segunda-feira, 2 de novembro de 2026

 

O que é desenvolver a mediunidade?            Parte 1

(Estudo do livro Missionários da Luz – Cap. 3)

 

Dando continuidade ao estudo do livro Missionários da Luz realizado no Grupo Espírita da Fraternidade na cidade de Araçatuba, iniciamos neste artigo a primeira parte do capítulo 3 sobre desenvolvimento da mediunidade.

Existente desde sempre sobre a Terra, a mediunidade com suas manifestações fenomênicas mais se evidenciou, sem dúvida, com as mesas girantes em meados do século dezenove.

Tal ocorrência estava determinada desde a profecia bíblica registrada no Antigo Testamento, no livro de Joel 2:28, e repetida no Novo Testamento pelo apóstolo Pedro em Atos 2:17:

“E acontecerá, nos últimos tempos, que derramarei o meu Espírito sobre toda a humanidade. Os filhos e as filhas de vocês profetizarão, os seus velhos sonharão, e os seus jovens terão visões."

É a inequívoca constatação da vulgarização da mediunidade, que presentemente se revela em indivíduos de todas as idades, de ambos os sexos e de todas as condições. Isso, conforme está dito, acontecerá nos últimos tempos; e devemos entender estas palavras como indicativas dos últimos tempos do mundo moral que chega a seu termo.

Claramente, observou-se um amadurecimento psíquico no espírito humano para possibilitar este derramamento Divino sobre toda “carne” configurando a mediunidade.

Allan Kardec, perfeitamente sincronizado com as revelações celestes codificadas na Doutrina Espírita bem no início de O Livro dos Espíritos se refere à mediunidade nos Prolegômenos e considera:

“As comunicações entre o mundo espírita e o mundo corpóreo estão na ordem natural das coisas e não constituem fato sobrenatural, tanto que de tais comunicações se acham vestígios entre todos os povos e em todas as épocas. Hoje se generalizaram e tornaram patentes a todos.”

 

Rara é a família, hoje na Terra, que não apresenta alguém que alega ver, ouvir ou pressentir algum familiar ou conhecido que já morreu ou mesmo, um rudimento de intuição manifesta.

São os sinais dos tempos.

Telésforo, personagem do livro Os Mensageiros vem nos esclarecer dizendo que:

“A mente humana abre-se, cada vez mais, para o contato com as expressões invisíveis, dentro das quais funciona e se movimenta. Isto é uma fatalidade evolutiva.”

De lá para cá, a mediunidade, em cada um de nós se desenvolve, porém para tanto, deve merecer do candidato verdadeiro esforço. É o instrutor Alexandre que comenta com André Luiz sobre esta necessidade, no livro Missionários da Luz.

“Alguns pretendem a psicografia, outros tentam a mediunidade de incorporação. Infelizmente, porém, quase todos confundem poderes psíquicos com funções fisiológicas. Acreditam no mecanismo absoluto da realização e esperam o progresso eventual e problemático, esquecidos de que toda edificação da alma requer disciplina, educação, esforço e perseverança.”

Quer dizer, na criatura humana, a mediunidade não se desenvolverá automaticamente, obedecendo a um comando, digamos, genético ou hereditário.

A faculdade mediúnica, em si, é neutra e seu emprego, pelo médium, é que proporcionará seu aspecto sublime ou infeliz.

Em duas frases, aprendemos com Alexandre a necessidade do médium investir no seu desenvolvimento:

“Sem a preparação necessária, a excursão dos que provocam o ingresso no reino invisível é, quase sempre, uma viagem nos círculos de sombra”

“Ninguém pode trair a lei impunemente e, para subir, Espírito algum dispensará o esforço de si mesmo, no aprimoramento íntimo.”

Neste importante capítulo do livro Missionários da Luz, nos são apresentados três casos de médiuns indisciplinados que apresentam os vícios do sexo desregrado, do alcoolismo e da gula. Em todos eles, encontramos o vampirismo como fenômeno comum, sem que nossos irmãos apresentem a mínima noção desta situação.

Assim como já referido no livro Os Mensageiros, André Luiz sob a orientação de Alexandre, aborda os bacilos psíquicos com agentes vampirizantes, não conhecidos pela medicina da Terra, e que por falta de uma melhor terminologia aos nossos conhecimentos, denomina-lhes de larvas, simplesmente.

Estas larvas, demonstrado nos três casos, embora não sejam estruturadas em matéria propriamente física, tal qual a conhecemos, atuam fortemente sobre as estruturas físicas do organismo humano como refere-se Alexandre:

“Começavam - (as larvas) - as movimentações sob a bexiga urinária e vibravam ao longo de todo o cordão espermático, formando colônias compac tas, nas vesículas seminais, na próstata, nas massas mucosas uretrais, invadiam os canais seminíferos e lutavam com as células sexuais, aniquilando-as. As mais vigorosas daquelas feras micros cópicas situavam-se no epidídimo, onde absorviam, famélicas, os embriões delicados da vida orgânica.”

Concretamente, era a ação de “seres invisíveis” sobre o mundo visível a nível infinitesimal.

São cultivadas por nós próprios, em função do desregramento de nossas emoções calcadas por experiências de baixo teor de forma constante, assim como, pelo próximo contato com entidades grosseiras atraídas pela esteira destes mesmas emoções e pensamentos.

De maneira inteligente, Alexandre justifica estas ações desequilibradas dos médiuns, que o somos todos, como nos ensina Kardec, pela crença totalmente dissociada da realidade, daqueles que supõem a alma absolutamente separada do corpo físico, quando, de fato, todas as manifestações psicofísicas que atuam sobre o cosmo orgânico, provém da influenciação espiritual.

Continuaremos no próximo artigo.

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(2) Luiz, André.  Os Mensageiros. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 33ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 268p.

(3) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

 

A glândula da vida mental

(Estudo do livro Missionários da Luz – Capítulo 2)

 

Também conhecida como Epífese, a glândula Pineal foi-nos apresentada por André Luiz e o instrutor Alexandre, no livro Missionários da Luz, em seu segundo capítulo, descortinando, pela primeira vez, a participação e os principais aspectos desta estrutura na vida espiritual de todos os encarnados.

À época, 1944, devemos recordar o conhecimento que havia sobre esta importante glândula, sob a ótica científica. O próprio André Luiz nos recorda:

“Segundo os orientadores clássicos, circunscreviam-se suas atribuições ao controle sexual no período infantil. Não passava de velador dos instintos, até que as rodas da experiência sexual pudessem deslizar com regularidade, pelos caminhos da vida humana. Depois, decrescia em força, relaxava-se, quase desaparecia, para que as glândulas genitais a sucedessem no campo da energia plena.”

Em seguida, Alexandre posiciona a André como a glândula funciona, após o período da infância:

“É a glândula da vida mental. Ela acorda no organismo do homem, na puberdade, as forças criadoras e, em seguida, continua a funcionar, como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da criatura terrestre.”

Hoje, mais de 80 anos da publicação desta obra, vemos a fala de Alexandre ser ratificada quando ele diz que “mais tarde” os cientistas e pesquisadores a descobririam em suas mais variadas funções.

É na adolescência, como consta no livro, aos quatorze anos, - e com certeza, cada vez mais esse “despertar” será mais precoce na criatura humana - que a Epífese atua como fonte criadora a reabrir, no Espírito, as recapitulações de pretéritas existências despejando, sob a forma de impulsos, sensações e impressões da esfera emocional.

Presente também no perispírito, a Epífise interliga as existências umas às outras. Assim como as várias glândulas de todo nosso sistema endócrino segregam diversos hormônios que, praticamente, controlam muitas funções no corpo físico, a epífise segrega “hormônios psíquicos” que regem as interligações entre o mundo físico e mundo espiritual.

Os estudos mais modernos avançam e somente vão confirmando as valiosas contribuições de André Luiz à Ciência contemporânea.

A pineal é regida pela energia fundamental na qual todos estamos mergulhados, mais especificamente funciona como um receptor, um órgão de senso-percepção captando informações sutis que coordena o ritmo circadiano que, por sua vez, controla o nosso ciclo de vigília e sono, estando, portanto, a epífise, relacionada ao nosso comportamento ao longo do dia.

Com toda sua especialização esta glândula é ainda um poderoso instrumento que, à guisa de uma antena psíquica de grande potencial magnético, recebe o comando da mente e como a glândula da vida espiritual do homem, e envia energias psíquicas a todo o sistema de emoções da criatura humana.

Nesse sentido, os médiuns devem atentar, tanto quanto possível, para uma rígida disciplina moral, educação dos sentimentos e autocontrole para não sobrecarregar ou desequilibrar seu campo orgânico e perispiritual, pois o intercâmbio mediúnico depende da sintonia e do vínculo afetivo entre o médium e o espírito comunicante.

Daí fica fácil entender a razão de necessitarmos, sem demora, de cultivar a renúncia, abnegação, o equilíbrio no dispêndio da energia sexual e a disciplina emotiva, os quais temos aprendido ao longo de nossas diversas existência, como simples preceitos de caráter religioso, mas que, sobretudo, são, no dizer de André Luiz, “comentários sobre consciência, virtude e santificação que configuram conceitos lógicos e científicos no campo da razão,” que que só comprovam, no Espiritismo, a fé raciocinada.

Todos, portanto, devemos receber estes conhecimentos com elevada gratidão ao alto por nos oportunizar, nos serviços de aprendizagem, reparação e elevação, utilizar de modo responsável e respeitável, os patrimônios da vida.

(*) Todos os grifos são meus.

Referência

(1) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Médium - Laboratório de força vibrante

(Estudo do livro Missionários da Luz – Capítulo 1)

 

No capítulo 20 do Livro dos Médiuns do - Da influência moral do médium – em seu item 226 Kardec questiona se o desenvolvimento da mediunidade guarda relação com o desenvolvimento moral dos médiuns. Transcrevo a resposta da espiritualidade superior:

“Não; a faculdade propriamente dita se radica no organismo; independe do moral. O mesmo, porém, não se dá com o seu uso, que pode ser bom, ou mau, conforme as qualidades do médium.”

Realmente a mediunidade é uma faculdade do espírito que se pode afirmar fascinante, especialmente se considerarmos seus ascendentes morais. Assim se expressando, Alexandre, instrutor de André Luiz na obra Missionários da Luz, a qual despretensiosamente estamos tratando neste blog, se refere às possibilidades que ela, mediunidade, proporciona para o espírito, encarnado ou desencarnado, que se interesse por seu próprio aperfeiçoamento.

Se “radica no organismo” por depender das estruturas corporais para sua manifestação nos mundos materiais, desde os de matéria mais densa como a Terra, como nos de matéria extremamente sutilizada, porém ainda matéria, cumprindo, assim, seu objetivo de ser a faculdade que permite a comunicação entre as dimensões, etc.

Entretanto, sem dúvida, nos ascendentes morais elevados que encontramos a mediunidade em toda sua sublimidade. Todos os maravilhosos fenômenos protagonizados por Jesus, quando encarnado na Terra dão-nos notícias de vários deles, a que o homem pode almejar neste Orbe.

Aprendemos, neste capítulo 1 – O psicógrafo – que na dimensão espiritual de uma reunião mediúnica tudo é organizado com antecedência, desde a admissão à reunião dos desencarnados necessitados até sua separação em diferentes grupos, divididos por fios luminosos, de acordo com suas características próprias, bem como, a autorização de quais espíritos sofredores reúnem condições adequadas para a comunicação da noite.

Para beneficiar espíritos infelizes, ainda extremamente apegados às sensações fisiológicas, unem-se, a corrente de forças emitida pelos encarnados presentes com os fluidos vigorosos dos colaboradores desencarnados em ação. Forma-se assim, verdadeira fonte de fluidos vitalizantes para uso nos irmãos necessitados.

Como ocorre em toda reunião mediúnica, esclarece Alexandre, nem todo médium presente está em condições de atender. Tal afirmação provoca reação de surpresa para André Luiz que julgava ser o médium uma “máquina” essencialmente.

André e nós, vamos colher preciosas lições que o instrutor Alexandre nos oferece ao afirmar que nos serviços mediúnicos preponderam os fatores morais, destacando a abnegação e a humildade como primeiros fatores na obtenção da comunicação com as regiões mais elevadas.

Alexandre também elucida que se o médium deve ser o responsável por acionar estes recursos interiores de si próprio, a espiritualidade amiga, num gesto de fraternidade entre mundos, cooperará, sem entregar de mão beijada, através de estímulos para a obtenção dos recursos de natureza exterior. São as forças humanas e espirituais conjugadas para a execução das tarefas a cumprir.

Alexandre, descreve então, o aparelho mediúnico a André Luiz sob um ponto de vista totalmente novo para todos nós que nos interessamos por este contagiante assunto da mediunidade, descrevendo a ação de um médium psicógrafo.

Logo de saída, informa-nos que há “processos intrincados e complexos” envolvidos na transmissão da mensagem psicográfica, revelando, no médium, verdadeiro laboratório de forças vibrantes. Essa transmissão não acontece no modo automático como muitos leigos possam pensar. Para o êxito da transmissão de mensagens conectadas com a edificação do homem na Terra, do medianeiro demanda-se esforço, boa vontade cooperação e propósito consistente.   

As células nervosas, necessárias aos processos da inteligência, receberam auxílio magnético, assim como todo sistema nervoso central e o coração recebem aportes energéticos. Também recebe especial atenção o nervo Vago, conectando o cérebro a diversos órgãos do pescoço, tórax e abdômen realiza, dentre outras, funções de controle cardíaco e respiratório.

Como podemos observar, conforme a leitura do capítulo avança, não há improviso para o estado receptivo ou na sintonia do médium. Que não nos iludamos a esse respeito. Diferente do que se pensava algum tempo atrás, não basta a preparação isolada feita pelo médium no dia específico da reunião. Realmente não basta. Quem assim ainda pensa esta defasado na compreensão do verdadeiro significado desta faculdade que devemos honrar, oferecendo nossas melhores capacidades.   

André Luiz, pelo auxílio magnético de seu instrutor, amplia sobremaneira sua capacidade visual para além do Raio X, como ele próprio refere. Detendo sua observação mais aguçada no cérebro do medianeiro a sustentar a luz mental, André destaca as partes do cérebro com suas células (neurônios) e fibras nervosas a conduzirem energias imponderáveis e vigorosas por todo o organismo humano.  

Todo o sistema endócrino (glândulas endócrinas), continua André, funcionavam como perfeitas oficinas elétricas, tendo em destaque a glândula Pineal, que localizada no centro do cérebro, emitia raios azulados e intensos. Esta glândula, também conhecida como Epífise, desempenha função muito importante no exercício de qualquer modalidade mediúnica, além de ser conhecida por produzir e secretar a melatonina, um hormônio regulado pela ausência e presença de luz que controla o ritmo circadiano (ciclo de sono e vigília)

A literatura espírita de André Luiz, através do médium Chico Xavier, é pioneira na informação de tão importantes notícias desta que é considerada a glândula da vida mental do homem. Figuradamente, comparar-se-ia a Pineal a uma antena psíquica, que quando em equilíbrio, poderá intensificar o poder de emissão e recepção de raios de natureza espiritual que provém da mente humana.

Percebemos assim, caro amigo(a) leitor(a) deste blog que o transe mediúnico é complexo e intrincado em sua execução e que na ação fraterna e conjunta entre os habitantes dos dois mundos, através da sintonia, da disciplina mental e da cooperação de todos, reside o êxito. Portanto, agora como encarnados, façamos nossa parte.

 

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(12) Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 54ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 480p.

(2) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco      Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

 

Ante os tempos novos

(Estudo do livro Missionários da Luz - Prefácio)

 

Enquanto o velho continente europeu experimentava, junto ao resto do mundo, os estertores da Segunda Guerra Mundial, Emmanuel, sobre a tutela de grandes sábios da humanidade, assinava, no dia 13 de maio de 1945, o prefácio do livro Missionários da Luz, denominado Ante os Tempos Novos.

Em todas as obras do espírito André Luiz da conhecida série – A Vida no Mundo Espiritual – os prefácios são assinados por Emmanuel. Verdadeiras fontes de puro aprendizado para o espírito sequioso de saber espiritua.

É um convite ao estudo demorado e à reflexão.

Iniciando os estudos do livro Missionários da Luz, no Grupo Espírita da Fraternidade, na cidade de Araçatuba, casa que frequentamos desde o ano de 1980, objetivamos apresentar uma síntese despretensiosa pelas nossas naturais limitações, desta que, reputo como uma das mais ricas obras da referida série de André Luiz.

Rica, principalmente, a meu ver, pelos dois assuntos que aborda com profundidade e clareza, quais sejam, a mediunidade e a reencarnação.

Já no prefácio, encontramos um chamamento de Emmanuel aos “servidores fiéis da verdade e do bem” para, primeiro de tudo, viverem em si próprios estes novos ares que o Espiritismo como, “movimento libertador de consciências e corações”, além da sua característica indelével de doutrina consoladora, a fim de que a obra do Cristo, encontre em nós muito mais que apenas repetidores das palavras e ensinamentos brilhantes.

Assim, com todo respeito e humildade possível, que em nós, ainda longe se encontram de se estabelecerem como conquista definitivas, fazemos coro com Emmanuel:

- ante os tempos novos em que um anseio coletivo dos espíritos humanos clama pelos novos tempos e por ares de renovação que não parecem tardar, pois já retumbam presentes, o panorama se apresenta perturbador;

- ante os tempos novos, movidos por um esforço inaudito, a espiritualidade benfeitora, responsável pelos destinos do orbe terrestre, coordena todo um trabalho de aporte gradativo das realidades espirituais concernentes às capacidades de recepção do espírito humano na Terra, a qual, infelizmente, se encontra bem precária e anda distante;

- ante os tempos novos, milenarmente acostumados com as promessas da conquista fácil das benesses celestiais, nos moldamos ao hábito do menor esforço e quando defrontados com informações espirituais que para a conquista da paz e dos valores imortais, nos compete “suar e lutar, esforçar-se e aprimorar-se por alcançá-los, bracejando no imenso mar das experiências”, nos surpreendemos admirados;

- ante os tempos novos, imersos ainda na ilusão do individualismo material, acreditando que nossa vida possa ser regida por um conjunto de leis físicas e orgânicas aleatórias a distribuir, insensatamente, méritos e prêmios, dor e sofrimento, quando:

“os emissários do plano superior revelam alguns ângulos da vida espiritual, falando-lhes do trabalho, do esforço próprio, da responsabilidade pessoal, da luta edificante, do estudo necessário, do auto-aperfeiçoamento, não ocultam a desagradável impressão”;

- ante os tempos novos, que nos informam que nas regiões espirituais vizinhas, as mesmas que nos interessam conhecer e nos aguardam logo mais, após a desencarnação, se desdobrarão como:

“uma oficina incansável, onde o trabalhador não se elevará pela mão beijada do protecionismo e sim à custa de si mesmo, para que deva à própria consciência a vitória ou a derrota;”

- ante os tempos novos, o homem da fé e o homem do conhecimento, encarnados e desencarnados, hão de darem-se as mãos para avançarem juntos com “a gloriosa missão de preparar a nova era;”

- ante os tempos novos: “Urge socorrer a Religião, sepultada nos arquivos teológicos dos templos de pedra, e amparar a Ciência, transformada em gênio satânico da destruição;”

- ante os tempos novos, que se preparem, antes de tudo, os que são chamados a cooperar, procurando viver em si mesmo as verdades que apregoam, contribuindo para a edificação do Reino do Céu na Terra;  

- ante os tempos novos, cabe ao Espiritismo grandiosa e abençoada tarefa. Além de o consolador prometido por Jesus, é, sem dúvida, hoje na Terra, o maior movimento de força libertadora de consciências e de corações, obscurecidos e presos às amarras das inferioridades transitórias;

- ante os tempos novos, aprendamos em definitivo, que somente com o Jesus, das inesquecíveis lições e exemplos, nos elevaremos à glória imortal, plenamente confiantes que a vida nova, conforme a construímos aqui e agora, nos aguardará em novos e resplandecentes “campos de aperfeiçoamento e trabalho, de renovação e luta bendita, onde viverás muito mais, e mais intensamente.” 

 

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco      Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

 

Orientação espiritual

Neste artigo transcrevo uma bela mensagem, à guisa de uma orientação espiritual. Antecedendo o início da reunião mediúnica realizada dia 22 de setembro de 2026, no Grupo Espírita da Fraternidade, em Araçatuba, estudávamos, na oportunidade, preciosa lição do livro Mediunidade e Obsessão pelo espírito do Dr. Odilon Fernandes e psicografia de Carlos Baccelli. Considero que referido assunto é muito complexo e demanda muito estudo e observação.

Ao final da reunião, obtivemos uma singela comunicação de espírito amigo que nos brindou com valioso esclarecimento sobre as ações malfazejas de espíritos comprometidos com o mal e que provocam muitos desequilíbrios no seio da sociedade. Por ser de interesse de todos os companheiros que militam no dignificante trabalho da mediunidade, resolvemos transcrevê-lo para nosso aprendizado.

Assim, então, se pronunciou nosso irmão:

“Com humildade e simplicidade eu venho procurar esclarecer alguns questionamentos que os irmãos muitas vezes fazem diante das circunstâncias da vida, da maldade que campeia sobre a Terra.

Porque Deus permite aos espíritos ainda distantes da luz do esclarecimento cristão, realizarem tantas atrocidades, tantas perversidades?

Muitas vezes nos questionamos.

E meus irmãos, de forma muito resumida, simplesmente entendemos que se destina ao atraso da evolução humana, para atrasar o progresso que é certo, e que eles, espíritos transitoriamente esquecidos da lei Divina, sabem que é certo.

Mas, a intenção é atrasar, é confundir as mentes, confundir o tempo todo, mesmo os irmãos mais bem intencionados e preparados, colocando dúvidas em suas cabeças.

Quantos são os Espíritos que nascem a todo instante com o propósito de se redimirem, repararem o mal com o desejo no bem, porém, diante dos convites sedutores das entidades fascinadoras, diante das atrocidades da vida, diante da maldade humana, se perdem no caminho.

Alguns estacionam, não avançam, outros repisam erros, no sentido de tornarem a praticar o mal que anda latente no seu espírito.

Esse é o sentido do mal.

E assim como muitas vezes nos reunimos em oração para vibrarmos a paz, o amor e a caridade, e essa energia é capaz de auxiliar a muitos que necessitam desse fluido, assim também, a vibração da raiva do ódio, do vício, alimentam muitos irmãos invigilantes.

Então, o remédio para todos nós é conhecer o Cristo. O Cristo é o caminho, a verdade e a vida que nos fará avançar. Ele nos mostrará a direção e que não percamos tempo alimentando sentimentos fúteis, sentimentos negativos, que não sejamos vítimas desses irmãos ainda nessa condição de enganadores.

Que avancemos e levemos o Cristo a todos aqueles, às crianças, aos jovens, aos moços, aos adultos e aos velhos.

É a vida do Cristo, o evangelho vivo e sagrado. É ele que nos fará avançar.

Que o sangue derramado na cruz, possa sim, transformar a vida de cada um.

Que a Humanidade possa encontrar a luz para que não nos percamos no caminho e que lutemos contra nós mesmos, contra os nossos sentimentos enfermos, os nossos vícios, as nossas angústias e a nossa ira.

E que nos fortaleçamos na palavra e no amor de Deus na promessa, na sagrada promessa, pois somos filhos de Deus.

Agradeço a oportunidade, o momento compartilhado, a presença de todos vocês e que a luz bendita do Cristo nos ilumine hoje e sempre.

Graças a Deus. Boa noite.

 

Referências

(1) Odilon Fernandes. Mediunidade e Obsessão. Psicografia de Carlos A. Baccelli.  1ª edição. Votuporanga. Casa Editora Espírita “Pierre Paul-Didier. 103p, 1996.

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