Entrevista
com Chico Xavier - I
Garimpando
alguns livros em que ficaram registradas inesquecíveis entrevistas com o notável
médium Chico Xavier, realizadas pelos jornais e revistas da época, selecionamos
alguns assuntos, dos muitos que este divino amigo, por si mesmo ou inspirados
por elevados benfeitores espirituais, nos legou. Estamos precisando,
urgentemente, resgatar em nossos corações estas belas lições que nos clareiam
os caminhos.
Convidamos a todos para leitura atenta das resposta de Chico Xavier, pois representa para nós, beber direto na fonte viva do conhecimento espiritual.
OS TRÊS ASPECTOS ESPIRITISMO
P – Dos três aspectos do
Espiritismo – o Religioso, o Científico e o Filosófico, qual o mais importante,
no seu modo de entender? Por que?
CX – Temos aprendido com os
benfeitores da Vida Maior que todos os três aspectos do Espiritismo são
essencialmente importantes, entretanto, o religioso é o mais expressivo por
atribuir-nos mais amplas responsabilidades de ordem moral, no trato com a vida.
Nosso Emmanuel costuma dizer
que poderíamos figurar, por exemplo, a Ciência como sendo a verdade, a Religião
como sendo a vida e a Filosofia como sendo a indagação da criatura humana entre
a verdade e a vida.
Sem desejarmos criar uma
situação favorável a nós outros, os espíritas evangélicos, a Religião é sempre
mais importante, porque a verdade é uma luz a que todos chegaremos; a indagação
é um processo no qual todos participamos; mas a vida não deve ser sacrificada
nunca e a Religião assegura a vida, assegurando a ordem da vida.
As religiões estabelecem a
harmonia interior da criatura humana; é a Religião que nos impele à conduta
certa e nos aponta o caminho mais certo para a harmonia de todos nós, uns com
os outros.
Por isso mesmo, a Religião é
mais importante porque com a luz da Religião, a Ciência poderá trabalhar em
paz, de vez que a Ciência precisa de Paz para trabalhar e a Filosofia poderá
indagar em paz, porquanto precisa pesquisar com tranquilidade e, sem religião,
em nosso espírito, seja ela qual for, sem uma fé na existência de Deus, sem que
nosso pensamento se volte para a grandeza da vida, para a imortalidade da alma,
– para os diversos aspectos em que a Divindade se manifesta para nós outros, –
nós, naturalmente, cairíamos na desordem psíquica, estabeleceríamos o caos em
nós e fora de nós, porque não saberíamos governar nos.
Reconheçamos semelhante mérito
da Ciência que nas descobre as deficiências, com a indagação filosófica, mas,
de qualquer maneira, é a Religião que nos garante a vida espiritual devidamente
organizada na Terra, principalmente a vida social e a vida familiar.
MEDIUNIDADE COM JESUS
P – Como entende você a
mediunidade com Jesus?
CX – Para mim, e digo isso
apenas com respeito à minha pobre e apagada pessoa, mediunidade espírita com
Jesus tem sido um processo de iluminação, pelo qual, quanto mais os Bons
Espíritos escrevem e se comunicam por meu intermédio, mais evidentes se tornam
os meus defeitos e inferioridades, não só perante os outros como também diante
de mim mesmo. Compreendo, desse modo, que mediunidade com Jesus para mim tem
sido um encontro progressivo e constante comigo mesmo, em que a luz dos Amigos
Espirituais me mostra, sem violência, quanto preciso ainda aprender e trabalhar
para melhorar-me.
INSATISFAÇÃO DO MUNDO ATUAL
P – O que os espíritos têm
dito a respeito da insatisfação do mundo de hoje?
R – Os nossos guias
espirituais traduzem a nossa insatisfação, no mundo inteiro, como sendo a ausência
de Jesus Cristo em nossos Corações. Quando nos adaptarmos em definitivo ao
espírito da doutrina para a vivência cristã, em nossas relações mútuas, toda
insatisfação desaparecerá, porque estabelecida a paz em nossa consciência com o
nosso dever cumprido, as próprias doenças naturalmente recuarão, pois muitas
delas são simples consequências de nossos desajustes espirituais, em
decorrência de nosso afastamento de Cristo, como luz divina para os nossos
corações. Estamos nos referindo não só ao Espiritismo Evangélico, mas a todo o
Cristianismo, a todas as escolas cristãs. Os cristãos têm necessidade nessa
união em torno da verdade. Nós precisamos de Cristo.
P – O que diria sobre o grande
número de obsessões?
R – Consideramos ainda o caso
da insatisfação. Nós perdemos o contato com Cristo, que é a Luz Divina para a
nossa consciência e, de imediato, criamos tomadas/sintonia para o domínio das
sombras.
Aí, a obsessão pode surgir.
Surgir com os traumas psicológicos, com as doenças mentais que estão
devidamente catalogadas pela medicina para tratamento adequado. Mas, creio que
se nós nos ajustarmos aos princípios evangélicos respeitando-nos mutuamente, cada
qual no seu setor, com o cumprimento dos nossos deveres, a obsessão também
diminuirá, caminhando para o desaparecimento completo.
OS TEMPOS ESTÃO CHEGADOS
P – Os espíritas dizem sobre a
transição de nosso planeta: "Os tempos estão chegados". O que diria
Chico Xavier a esse respeito? R – Sim, chegados para um maior conhecimento da
verdade, com o patrocínio da Ciência. Cada um de nós, no entanto tem sofrido
impactos muito grandes dessas mesmas verdades, por falta de Cristo em nosso
coração, e nós não estamos sabendo aliar o coração ao cérebro. Temos uma
inteligência talvez excessivamente cientifista, mas o coração um tanto quanto
retardado. Precisamos desalojar o ódio, a inveja, o ciúme, a discórdia de nós
mesmos, para que possamos chegar à uma solução em matéria de paz, de modo a
sentirmos que “os tempos estão chegados”, para a felicidade humana.
OS SUICIDAS
P – Na sua vida mediúnica,
Chico Xavier, conheceu amigos suicidas reencarnados?
R – Alguns. Tive tempo
suficiente para observar alguns casos e posso dizer que todos aqueles que vi
reencarnados, depois do atentado contra eles mesmos, traziam consigo os sinais,
os reflexos da leviandade que haviam perpetrado. Contudo, devemos respeitar os
suicidas como criaturas extremamente sofredoras que, muitas vezes, perderam o
controle das próprias emoções, raiando para o desrespeito a si próprios. Os
resultados do suicídio acabam sempre impressos naqueles que o perpetram; desse
modo, a dois companheiros que se suicidaram com bala no ouvido – e que revi, no
espaço, depois de 10 anos – vi-os reencarnados na condição de crianças
retardadas num estado de extrema idiotia.
Outro companheiro que se
suicidou, com o veneno, renasceu como uma criança que trazia já o câncer na
garganta, tendo desencarnado pouco tempo depois.
Os espíritos me explicaram que
muitas vezes, o suicida, em se reencarnando como que destrói os tecidos do novo
corpo; a desencarnação, ou a morte propriamente considerada, ocorre logo depois
do nascimento ou algum tempo depois.
Ai; então, o espírito estará
em condições de aprender quanto vale a vida; deseja viver, mas não consegue,
conseguindo, enfim, depois de grande esforço.
SUICIDIO E SOFRIMENTO
P – Aproveitando a
oportunidade de seu profundo conhecimento da matéria, nós perguntamos: os
espíritos acham que os sofrimentos dos suicidas decorrem de um castigo e Deus?
R – Não. Não decorrem de um
castigo de Deus, porque Deus é a Misericórdia Infinita, a Justiça Perfeita.
Emmanuel sempre me explica assim como outros amigos espirituais, quando
atentamos contra o nosso corpo, na Terra, ferimos as estruturas do nosso corpo
espiritual. Infringimos a nós mesmos essas punições. Se malbaratamos o crânio
com um tiro, estamos destruindo determinados recursos do nosso cérebro
espiritual; se nos envenenamos, perturbamos determinados centros de nossa alma;
se nos projetamos de grande altura, estamos, também, perturbando os ligamentos,
as estruturas, as conexões de nosso corpo espiritual e permanecemos no além com
os resultados do suicídio para depois, ao reencarnarmos na Terra, trazermos as consequências
em nosso próprio corpo.
AS MORTES SÚBITAS
P – Como os espíritos encaram
o problema das mortes repentinas para uns, e das mortes precedidas de duros
sofrimentos para outros?
R – Os amigos espirituais têm
me ensinado que no mundo espiritual, todos os nossos amigos se esmeram para que
tenhamos, na Terra, o máximo de tempo no corpo. Há casos em que as longas
moléstias são abençoadas preparações do nosso espírito para a vida maior. As
mortes repentinas, as desencarnações improvisadas, quase sempre são provações
e, às vezes, ocorrências inevitáveis no mapa de trabalho trazido pelo espírito,
ao reencarnar.
Mas, estejamos convencidos de
que as longas moléstias são abençoados cursos preparatórios para que nos
libertemos de muitos caprichos e muitos hábitos que pertencem à vida física,
mas sem significação na vida maior.
Continua no próximo artigo.