Para
nós, espíritas.
No Novo Testamento, em Mateus 18:1-4 encontramos:
“Naquele momento,
os discípulos chegaram a Jesus e perguntaram: "Quem é o maior no Reino dos
céus?"
Chamando uma
criança, colocou-a no meio deles, e disse: "Eu asseguro
que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais
entrarão no Reino dos céus. Portanto, quem se faz humilde como esta criança,
este é o maior no Reino dos céus.”
Nos dias de hoje essa é a recomendação das recomendações quando
pensamos em nossa participação na Doutrina como espírita e mais ainda, para os
que acham relevante, como membro do movimento espírita formalizado.
Em outras
palavras, Jesus se referia à humildade e à simplicidade.
Parece fácil, para nós espíritas pensar assim, mas, não é não. Recorde,
caro leitor, sua provável origem espiritual que nos levou a encarnar no Brasil
“desfrutando” das benesses da luz libertadora do Espiritismo cristão. Essas
origens estão bem assentadas no livro Brasil coração do mundo pátria do
Evangelho ditado por Humberto de Campos, psicografado por Chico Xavier. E
se ainda não leu, já vou adiantando que nossa origem não é boa coisa.
Ínfima parcela - mas põe ínfima parcela nisso - de espíritas
atualmente encarnados estão desenvolvendo um trabalho missionário. A quase
totalidade de nós outros, somos profundos devedores com raros créditos na
contabilidade divina.
Na verdade, precisamos aprender a avaliar a posição de espírita,
como espírito encarnado, sem a lente da ilusão, sob o iminente risco de
repetirmos velhos erros das estruturas religiosas de outrora, das quais somos
provenientes.
A parábola do joio e do trigo em que Jesus nos fala do Reino dos
Céus, anotada por Mateus (13:24-30, 36-43), ilustra a coexistência entre o bem
e o mal no mundo.
Recomento fortemente também, ao querido leitor deste Blog, que
leia o livro Voltei, psicografado por Chico Xavier, que
narra a passagem para o mundo espiritual de Frederico Figner e que pelo
pseudônimo de Irmão Jacob, dita a obra. Encontramos nela, as enormes
dificuldades deste irmão espírita após o fenômeno da morte. Considerado na
época, um dos espíritas mais perfeitos, se caso ele próprio não viesse fazer
esta revelação, dificilmente alguém suporia que pudesse viver estas situações.
A obra é um grande alerta, para os que assim a entenderem, contra
a ilusão perigosa de nos supormos muito mais importantes do que realmente
somos. Especialmente os irmãos que provisoriamente se encontram à frente das
instituições espíritas, das entidades unificadoras ou na figura simples e
devedora de médium.
O alerta se estende a muitos irmãos desavisados que, com as
facilidades atuais de acesso às mídias digitais, propagam seus pontos de vistas
a respeito das verdades espíritas emitindo opiniões desencontradas que mais
ofuscam e desequilibram, semeando a descrença em muitos, ao invés de elucidar.
Se digladiam em discussões irrelevantes quanto intermináveis,
sobre se o Espiritismo é cristão ou não, se é ciência ou religião, dando azo,
quando não, patrocinando as urdiduras sutis das trevas que tranquilamente,
semeiam o joio no terreno fértil que encontram em nós próprios, com a
finalidade de tirar Jesus do Espiritismo.
Está muito claro que os maiores obstáculos para o avanço da
Doutrina Espírita encontram-se portas adentro das nossas instituições. Foi-se a
época em que as maiores lutas eram travadas com os que vinham de fora.
Por outra, continuamos a crucificar Jesus. Agora não mais à Sua
pessoa, mas à Sua mensagem gloriosa encetada nas páginas memoráveis de Seu
Evangelho. Jesus incomodou e incomoda-nos até hoje com sua beleza espiritual e
ensinos.
A luta é árdua,
meu irmão.
Sem dúvida, escasseia entre os adeptos do movimento espírita,
humildade e simplicidade e há fartura de orgulho e egoísmo, velhos conhecidos
nossos de outros tempos. Com as naturais exceções, Movimento espírita que no
dizer de Dona Modesto Cravo é:
“Uma enfermaria
repleta de doentes que acreditam ser médicos, com todas as soluções para o bem
do Evangelho de Jesus.”
Entendo, por fim, que a saída é servir, servir, servir e passar,
recordando sempre que a obra não nos pertence.
A Doutrina é esplendorosa no que concerne aos conhecimentos que
nos favorece, porém se pensarmos demais e amarmos de menos, perderemos o foco
essencial da vida e lutaremos por aquilo que não é prioritário desperdiçando
valioso tempo e esforço.
Na fase de transição em que nos encontramos, espíritos espíritas, realizamos
pequenos progressos. Já não mais procuramos o mal de forma espontânea e
consciente, embora ainda resida no nosso íntimo; não intencionamos mais
prejudicar as pessoas, porém como ainda o bem não fincou raízes em nós e nem o
praticamos tal qual deveríamos, novamente podemos ser tomados de assalto pelas
velhas ilusões do orgulho e do egoísmo que nos rondam.
Em nós, a devoção e o sincero amor são bem distinguíveis pelos
espíritos superiores. Por isso mesmo, é imprescindível exercitar as nossas
virtudes na prática da caridade. Sem ela não há salvação para as nossas
imperfeições.
Queremos novos rumos, lutemos por eles.
Simplicidade e humildade devem pautar nosso comportamento, o resto
virá nas expressões da Bondade Celeste.
Renovemos atitudes. Somente a poder delas iluminamos a consciência
onde estão escritas as Leis de Deus.
Até a próxima
semana!