segunda-feira, 2 de março de 2026

 

Suicídio no mundo espiritual *

           

Normalmente a leitura do título deste artigo provoca muito desconforto e descrença, quando não, desconhecimento de que tal possa ocorrer.

Sim caros leitores, no além os chamados “mortos” também se suicidam.

Aprendemos nas obras básicas da Doutrina com Kardec e também em Chico Xavier, principalmente nas obras de André Luiz, que a desencarnação não promove mudança significativa nos espíritos a não ser, é claro, a perda do corpo físico grosseiro com a consequente mudança de plano vibratório.

No mais, quase nada se altera.

Na Terra, os transtornos mentais (depressão, bipolaridade, esquizofrenia) e contextos sociais e econômicos estão entre as principais causas do suicídio. Normalmente, o espírito que comete suicídio aporta na dimensão espiritual vizinha com muitos problemas.

Estes problemas, se não tratados convenientemente podem sim ser causa do suicídio no mundo espiritual.

Para melhor entendermos esse assunto que, a princípio, pode ser polêmico e motivo de muito debate entre os estudiosos das lições espirituais, temos que partir do contexto legítimo que as dimensões espirituais adjacentes à crosta terrestre também são constituídas de matéria muito semelhante à que estamos acostumados aqui na Terra. Recordemos a questão 22 de O Livro dos Espíritos que nos esclarece que existem estados da matéria que são tão sutis e invisíveis ao olhar e à percepção humana, que é como se não existissem, porém existem e continuam sendo matéria.

Também do livro Nosso Lar, relembramos no capítulo 37, a preleção da ministra Veneranda, espírito de alta gabarito espiritual, em que, dissertando sobre o pensamento, interroga sobre a surpresa que muitos habitantes da esfera espiritual demonstram ao encontrarem no nova dimensão formas análogas às do planeta tais  como habitação, utensílios e até a linguagem terrestre, ou seja, diferente do que muitos pensam, após a desencarnação, continuaremos a utilizar a palavra articulada e residiremos em domicílios com os mesmos utensílios que adornam nossos lares aqui na Terra, quer queiram ou não os mais ortodoxos que não aceitam estas realidades.     

Somando todo o contexto acima descrito que os ensinamentos claros da codificação, bem como da complementação dos ensinos exarados nas obras de Chico Xavier nos certificam, entendemos que o fenômeno da morte além de não alterar a materialidade, de forma substancial, do que nos cercará na pátria espiritual, também não altera a essência do que somos e nem modifica nossas virtudes e vícios.

Quer dizer, as causas que levam uma pessoa a cometer o suicídio aqui na Terra, podem perfeitamente estar presentes no espírito desencarnado.

No além, os irmãos que apresentam transtornos psíquicos, como os daqui da Terra, também recebem devido tratamento, porém, lá como aqui, as causas profundas destas distonias pertencem ao espírito imortal e que, embora possam receber auxílio medicamentoso, reconhecemos que não será indo à farmácia que encontraremos a cura do nosso mal interior. A medicação auxilia, porém o que cura em sua raiz é o Evangelho aplicado de Jesus.

Encontramos na leitura do livro O Último Ceitil, do espirito Dr, Inácio Ferreira, pela psicografia de Carlos Baccelli, o relato de um espírito que tendo desencarnado na Terra pelas garras do suicídio, continuava no além padecendo do mesmo mal e intencionava repetir o erro. É o Dr. Inácio, reconhecido médico psiquiatra que laborou por mais de 50 anos como diretor e médico do Sanatório espírita da cidade de Uberaba, que nos traz importante conhecimento:

“O caso de Cláudio, realmente, era grave, porque ele poderia, sim, tornar a matar-se! O corpo espiritual na esfera que nos situamos, é suscetível de uma segunda morte. Episódios de suicídio costumam se repetir por aqui, principalmente, quando os que cometeram suicídio na Terra não se encontram impossibilitados de fazê-lo outra vez.” 

Tal ato, se executado, arrojaria este espírito a se precipitar profundamente em complexo estado psíquico de desequilíbrio muito difícil de ser revertido, quase como a desabar num abismo sem fim...

O caso descrito por Dr. Inácio Ferreira é de um espírito desencarnado que se encontrava consciente na vida espiritual. Revela-nos o eminente psiquiatra, que:

suicídios nas regiões espirituais inferiores são ainda mais frequentes e somente não se perpetuam porque o instinto de conservação acaba por se impor a inclinação sistemática de alto destruição.”

Em outras palavras, a deliberação de provocar a própria morte pelo Espírito pode, sem que ele perceba, tornar-se um hábito.

Casos assim demonstram que o espírito manifesta uma prevalência quase absoluta de atitude baseada no subconsciente evitando de viver o presente e nem pensar no futuro.  Calderaro, instrutor de André Luiz no livro No Mundo Maior em estudo que faz sobre o cérebro - capítulo 3, A casa mental - aponta que o nosso subconsciente simbolizando o porão da individualidade, nosso cérebro inicial, repositório dos movimentos instintivos é a zona da impulsividade manejada pelos instintos.

Sedimentando nossos conhecimentos, o instrutor Calderaro elucida:

“Importa reconhecer, porém, que a nossa mente aqui (mundo espiritual) age no organismo perispirítico, com poderes muito mais extensos, mercê da singular natureza e elasticidade da matéria que presentemente nos define a forma. Isto, contudo, em nossos círculos de ação, não nos evita as manifestações grosseiras, as quedas lastimáveis, as doenças complexas, porque a mente, o senhor do corpo, mesmo aqui, é acessível ao vício, ao relaxamento e às paixões arruinantes.”

O parágrafo acima requer muita reflexão. Na mente doentia e desequilibrada, o perispírito está sujeito às quedas e doenças complexas, afirma o instrutor. Que doenças podem ser essas? Não estão aí inclusas as de ordem psíquicas? As depressões, os transtornos, as profundas carências afetivas? O que você acha?

Por que, como agentes deflagradores do suicídio aqui na Terra, estes mesmos fatores, muitas vezes agindo sobre o ser desencarnado de maneira mais intensa no mundo espiritual, também não poderiam ser a origem das “quedas” a que se refere o instrutor e que dentre elas, estaria o suicídio?

Pensemos nestas questões.

Enquanto isso, compreendamos que uma das formas mais eficazes da terapêutica para estes casos é o regresso do espírito, pelas vias da reencarnação, ao mundo material. O esquecimento do passado nos possibilita reeducar os hábitos, ajustar e melhorar os pensamentos, estudar as más inclinações e procurarmos melhorar, enfim, ocupar nossa mente com novas e boas ideias. 

Concluindo, lembremos que a fonte de toda a saúde do corpo e da alma está no evangelho de Jesus Cristo. Ele é a vacina contra o mal que o espírito, desde o berço da sua jornada evolutiva, deveria tomar adquirindo indispensável imunidade de ordem espiritual.

Vamos nos vacinar?

 

(*) Prezado(a) amigo(a) e leitor(a) deste blog, concluímos com este post, a publicação de três artigos sobre o tema do suicídio. Falamos dos aspectos espirituais e sobre o suicídio indireto nos dois anteriores e esperamos que o assunto suicídio no mundo espiritual, hoje publicado, possa motivar a todos pela pesquisa e maior aprofundamento deste tema que a todos nos interessa.  

(**) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(2) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.

(3) Ferreira, Inácio. O último ceitil.     Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Votuporanga. Editora DIDIER, 2016. 430p.

(4) Luiz, André. No mundo maior. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 1ª ed. Brasília. Editora FEB, 1947. 253p.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

 

Suicídio indireto  

 

Na obra Vozes do Grande Além, em mensagem psicografada por Chico Xavier, o espírito Dias da Cruz nos esclarece sobre a ascendência da autoflagelação, na forma de nossas crises de revolta e desesperação, de maledicência e leviandade, de cólera ou crueldade. Essas tristes ocorrências fruto da nossa milenar imperfeição exterioriza correntes de enfermidade e de morte, provocando sobre nós próprios, verdadeira tempestade magnética que desorganiza nossa vestimenta física e perispiritual, mais particularmente, o mundo cerebral, em que essas vibrações desvairadas criam doenças neuropsíquicas, de difícil diagnose, quando então andamos pelos consultórios médicos sem encontrar as causas destas distonias.

Toda esta situação acima descrita, quase sempre nos conduz às trevas do suicídio indireto. Ou seja, vamos aos poucos nos infligindo sofrimentos que enfraquecem e fragilizam o carro físico, tornando-o mais vulneráveis à degradação e à morte.

Do livro Harmonização, Emmanuel, pelo lápis abençoado de Chico Xavier, afirma na mensagem “Problemas da morte”, que das milhares de criaturas que regressam à vida espiritual, raras atendem ao cumprimento das próprias obrigações; o que André Luiz, na obra Missionários da Luz, vai definir como completista, ou seja, raros irmãos que aproveitam todas as possibilidades construtivas que o corpo terrestre lhes oferece na existência física.”

E pasmem, Emmanuel, surpreende-nos ao afirmar que quase todas as criaturas deixam o corpo denso pelo suicídio indireto.”

Muitos se matam na Terra. Poucos morrem para que outros possam viver dignamente, pontua Emmanuel.

Na obra Nosso Lar no capítulo 4, denominado “O Médico Espiritual”, ao receber a informação que havia desencarnado pelo suicídio indireto, André Luiz se surpreende e rechaça a informação transmitida pelo Dr. Henrique de Luna após examiná-lo:

– É de lamentar que tenha vindo pelo suicídio.

E nosso amigo André Luiz responde se defendendo:

“Creio haja engano, meu regresso do mundo não teve essa causa. Lutei mais de quarenta dias, na Casa de Saúde, tentando vencer a morte. Sofri duas operações graves, devido a oclusão intestinal.”

Ao que o médico esclarece:

Sim, mas a oclusão radicava-se em causas profundas.

Vejamos bem a afirmação: “radicava-se em causas profundas”.

A argumentação de André Luiz foi, é e será a mesma que outros tantos milhões de espíritos devem sustentar quando aportam, com mínimo de lucidez, na pátria espiritual. Desconhecendo por completo as leis espirituais que regem o cosmo orgânico, restringem a análise aos parâmetros físicos da questão que, perpetuando vícios de ordem mental, não atinam para as causas outras que somente o conhecimento espiritual pode propiciar.

Para melhor entendimento, transcrevemos abaixo trecho em que o médico espiritual Henrique de Luna explica a André os aspectos reais que culminaram com sua desencarnação:

“Vejamos a zona intestinal – exclamou – A oclusão derivava de elementos cancerosos, e estes, por sua vez, de algumas leviandades do meu estimado irmão, no campo da sífilis.”

É flagrante, na afirmação acima, o ascendente das questões comportamentais sobre o binômio saúde/doença da criatura humana. Esta ascendência fica muito mais evidente na afirmação seguinte:  

A moléstia talvez não assumisse características tão graves, se o seu procedimento mental no planeta estivesse enquadrado nos princípios da fraternidade e da temperança. Entretanto, seu modo especial de conviver, muita vez exasperado e sombrio, captava destruidoras vibrações naqueles que o ouviam. Nunca imaginou que a cólera fosse manancial de forças negativas para nós mesmos? A ausência de autodomínio, a inadvertência no trato com os semelhantes, aos quais muitas vezes ofendeu sem refletir, conduziam-no frequentemente à esfera dos seres doentes e inferiores. Tal circunstância agravou, de muito, o seu estado físico. (...) Todo o aparelho gástrico foi destruído à custa de excessos de alimentação e bebidas alcoólicas, aparentemente sem importância. Devorou-lhe a sífilis energias essenciais. Como vê, o suicídio é incontestável.

Como visto, desperdiçamos mananciais de energia vital e espiritual em nossos hábitos corriqueiros, tomados à conta de situações naturais. Diariamente, milhões de criaturas desperdiçam energias valiosas em atritos e polêmicas que não atendem à Construção Divina em nós.

Quantas horas gastas em contendas que terminam pelo ódio destruidor? Quantos recursos preciosos desbaratados pelo espírito na discussão azeda, cujo ponto final pode ser a desencarnação prematura?

É o próprio André que, conscientizando-se de suas fraquezas, nos esclarece:

“Não poderia supor, noutro tempo, que me seriam pedidas contas de episódios simples, que costumava considerar como fatos sem maior significação. Conceituara, até ali, os erros humanos, segundo os preceitos da criminologia. Todo acontecimento insignificante, estranho aos códigos, entraria na relação de fenômenos naturais. Deparava-se-me, porém, agora, outro sistema de verificação das faltas cometidas.  

Todos haveremos de ter uma “causa mortis” que constará em nosso atestado de óbito devidamente assinado por um médico. Entretanto, a causa profunda e verdadeira muito poucas vezes será registrada, porque pertencerá tanto à avaliação mais cuidadosa, criteriosa e acima de tudo, justa, dos médicos e agentes de saúde da espiritualidade maior, quanto à nossa conscientização.

Assim como ocorreu a André Luiz, iremos nos deparar com outro sistema de verificação das faltas cometidas. Espero que não seja do lado de lá.

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Espíritos diversos. Vozes do Grande Além. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 6ª ed. Brasília. Editora FEB, 2024. 322p.

(2) Emmanuel. Harmonização. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Editora GEEM, 1990. 112 p.

(3) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

(4) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

 

Aspectos espirituais do Suicídio 

 

Dados estatísticos recentes apontam que, anualmente, 720 mil pessoas perecem pelo suicídio no Mundo, sendo 73% cometidos em países de baixa e média renda. Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é considerado a terceira principal causa de morte.

As pesquisas nesta área também apontam que para cada suicídio há muitas outras pessoas que tentam o suicídio e que uma tentativa de suicídio anterior é um importante fator de risco para o suicídio na população em geral.

Sem dúvida, estes são dados deveras preocupantes para as áreas de saúde que trabalham nestas difíceis situações.

Acreditamos que estes dados sejam subestimados, pois os próprios dados globais registrados pela OMS, que os consideram precários quanto à sua disponibilidade e qualidade, abrangem apenas cerca de 80 países (40%) dos 194 inscritos nesta organização. Argumentam que a subnotificação e a classificação incorreta sejam problemas maiores no caso do suicídio do que para a maioria das outras causas de morte.

Não resta dúvida que isto pode ser um forte empecilho quando o objetivo seja aumentar a conscientização sobre a importância do suicídio e das tentativas de suicídio a fim de torná-los de alta prioridade na agenda global de saúde pública. 

A religião, a moral e todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Todas nos dizem, em princípio, que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida.

A Bíblia menciona algumas pessoas que cometeram o auto extermínio: Abimeleque (Juízes 9:54); Sansão (Juízes 16:29-31); Saul e o escudeiro (1 Samuel 31:3-6); Aitofel (2 Samuel 17:23); Zinri (1 Reis 16:18) e o mais conhecido de todos, Judas o discípulo de Jesus (Mateus 27:5).

Belos ensinamentos encontramos na obra básica do Espiritismo, O Livro dos Espíritos. Na questão 944, Kardec questiona:

“Tem o homem o direito de dispor da sua vida?

R. “Não; só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário importa numa transgressão desta lei.”

 

Aprendemos nesta obra que os espíritos sensivelmente perturbados, apresentam uma sobre excitação cerebral, principalmente provocadas pelas decepções, pelos infortúnios e afeições contrariadas, constituindo-se nas causas mais frequentes de suicídio.

Falando sobre as consequências sofridas pelo espírito cuja desencarnação foi provocado pelo suicídio, os Espíritos da codificação, na questão 957 de O Livro dos Espíritos, nos esclarecem:

 Muito diversas são as consequências do suicídio. Não há penas determinadas e, em todos os casos, correspondem sempre às causas que o produziram. Há, porém, uma consequência a que o suicida não pode escapar; é o desapontamento. Alguns expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam.”

Outro aprendizado importante é que no espírito de alguns suicidas se produz uma espécie de repercussão que o Espírito, a seu mau grado, sente os efeitos da decomposição do corpo físico, donde lhe resulta uma sensação cheia de angústias e de horror, estado esse que pode perdurar pelo tempo que devia durar a vida que sofreu interrupção.

Exemplificando, se eu entendi bem, uma pessoa que deveria viver sobre a Terra, aproximadamente 70 anos e cometeu o suicídio aos 40 anos de vida, permanecerá neste estado perturbatório algo em torno de 30 anos.

Isto explica porque, quando comparecem às reuniões mediúnicas, dos espíritos que desencarnaram pelo suicídio, a maioria fica surpreendido, espantado e não acredita estar morto. Obstinadamente sustenta que não o está. No entanto, vê o seu próprio corpo, reconhece que esse corpo é seu, mas não compreende que se ache separado dele.

Fruto de uma desorientação religiosa, estes irmãos foram ensinados a considerar a morte como sinônimo de destruição ou de aniquilamento. Aproximam-se de seus familiares que o velam nos serviços funerários, falam-lhes e por eles não são percebidos nem ouvidos. Tal ilusão se prolonga até ao completo desprendimento do perispírito do corpo físico hirto. Só então o Espírito se reconhece como tal e compreende que não pertence mais ao número dos encarnados sobre a Terra.

Nos dias de hoje temos assistidos, lamentavelmente, a violência facilmente praticada por cônjuges que, descontentes com as vacilações e fraquezas do(a) parceiro(a) de matrimônio, se veem no direito de tirar-lhe a vida e, posteriormente se suicidando, encetando séculos de sofrimento pelos crimes cometidos.

André Luiz, no magistral livro Evolução em Dois Mundos nos explica a razão destes cruéis desatinos d’alma.

“Mal saídos do regime poligâmico, os homens e as mulheres sofrem-lhe ainda as sugestões animalizantes e, por isso mesmo, nas primeiras dificuldades da tarefa a que foram chamados, costumam desertar dos postos de serviço em que a vida os situa, alegando imaginárias incompatibilidades e supostos embaraços, quase sempre simplesmente atribuíveis ao desregrado narcisismo de que são portadores. E com isso exercem viciosa tirania sobre o sistema psíquico do companheiro ou da companheira mutilados ou doentes, necessitados ou ignorantes, após explorar-lhes o mundo emotivo, quando não se internam pelas aventuras do homicídio ou do suicídio, espetaculares, com a fuga voluntária de obrigações preciosas.”

 

Diga-se de passagem, fuga esta da qual não irão se safar enquanto não houver pago ceitil por ceitil, no sublime ensinamento de Jesus.

Aliás, o próprio Jesus, há mais de vinte séculos ensinou-nos que “todo aquele que comete o mal é escravo do mal” (João, 8:34)

O assunto é complexo e instigante, cabendo à Doutrina Espírita demonstrar, pelo exemplo dos próprios espíritos que a ele sucumbiram, que o suicídio constitui infração de uma lei moral e um ato tanto infeliz quanto ineficaz, pois em nada ganha quem o pratica, não atinge seu verdadeiro objetivo e ainda se complica severamente, perante a Lei Divina.

Voltaremos ao tema!  Enquanto isso, reflitamos a respeito.

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Suicide. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/suicide. Acesso em 15 Fevereiro 2026.

(2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(3) Luiz, André. Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 219p.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

 

      Você conhece as reentrâncias do espírito         mais do que as rugas do seu rosto?

 

É correto afirmar que as ideias do homem estão na razão do que ele sabe. Desse modo é natural que à medida que a Ciência e o conhecimento evoluam, o homem mais se aproximará da verdade.

Um bom exemplo está na ideia que o homem faz do ensinamento de Jesus “Há muitas moradas na casa de meu Pai”.

Os antigos acreditavam na existência de muitos céus superpostos, formando esferas concêntricas e tendo a Terra por centro.

Ptolomeu, que viveu em Alexandria no Egito, no século II, na sua mais conhecida obra, Almagesto, (que significa o grande tratado), apresenta um sistema cosmológico geocêntrico, isto é, a Terra como centro do Universo, sendo que os demais corpos celestes orbitavam ao seu redor. Vale destacar que nesta época, os estudos tendiam a mesclar ciência com misticismo.

Interessante que cinco séculos antes, por volta de 300 a.C., Aristarco de Samos, propôs a teoria do Heliocentrismo (o Sol no centro do Universo), mas só foi formalizada e popularizada no século XVI por Nicolau Copérnico.

Hoje sabemos que ambas as teorias, em suas proposições iniciais, estavam erradas no tocante a localizarem a Terra ou o Sol como centro do Universo, respectivamente. A Terra não é o eixo do Universo, sendo de fato, um dos menores astros que rolam na imensidade do Universo, ainda que isso possa ferir o orgulho de muitos; e o próprio Sol mais não é do que o centro de um turbilhão planetário; com outros tantos e inumeráveis sóis, em torno dos quais circulam mundos sem conta, separados por distâncias apenas acessíveis ao pensamento.

Aliás, esse mesmo pensamento, por dedução lógica, nos induz a pensar que a vida está por toda parte e a Humanidade é infinita como o Universo.

O Espiritismo, como doutrina libertadora de consciências, informa-nos que existe o mundo corporal e o mundo espiritual. A expressão mundo espiritual na cabeça das pessoas e mesmo nos adeptos e estudiosos da Doutrina Espírita é muito vago e impreciso. Baseados nos conhecimentos científicos atuais sobre a matéria, há necessidade de relativizarmos o termo mundo espiritual.

Lembremos que na questão 22 de O Livro dos Espíritos encontramos este científico ensinamento:

 

“Define-se geralmente a matéria como sendo — o que tem extensão, o que é capaz de nos impressionar os sentidos, o que é impenetrável. São exatas estas definições?

R. “Do vosso ponto de vista, elas o são, porque não falais senão do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria. Para vós, porém, não o seria.”

 

Há necessidade de estudar mais para melhor esclarecimento.

No livro O Céu e o Inferno, no capítulo II, em interessantíssimo estudo sobre o Céu, encontramos a seguinte afirmativa de Allan Kardec:

 

“Posto que os Espíritos estejam por toda parte, os mundos são de preferência os seus centros de atração, em virtude da analogia existente entre eles e os que os habitam. Em torno dos mundos adiantados abundam Espíritos superiores, como em torno dos atrasados pululam Espíritos inferiores. Cada globo tem, de alguma sorte, sua população própria de Espíritos encarnados e desencarnados, alimentada em sua maioria pela encarnação e desencarnação dos mesmos.”

 

Tomando por exemplo o planeta Terra, ela possui a sua população encarnada e a desencarnada, e de acordo com a afirmativa acima, assim deve ser com todos os globos habitados no Universo físico. Considerando, portanto, as 7 esferas (ou dimensões) que envolvem a Terra, podemos pensar que cada uma delas possui sua população encarnada e a desencarnada.

Estudando com profundidade e reflexão o livro Libertação, percebemos que o personagem Gregório, encontrava-se “encarnado” na dimensão das Trevas. Isto pode assim ser deduzido, pois a equipe que foi resgatá-lo, formada por Gúbio, André Luiz e Elói, passaram por um processo de materialização de seus perispíritos, muito bem descrito no capítulo 4, Numa cidade estranha.

Recordemos um pequeno trecho, atribuído a Gúbio, para nossas reflexões:

 

“Nossas organizações perispiríticas, à maneira de escafandro estruturado em material absorvente, por ato deliberado de nossa vontade, não devem reagir contra as baixas vibrações deste plano. Estamos na posição de homens que, por amor, descessem a operar num imenso lago de lodo; para socorrer eficientemente os que se adaptaram a ele, são compelidos a cobrir-se com as substâncias do charco, sofrendo-lhes, com paciência e coragem, a influenciação deprimente. Atravessamos importantes limites vibratórios e cabe nos entregar a forma exterior ao meio que nos recebe, a fim de sermos realmente úteis aos que nos propomos auxiliar. Finda a nossa transformação transitória, seremos vistos por qualquer dos habitantes desta região menos feliz.

 

Mais claro impossível! Adensaram seus corpos espirituais a ponto de se tornarem visíveis aos habitantes da “cidade estranha” localizada no “planeta das Trevas”. Sem a materialização, os três personagens da aludida equipe, não seriam vistos nem percebidos por nenhum morador daquela cidade.

Ora, isto também não é o que acontece aqui na Terra?

Quantos irmãos desencarnados que nos rodeiam 24 horas por dia, compondo a população da dimensão adjacente à Terra - que também podemos denominar planeta Umbral - que somente seriam visualizados por nós, caso se submetessem aos processos da materialização, os quais são muito bem documentados na ciência espírita?

No livro Mundo Espiritual é Planeta, Dr. Inácio Ferreira, pela psicografia de Carlos Bacelli, faz interessante colocação:

 

“Assim como a maioria dos homens encarnados desconhece os fenômenos da Vida que os rodeia, nós, os desencarnados, ainda não percebemos tudo do Mundo para o qual nos transferimos – aliás, sabemos menos do Mundo Espiritual do que sabemos da Terra!”

 

Bela síntese da nossa real ignorância, tanto do que aqui na Terra existe, quanto muito mais, da nossa futura morada, o planeta espiritual que nos há de acolher.

Concluo com este primor de citação de Dona Modesta no livro acima referido.

“O homem, por exemplo, sabe mais do seu corpo físico do que da sua própria essência – conhece mais das rugas de seu rosto que das reentrâncias de seu espírito.”

 

É preciso pensar a respeito!

 

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(2) Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. Tradução de Manoel Justiniano Quintão, 35ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 425p.

(2) Luiz, André. Libertação. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 17ª ed. Brasília. Editora FEB, 1949. 263p.

(3) Ferreira, Inácio. Mundo espiritual é planeta. Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Uberaba. Editora LEEPP, 2015. 320p.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 

Para nós, espíritas.

 

No Novo Testamento, em Mateus 18:1-4 encontramos:

“Naquele momento, os discípulos chegaram a Jesus e perguntaram: "Quem é o maior no Reino dos céus?"

Chamando uma criança, colocou-a no meio deles, e disse:                               "Eu asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus. Portanto, quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus.”

Nos dias de hoje essa é a recomendação das recomendações quando pensamos em nossa participação na Doutrina como espírita e mais ainda, para os que acham relevante, como membro do movimento espírita formalizado.

 

Em outras palavras, Jesus se referia à humildade e à simplicidade.

 

Parece fácil, para nós espíritas pensar assim, mas, não é não. Recorde, caro leitor, sua provável origem espiritual que nos levou a encarnar no Brasil “desfrutando” das benesses da luz libertadora do Espiritismo cristão. Essas origens estão bem assentadas no livro Brasil coração do mundo pátria do Evangelho ditado por Humberto de Campos, psicografado por Chico Xavier. E se ainda não leu, já vou adiantando que nossa origem não é boa coisa.

Ínfima parcela - mas põe ínfima parcela nisso - de espíritas atualmente encarnados estão desenvolvendo um trabalho missionário. A quase totalidade de nós outros, somos profundos devedores com raros créditos na contabilidade divina.

Na verdade, precisamos aprender a avaliar a posição de espírita, como espírito encarnado, sem a lente da ilusão, sob o iminente risco de repetirmos velhos erros das estruturas religiosas de outrora, das quais somos provenientes.

A parábola do joio e do trigo em que Jesus nos fala do Reino dos Céus, anotada por Mateus (13:24-30, 36-43), ilustra a coexistência entre o bem e o mal no mundo.

Recomento fortemente também, ao querido leitor deste Blog, que leia o livro Voltei, psicografado por Chico Xavier, que narra a passagem para o mundo espiritual de Frederico Figner e que pelo pseudônimo de Irmão Jacob, dita a obra. Encontramos nela, as enormes dificuldades deste irmão espírita após o fenômeno da morte. Considerado na época, um dos espíritas mais perfeitos, se caso ele próprio não viesse fazer esta revelação, dificilmente alguém suporia que pudesse viver estas situações.

A obra é um grande alerta, para os que assim a entenderem, contra a ilusão perigosa de nos supormos muito mais importantes do que realmente somos. Especialmente os irmãos que provisoriamente se encontram à frente das instituições espíritas, das entidades unificadoras ou na figura simples e devedora de médium.

O alerta se estende a muitos irmãos desavisados que, com as facilidades atuais de acesso às mídias digitais, propagam seus pontos de vistas a respeito das verdades espíritas emitindo opiniões desencontradas que mais ofuscam e desequilibram, semeando a descrença em muitos, ao invés de elucidar.

Se digladiam em discussões irrelevantes quanto intermináveis, sobre se o Espiritismo é cristão ou não, se é ciência ou religião, dando azo, quando não, patrocinando as urdiduras sutis das trevas que tranquilamente, semeiam o joio no terreno fértil que encontram em nós próprios, com a finalidade de tirar Jesus do Espiritismo.

Está muito claro que os maiores obstáculos para o avanço da Doutrina Espírita encontram-se portas adentro das nossas instituições. Foi-se a época em que as maiores lutas eram travadas com os que vinham de fora.

Por outra, continuamos a crucificar Jesus. Agora não mais à Sua pessoa, mas à Sua mensagem gloriosa encetada nas páginas memoráveis de Seu Evangelho. Jesus incomodou e incomoda-nos até hoje com sua beleza espiritual e ensinos.

A luta é árdua, meu irmão.

Sem dúvida, escasseia entre os adeptos do movimento espírita, humildade e simplicidade e há fartura de orgulho e egoísmo, velhos conhecidos nossos de outros tempos. Com as naturais exceções, Movimento espírita que no dizer de Dona Modesto Cravo é:

 

“Uma enfermaria repleta de doentes que acreditam ser médicos, com todas as soluções para o bem do Evangelho de Jesus.”

 

Entendo, por fim, que a saída é servir, servir, servir e passar, recordando sempre que a obra não nos pertence.

A Doutrina é esplendorosa no que concerne aos conhecimentos que nos favorece, porém se pensarmos demais e amarmos de menos, perderemos o foco essencial da vida e lutaremos por aquilo que não é prioritário desperdiçando valioso tempo e esforço.

Na fase de transição em que nos encontramos, espíritos espíritas, realizamos pequenos progressos. Já não mais procuramos o mal de forma espontânea e consciente, embora ainda resida no nosso íntimo; não intencionamos mais prejudicar as pessoas, porém como ainda o bem não fincou raízes em nós e nem o praticamos tal qual deveríamos, novamente podemos ser tomados de assalto pelas velhas ilusões do orgulho e do egoísmo que nos rondam.

Em nós, a devoção e o sincero amor são bem distinguíveis pelos espíritos superiores. Por isso mesmo, é imprescindível exercitar as nossas virtudes na prática da caridade. Sem ela não há salvação para as nossas imperfeições.

Queremos novos rumos, lutemos por eles.

Simplicidade e humildade devem pautar nosso comportamento, o resto virá nas expressões da Bondade Celeste.

Renovemos atitudes. Somente a poder delas iluminamos a consciência onde estão escritas as Leis de Deus.

 

Até a próxima semana!

  Suicídio no mundo espiritual *             Normalmente a leitura do título deste artigo provoca muito desconforto e descrença, quando ...