segunda-feira, 10 de agosto de 2026

 

Sementes de Destino 

Eu sempre me pus a perguntar, quais as formas pelas quais a Justiça Divina conhece, de tantos bilhões de espíritos, todos os escaninhos da mente e pode tão bem cuidar de cada um deles? Como se cumpre sua Lei magnânima para cada um de seus filhos com tanta perfeição?

Assim como pelo axioma que diz que a todo efeito inteligente, deve haver uma ação inteligente, podemos logicamente concluir que se Deus é a inteligência máxima e soberana do Universo, razão há para explicar o que acima questiono, somente ainda não possuímos o conhecimento necessário para entende-lo em sua plenitude. Mas um dia, quem sabe, nos será descortinado a dinâmica desta Lei. Aguardemos, nos preparando.

De qualquer forma, encontramos aqui e ali, garimpando (assim deve ser o estudioso), em obras espíritas de espíritos e médiuns acima de qualquer suspeita alguns indicativos de como a coisa deve funcionar. Nesse caso, então, recorremos a André Luiz e Chico Xavier, respectivamente. Não há como contestá-los, embora, infelizmente, há quem o faça dentro do próprio Espiritismo. Triste.

Na obra Evolução em Dois Mundos vamos aprender no capítulo XIX, - Alma e Reencarnação – que o Espírito desencarnado endividado, internado em zona purgatorial criada por sua própria consciência, se reúne a outros tantos espíritos endurecidos, fazendo uma comunidade dolorosa, lembrando o Inferno de outras crenças, que à semelhança das penitenciárias e hospitais, recuperam e auxiliam.

Nestes locais, o mal é defrontado pelo próprio mal, como medicação purgativa que convulsiona antes de recuperar. Entretanto, tão logo os irmãos enfermos revelem os primeiros sinais de renovação para o bem, os benfeitores das Esferas Superiores, registrando-lhe a dor do arrependimento, comparecem ao seu auxílio.

Resgatados, passam por período de convalescença, revendo compromissos da encarnação que não foram cumpridos e até piorados.

Por mais que se esforcem tentando se reintegrar em novas tarefas, melhorando suas condições, aperfeiçoando e aprimorando e combatendo, à custa de inaudito esforço, antigos impulsos inferiores, restam-lhe as “Sementes de Destino”.

Mesmo quando as suas vítimas tenham já superado todas as sequelas dos golpes sofridos por estas equivocadas entidades espirituais, que agora colocam-se em posição de recuperação, permanecem entranhado em sua intimidade as lembranças dos erros voluntários.

Aniceto, personagem do livro Os Mensageiros, a este respeito, tem uma frase muito apropriada. Diz o mentor para André Luiz e Vicente que “a dívida, em toda parte, anda com os devedores.”

Lembranças dos erros voluntários, repito, a se constituírem em Sementes de Destino que provocam no espírito endividado, a necessidade de rogar por novas reencarnações com provas de que precisam para se quitarem consigo próprio, de maneira consciente.

O próprio algoz requer ao supremo juiz e Senhor, as oportunidades de reconciliação com os irmãos vitimados, com sua própria e com a Consciência Cósmica.

Para estes casos, o planejamento reencarnatório é legítimo.

Estes cuidados preparatórios da nova tarefa em vista, buscam reunir, em desafiadores reencontros, quanto possível, os credores ou as circunstâncias imprescindíveis, junto aos quais se redima perante a Lei.

          Resumindo, estamos todos enlaçados a nossos próprios erros pretéritos, inapelavelmente. As Sementes de Destino por mais que permaneçam latentes, como que adormecidas no porão da nossa inconsciência, cedo ou tarde, desabrocharão na forma de hastes espinhosas a requererem braços e mãos operosas, que lhes auxiliem a regeneração.

Referências:

(1) Luiz, André. Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1958. 219p.

(2) Luiz, André.  Os Mensageiros. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 33ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 268p.

 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

 

Medição da sua elevação espiritual

No livro Ajuda-te, e o Céu te Ajudará de autoria espiritual de Irmão José, psicografado pelo médium Carlos Baccelli, há uma lição de expressivo valor, aliás como todas as demais, denominada Elevação Espiritual. 

Nesta elevada página o venerável benfeitor elenca alguns comportamentos do espírito humano através dos quais é possível à própria criatura mensurar ou conhecer o grau de elevação espiritual.

Trata-se de um apontamento extremamente valioso para todos nós que, dentro da doutrina espírita, procuramos, através dos seus ensinamentos e da prática da caridade, o nosso  aperfeiçoamento, o nosso crescimento espiritual,  almejando realizar em profundidade as mudanças morais do espírito. 

Permitindo-me transcrever parte da lição, psicografada pelo médium Baccelli, assim se refere irmão José:

“Se desejas conhecer o teu grau de elevação espiritual, observa a natureza das preocupações que, de hábito, te povoam o pensamento:

·     Em algum momento a figura do próximo entra em tuas cogitações de felicidade?

·     Mesmo que seja indiretamente alimentas receio de estares prejudicando a alguém?

·     Os teus conceitos de solidariedade já extrapolam o âmbito da família consanguínea?

·     Sentes-te incapaz de cometer uma injustiça ou mesmo de aceitar, passivamente, que seja cometida em relação ao próximo?

·     Estarias disposto a ceder espaço e vez a quem estejam faltando oportunidades de realização pessoal? “

 

Não há dúvida que tais questionamentos para serem respondidos, com grande sinceridade, de forma afirmativa, requerem daquele que a elas se submete, muito maior demonstração prática de sua preocupação com o bem dos outros que com o bem para si próprio, de forma exclusiva. Não podendo ser diferente, concordamos portanto, em gênero, número e grau com o benfeitor, que assina esta lição.

Muitas outras interrogações avaliativas podem e devem ser acrescentadas pelos nossos leitores, visando contribuir aos reais propósitos dos discípulos de Jesus, para o sublime ascese. 

Faço minhas sugestões abaixo:

- Já consideras o serviço ao próximo como bálsamo purificador em sua vida?

- Consideras como um “privilégio,” auxiliar sem retribuição e agir desinteressadamente, em nome de Jesus?

- É capaz de entender que renunciar à própria felicidade em favor da felicidade alheia, garantindo devotamento e carinho, te impulsionará para Deus?

- Abraças o trabalho, muitas vezes duro, porém sempre edificante, compreendendo a dificuldade e a dor, que ele possa ensejar, por auxiliares do próprio burilamento?

Se, em todos estes questionamentos, que devem fazer parte diária de nossas reflexões, pelo menos parcialmente consiga atendê-los, permaneça e persevere. Avance um tanto mais, assegurando-te que assim prosseguindo, estarás nas trilhas seguras de sua elevação espiritual.

Referência

(1) José, Irmão. Ajuda-te e o Céu te ajudará. Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Votuporanga. Editora DIDIER, 2013. 243p.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

 

Cuide bem de seu idoso

 Texto extraído de mensagem psicofônica recebido no dia 21-7-2026 na reunião mediúnica do Grupo Espírita da Fraternidade, Araçatuba -SP

Cuidar bem é necessário.

No planeta Terra, a população está envelhecendo muito rapidamente sem um preparo adequado para lidar com isso.

Muitos espíritos estão partindo da Terra, na velhice, extremamente vulneráveis, de forma muito triste para eles. Conviver com as diversas perdas, sentir-se como um fardo para os seus e não encontrar mais um sentido para suas vidas, são fatores comuns a alimentarem, em seus íntimos, ideias infelizes, caminhos para a perturbação.

Nestas condições, partem da vida física com os corações extremamente frustrados e chorosos.

Por isso, cada um pode e deve cuidar do outro. Não se preocupem em querer resolver todas as questões. Deixem isso por conta de Deus e de Jesus. Entretanto, aquele que é o seu idoso, cuide bem dele, mesmo que ele passe por dificuldades, que são, você sabe, passageiras.

Não esqueça, que se você não desencarnar antes, considere que algo lhe espera. Como será sua velhice? Quem pode saber? Eu nunca soube.

Na minha velhice eu desencarnei doente, quase que abandonado. Isto me marcou muito. Minha recuperação no mundo espiritual foi difícil e dolorosa. Mas passou, agora estou bem. Por isso, venho fazer este alerta.

Acolha este irmão em partida, mesmo que ele não entenda, o espírito registrará.

Os idosos tem muito a nos ensinar, mesmo que sejam aqueles que olhamos e nos perguntamos o que pode sair dali?

Qualquer um, mas principalmente eles, têm muito medo. Isso é a Lei divina tentando levar o espírito a acreditar em algo superior na vida. No curso da vida, não cultivaram sublimes sentimentos que os habilitassem a seguir em equilíbrio para próxima fase da vida eterna. Daí, quando se aproxima este período, experimentam um medo indefinível. Não queiram experimentá-lo. 

E eles se fecham. Encontramos aí a gênese de muitas doenças mentais que, atualmente, acometem e degeneram o homem na Terra.

Por não terem recebido uma preparação espiritual, não acreditam; e não se iludam que mesmo vocês, que estão em contato com os ensinos da doutrina espírita, estejam livre disso. Parece que estão aguardando desencarnar para se certificarem, acreditem no que digo.

Ser espírita, necessariamente, não concede a qualquer a crença sincera e definitiva da certeza da continuidade natural da vida após a morte. Muitos estão na doutrina, mas não creem definitivamente. É preciso experimentar a crença e internalizá-la. Por ouras palavras, vivê-la no dia-a-dia.

A velhice só deve atingir o corpo físico, não contaminando o Espírito e o homem interior deve se renovar sempre.

E a única forma de colaborar nesta situação é dar atenção, é dar carinho, envolvendo-os em preces que meus irmãos realizam. A prece pelos idosos sempre é útil, pois enquanto eles dormem, descansam na matéria, nós, sob a permissão divina, procuramos tratá-los e atendê-los, mas muitos recusam, pelas dificuldades próprias da fisiologia do cérebro que já vai cansado, exaurido nas conexões e também pela falta do preparo espiritual a que me referi. 

Para eles, na Terra, infelizmente meus irmãos, há uma escuridão ainda muito grande, muito grande.

Continuem orando e sempre que puderem, toquem a mão desses irmãos, sintam a pele enrugada desses irmãos, principalmente aqueles que acreditaram que levar uma vida reta e honesta os conduziria a algum lugar. Ainda mesmo estes, estamos perdendo.

Desculpem-me por alongar sobre este importante assunto. Peço a Jesus que ampare a todos vocês em suas vidas aqui na matéria, e que tenham, se chegarem lá, uma velhice feliz! 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

 

Fatalidade - continuando o diálogo

 

- Posso continuar com as perguntas?

R. Sim, é claro. Este assunto sobre a fatalidade em nossas vidas é muito atrativo e sempre deve ser estudado para sua melhor compreensão.

- O conceito de fatalidade, segundo as orientações da Doutrina Espírita, de certa forma, ainda é um tanto confuso, para mim. Poderia tentar aprofundar o tema, melhor esclarecendo?

R. Vamos tentar com muita satisfação. Citarei alguns exemplos, para auxiliar.

Todas as leis que regem o conjunto dos fenômenos da Natureza têm consequências necessariamente fatais, isto é, inevitáveis, e essa fatalidade é indispensável à manutenção da harmonia universal. O homem, que sofre essas consequências, está, pois, em alguns aspectos, submetido à fatalidade, em tudo quanto não dependa de sua iniciativa. Assim, por exemplo, deve morrer fatalmente; é a lei comum, à qual não pode subtrair-se e, em virtude dessa lei, pode morrer em qualquer idade, quando chegar a sua hora; mas, se apressa voluntariamente a sua morte, pelo suicídio ou por seus excessos, age em virtude de seu livre-arbítrio, porque ninguém o pode constranger a fazê-lo. Deve comer para viver: é a fatalidade; mas se comer além do necessário, abusivamente, por livre escolha sua, poderá adoecer.  

- Está clareando o conceito...Poderia citar outros exemplos?

R. Pois não. Em sua cela, o prisioneiro é livre de mover-se à vontade, no espaço que lhe é concedido; mas as paredes que não pode transpor são para ele a fatalidade que lhe restringe a liberdade. Para o soldado a disciplina é uma fatalidade, pois o obriga a atos independentes de sua vontade, mas não é menos livre em suas ações pessoais, pelas quais é responsável. Assim é com o homem na Natureza. A Natureza tem as suas leis fatais, que lhe opõem uma barreira, mas aquém da qual ele pode mover-se à vontade.

- Nesta última resposta, você se referiu em especial, a Natureza. Mas, e quanto às ações da individualidade de cada um, os acontecimentos da vida particular, poderia dizer algo a respeito? 

R. Tendo o homem o seu livre-arbítrio, a fatalidade não participa de suas ações individuais; quanto aos acontecimentos da vida privada, que por vezes parecem atingi-lo fatalmente, têm duas fontes bem distintas: uns são consequência direta de sua conduta na existência presente; muitas pessoas são infelizes, doentes, enfermas por sua falta; muitos acidentes são resultado da imprevidência; ele não pode queixar-se senão de si mesmo, e não da fatalidade ou, como se diz, de sua má estrela. É a colheita após a semeadura.

- E os outros? De onde provém?

R. Os outros são completamente independentes da vida presente e, por isto mesmo, parecem devidos a uma certa fatalidade; mas, ainda aqui, o Espiritismo nos demonstra que essa fatalidade é apenas aparente, e que certas situações penosas da vida têm sua razão de ser na pluralidade das existências. O Espírito as escolheu voluntariamente antes de sua encarnação, como provações para o seu adiantamento; elas são, pois, resultado do livre-arbítrio, e não da fatalidade.

- Você está querendo dizer, que mesmo nos casos de fatos ou circunstâncias “impostas” pela providência Divina...

R. Exatamente o que você está pensando...Mesmo nestes casos, em que se configura na Terra, uma fatalidade para o espírito reencarnado, como expiação, ela se dá em razão das más ações voluntariamente cometidas pelo homem numa precedente existência, e não como consequência de uma lei fatal, pois ele poderia tê-las evitado, agindo de outro modo.

- Se bem entendi, devemos procurar a origem real da “fatalidade” e esta, normalmente, mesmo sendo em existência anterior, foi fruto da liberdade de escolha do espírito. Portanto não houve, de fato, fatalidade.

R. Atente para esta frase, meu caro irmão: “Em cada instante de nossa vida, estamos recolhendo o que semeamos, dependendo da nossa sementeira de hoje a colheita melhor de amanhã.”

- Ótima, preciso mesmo refletir muito sobre ela.

R. Se um acontecimento está no destino de um homem, ele se realizará, a despeito de sua vontade, e será sempre para o seu bem; mas as circunstâncias da realização dependem do uso que ele faça de seu livre-arbítrio, e muitas vezes ele pode fazer redundar em seu prejuízo o que deveria ser um bem, se agir com imprevidência, e se se deixar arrastar pelas paixões.

A fatalidade é o freio imposto ao homem por uma vontade superior à sua, mas jamais é um entrave ao exercício de seu livre-arbítrio, no que concerne às suas ações pessoais.

- E quanto à morte? Há fatalidade em todos os casos? Quero dizer, independente do tipo de morte, sempre haverá fatalidade, ou seja, se morreu é porque tinha que morrer. É assim?

R. Calma lá! Claro que não é bem assim não. Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte o é. Todos que estão encarnados na Terra, um dia deverão desencarnar. Isto que é a fatalidade da morte. Agora quanto ao dia, mês, ano, idade da pessoa que deverá morrer, em boa parte dos casos, pode-se atribuir a imprudência. Em bom português, a maioria de nós, poderia viver mais tempo sobre a Terra.

- Xiii...poderia esclarecer melhor esta questão? Ela é muito polêmica, mesmo entre os espíritas.

Sim, vamos lá.

Há muitos espíritos que retornam à espiritualidade em plena infância por pura falta de recursos de subsistência e também por falta dos mais simples serviços de saúde.

- Isso eu concordo. Na medida em que um país se desenvolve aprimorando seus serviços de saúde reduz-se drasticamente a mortalidade infantil. Isto, é um fato!

 Esta afirmativa pode ser chocante para quem imagina que tudo acontece por fatalidade divina, ou até pela vontade de Deus. Levada às últimas consequências semelhante ideia nos isentaria de qualquer responsabilidade envolvendo tanto a vida quanto à morte.

O doente morre à mingua de socorro; vontade de Deus!

 Transeuntes morrem num tiroteio; vontade de Deus!

 Dezenas de pessoas morrem num atentado terrorista; vontade de Deus!

 Milhares morrem numa guerra; vontade de Deus!

 E por que não dizer que o indivíduo que tenta o suicídio e a mulher que pretende abortar só conseguem seu objetivo porque é a vontade de Deus?

 Nenhum desses crimes, nenhuma dessas mortes, ocorre por iniciativa Divina. Não passam é de contingências geradas pela insensatez humana.

Embora muitas dessas tragédias possa ter uma origem cármica, representando o resgate de velhos débitos, há aquelas que não estavam programadas. Acontecem por pura imprudência.

Claro, teríamos que analisar caso a caso! Mas ambas as situações acima referidas podem ocorrer num planeta de expiações e provas.

No livro Nosso Lar, André Luiz é considerado, pelo generoso Clarêncio, como suicida inconsciente. Presume-se que ele poderia ter vivido mais tempo sobre a Terra. A informação, com o devido esclarecimento, está no início do livro, bem no capítulo 4. Vale a pena conferir.

Também no livro Missionários da Luz, o personagem Manassés, em esclarecedor diálogo com André Luiz, nos apresenta o conceito de completista. São os raros irmãos que aproveitaram todas as possibilidades construtivas que o corpo terrestre oferece.

Ele chega a dizer que, por vezes, desprezamos cinquenta, sessenta, setenta per cento e, frequentemente, até mais, de nossas possibilidades.

Refletindo sobre estas duas passagens, que estão ao nosso alcance, na excelente obra de André Luiz, chegamos à conclusão que pode-se sim, voltar à pátria espiritual antes do tempo previsto.

- Confesso que, embora, já tenha lido estas obras, não cheguei a refletir nestas passagens, considerando os aspectos sobre a fatalidade. Não havia ainda pensado por este prisma.

R. Pois trate de pensar, porque é muito válido!

- Alguma consideração para encerrarmos?

R. Eu diria que não é da vontade de Deus que morram crianças em locais de carentes recursos; excetuando-se as que partem atendendo a problemas cármicos a maioria morre porque Deus não encontra pessoas que se disponham a agir como instrumento de sua vontade para socorrê-las. Se a onipresença Divina se faz sentir em todas as dimensões do Universo e em todas as manifestações da vida, atentemos que Deus também está presente nos olhos tristes de uma criança carente, rogando-nos que a ajudemos a viver. Basta para isso que superemos nossas milenares tendências egoísticas.

 

(*) Todos os grifos são nossos.

Referências

(1) Simonetti, R. Quem tem medo da morte. 1ª edição. Editora Gráfica São João. 1987, 155p.

(2) Simonetti, R. Quem tem medo dos espíritos. 1ª edição. Editora Gráfica São João. 1992, 140p.

(1) Kardec, Allan. Revista Espírita. A ciência da concordância dos números e a fatalidade. Julho de 1868. 4ª ed.  Brasília. Editora FEB, 2004.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

 

Dialogando sobre a fatalidade

Com a finalidade de auxiliar nossos leitores a um melhor entendimento sobre este intrigante assunto, propomos redigir nosso texto em forma de um diálogo que criamos tendo as respostas baseadas nas obras de Kardec e Chico Xavier. Vamos a ele!

- Poderia definir fatalidade, na forma que as pessoas a entendem corriqueiramente em relação aos fatos da vida?

R. Sim. A fatalidade, como vulgarmente é entendida pela maioria, supõe a decisão prévia e irrevogável de todos os sucessos da vida, qualquer que seja a importância deles.

- Pode-se entender correta e de acordo com a Lei Divina a aplicação desta definição?

R. Não. Se tal fosse, o homem seria qual máquina sem vontade. De que lhe serviria a inteligência, desde que houvesse de estar invariavelmente dominado, em todos os seus atos, pela força do destino?

- A aceitação da doutrina da fatalidade a que conduziria o homem?

R. Semelhante doutrina, se aceita como verdadeira, conteria a destruição de toda liberdade moral; já não haveria para o homem responsabilidade, nem, por conseguinte, bem, nem mal, crimes ou virtudes.

- Então...

R. Não seria possível que Deus, soberanamente justo, castigasse suas criaturas por faltas que não dependera delas realizar, nem que as recompensasse por virtudes de que nenhum mérito teriam.

- Faz sentido....

R. Sim, claro. Demais, tal lei seria a negação da lei do progresso, porquanto o homem, tudo esperando da sorte, nada tentaria para melhorar a sua posição, visto que não conseguiria ser mais nem menos.

- Entendo. Então a fatalidade não existe? É isso?

R. A fatalidade existe na posição que o homem ocupa na Terra e nas funções que aí desempenha, em consequência do gênero de vida que seu Espírito escolheu como prova, expiação ou missão.

- Ou seja, a fatalidade então...

R. ...existe se considerarmos os acontecimentos que se apresentam, por serem estes consequência da escolha que o Espírito fez da sua existência de homem. Porém, veja bem, pode deixar de haver fatalidade no resultado de tais acontecimentos, visto ser possível ao homem, pelo seu livre-arbítrio, modificar-lhes o curso.

- Pelo que estou entendendo, quanto ao aspecto moral, não há fatalidade?

R. Sim, nunca há fatalidade nos atos da vida moral.

- Nunca...?

R. Sim..., nunca. Do contrário, como me referi acima, o homem seria qual máquina e a Lei Divina, falha. Deixe-me tentar esclarecer melhor. O livre-arbítrio é uma característica do espírito humano e existe para ele nas duas situações em que pode se encontrar com diferentes finalidades, ou seja, como espírito desencarnado ao fazer a escolha da existência e das provas e, como encarnado, na faculdade de ceder ou de resistir aos arrastamentos a que todos nos submetemos voluntariamente.

- Ficou claro. Mas...

R. Já sei o que pretende me perguntar. Se haverá fatos que forçosamente devem ocorrer e que os Espíritos não possam afastar, embora o queiram?

- Sim...era isso que desejo saber. Há situações que não temos como evitar.

R. “Há situações, que dizem respeito aos fatos principais de nossas vidas que não podem ser evitadas. Não acredite, entretanto, que tudo o que sucede esteja escrito, como costumam dizer por ai, tudo é Maktub, tudo está escrito ou tinha que acontecer.

- O fato de estarmos encarnados em um mundo de expiações e provas, influi em algo neste aspecto?

- Exato, sem dúvida que influencia. O planeta Terra, de expiação e provas, para os que nele habitam, é extremamente hostil. Na sua quase totalidade, é composto por espíritos, nossos irmãos, que são foras da lei. Este é um planeta de foras da lei, entende? Quase todos nele se encontram para quitar débitos (a maioria) e outros para se provarem.

- A Terra não é uma colônia de férias...

R. Definitivamente, não é. Portanto, se não tiver mérito ou, em outras palavras, não criar crédito, com suas boas ações, o homem viverá sem uma “retaguarda” que o possa proteger dos acontecimentos hostis dos quais está submetido.

- Aprendi que nada, absolutamente nada, acontece à revelia das Leis Divinas...   

R. Exato. E isso deve ser entendido como nada há que se efetue sem a vontade de Deus. Até mesmo em uma desencarnação que possa ser considerada “precoce” existe, para o espírito envolvido, um aprendizado para o seu futuro.

- Como o assunto é por demais complexo...

R. Sim, é sutil mesmo. Delicado. E para compreendê-lo é necessário adquirirmos uma visão mais ampla do todo e não ficarmos presos à ortodoxia religiosa.

- Podemos continuar com as perguntas?

(continua no próximo artigo)

 

(*) Todos os grifos são nossos

  Sementes de Destino   Eu sempre me pus a perguntar, quais as formas pelas quais a Justiça Divina conhece, de tantos bilhões de espíritos...