O Dimas que reside em nós.
A cura de dez leprosos:
Prosseguindo no seu caminho para Jerusalém, chegaram aos limites
da Galileia com Samaria. Quando entraram numa aldeia, dez leprosos pararam
à distância, bradando: “Jesus, Mestre, tem misericórdia
de nós!” Olhando para eles, Jesus disse: “Ide e mostrar-vos aos sacerdotes.
Enquanto iam a caminho, constataram que a lepra desaparecera. Um deles
voltou a procurar Jesus e, lançando-se diante de Jesus com o rosto em
terra, dava em alta voz glória a Deus e agradecia o que lhe tinha feito. Este
homem era samaritano. Então Jesus perguntou: “Não eram dez os homens que
curei? Onde estão os outros nove? Só este estrangeiro é
que volta para dar glória a Deus?” E disse ao homem: “Levanta-te, podes
ir. A tua fé te salvou!”
Este conhecido relato consta no
capítulo 17, versículos 11 a 19 do evangelho de Lucas.
A Hanseníase – naquela época
conhecida como lepra – era vista como uma doença física e principalmente como
um sinal de impureza espiritual. Representando isolamento e vergonha, provocava
a marginalização e afastamento do doente da sociedade, obrigando-o a residir,
em geral, em cavernas afastadas da cidade, distante de suas famílias e
comunidades.
Notem que o leproso sofria física e
emocionalmente, sendo a morte social estando ainda vivo.
Recentemente, o médium Carlos
Baccelli, publicou uma obra, na qual, Dimas o leproso Samaritano (título
do livro) à convite do Irmão José e do Dr. Inácio Ferreira, registra por suas
próprias palavras, um momento fundamental de sua trajetória evolutiva.
Neste livro emocionante, através da
mediunidade do Baccelli, somos brindados com sublimes informações. Filho único
de família muito pobre, cedo tornou-se órfão, tendo que, desde os treze anos de
idade, trabalhar com a terra e vender produtos para sobreviver.
Ainda criança, aprendera com seu
pai sobre a vinda de um homem à Terra para libertar os judeus e que reinaria
sobre o mundo inteiro. Mais tarde, adulto, recebeu informações sobre a
“transmigração” da alma, conhecida na época pelos judeus como ressurreição e
pelos gregos como palingenesia. Demonstrou vivo interesse pelo assunto,
afirmando ser muito lógico, pois consagrava a ideia da imortalidade.
Casou e teve dois filhos e para
sustentar a família abriu uma singela carpintaria tendo como auxiliar, por um
tempo, um jovem chamado João, que mais tarde recebeu a incumbência de batizar
Jesus nas águas do rio Jordão.
Quando mais tarde, percebeu em seu
corpo os primeiros sinas da doença, foi aconselhado a afastar-se de sua esposa
e dos dois filhos, o que lhe fez sangrar o coração em sofrimento.
Após a confirmação de ter contraído
lepra, Dimas se afasta ainda mais dos seus e conhece um grupo de homens que
também doentes, passam a conviver em afastada caverna, conhecida como a dos Dez
leprosos. Sempre falando sobre a “transmigração” com seus companheiros de
infortúnio, alegava que a alma ou a essência que animava o corpo devia vir ao
mundo sucessivas vezes em resgate do passado. Acreditava firmemente, e isso o
consolava, tornando-se, ao contrário dos demais doentes, que acreditavam estar
sobre o mundo à mercê da morte e do azar de terem nascido, Dimas era uma
criatura resignada à sua condição de enfermo.
Nos dias que se seguiram, Dimas
conhece Joana de Cusa que passaria a ser benfeitora do grupo de leprosos a que
pertencia. Algum tempo depois, será Joana, quem apresentará ao infortunado
leproso, Maria, mãe de Jesus.
Certa tarde, acompanhando a
pregação de um homem que a todos magnetizava com sua palavra, conhece André e o
irmão Pedro, futuro discípulos de Jesus, os quais na oportunidade, seguiam João
o Batista. E Pedro revela a Dimas:
“Eu sou Pedro, irmão de André, filhos de Bar-Jonas. João me pediu
para lhe dizer que a vossa cura chegará, mas que ainda não hoje...Tende
paciência.”
Segundo consta na obra referida, Dimas vê Jesus pela primeira vez
quando Ele realiza o sermão das Bem-aventuranças. Ao contemplá-lo, Dimas diz:
“Uma figura que parecia condensar em torno de si todos os raios do
Sol; Jesus, do cume do Monte, abriu os braços fazendo com que a emoção tomasse
conta de todos os presentes pacificando a multidão de mais de cinco mil
pessoas. Com este simples gesto, a tempestade das dores que explodiam naquele
oceano humano se fez calmaria, e muitos se entregaram a incontidas lágrimas”
(....) Ali, existia algo diferente – comparou Dimas, lembrando-se de João – aquele
homem, Jesus, não podia ser da Terra e não podia ser igual aos outros homens”
O episódio da cura dos leprosos é muito significativo e contou com
o auxílio direto de Joana de Cusa e Pedro, o discípulo, que ao informar por
onde Jesus passaria naquela dia, orientou-os o local em que deveriam se posicionar
para vÊ-lo e acrescentou:
“Se vós tiverdes que ser curados, bastar-vos-á que o toquem, ou
que estejam em posição que Ele vos consiga tocar. Às vezes, o toque nem é
necessário, basta que Ele vos olhe...Ultimamente, por desconfiarmos sejam as
últimas curas que Ele esta fazendo, quase todos ficam curados, ou obtém
melhoras significativas, se tocados até pela sua sombra, quando passa....”
Atendendo a Pedro, os dez leprosos aguardaram e quando Jesus por ali
passou, Maria, sua mãe apontou para o grupo e disse:
“Meu filho, ei-los.”
Jesus aproximou-se e disse somente:
“Ide e mostrai-vos aos sacerdotes.”
Todos os dez, ainda com as feridas
no corpo, atordoados, saem à procura de uma sinagoga para atenderem à lei de
Moisés (Levítico 14:2-32) que mandava os doentes curados se mostrarem ao sacerdote
para que confirmasse a cura e o curado pudesse ser reintegrado à sociedade. Ao
se aproximarem da sinagoga, todos os dez, se perceberam curados sem mais
nenhuma lesão. Alguns dias após esta passagem evangélica, registrada somente
por Lucas que deve tê-la conhecido através de Maria ou João o Evangelista,
Dimas vai ao encontro do Mestre para agradecer.
Convidamos à leitura da obra que nos
oferece tantas preciosas lições para nossas reflexões, narrando a vida deste importante personagem que muito
tem a nos ensinar.
Todos temos nossa “lepra” que,
invariavelmente, nos conduzirá a Jesus. Será que se não fôssemos enfermos
estaríamos procurando por Ele?
Bendita seja a doença que, cedo ou
tarde, deve nos levar aos pés do Senhor.
(**) Todos os grifos são meus.
Referência
(1) Irmão José; Ferreira, Inácio. Dimas
o leproso samaritano. Psicografado por Carlos A.
Baccelli. 1ª ed. Uberaba. LEEPP Editora, 2025. 428p.