Como reconhecer um povo civilizado.
Eminentemente
perfectivel, há no espirito humano permanente inquietação, um anseio incontido
de buscar novos horizontes, de superar limitações. Algo como um impulso do
Criador estimulando a criatura a seguir adiante, rumo à sua gloriosa
destinação.
Cumpre-se
nessa eterna procura a Lei do Progresso, lei Divina magistralmente estudada por
Allan Kardec na terceira parte de O Livro dos Espíritos.
Questionado
se a civilização representa um progresso para a Humanidade, os espíritos
superiores responderam, à questão 790 de O Livro dos Espíritos, que se
trata de um progresso sim, porém incompleto. Ou seja, pelo prisma do
entendimento atual do que seja civilização, apenas ela não bastará para estabelecer
o progresso da Humanidade.
Como
se vê, há que se apurar, aperfeiçoar a civilização, de modo a fazer que
desapareçam os males que haja produzido, e isso somente ocorrerá quando o moral
estiver tão desenvolvido quanto a inteligência.
Afirmar
que alguém é civilizado, remete-se à pessoa bem-educada, que cultiva boas
maneiras e é socialmente integrado ao que se pode considerar como normal no
convencionalismo estabelecido para determinado período da sociedade.
Vejamos
o conceito que a espiritualidade nos apresenta à questão 793 da obra básica
primeira da codificação:
Por que indícios se pode reconhecer uma
civilização completa?
R. “Reconhecê-la-eis pelo
desenvolvimento moral. Credes que estais muito adiantados, porque tendes
feito grandes descobertas e obtido maravilhosas invenções; porque vos alojais e
vestis melhor do que os selvagens. Todavia, não tereis verdadeiramente o
direito de dizer-vos civilizados, senão quando de vossa sociedade houverdes
banido os vícios que a desonram e quando viverdes como irmãos, praticando a
caridade cristã. Até então, sereis apenas povos esclarecidos, que hão
percorrido a primeira fase da civilização.”
A civilização é, portanto, um
processo.
Processo
sem volta, que visa tornar a sociedade, cada vez maior e mais complexa, melhor.
Nesse
estado que podemos considerar uma civilização incompleta, embora como um estado
transitório, ela é capaz de grandes avanços, assim como, produzir grandes
males.
Somente
com o progresso moral, poderá a humanidade inteirar-se de seu status de
completa civilidade, fazendo cessar os males que gerou.
Conheçamos
as características de uma sociedade que demonstra flagrante processo de
civilização em suas bases:
- aquela onde exista menos egoísmo, menos cobiça e menos
orgulho;
- onde
os hábitos sejam mais intelectuais e morais do que materiais;
- onde
a inteligência possa se desenvolver com maior liberdade;
- onde
haja mais bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíprocas;
- onde
menos enraizados se mostrem os preconceitos de casta e de nascimento, por isso
que tais preconceitos são incompatíveis com o verdadeiro amor do próximo;
- onde
as leis nenhum privilégio consagrem e sejam as mesmas, assim para o último,
como para o primeiro;
- onde
com menos parcialidade se exerça a justiça;
- onde
o fraco encontre sempre amparo contra o forte;
- onde
a vida do homem, suas crenças e opiniões sejam melhormente respeitadas;
- onde
exista menor número de desgraçados;
-
enfim, onde todo homem de boa vontade esteja certo de lhe não faltar o
necessário.
Querido leitor, quão distante
estamos de preencher os requisitos desta lista?
É
necessário que nos compenetremos que a Humanidade progride, por meio dos
indivíduos que pouco a pouco se melhoram e instruem. Quando estes preponderam
pelo número, tornarão líderes e arrastarão muitos.
É por
isso que Jesus na missão de implantar o Reino de Deus no coração do homem, serviu
e ensinou até o derradeiro sacrifício, exaltando a importância da
individualidade, no aperfeiçoamento comum. O homem modificado, modifica a
sociedade.
Espíritos
puros e perfeitos, verdadeiros prepostos do Criador, com largas
responsabilidades que envolvem o progresso de imensas coletividades, orientam-nas
em experiências compatíveis com suas necessidades evolutivas.
Na Revista
Espírita de Janeiro de 1863, Um Espírito Protetor, traz-nos luz sobre este
aspecto:
“Em certas épocas, e podemos
dizer em momentos previstos, designados, surge um homem que abre um caminho
novo, que escarpa os rochedos áridos de que se acha semeado o mundo conhecido
da inteligência. Arma-se de coragem, pois esta lhe é necessária para lutar
corpo-a-corpo contra os preconceitos, contra os usos que lhe foram
transmitidos. (...) Chegado a este ponto, em que a luz escapa bastante forte do
círculo do qual é o centro, todos os olhares se voltam para ele; ele assimila
todo o princípio inteligente e bom; reforma e regenera o princípio contrário, a
despeito dos prejuízos, apesar da má-fé e malgrado as necessidades; chega ao
seu objetivo, faz a Humanidade transpor um grau e conhecer o que não era
conhecido.”
São os
gênios na Humanidade. Gênios da espiritualidade.
Fazemos
aqui um destaque para a justiça da reencarnação que é amplamente
realçada pelo progresso dos povos. Por ela, todos, indistintamente, possuem
igual direito à felicidade, porque ninguém fica privado do progresso. Os
espíritos que viveram em tempos primitivos de civilização, podem regressar no
seio do mesmo povo, ou de outro, em tempos de maior modernidade, tirando
proveito da marcha ascensional.
Outras
crenças que defendem o sistema da unicidade da existência, apresentam neste
tema, extrema dificuldade de explicar como se pode verificar o progresso dos
povos ao longo dos séculos.
Segundo
nos ensina o Espiritismo, das conquistas atuais, os espíritos que compuseram as
gerações passadas, são beneficiados pelas melhores condições do planeta e podem
assim aperfeiçoar-se no foco da civilização.
Daí
fundamental que trabalhemos hoje com muita responsabilidade e afinco para
construirmos uma sociedade e um mundo mais justo e melhor em todos os aspectos.
Ele, o
planeta Terra, será no futuro, como espíritos reencarnados, nossa moradia
novamente, e, a menos que muito nos dediquemos e lutemos para sua melhora, será
grande a chance de encontrarmos a casa em ruína e termos que recomeçar tudo de
novo.
(*) Todos os grifos são nossos
Referências
(2) Kardec, Allan. Revista
Espírita. Lei do Progresso. Janeiro de 1863. 4ª ed. Brasília. Editora FEB, 2004. 519p.