segunda-feira, 7 de setembro de 2026

 

Entrevista com Chico Xavier - II

Damos continuidade, neste artigo, às iluminadas respostas do elevado espírito Chico Xavier. 

A CIDADE "NOSSO LAR"

P – O Espírito de André Luiz descreveu a experiência de sua vida na condição de desencarnado, numa cidade espiritual em seu livro “Nosso Lar”. Como médium o senhor pode atestar cidades como esta, fora do plano terrestre?

CX – Eu não posso transferir a minha certeza àqueles que me ouvem, mas posso dizer que, em 1943, quando o espírito de André Luiz começou a escrever por nosso intermédio senti grande estranheza com o que ele ditava e escrevia. Certa noite, tomadas as providências necessárias, segundo a orientação de Emmanuel, ele próprio e André Luiz me levaram a determinada parte, a determinado bairro da cidade de “Nosso Lar”. Posso dizer que fui em desdobramento espiritual na chamada zona hospitalar da cidade. Foi para mim uma excursão espiritual inesquecível, como se eu desfrutasse os favores de um espírito liberto. Vi muita coisa maravilhosa sem compreender tudo ou entender muito pouco, porque fui em função de serviço, não por mérito.

 

TRANSPLANTES E CORPO ESPIRITUAL

P – Dizem os espíritos que o corpo físico é uma duplicata do corpo espiritual; no transplante do coração não haverá um choque entre a existência do órgão que permaneceu no corpo astral ao lado do que foi substituído?

CX – Por isso mesmo que o nosso amigo André Luiz considera a rejeição como um problema claramente compreensível, pois o coração do corpo espiritual está presente no receptor. O órgão astral, vamos dizer assim, provoca os elementos da defensiva do corpo, que os recursos imunológicos em futuro próximo, naturalmente, vão sustar ou coibir.

 

REENCARNAÇÃO

P – Como entender a reencarnação compulsória?

CX – Cremos que da maneira pela qual internamos o doente no hospital ou segregamos o nosso irmão delinquente nas celas regenerativas de uma escola ou penitenciária.

P – Você, Chico, conhece algum caso em que o espírito obsessor se manteve durante toda a vida fértil da mulher, impedindo-lhe a gestação?

CX – Sim, isso é raro mas acontece, dentro dos princípios de causa e efeito que nos regem a vida.

P – No processo reencarnatório, segundo conhecemos, o espírito reencarnante é previamente ligado ao espírito da genitora. No caso da reencarnação através do tubo de ensaio, como seria suprida essa necessidade?

CX – Admitimos que a reencarnação, se efetuada pelo tubo de ensaio, se efetuará em bases de amor no ambiente a que o espírito reencarnante for conduzido. Isso, na hipótese da Humanidade progredir moralmente, passando a merecer esse tipo de reencarnação, obviamente com muito menos entraves para a criatura que tornará novo corpo entre os homens.

P – A beleza física corresponde à beleza espiritual?

CX – Nem sempre.

 

PROVA DA REENCARNAÇÃO

P – Qual a maior prova concreta que Francisco Cândido Xavier aponta sobre a reencarnação?

CX – A lógica para compreendermos a desigualdade no campo das criaturas humanas. Por que é que uns renascem sofrendo em condições muito mais difíceis do que os outros? Não podemos admitir a injustiça divina! Deus é a justiça suprema. Portanto, nós devemos a nós mesmos a consequência dos nossos desajustes. Se eu pratiquei um crime, se lesei alguém, é natural que não tendo pago a minha dívida moral, durante o espaço curto de uma existência, é justo que eu faça esse resgate em outra existência, porque de outro modo, compreenderíamos Deus como um ditador, distribuindo medalhas para uns e chagas para outros, o que é inadmissível.

 

DESENCARNAÇÃO

P – Ao desencarnar, o espírito toma conhecimento imediato de suas vidas anteriores?

CX – O “Livro dos Espíritos” nos explica que geralmente isso não acontece.

P – Todos os indivíduos, ao reencarnarem, têm um tempo de vida determinado Se, por culpa própria, desencarnarem antes desse tempo, o que pode ocorrer ao espírito?

CX – Não nos é fácil estudar, por agora, semelhante assunto. A vida e a desencarnação se conjugam profundamente com os desígnios da Providência Divina e com o livre arbítrio da criatura.

P – Os indivíduos que não acreditam na vida após a morte despertam com facilidade depois do decesso físico?

CX – Dizem os Espíritos Amigos que de modo geral, isso não sucede.

P – As criaturas que não acreditam na vida após a morte, ao desencarnarem têm dificuldade para o despertar? Por quê?

CX – Falta-lhes aquilo que poderíamos nomear como sendo “aceitação da realidade”, ou “adestramento preparatório para facear a Vida Maior”

P – A velhice o preocupa?

CX – Não, absolutamente. Cada idade tem a sua beleza.

P – Como encara a morte?

CX – Naturalmente que somos humanos e a despedida de um ente amado, mormente quando esse ente amado vai adquirir nova forma, de um modo geral se tornando invisível ao nosso olhar comum, a nossa dor é imensa. Quando vemos partir, par exemplo, um filho para uma terra distante, quando sofremos prova da separação de ente querido, mesmo na Terra, sofremos compreensivelmente, de vez que o amor vem de Deus e quando amamos, queremos perto de nós a criatura querida. Ainda sabendo que a morte vem de Deus, quando nós não a provocamos, não podemos, por enquanto, na Terra receber a morte com alegria porque ninguém recebe um adeus com felicidade, mas podemos receber a separação com fé em Deus, entendendo que um dia nos reencontramos todos numa vida maior e essa esperança deve aquecer-nos o coração.

 

IMPRESSÃO DEPOIS DA MORTE

P – De modo geral, qual será a primeira impressão da criatura humana, na ocasião precisa da morte?

CX – Para todos aqueles que terminaram a existência terrestre com uma consciência tranquila, limpa, conquanto os muitos erros em que todos nós incorremos nesta existência, a impressão no outro mundo é de profunda alegria, de felicidade mesmo, no reencontro com as pessoas queridas que nos antecederam na grande transformação.

Entretanto, quando nós malbaratamos os patrimônios da vida, quando não consideramos as nossas responsabilidades, é natural que soframos as consequências no mundo espiritual, antes de voltarmos, naturalmente à Terra, em novo renascimento, para o resgate que se faz jus.

 

A ORIGEM DAS MOLÉSTIAS

P – Como é que os Amigos Espirituais interpretam a origem das moléstias mentais complexas como, por exemplo, a esquizofrenia? Ela terá cura?

CX – Eles observam, muitas vezes, que nascemos com processos alusivos a moléstias chamadas incuráveis, como resultados de complexos de culpas adquiridos por nós mesmos em existências passadas. Por exemplo: um homem extermina a vida de outro homem e parte para o Além; a vítima perdoou ao verdugo, mas a consciência do verdugo não concordou com esse perdão, e ele continua com o remorso, com o problema da culpa a lhe estragar a tranquilidade íntima. Dessa forma, os pensamentos de remorso repercutem sobre o corpo espiritual e determinam o desequilíbrio da distribuição dos agentes químicos do organismo, já que, em verdade, cada um de nós tem determinada farmácia na sua própria vida íntima. Adquirindo culpas intensas e profundas, é muito natural que e criatura renasça com problemas de esquizofrenia, mas acreditamos que a Ciência, mais tarde, segundo a necessária permissão do Alto, sanará perfeitamente a moléstia em descobrindo, com o amparo da Misericórdia Divina, o caminho para restabelecer o nível de distribuição das substâncias químicas no cérebro enfermiço, para que essa distribuição atinja a circulação desejável.

 

NECESSIDADE DO ESTUDO

P – Quanto ao estudo, que dizem os nossos Benfeitores Espirituais? 

CX – Os amigos espirituais nos informam que o estudo deve ser para nós uma obrigação, em qualquer idade ou circunstância da vida. Muitas vezes, quando na infância ou na juventude, somos constrangidos a estudar e sentimos muita dificuldade em observar as disciplinas estabelecidas, seja por nossos pais ou professores, tutores ou amigos. Às vezes, fugimos de aula, desertamos do dever estudantil, mas com o tempo, se observamos a vida dentro da realidade que lhe é própria, quando entramos na condição de adultos somos induzidos a estudar voluntariamente porque sabemos que o estudo é a luz no coração do espírito. Na ignorância não conseguiríamos, como não conseguiremos, enxergar o caminho real que Deus traçou a cada um de nós na Terra. Todos nós, sejamos crianças ou jovens, adultos ou já muitíssimos maduros, devemos estudar sempre.

 

ESPIRITISMO NO MUNDO ATUAL

P – Como situarmos, querido Chico, Espiritismo no panorama atual? 

CX – O Espiritismo no panorama atual do mundo, é realmente aquele Consolador Prometido por Jesus à Humanidade, porque quantos dele se aproximam com sinceridade e com devotamento à verdade, encontram recursos para a resistência intima contra qualquer perturbação. Nós estamos vivendo no mundo uma época muito difícil, um período inçado de muitos obstáculos na vida espiritual de todos, porque a renovação está chegando para todos na Terra, à maneira de explosão: explosão de sentimentos, de pensamentos, de palavras, de ações; e sem a explicação do Espiritismo evangélico, que coloca em nosso coração e em nosso pensamento os termos do destino e do sofrimento no lugar justo, sinceramente – nós teríamos muita dificuldade para harmonizar o nosso próprio mundo íntimo. Por isto mesmo nós consideramos que o Espiritismo no panorama atual da Humanidade é uma providência da Divina Misericórdia do Senhor a nosso benefício, a fim de que cada um de nós esteja no lugar certo, com as obrigações certas e desempenhando os nossos deveres tão bem quanto nos seja possível.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

 

Entrevista com Chico Xavier - I

Garimpando alguns livros em que ficaram registradas inesquecíveis entrevistas com o notável médium Chico Xavier, realizadas pelos jornais e revistas da época, selecionamos alguns assuntos, dos muitos que este divino amigo, por si mesmo ou inspirados por elevados benfeitores espirituais, nos legou. Estamos precisando, urgentemente, resgatar em nossos corações estas belas lições que nos clareiam os caminhos.

Convidamos a todos para leitura atenta das resposta de Chico Xavier, pois representa para nós, beber direto na fonte viva do conhecimento espiritual.

 

OS TRÊS ASPECTOS ESPIRITISMO

P – Dos três aspectos do Espiritismo – o Religioso, o Científico e o Filosófico, qual o mais importante, no seu modo de entender? Por que?

CX – Temos aprendido com os benfeitores da Vida Maior que todos os três aspectos do Espiritismo são essencialmente importantes, entretanto, o religioso é o mais expressivo por atribuir-nos mais amplas responsabilidades de ordem moral, no trato com a vida.

Nosso Emmanuel costuma dizer que poderíamos figurar, por exemplo, a Ciência como sendo a verdade, a Religião como sendo a vida e a Filosofia como sendo a indagação da criatura humana entre a verdade e a vida.

Sem desejarmos criar uma situação favorável a nós outros, os espíritas evangélicos, a Religião é sempre mais importante, porque a verdade é uma luz a que todos chegaremos; a indagação é um processo no qual todos participamos; mas a vida não deve ser sacrificada nunca e a Religião assegura a vida, assegurando a ordem da vida.

As religiões estabelecem a harmonia interior da criatura humana; é a Religião que nos impele à conduta certa e nos aponta o caminho mais certo para a harmonia de todos nós, uns com os outros.

Por isso mesmo, a Religião é mais importante porque com a luz da Religião, a Ciência poderá trabalhar em paz, de vez que a Ciência precisa de Paz para trabalhar e a Filosofia poderá indagar em paz, porquanto precisa pesquisar com tranquilidade e, sem religião, em nosso espírito, seja ela qual for, sem uma fé na existência de Deus, sem que nosso pensamento se volte para a grandeza da vida, para a imortalidade da alma, – para os diversos aspectos em que a Divindade se manifesta para nós outros, – nós, naturalmente, cairíamos na desordem psíquica, estabeleceríamos o caos em nós e fora de nós, porque não saberíamos governar nos.

Reconheçamos semelhante mérito da Ciência que nas descobre as deficiências, com a indagação filosófica, mas, de qualquer maneira, é a Religião que nos garante a vida espiritual devidamente organizada na Terra, principalmente a vida social e a vida familiar.

 

MEDIUNIDADE COM JESUS

P – Como entende você a mediunidade com Jesus?

CX – Para mim, e digo isso apenas com respeito à minha pobre e apagada pessoa, mediunidade espírita com Jesus tem sido um processo de iluminação, pelo qual, quanto mais os Bons Espíritos escrevem e se comunicam por meu intermédio, mais evidentes se tornam os meus defeitos e inferioridades, não só perante os outros como também diante de mim mesmo. Compreendo, desse modo, que mediunidade com Jesus para mim tem sido um encontro progressivo e constante comigo mesmo, em que a luz dos Amigos Espirituais me mostra, sem violência, quanto preciso ainda aprender e trabalhar para melhorar-me.

 

INSATISFAÇÃO DO MUNDO ATUAL

P – O que os espíritos têm dito a respeito da insatisfação do mundo de hoje?

R – Os nossos guias espirituais traduzem a nossa insatisfação, no mundo inteiro, como sendo a ausência de Jesus Cristo em nossos Corações. Quando nos adaptarmos em definitivo ao espírito da doutrina para a vivência cristã, em nossas relações mútuas, toda insatisfação desaparecerá, porque estabelecida a paz em nossa consciência com o nosso dever cumprido, as próprias doenças naturalmente recuarão, pois muitas delas são simples consequências de nossos desajustes espirituais, em decorrência de nosso afastamento de Cristo, como luz divina para os nossos corações. Estamos nos referindo não só ao Espiritismo Evangélico, mas a todo o Cristianismo, a todas as escolas cristãs. Os cristãos têm necessidade nessa união em torno da verdade. Nós precisamos de Cristo.

P – O que diria sobre o grande número de obsessões?

R – Consideramos ainda o caso da insatisfação. Nós perdemos o contato com Cristo, que é a Luz Divina para a nossa consciência e, de imediato, criamos tomadas/sintonia para o domínio das sombras. 

Aí, a obsessão pode surgir. Surgir com os traumas psicológicos, com as doenças mentais que estão devidamente catalogadas pela medicina para tratamento adequado. Mas, creio que se nós nos ajustarmos aos princípios evangélicos respeitando-nos mutuamente, cada qual no seu setor, com o cumprimento dos nossos deveres, a obsessão também diminuirá, caminhando para o desaparecimento completo.

 

OS TEMPOS ESTÃO CHEGADOS

P – Os espíritas dizem sobre a transição de nosso planeta: "Os tempos estão chegados". O que diria Chico Xavier a esse respeito? R – Sim, chegados para um maior conhecimento da verdade, com o patrocínio da Ciência. Cada um de nós, no entanto tem sofrido impactos muito grandes dessas mesmas verdades, por falta de Cristo em nosso coração, e nós não estamos sabendo aliar o coração ao cérebro. Temos uma inteligência talvez excessivamente cientifista, mas o coração um tanto quanto retardado. Precisamos desalojar o ódio, a inveja, o ciúme, a discórdia de nós mesmos, para que possamos chegar à uma solução em matéria de paz, de modo a sentirmos que “os tempos estão chegados”, para a felicidade humana.

 

OS SUICIDAS

P – Na sua vida mediúnica, Chico Xavier, conheceu amigos suicidas reencarnados?

R – Alguns. Tive tempo suficiente para observar alguns casos e posso dizer que todos aqueles que vi reencarnados, depois do atentado contra eles mesmos, traziam consigo os sinais, os reflexos da leviandade que haviam perpetrado. Contudo, devemos respeitar os suicidas como criaturas extremamente sofredoras que, muitas vezes, perderam o controle das próprias emoções, raiando para o desrespeito a si próprios. Os resultados do suicídio acabam sempre impressos naqueles que o perpetram; desse modo, a dois companheiros que se suicidaram com bala no ouvido – e que revi, no espaço, depois de 10 anos – vi-os reencarnados na condição de crianças retardadas num estado de extrema idiotia.

Outro companheiro que se suicidou, com o veneno, renasceu como uma criança que trazia já o câncer na garganta, tendo desencarnado pouco tempo depois.

Os espíritos me explicaram que muitas vezes, o suicida, em se reencarnando como que destrói os tecidos do novo corpo; a desencarnação, ou a morte propriamente considerada, ocorre logo depois do nascimento ou algum tempo depois.

Ai; então, o espírito estará em condições de aprender quanto vale a vida; deseja viver, mas não consegue, conseguindo, enfim, depois de grande esforço.

 

SUICIDIO E SOFRIMENTO

P – Aproveitando a oportunidade de seu profundo conhecimento da matéria, nós perguntamos: os espíritos acham que os sofrimentos dos suicidas decorrem de um castigo e Deus?

R – Não. Não decorrem de um castigo de Deus, porque Deus é a Misericórdia Infinita, a Justiça Perfeita. Emmanuel sempre me explica assim como outros amigos espirituais, quando atentamos contra o nosso corpo, na Terra, ferimos as estruturas do nosso corpo espiritual. Infringimos a nós mesmos essas punições. Se malbaratamos o crânio com um tiro, estamos destruindo determinados recursos do nosso cérebro espiritual; se nos envenenamos, perturbamos determinados centros de nossa alma; se nos projetamos de grande altura, estamos, também, perturbando os ligamentos, as estruturas, as conexões de nosso corpo espiritual e permanecemos no além com os resultados do suicídio para depois, ao reencarnarmos na Terra, trazermos as consequências em nosso próprio corpo.

 

AS MORTES SÚBITAS

P – Como os espíritos encaram o problema das mortes repentinas para uns, e das mortes precedidas de duros sofrimentos para outros?

R – Os amigos espirituais têm me ensinado que no mundo espiritual, todos os nossos amigos se esmeram para que tenhamos, na Terra, o máximo de tempo no corpo. Há casos em que as longas moléstias são abençoadas preparações do nosso espírito para a vida maior. As mortes repentinas, as desencarnações improvisadas, quase sempre são provações e, às vezes, ocorrências inevitáveis no mapa de trabalho trazido pelo espírito, ao reencarnar.

Mas, estejamos convencidos de que as longas moléstias são abençoados cursos preparatórios para que nos libertemos de muitos caprichos e muitos hábitos que pertencem à vida física, mas sem significação na vida maior.

Continua no próximo artigo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

 

Um Pastor fala aos Espíritas.    

Para apresentar o tema desta semana em nosso Blog, faz-se necessário uma breve apresentação de valoroso irmão que no séculos dezenove e parte do vinte, serviu a Jesus na crença Reformada.

O reverendo Álvaro Emygdio Gonçalves dos Reis (1864-1925), atuou por muitos anos como pastor da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Liderou o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil e em 1910 foi eleito seu primeiro moderador da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Interessante registrar que, nos anos de 1894 e 1915, ocorreu um confronto polêmico entre o pastor Álvaro Reis e, respectivamente, o Dr. Augusto José da Silva e Frederico Figner, ambos espíritas.  Tal fato teria se dado em razão dos espíritas referidos terem afirmado que os profetas, os apóstolos e outros líderes bíblicos eram autênticos médiuns espíritas da antiguidade.

Em sua refutação, o pastor Álvaro Reis, conclama aos adversários que nas próprias escrituras provaria, de um modo incontestável, a divindade de Jesus Cristo e a falsidade das reencarnações e que o Espiritismo não era doutrina Bíblica. Esta polêmica, que se estendeu por volta de dois anos, trouxe como consequência a redação de um livro, escrito pelo pastor, e que foi editado em 1916, sob o título de O Espiritismo.

Alguns anos depois, na noite de 25 de março de 1954, no “Grupo Meimei”, na cidade de Pedro Leopoldo, durante reunião mediúnica, comparecem vários irmãos desencarnados, procedentes das Igrejas Reformadas. Tais reuniões eram assiduamente frequentadas por Chico Xavier, onde ao final, exercendo a psicofonia sonambúlica, dava voz a vários instrutores e benfeitores desencarnados portadores de valiosos ensinamentos. Na referida data desta reunião, manifestou-se justamente o irmão Álvaro Reis, que havia sido eminente pastor da igreja presbiteriana do Brasil.

Muito interessante. Tendo desencarnado no ano de 1925, comparece 29 anos após, para focalizar elevado tema evangélico, destacando a responsabilidade dos espíritas, como detentores das interpretações mais avançadas do ensinamento de Jesus.

Destacando somente alguns trechos da fala do pastor, conclamamos nossos irmãos espíritas à oportunidade de elevada reflexão. Diz-nos ele:

“Não sabemos de outra felicidade maior que a vossa, porque ainda na carne sois preparados para a senda do Espírito, de maneira a que não vos desvieis do roteiro de luz.”

Grande verdade, nem tanto aproveitada pelos espíritas.

Prossegue Álvaro:

“O Espiritismo funciona em vossas experiências como intérprete das lições divinas, oferecendo soluções simples aos problemas complicados, satisfazendo indagações e decifrando enigmas...”

Acrescemos, aliás que, referida tarefa, a Doutrina Espírita realiza como nenhuma outra crença atualmente no Planeta.

Continuando, destaca a grande responsabilidade que pesa sobre nossos ombros, em comparação com irmãos de outras crenças:

“Crede que muito maior é a responsabilidade que vos pesa nos ombros, porquanto o nosso irmão católico romano, em transpondo o limiar do túmulo, poderá referir-se às peias mentais a que foi escravizado no culto externo, e o companheiro da Igreja Reformada alegará com justiça o insulamento a que foi constrangido na clausura da letra.”

Como nos ensina Emmanuel, orientador espiritual de Chico Xavier, o Espiritismo é doutrina libertadora de consciências.

Diz na continuidade, que os espíritas, “guardam conhecimentos evangélicos mais suscetíveis de plena identificação com a Verdade”;

A concepção real da justiça nos favorece a “mais clara visão do Universo, sabendo, como ninguém, que o Paraíso deve ser edificado gradativamente em nós mesmos, todos os dias.”

Concordando, portanto, com Kardec que nos esclarece na obra básica O Céu e o Inferno, que ambos podem habitar dentro de nós, cabendo a cada um realizá-lo, de acordo com nossas atitudes.

Ao final, enfatiza o trabalho que cabe aos espíritas e reafirma a real necessidade de vivenciar os ensinos de Jesus:

“Ainda assim, não obstante os prejuízos do passado, rejubilamo-nos com a formação da vanguarda espírita-cristã, valoroso e pacífico exército de almas fervorosas que, pelos méritos da oração e do arrependimento, da boa-vontade e do serviço aos semelhantes, vem construindo no mundo precioso trilho de acesso a comunhão com Jesus. (...) Eis o padrão que nos deve inspirar as atividades, porque não nos bastará crer acertadamente e ensinar com brilho, mas, acima de tudo, viver as lições.”

Os ensinos no Espiritismo transcendem seitas e crenças. São lições de natureza universal. Felizes daqueles que a recebem e compreendem seu alcance para a aplicação constante e crescente nas próprias vidas.

 

Referência:

(1) Diversos Espíritos. Instruções Psicofônicas. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 6ª ed. Brasília. Editora FEB, 1955. 289p.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

                     

             Aspectos do atendimento espiritual no                      Além e na Terra                                                              

Para todos os que militam nas atividades de uma Casa Espírita, no socorro aos desencarnados, encontramos informações que são de grande interesse.

Através da abençoada psicofonia de Chico Xavier, o espírito Efigênio Vitor, explana, com detalhes, o cuidado realizado pelos Benfeitores Espirituais nas agremiações espíritas. Segundo Efigênio, tal descrição, embora seja referente à instituição que frequenta na pátria espiritual, pode ser a realidade em todas as casas espíritas do plano terrestre, em que o objetivo seja servir ao próximo, sob o amparo de Jesus.

Considerado como um expressivo posto de auxílio, à semelhança de pronto socorro, possui um corpo de colaboradores integrado por médicos e religiosos, inclusive sacerdotes católicos, ministros evangélicos e médiuns espíritas já desencarnados, além de magnetizadores, enfermeiros, guardas e padioleiros.

Mas adverte que, em relação à experiência religiosa, no mundo espiritual, poucos padres continuam padres, poucos pastores prosseguem pastores e raros médiuns. E isso devido a não querermos dar continuidade aos deveres que assumimos aqui na Terra. 

Refere-se também a três faixas magnéticas que protegem as atividades da instituição.

A primeira guarda a assembleia e os desencarnados que se lhes conjugam à tarefa da noite.

A segunda faixa, de maior dimensão, envolve dezenas de companheiros em posição de necessidade, procurando socorro e esclarecimento.

A terceira, mais vasta, circunda todo o edifício. Nela há sentinelas vigilantes eficientes, guardando a reunião da intromissão de irmãos que, por sua condição, em extrema perturbação, ainda não podem partilhar, de maneira mais íntima, das bençãos da reunião de aprendizado evangélico.

Há um salão em que se reúnem irmãos desencarnados para orientação, duas salas com leitos de socorro,

Como forma de contenção para amparo e controle de desencarnados rebeldes ou recalcitrantes, existe uma grande rede eletrônica, que inspiraram a medicina moderna no tratamento pelo electrochoque.

Em relação à dimensão espiritual em que se encontra a instituição e destacando o setor de movimentação dos trabalhadores, esclarece o irmão que, acima da crosta terrestre, há uma cinta atmosférica classificada por “cinta densa”, com a profundidade aproximada de 50 quilômetros, e, além dela, a “cinta leve”, com a profundidade aproximada de 950 quilômetros. Temos então somados, 1.000 quilômetros acima da Crosta. Ainda segundo Efigênio, neste verdadeiro mundo aéreo, há múltiplos exemplares de almas desencarnadas, junto de variadas espécies de criaturas sub-humanas em desenvolvimento mental no rumo de sua humanização.

Fala-nos também, sobre os Espíritos Arquitetos que em cada reunião espírita, orientada com segurança, nos Centros Espíritas da Terra, comparecem prestativos e operantes, manipulando a matéria mental necessária à formação de quadros educativos.

Funciona assim:

Na atmosfera ambiente um centro mental definido, para o qual convergem todos os pensamentos, não somente dos desencarnados, mas de todos aqueles que, presentes, comungam as tarefas gerais.

Esse centro mental abrange vasto reservatório de plasma sutilíssimo, de que se servem os Espíritos Arquitetos, na extração dos recursos imprescindíveis à criação de formas-pensamento, constituindo entidades e paisagens, telas e coisas semi-inteligentes, com vistas à transformação dos companheiros dementados que procuram a reunião por auxílio.

Vejam, prezados leitores, acontecimentos rotineiros durante nossas reuniões de atendimento espiritual, que nem imaginamos possam ocorrer. As ações do mundo espiritual, comprometido com a causa do Evangelho de Jesus, são amplas e abençoadas. 

Os Espíritos perturbados e desequilibrados, para que se recuperem, é indispensável recebam o concurso de imagens vivas sobre as impressões vagas e descontínuas a que se recolhem. Nestes casos, os arquitetos da Vida Espiritual comparecem, como colaboração especializada, que antecipadamente, consultam as reminiscências dos comunicantes que devam ser amparados, observando-lhes o pretérito e anotando-lhes os labirintos psicológicos. A partir daí, são criados, com duração temporária, painéis movimentados e vivos, capazes de conduzi-los à modificação mental.

Nestes painéis são formados jardins, templos, fontes, hospitais, escolas, oficinas, lares e quadros outros em que os nossos companheiros desencarnados se sintam como que tornando à realidade pregressa, através da qual se põem mais facilmente ao encontro de nossas palavras, sensibilizando-se nas fibras mais íntimas e favorecendo-nos, assim, a interferência que deve ser eficaz e proveitosa, explica Efigênio Vitor, nas luminosas páginas de Instruções Psicofônicas, pela psicofonia de Chico Xavier.

E arremata com muito mais esclarecimento em torno das reuniões de atendimento espiritual de nossas Casas Espíritas, com ressalvo até da ação benéfica sobre os companheiros encarnados, responsáveis por entabularem o diálogo fraterno e saudável com os comunicantes necessitados:

“É assim que as forças mento-neuro-psíquicas de nosso agrupamento são manipuladas por nossos desenhistas (Espiritos Arquitetos), na organização de fenômenos que possam revitalizar a visão, a memória, a audição e o tato dos Espíritos sofredores, ainda em trevas mentais. Espelhos ectoplásmicos e recursos diversos são também por eles improvisados, ajudando a mente dos nossos amigos encarnados, que operam na fraseologia assistencial, dentro do Evangelho de Jesus, a fim de que se estabeleça perfeito serviço de sintonia, entre o necessitado e nós outros. Para isso, porém, para que a nossa ação se caracterize pela eficiência, é necessário oferecer-lhes o melhor material de nossos pensamentos, palavras, atitudes e concepções.

Aprendamos que toda a cautela é recomendável no esforço preparatório da reunião de intercâmbio com os desencarnados menos felizes.

É necessário oferecer aos trabalhadores do invisível o melhor material de nossos pensamentos, palavras, atitudes, porque nestas reuniões comparecemos, na condição de enfermeiros e instrutores, ainda mesmo quando não tenhamos, em nosso campo de possibilidades individuais, o remédio ou o esclarecimento indispensável.

Apesar da precariedade de nossos recursos, através da oração sincera e sentida, com carinho, compreensão e amor, convertamo-nos em canais do socorro divino.

Estudemos sempre, confiando na espiritualidade benfeitora que, desde a pátria espiritual, dirige com segurança, os trabalhos nos Centros da Terra.

Referência:

(1) Diversos Espíritos. Instruções Psicofônicas. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 6ª ed. Brasília. Editora FEB, 1955. 289p.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

 

Sementes de Destino 

Eu sempre me pus a perguntar, quais as formas pelas quais a Justiça Divina conhece, de tantos bilhões de espíritos, todos os escaninhos da mente e pode tão bem cuidar de cada um deles? Como se cumpre sua Lei magnânima para cada um de seus filhos com tanta perfeição?

Assim como pelo axioma que diz que a todo efeito inteligente, deve haver uma ação inteligente, podemos logicamente concluir que se Deus é a inteligência máxima e soberana do Universo, razão há para explicar o que acima questiono, somente ainda não possuímos o conhecimento necessário para entende-lo em sua plenitude. Mas um dia, quem sabe, nos será descortinado a dinâmica desta Lei. Aguardemos, nos preparando.

De qualquer forma, encontramos aqui e ali, garimpando (assim deve ser o estudioso), em obras espíritas de espíritos e médiuns acima de qualquer suspeita alguns indicativos de como a coisa deve funcionar. Nesse caso, então, recorremos a André Luiz e Chico Xavier, respectivamente. Não há como contestá-los, embora, infelizmente, há quem o faça dentro do próprio Espiritismo. Triste.

Na obra Evolução em Dois Mundos vamos aprender no capítulo XIX, - Alma e Reencarnação – que o Espírito desencarnado endividado, internado em zona purgatorial criada por sua própria consciência, se reúne a outros tantos espíritos endurecidos, fazendo uma comunidade dolorosa, lembrando o Inferno de outras crenças, que à semelhança das penitenciárias e hospitais, recuperam e auxiliam.

Nestes locais, o mal é defrontado pelo próprio mal, como medicação purgativa que convulsiona antes de recuperar. Entretanto, tão logo os irmãos enfermos revelem os primeiros sinais de renovação para o bem, os benfeitores das Esferas Superiores, registrando-lhe a dor do arrependimento, comparecem ao seu auxílio.

Resgatados, passam por período de convalescença, revendo compromissos da encarnação que não foram cumpridos e até piorados.

Por mais que se esforcem tentando se reintegrar em novas tarefas, melhorando suas condições, aperfeiçoando e aprimorando e combatendo, à custa de inaudito esforço, antigos impulsos inferiores, restam-lhe as “Sementes de Destino”.

Mesmo quando as suas vítimas tenham já superado todas as sequelas dos golpes sofridos por estas equivocadas entidades espirituais, que agora colocam-se em posição de recuperação, permanecem entranhado em sua intimidade as lembranças dos erros voluntários.

Aniceto, personagem do livro Os Mensageiros, a este respeito, tem uma frase muito apropriada. Diz o mentor para André Luiz e Vicente que “a dívida, em toda parte, anda com os devedores.”

Lembranças dos erros voluntários, repito, a se constituírem em Sementes de Destino que provocam no espírito endividado, a necessidade de rogar por novas reencarnações com provas de que precisam para se quitarem consigo próprio, de maneira consciente.

O próprio algoz requer ao supremo juiz e Senhor, as oportunidades de reconciliação com os irmãos vitimados, com sua própria e com a Consciência Cósmica.

Para estes casos, o planejamento reencarnatório é legítimo.

Estes cuidados preparatórios da nova tarefa em vista, buscam reunir, em desafiadores reencontros, quanto possível, os credores ou as circunstâncias imprescindíveis, junto aos quais se redima perante a Lei.

          Resumindo, estamos todos enlaçados a nossos próprios erros pretéritos, inapelavelmente. As Sementes de Destino por mais que permaneçam latentes, como que adormecidas no porão da nossa inconsciência, cedo ou tarde, desabrocharão na forma de hastes espinhosas a requererem braços e mãos operosas, que lhes auxiliem a regeneração.

Referências:

(1) Luiz, André. Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1958. 219p.

(2) Luiz, André.  Os Mensageiros. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 33ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 268p.

 

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