segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

 

Aspectos espirituais do Suicídio 

 

Dados estatísticos recentes apontam que, anualmente, 720 mil pessoas perecem pelo suicídio no Mundo, sendo 73% cometidos em países de baixa e média renda. Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é considerado a terceira principal causa de morte.

As pesquisas nesta área também apontam que para cada suicídio há muitas outras pessoas que tentam o suicídio e que uma tentativa de suicídio anterior é um importante fator de risco para o suicídio na população em geral.

Sem dúvida, estes são dados deveras preocupantes para as áreas de saúde que trabalham nestas difíceis situações.

Acreditamos que estes dados sejam subestimados, pois os próprios dados globais registrados pela OMS, que os consideram precários quanto à sua disponibilidade e qualidade, abrangem apenas cerca de 80 países (40%) dos 194 inscritos nesta organização. Argumentam que a subnotificação e a classificação incorreta sejam problemas maiores no caso do suicídio do que para a maioria das outras causas de morte.

Não resta dúvida que isto pode ser um forte empecilho quando o objetivo seja aumentar a conscientização sobre a importância do suicídio e das tentativas de suicídio a fim de torná-los de alta prioridade na agenda global de saúde pública. 

A religião, a moral e todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Todas nos dizem, em princípio, que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida.

A Bíblia menciona algumas pessoas que cometeram o auto extermínio: Abimeleque (Juízes 9:54); Sansão (Juízes 16:29-31); Saul e o escudeiro (1 Samuel 31:3-6); Aitofel (2 Samuel 17:23); Zinri (1 Reis 16:18) e o mais conhecido de todos, Judas o discípulo de Jesus (Mateus 27:5).

Belos ensinamentos encontramos na obra básica do Espiritismo, O Livro dos Espíritos. Na questão 944, Kardec questiona:

“Tem o homem o direito de dispor da sua vida?

R. “Não; só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário importa numa transgressão desta lei.”

 

Aprendemos nesta obra que os espíritos sensivelmente perturbados, apresentam uma sobre excitação cerebral, principalmente provocadas pelas decepções, pelos infortúnios e afeições contrariadas, constituindo-se nas causas mais frequentes de suicídio.

Falando sobre as consequências sofridas pelo espírito cuja desencarnação foi provocado pelo suicídio, os Espíritos da codificação, na questão 957 de O Livro dos Espíritos, nos esclarecem:

 Muito diversas são as consequências do suicídio. Não há penas determinadas e, em todos os casos, correspondem sempre às causas que o produziram. Há, porém, uma consequência a que o suicida não pode escapar; é o desapontamento. Alguns expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam.”

Outro aprendizado importante é que no espírito de alguns suicidas se produz uma espécie de repercussão que o Espírito, a seu mau grado, sente os efeitos da decomposição do corpo físico, donde lhe resulta uma sensação cheia de angústias e de horror, estado esse que pode perdurar pelo tempo que devia durar a vida que sofreu interrupção.

Exemplificando, se eu entendi bem, uma pessoa que deveria viver sobre a Terra, aproximadamente 70 anos e cometeu o suicídio aos 40 anos de vida, permanecerá neste estado perturbatório algo em torno de 30 anos.

Isto explica porque, quando comparecem às reuniões mediúnicas, dos espíritos que desencarnaram pelo suicídio, a maioria fica surpreendido, espantado e não acredita estar morto. Obstinadamente sustenta que não o está. No entanto, vê o seu próprio corpo, reconhece que esse corpo é seu, mas não compreende que se ache separado dele.

Fruto de uma desorientação religiosa, estes irmãos foram ensinados a considerar a morte como sinônimo de destruição ou de aniquilamento. Aproximam-se de seus familiares que o velam nos serviços funerários, falam-lhes e por eles não são percebidos nem ouvidos. Tal ilusão se prolonga até ao completo desprendimento do perispírito do corpo físico hirto. Só então o Espírito se reconhece como tal e compreende que não pertence mais ao número dos encarnados sobre a Terra.

Nos dias de hoje temos assistidos, lamentavelmente, a violência facilmente praticada por cônjuges que, descontentes com as vacilações e fraquezas do(a) parceiro(a) de matrimônio, se veem no direito de tirar-lhe a vida e, posteriormente se suicidando, encetando séculos de sofrimento pelos crimes cometidos.

André Luiz, no magistral livro Evolução em Dois Mundos nos explica a razão destes cruéis desatinos d’alma.

“Mal saídos do regime poligâmico, os homens e as mulheres sofrem-lhe ainda as sugestões animalizantes e, por isso mesmo, nas primeiras dificuldades da tarefa a que foram chamados, costumam desertar dos postos de serviço em que a vida os situa, alegando imaginárias incompatibilidades e supostos embaraços, quase sempre simplesmente atribuíveis ao desregrado narcisismo de que são portadores. E com isso exercem viciosa tirania sobre o sistema psíquico do companheiro ou da companheira mutilados ou doentes, necessitados ou ignorantes, após explorar-lhes o mundo emotivo, quando não se internam pelas aventuras do homicídio ou do suicídio, espetaculares, com a fuga voluntária de obrigações preciosas.”

 

Diga-se de passagem, fuga esta da qual não irão se safar enquanto não houver pago ceitil por ceitil, no sublime ensinamento de Jesus.

Aliás, o próprio Jesus, há mais de vinte séculos ensinou-nos que “todo aquele que comete o mal é escravo do mal” (João, 8:34)

O assunto é complexo e instigante, cabendo à Doutrina Espírita demonstrar, pelo exemplo dos próprios espíritos que a ele sucumbiram, que o suicídio constitui infração de uma lei moral e um ato tanto infeliz quanto ineficaz, pois em nada ganha quem o pratica, não atinge seu verdadeiro objetivo e ainda se complica severamente, perante a Lei Divina.

Voltaremos ao tema!  Enquanto isso, reflitamos a respeito.

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Suicide. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/suicide. Acesso em 15 Fevereiro 2026.

(2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(3) Luiz, André. Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 219p.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

 

      Você conhece as reentrâncias do espírito         mais do que as rugas do seu rosto?

 

É correto afirmar que as ideias do homem estão na razão do que ele sabe. Desse modo é natural que à medida que a Ciência e o conhecimento evoluam, o homem mais se aproximará da verdade.

Um bom exemplo está na ideia que o homem faz do ensinamento de Jesus “Há muitas moradas na casa de meu Pai”.

Os antigos acreditavam na existência de muitos céus superpostos, formando esferas concêntricas e tendo a Terra por centro.

Ptolomeu, que viveu em Alexandria no Egito, no século II, na sua mais conhecida obra, Almagesto, (que significa o grande tratado), apresenta um sistema cosmológico geocêntrico, isto é, a Terra como centro do Universo, sendo que os demais corpos celestes orbitavam ao seu redor. Vale destacar que nesta época, os estudos tendiam a mesclar ciência com misticismo.

Interessante que cinco séculos antes, por volta de 300 a.C., Aristarco de Samos, propôs a teoria do Heliocentrismo (o Sol no centro do Universo), mas só foi formalizada e popularizada no século XVI por Nicolau Copérnico.

Hoje sabemos que ambas as teorias, em suas proposições iniciais, estavam erradas no tocante a localizarem a Terra ou o Sol como centro do Universo, respectivamente. A Terra não é o eixo do Universo, sendo de fato, um dos menores astros que rolam na imensidade do Universo, ainda que isso possa ferir o orgulho de muitos; e o próprio Sol mais não é do que o centro de um turbilhão planetário; com outros tantos e inumeráveis sóis, em torno dos quais circulam mundos sem conta, separados por distâncias apenas acessíveis ao pensamento.

Aliás, esse mesmo pensamento, por dedução lógica, nos induz a pensar que a vida está por toda parte e a Humanidade é infinita como o Universo.

O Espiritismo, como doutrina libertadora de consciências, informa-nos que existe o mundo corporal e o mundo espiritual. A expressão mundo espiritual na cabeça das pessoas e mesmo nos adeptos e estudiosos da Doutrina Espírita é muito vago e impreciso. Baseados nos conhecimentos científicos atuais sobre a matéria, há necessidade de relativizarmos o termo mundo espiritual.

Lembremos que na questão 22 de O Livro dos Espíritos encontramos este científico ensinamento:

 

“Define-se geralmente a matéria como sendo — o que tem extensão, o que é capaz de nos impressionar os sentidos, o que é impenetrável. São exatas estas definições?

R. “Do vosso ponto de vista, elas o são, porque não falais senão do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria. Para vós, porém, não o seria.”

 

Há necessidade de estudar mais para melhor esclarecimento.

No livro O Céu e o Inferno, no capítulo II, em interessantíssimo estudo sobre o Céu, encontramos a seguinte afirmativa de Allan Kardec:

 

“Posto que os Espíritos estejam por toda parte, os mundos são de preferência os seus centros de atração, em virtude da analogia existente entre eles e os que os habitam. Em torno dos mundos adiantados abundam Espíritos superiores, como em torno dos atrasados pululam Espíritos inferiores. Cada globo tem, de alguma sorte, sua população própria de Espíritos encarnados e desencarnados, alimentada em sua maioria pela encarnação e desencarnação dos mesmos.”

 

Tomando por exemplo o planeta Terra, ela possui a sua população encarnada e a desencarnada, e de acordo com a afirmativa acima, assim deve ser com todos os globos habitados no Universo físico. Considerando, portanto, as 7 esferas (ou dimensões) que envolvem a Terra, podemos pensar que cada uma delas possui sua população encarnada e a desencarnada.

Estudando com profundidade e reflexão o livro Libertação, percebemos que o personagem Gregório, encontrava-se “encarnado” na dimensão das Trevas. Isto pode assim ser deduzido, pois a equipe que foi resgatá-lo, formada por Gúbio, André Luiz e Elói, passaram por um processo de materialização de seus perispíritos, muito bem descrito no capítulo 4, Numa cidade estranha.

Recordemos um pequeno trecho, atribuído a Gúbio, para nossas reflexões:

 

“Nossas organizações perispiríticas, à maneira de escafandro estruturado em material absorvente, por ato deliberado de nossa vontade, não devem reagir contra as baixas vibrações deste plano. Estamos na posição de homens que, por amor, descessem a operar num imenso lago de lodo; para socorrer eficientemente os que se adaptaram a ele, são compelidos a cobrir-se com as substâncias do charco, sofrendo-lhes, com paciência e coragem, a influenciação deprimente. Atravessamos importantes limites vibratórios e cabe nos entregar a forma exterior ao meio que nos recebe, a fim de sermos realmente úteis aos que nos propomos auxiliar. Finda a nossa transformação transitória, seremos vistos por qualquer dos habitantes desta região menos feliz.

 

Mais claro impossível! Adensaram seus corpos espirituais a ponto de se tornarem visíveis aos habitantes da “cidade estranha” localizada no “planeta das Trevas”. Sem a materialização, os três personagens da aludida equipe, não seriam vistos nem percebidos por nenhum morador daquela cidade.

Ora, isto também não é o que acontece aqui na Terra?

Quantos irmãos desencarnados que nos rodeiam 24 horas por dia, compondo a população da dimensão adjacente à Terra - que também podemos denominar planeta Umbral - que somente seriam visualizados por nós, caso se submetessem aos processos da materialização, os quais são muito bem documentados na ciência espírita?

No livro Mundo Espiritual é Planeta, Dr. Inácio Ferreira, pela psicografia de Carlos Bacelli, faz interessante colocação:

 

“Assim como a maioria dos homens encarnados desconhece os fenômenos da Vida que os rodeia, nós, os desencarnados, ainda não percebemos tudo do Mundo para o qual nos transferimos – aliás, sabemos menos do Mundo Espiritual do que sabemos da Terra!”

 

Bela síntese da nossa real ignorância, tanto do que aqui na Terra existe, quanto muito mais, da nossa futura morada, o planeta espiritual que nos há de acolher.

Concluo com este primor de citação de Dona Modesta no livro acima referido.

“O homem, por exemplo, sabe mais do seu corpo físico do que da sua própria essência – conhece mais das rugas de seu rosto que das reentrâncias de seu espírito.”

 

É preciso pensar a respeito!

 

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(2) Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. Tradução de Manoel Justiniano Quintão, 35ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 425p.

(2) Luiz, André. Libertação. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 17ª ed. Brasília. Editora FEB, 1949. 263p.

(3) Ferreira, Inácio. Mundo espiritual é planeta. Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Uberaba. Editora LEEPP, 2015. 320p.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 

Para nós, espíritas.

 

No Novo Testamento, em Mateus 18:1-4 encontramos:

“Naquele momento, os discípulos chegaram a Jesus e perguntaram: "Quem é o maior no Reino dos céus?"

Chamando uma criança, colocou-a no meio deles, e disse:                               "Eu asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus. Portanto, quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus.”

Nos dias de hoje essa é a recomendação das recomendações quando pensamos em nossa participação na Doutrina como espírita e mais ainda, para os que acham relevante, como membro do movimento espírita formalizado.

 

Em outras palavras, Jesus se referia à humildade e à simplicidade.

 

Parece fácil, para nós espíritas pensar assim, mas, não é não. Recorde, caro leitor, sua provável origem espiritual que nos levou a encarnar no Brasil “desfrutando” das benesses da luz libertadora do Espiritismo cristão. Essas origens estão bem assentadas no livro Brasil coração do mundo pátria do Evangelho ditado por Humberto de Campos, psicografado por Chico Xavier. E se ainda não leu, já vou adiantando que nossa origem não é boa coisa.

Ínfima parcela - mas põe ínfima parcela nisso - de espíritas atualmente encarnados estão desenvolvendo um trabalho missionário. A quase totalidade de nós outros, somos profundos devedores com raros créditos na contabilidade divina.

Na verdade, precisamos aprender a avaliar a posição de espírita, como espírito encarnado, sem a lente da ilusão, sob o iminente risco de repetirmos velhos erros das estruturas religiosas de outrora, das quais somos provenientes.

A parábola do joio e do trigo em que Jesus nos fala do Reino dos Céus, anotada por Mateus (13:24-30, 36-43), ilustra a coexistência entre o bem e o mal no mundo.

Recomento fortemente também, ao querido leitor deste Blog, que leia o livro Voltei, psicografado por Chico Xavier, que narra a passagem para o mundo espiritual de Frederico Figner e que pelo pseudônimo de Irmão Jacob, dita a obra. Encontramos nela, as enormes dificuldades deste irmão espírita após o fenômeno da morte. Considerado na época, um dos espíritas mais perfeitos, se caso ele próprio não viesse fazer esta revelação, dificilmente alguém suporia que pudesse viver estas situações.

A obra é um grande alerta, para os que assim a entenderem, contra a ilusão perigosa de nos supormos muito mais importantes do que realmente somos. Especialmente os irmãos que provisoriamente se encontram à frente das instituições espíritas, das entidades unificadoras ou na figura simples e devedora de médium.

O alerta se estende a muitos irmãos desavisados que, com as facilidades atuais de acesso às mídias digitais, propagam seus pontos de vistas a respeito das verdades espíritas emitindo opiniões desencontradas que mais ofuscam e desequilibram, semeando a descrença em muitos, ao invés de elucidar.

Se digladiam em discussões irrelevantes quanto intermináveis, sobre se o Espiritismo é cristão ou não, se é ciência ou religião, dando azo, quando não, patrocinando as urdiduras sutis das trevas que tranquilamente, semeiam o joio no terreno fértil que encontram em nós próprios, com a finalidade de tirar Jesus do Espiritismo.

Está muito claro que os maiores obstáculos para o avanço da Doutrina Espírita encontram-se portas adentro das nossas instituições. Foi-se a época em que as maiores lutas eram travadas com os que vinham de fora.

Por outra, continuamos a crucificar Jesus. Agora não mais à Sua pessoa, mas à Sua mensagem gloriosa encetada nas páginas memoráveis de Seu Evangelho. Jesus incomodou e incomoda-nos até hoje com sua beleza espiritual e ensinos.

A luta é árdua, meu irmão.

Sem dúvida, escasseia entre os adeptos do movimento espírita, humildade e simplicidade e há fartura de orgulho e egoísmo, velhos conhecidos nossos de outros tempos. Com as naturais exceções, Movimento espírita que no dizer de Dona Modesto Cravo é:

 

“Uma enfermaria repleta de doentes que acreditam ser médicos, com todas as soluções para o bem do Evangelho de Jesus.”

 

Entendo, por fim, que a saída é servir, servir, servir e passar, recordando sempre que a obra não nos pertence.

A Doutrina é esplendorosa no que concerne aos conhecimentos que nos favorece, porém se pensarmos demais e amarmos de menos, perderemos o foco essencial da vida e lutaremos por aquilo que não é prioritário desperdiçando valioso tempo e esforço.

Na fase de transição em que nos encontramos, espíritos espíritas, realizamos pequenos progressos. Já não mais procuramos o mal de forma espontânea e consciente, embora ainda resida no nosso íntimo; não intencionamos mais prejudicar as pessoas, porém como ainda o bem não fincou raízes em nós e nem o praticamos tal qual deveríamos, novamente podemos ser tomados de assalto pelas velhas ilusões do orgulho e do egoísmo que nos rondam.

Em nós, a devoção e o sincero amor são bem distinguíveis pelos espíritos superiores. Por isso mesmo, é imprescindível exercitar as nossas virtudes na prática da caridade. Sem ela não há salvação para as nossas imperfeições.

Queremos novos rumos, lutemos por eles.

Simplicidade e humildade devem pautar nosso comportamento, o resto virá nas expressões da Bondade Celeste.

Renovemos atitudes. Somente a poder delas iluminamos a consciência onde estão escritas as Leis de Deus.

 

Até a próxima semana!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

 

Certas grandezas que assombram.

 

Lançada no ano de 1977, a Voyager 1 é hoje o artefato criado pelo homem mais distante da Terra. De acordo com dados atualizados da Nasa, ela se encontra a mais de 25 bilhões de quilômetros da Terra.

Depois de quase 50 anos no espaço, a Voyager 1 da NASA está prestes a atingir um marco histórico. Até 15 de novembro deste ano, ela estará a 25,9 bilhões de km de distância, o que significa que um sinal de rádio levará 24 horas inteiras — um dia-luz inteiro — para alcançá-la. Hoje, para termos uma ideia, um sinal enviado pela nave leva 23 horas e 20 minutos para chegar até a Terra. Para comparar, a luz do Sol que nos ilumina, está a 150 milhões de quilômetros e leva 8 minutos para chegar em nosso planeta.

Parece muito, não é? Mas não é se considerarmos dados mais conhecidos.

A estrela mais próxima da Terra, excluindo o Sol, é chamada de Proxima Centauri, localizada a cerca de 4 anos-luz(*) de distância, o que equivale a aproximadamente 40 trilhões de quilômetros. Isto mesmo cara leitor. Para chegar à Terra, a luz desta estrela leva 4 anos. E olha que é a estrela mais próxima. Imagine as mais distantes!

Continuemos mais um pouco neste exercício.

A nossa galáxia, a Via Láctea, que é o lar de centenas de bilhões de estrelas, se estende por um diâmetro de aproximadamente 100.000 anos-luz, sendo que cada ano-luz corresponde a 9,46 trilhões de quilômetros. Ou seja, se você deseja saber qual o diâmetro da Via Láctea em quilômetros, basta multiplicar 9, 46 trilhões por 100.000. O resultado é de aproximadamente 9 quintilhões de quilômetros. Consegue imaginar tal distância?

Viajando à velocidade da luz, que é de 300.000 km /segundo, você levaria 100 mil anos para atravessar nossa galáxia. Considere que a Via Láctea, beleza da engenharia Divina, está quase no extremo do Universo e dentro dela, o nosso Sistema Solar, localiza-se na periferia da galáxia.

Finalmente, chegando até às fronteiras cósmicas do Universo observável pelos dados da Ciência, descobrimos que seu diâmetro é de 93 bilhões de anos-luz. Uma verdadeira maravilha astronômica inabordável em nosso estreito pensamento.

Chega, não é? Cansa a mente.

Certa vez, Chico Xavier tendo perguntado sobre a posição do Mestre Jesus em relação ao planeta Terra, Emmanuel respondeu-lhe mostrando a pequenez de nosso planeta em relação à infinidade de mundos, sóis e estrelas que existem. Isso foi num crescendo sem fim, até o ponto que Chico cansou e pediu que Emmanuel parasse e lhe devolvesse à sua casa, para que pudesse sentar à mesa e tomar uma xícara de café.

Se falando somente um pouco sobre certas grandezas de nosso cosmo físico, nos sentimos cansados a ponto de dificultar o entendimento pleno, imaginem a imensidão das grandezas no campo espiritual?

Sabemos que a população de espíritos desencarnados que envolvem a Terra, é próximo de 4 vezes o número dos encarnados. Algo em torno de 30 bilhões de almas que, como nós filhos de Deus, procuram seu aperfeiçoamento espiritual.

Seguindo este raciocínio, é coerente afirmar que no Brasil espiritual teremos 800 milhões de habitantes. Correto?

Entre encarnados e desencarnados na Terra e nas dimensões (ou planetas) ao redor dela, somamos 38 bilhões de almas, que segundo o Dr. Inácio afirma, na obra Jesus e o Espiritismo, se dividiriam, aproximadamente assim: Abismo 8%; nas Trevas 21%; na Crosta 26%; no Umbral 38% e nas esferas superiores 7%.

Verdadeiramente o ensino de Jesus no Evangelho, “Há muitas moradas na casa de meu Pai” deve sim, ser encarado com convicção. Se é assim, com tantas moradas há de se ter muitos moradores. E estes moradores existem tanto no Universo físico quanto no Universo extrafísico.  

Infelizmente, para muitos, o Universo extrafísico é uma utopia. Isso porque o homem encarnado não está habituado a refletir sobre estas questões mais transcendentes. Tão somente pensa e muito pouco, em termos de Universo físico. Se muito palidamente conhecemos este Universo, o qual na sua imensurável imensidão é um verdadeiro mistério, difícil compreender as dimensões e desdobramentos que nos aguardam no Universo (ou universos) espirituais.

Até a próxima semana!

 

*Ano-luz: distância que a luz, viajando a 300.000 km por segundo, percorre em um ano.

 

Referência

(1) Ferreira, Inácio. Jesus e o Espiritismo. Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Uberaba. Editora LEEPP, 2011. 306p.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

 

Contrabandistas na vida eterna

 

O Espiritismo sendo uma doutrina consoladora como uma das suas principais características, assim o é, por seu aspecto, fundamentalmente, esclarecedor.

Acontece que, na maioria das vezes, para nós encarnados, passarmos a ser detentores de determinado conhecimento, pode ser custoso. Não no sentido de sua obtenção, já que a doutrina está às mãos de qualquer um que a queira conhecer.

Custoso no sentido de ao nos ilustramos sobre determinado tema, ele venha a mexer com a gente. Mexer lá na profundidade onde normalmente não gostaríamos de ser incomodados.

Figuradamente, seria como adentrar em um cômodo, há muito, por nós abandonado, que acumulou muito sujeira, objetos velhos e insetos próprios destes ambientes insalubres. Quando decidimos por adentrá-lo e limpá-lo, muitas vezes hesitamos, somos tomados pela preguiça milenar e pela falta de “coragem” mantida pela sombra dos hábitos que imperam em nosso íntimo, desistimos, quando não, blasfemamos.

Por séculos, as várias religiões que deveriam preparar os fiéis para a vida, conscientizando-os da sobrevivência da alma, com suas naturais consequências, pouco fizeram e fazem neste sentido, criando cada vez mais “crianças espirituais” no dizer de Zenóbia no livro Obreiros da vida eterna.

O Espiritismo, como verdadeira luz a iluminar os caminhos que necessitamos trilhar, nos convida a mais íntima reflexão, induzindo-nos na coragem de facear nossas próprias imperfeições como caminho único da melhora espiritual.

Assim, remetemos o leitor amigo deste Blog, ao livro Nosso Lar, o qual, magistralmente registrado pelo médium mineiro Chico Xavier, é inigualável demonstração de que o homem encontrará na vida espiritual o que amontoou para si mesmo na Terra.

Ao lado de Tobias, o tarefeiro que o acompanha em toda a jornada descrita na obra, André Luiz inicia-se no trabalho, ainda como observador, nas Câmaras de Retificação. Estas câmaras acolhem irmãos desencarnados desequilibrados, muitos desconhecendo sua situação de “mortos” da Terra, que André Luiz os compara a verdadeiros despojos humanos.

Muito triste a situação destes irmãos!

Tobias os denomina de “contrabandistas na vida eterna”. Segundo ele:

 

“Acreditavam que as mercadorias propriamente terrestres teriam o mesmo valor nos planos do Espírito. Supunham que o prazer criminoso, o poder do dinheiro, a revolta contra a lei e a imposição dos caprichos atravessariam as fronteiras do túmulo e vigorariam aqui também, oferecendo lhes ensejos a disparates novos. Foram negociantes imprevidentes. Esqueceram de cambiar as posses materiais em créditos espirituais.”

 

Na minha modesta opinião, esta descrição feita por Tobias, caracteriza a imensa maioria das pessoas encarnadas hoje na Terra. Principalmente por muitas autoridades constituídas, não todas é claro, que deveriam zelar pelo povo e não o fazem. Acumulam tanta riqueza material como se fossem poder levar consigo após a grande transformação. Isso me faz recordar a lição de Jesus se dirigindo ao povo da época e para todos nós hoje para que:

 

“...ficássemos de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens”; e lhes contou a Parábola do Rico insensato (Lucas 12:13-21):

 

“A terra de certo homem rico produziu muito. Ele pensou consigo mesmo: ‘O que vou fazer? Não tenho onde armazenar minha colheita. Então disse: Já sei o que vou fazer. Vou derrubar os meus celeiros e construir outros maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens. E direi a mim mesmo: Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se. Contudo, Deus lhe disse: ‘Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou?’ Assim acontece com quem guarda para si riquezas, mas não é rico para com Deus”.

 

No Evangelho segundo o Espiritismo, Pascal no capítulo XVI, Não se pode servir a Deus e a Mamon, escreve sobre a Verdadeira Propriedade:

 

“O homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo. Do que encontra ao chegar e deixa ao partir goza ele enquanto aqui permanece. (...) Que é então o que ele possui? Nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais.”

 

Creio que, do lado de lá da vida, muita gente irá se decepcionar por estar acostumada a ser tratada baseada na sua fortuna, posição social e posses. Triste ilusão que lhes arremeterá ao sofrimento e muitas lágrimas, cuja causa a não ser aos próprios desatinos, deverão atribuir. A Vida do homem onde estiver. estará centralizada onde centralize ele o próprio coração.

Para encerrar, apenas gostaria de lembrar que André Luiz, célebre autor espiritual do best-seller Nosso Lar, como a reencarnação do eminente médico Carlos Chagas, possuidor de muitos méritos na Terra, retomou o trabalho no Mundo Espiritual, limpando vômitos de pessoas doentes nas Câmaras de Retificação. Pergunto o que sobra pra nós?

Até a próxima semana!

  

(*) Todos os grifos são meus

 

(1) Luiz, André. Obreiros da vida eterna. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Brasília. Editora FEB, 1946. 304p.

(2) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 410p.

(3) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.


  Aspectos espirituais do Suicídio    Dados estatísticos recentes apontam que, anualmente, 720 mil pessoas perecem pelo suicídio no Mund...