luiz, André. No mundo maior. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 1ª ed. Brasília. Editora FEB, 1947. 253p.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

 

Suicídio indireto  

 

Na obra Vozes do Grande Além, em mensagem psicografada por Chico Xavier, o espírito Dias da Cruz nos esclarece sobre a ascendência da autoflagelação, na forma de nossas crises de revolta e desesperação, de maledicência e leviandade, de cólera ou crueldade. Essas tristes ocorrências fruto da nossa milenar imperfeição exterioriza correntes de enfermidade e de morte, provocando sobre nós próprios, verdadeira tempestade magnética que desorganiza nossa vestimenta física e perispiritual, mais particularmente, o mundo cerebral, em que essas vibrações desvairadas criam doenças neuropsíquicas, de difícil diagnose, quando então andamos pelos consultórios médicos sem encontrar as causas destas distonias.

Toda esta situação acima descrita, quase sempre nos conduz às trevas do suicídio indireto. Ou seja, vamos aos poucos nos infligindo sofrimentos que enfraquecem e fragilizam o carro físico, tornando-o mais vulneráveis à degradação e à morte.

Do livro Harmonização, Emmanuel, pelo lápis abençoado de Chico Xavier, afirma na mensagem “Problemas da morte”, que das milhares de criaturas que regressam à vida espiritual, raras atendem ao cumprimento das próprias obrigações; o que André Luiz, na obra Missionários da Luz, vai definir como completista, ou seja, raros irmãos que aproveitam todas as possibilidades construtivas que o corpo terrestre lhes oferece na existência física.”

E pasmem, Emmanuel, surpreende-nos ao afirmar que quase todas as criaturas deixam o corpo denso pelo suicídio indireto.”

Muitos se matam na Terra. Poucos morrem para que outros possam viver dignamente, pontua Emmanuel.

Na obra Nosso Lar no capítulo 4, denominado “O Médico Espiritual”, ao receber a informação que havia desencarnado pelo suicídio indireto, André Luiz se surpreende e rechaça a informação transmitida pelo Dr. Henrique de Luna após examiná-lo:

– É de lamentar que tenha vindo pelo suicídio.

E nosso amigo André Luiz responde se defendendo:

“Creio haja engano, meu regresso do mundo não teve essa causa. Lutei mais de quarenta dias, na Casa de Saúde, tentando vencer a morte. Sofri duas operações graves, devido a oclusão intestinal.”

Ao que o médico esclarece:

Sim, mas a oclusão radicava-se em causas profundas.

Vejamos bem a afirmação: “radicava-se em causas profundas”.

A argumentação de André Luiz foi, é e será a mesma que outros tantos milhões de espíritos devem sustentar quando aportam, com mínimo de lucidez, na pátria espiritual. Desconhecendo por completo as leis espirituais que regem o cosmo orgânico, restringem a análise aos parâmetros físicos da questão que, perpetuando vícios de ordem mental, não atinam para as causas outras que somente o conhecimento espiritual pode propiciar.

Para melhor entendimento, transcrevemos abaixo trecho em que o médico espiritual Henrique de Luna explica a André os aspectos reais que culminaram com sua desencarnação:

“Vejamos a zona intestinal – exclamou – A oclusão derivava de elementos cancerosos, e estes, por sua vez, de algumas leviandades do meu estimado irmão, no campo da sífilis.”

É flagrante, na afirmação acima, o ascendente das questões comportamentais sobre o binômio saúde/doença da criatura humana. Esta ascendência fica muito mais evidente na afirmação seguinte:  

A moléstia talvez não assumisse características tão graves, se o seu procedimento mental no planeta estivesse enquadrado nos princípios da fraternidade e da temperança. Entretanto, seu modo especial de conviver, muita vez exasperado e sombrio, captava destruidoras vibrações naqueles que o ouviam. Nunca imaginou que a cólera fosse manancial de forças negativas para nós mesmos? A ausência de autodomínio, a inadvertência no trato com os semelhantes, aos quais muitas vezes ofendeu sem refletir, conduziam-no frequentemente à esfera dos seres doentes e inferiores. Tal circunstância agravou, de muito, o seu estado físico. (...) Todo o aparelho gástrico foi destruído à custa de excessos de alimentação e bebidas alcoólicas, aparentemente sem importância. Devorou-lhe a sífilis energias essenciais. Como vê, o suicídio é incontestável.

Como visto, desperdiçamos mananciais de energia vital e espiritual em nossos hábitos corriqueiros, tomados à conta de situações naturais. Diariamente, milhões de criaturas desperdiçam energias valiosas em atritos e polêmicas que não atendem à Construção Divina em nós.

Quantas horas gastas em contendas que terminam pelo ódio destruidor? Quantos recursos preciosos desbaratados pelo espírito na discussão azeda, cujo ponto final pode ser a desencarnação prematura?

É o próprio André que, conscientizando-se de suas fraquezas, nos esclarece:

“Não poderia supor, noutro tempo, que me seriam pedidas contas de episódios simples, que costumava considerar como fatos sem maior significação. Conceituara, até ali, os erros humanos, segundo os preceitos da criminologia. Todo acontecimento insignificante, estranho aos códigos, entraria na relação de fenômenos naturais. Deparava-se-me, porém, agora, outro sistema de verificação das faltas cometidas.  

Todos haveremos de ter uma “causa mortis” que constará em nosso atestado de óbito devidamente assinado por um médico. Entretanto, a causa profunda e verdadeira muito poucas vezes será registrada, porque pertencerá tanto à avaliação mais cuidadosa, criteriosa e acima de tudo, justa, dos médicos e agentes de saúde da espiritualidade maior, quanto à nossa conscientização.

Assim como ocorreu a André Luiz, iremos nos deparar com outro sistema de verificação das faltas cometidas. Espero que não seja do lado de lá.

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Espíritos diversos. Vozes do Grande Além. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 6ª ed. Brasília. Editora FEB, 2024. 322p.

(2) Emmanuel. Harmonização. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Editora GEEM, 1990. 112 p.

(3) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

(4) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

 

Aspectos espirituais do Suicídio 

 

Dados estatísticos recentes apontam que, anualmente, 720 mil pessoas perecem pelo suicídio no Mundo, sendo 73% cometidos em países de baixa e média renda. Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é considerado a terceira principal causa de morte.

As pesquisas nesta área também apontam que para cada suicídio há muitas outras pessoas que tentam o suicídio e que uma tentativa de suicídio anterior é um importante fator de risco para o suicídio na população em geral.

Sem dúvida, estes são dados deveras preocupantes para as áreas de saúde que trabalham nestas difíceis situações.

Acreditamos que estes dados sejam subestimados, pois os próprios dados globais registrados pela OMS, que os consideram precários quanto à sua disponibilidade e qualidade, abrangem apenas cerca de 80 países (40%) dos 194 inscritos nesta organização. Argumentam que a subnotificação e a classificação incorreta sejam problemas maiores no caso do suicídio do que para a maioria das outras causas de morte.

Não resta dúvida que isto pode ser um forte empecilho quando o objetivo seja aumentar a conscientização sobre a importância do suicídio e das tentativas de suicídio a fim de torná-los de alta prioridade na agenda global de saúde pública. 

A religião, a moral e todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Todas nos dizem, em princípio, que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida.

A Bíblia menciona algumas pessoas que cometeram o auto extermínio: Abimeleque (Juízes 9:54); Sansão (Juízes 16:29-31); Saul e o escudeiro (1 Samuel 31:3-6); Aitofel (2 Samuel 17:23); Zinri (1 Reis 16:18) e o mais conhecido de todos, Judas o discípulo de Jesus (Mateus 27:5).

Belos ensinamentos encontramos na obra básica do Espiritismo, O Livro dos Espíritos. Na questão 944, Kardec questiona:

“Tem o homem o direito de dispor da sua vida?

R. “Não; só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário importa numa transgressão desta lei.”

 

Aprendemos nesta obra que os espíritos sensivelmente perturbados, apresentam uma sobre excitação cerebral, principalmente provocadas pelas decepções, pelos infortúnios e afeições contrariadas, constituindo-se nas causas mais frequentes de suicídio.

Falando sobre as consequências sofridas pelo espírito cuja desencarnação foi provocado pelo suicídio, os Espíritos da codificação, na questão 957 de O Livro dos Espíritos, nos esclarecem:

 Muito diversas são as consequências do suicídio. Não há penas determinadas e, em todos os casos, correspondem sempre às causas que o produziram. Há, porém, uma consequência a que o suicida não pode escapar; é o desapontamento. Alguns expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam.”

Outro aprendizado importante é que no espírito de alguns suicidas se produz uma espécie de repercussão que o Espírito, a seu mau grado, sente os efeitos da decomposição do corpo físico, donde lhe resulta uma sensação cheia de angústias e de horror, estado esse que pode perdurar pelo tempo que devia durar a vida que sofreu interrupção.

Exemplificando, se eu entendi bem, uma pessoa que deveria viver sobre a Terra, aproximadamente 70 anos e cometeu o suicídio aos 40 anos de vida, permanecerá neste estado perturbatório algo em torno de 30 anos.

Isto explica porque, quando comparecem às reuniões mediúnicas, dos espíritos que desencarnaram pelo suicídio, a maioria fica surpreendido, espantado e não acredita estar morto. Obstinadamente sustenta que não o está. No entanto, vê o seu próprio corpo, reconhece que esse corpo é seu, mas não compreende que se ache separado dele.

Fruto de uma desorientação religiosa, estes irmãos foram ensinados a considerar a morte como sinônimo de destruição ou de aniquilamento. Aproximam-se de seus familiares que o velam nos serviços funerários, falam-lhes e por eles não são percebidos nem ouvidos. Tal ilusão se prolonga até ao completo desprendimento do perispírito do corpo físico hirto. Só então o Espírito se reconhece como tal e compreende que não pertence mais ao número dos encarnados sobre a Terra.

Nos dias de hoje temos assistidos, lamentavelmente, a violência facilmente praticada por cônjuges que, descontentes com as vacilações e fraquezas do(a) parceiro(a) de matrimônio, se veem no direito de tirar-lhe a vida e, posteriormente se suicidando, encetando séculos de sofrimento pelos crimes cometidos.

André Luiz, no magistral livro Evolução em Dois Mundos nos explica a razão destes cruéis desatinos d’alma.

“Mal saídos do regime poligâmico, os homens e as mulheres sofrem-lhe ainda as sugestões animalizantes e, por isso mesmo, nas primeiras dificuldades da tarefa a que foram chamados, costumam desertar dos postos de serviço em que a vida os situa, alegando imaginárias incompatibilidades e supostos embaraços, quase sempre simplesmente atribuíveis ao desregrado narcisismo de que são portadores. E com isso exercem viciosa tirania sobre o sistema psíquico do companheiro ou da companheira mutilados ou doentes, necessitados ou ignorantes, após explorar-lhes o mundo emotivo, quando não se internam pelas aventuras do homicídio ou do suicídio, espetaculares, com a fuga voluntária de obrigações preciosas.”

 

Diga-se de passagem, fuga esta da qual não irão se safar enquanto não houver pago ceitil por ceitil, no sublime ensinamento de Jesus.

Aliás, o próprio Jesus, há mais de vinte séculos ensinou-nos que “todo aquele que comete o mal é escravo do mal” (João, 8:34)

O assunto é complexo e instigante, cabendo à Doutrina Espírita demonstrar, pelo exemplo dos próprios espíritos que a ele sucumbiram, que o suicídio constitui infração de uma lei moral e um ato tanto infeliz quanto ineficaz, pois em nada ganha quem o pratica, não atinge seu verdadeiro objetivo e ainda se complica severamente, perante a Lei Divina.

Voltaremos ao tema!  Enquanto isso, reflitamos a respeito.

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Suicide. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/suicide. Acesso em 15 Fevereiro 2026.

(2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(3) Luiz, André. Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 219p.

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